Ao concluir a prova de luta greco-romana que lhe valeu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2012, o cubano Mijain López Núñez levantou a mão direita e com ela não desenhou um V de vitória mas sim o L de liberdade...
O gesto pode ser interpretado como involuntário... mas não parece nada! É que se assemelha demasiado ao mesmo desenho das mãos que é usado por dissidentes cubanos nas suas escassas, restritas e perigosas manifestações públicas.
Não sei como vai o severo regime do seu país lidar com o caso, mas entre nós há um processo em que detecto pontos de contacto curiosos.
Aconteceu que o editor do guia de restaurantes, cafés e bares da cidade “Porto Menu”, fez publicar na capa da nona edição uma fotografia duma zona central da cidade, em que aparece esta inscrição na fachada de um edifício: NÃO RIO, ÉS UM FDP.
A frase, em si mesma, é ilegível. Embora se preste a uma interpretação obvia facilitada pelo contexto em que se insere - palavra chave que está associada a um espaço e um tempo - ela carece
de ser interpretada subjectivamente. Oferece uma leitura ambígua, enfim. Mas Rui "Rio", o presidente da Câmara Municipal do Porto, indignado, moveu uma acção judicial, tanto mais que a inscrição que aparenta ser um "graffiti" não existe realmente no local - foi inserida graficamente na fotografia, como o próprio autor terá feito questão de confirmar.
Mutatis mutandis, que nem Manuel Leitão é campeão olímpico, nem López Núñez é pequeno empresário – nem pequeno, nem empresário – há uma proximidade curiosa entre os dois, além da forma que usaram para se expressar: é que ambos combatem contra o exercício abusivo do Poder, nos seus países, ... apesar de Cuba e Portugal terem sistemas e regimes opostos.
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2012/08/09
2010/07/06
prisões mentais
Para informação dos dirigentes do PCP, Bernardino Soares que “desconhece” a existência de presos políticos em Cuba, Margarida Botelho e Odete Santos (para nomear apenas os que vi ou ouvi pronunciarem-se publicamente em defesa da "democracia" cubana), aqui fica um recorte do jornal brasileiro "Estadão"« O ministro espanhol de Assuntos Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, chegou nesta segunda-feira, 5, em Havana, onde tem marcadas reuniões com o governo cubano e representantes da Igreja Católica para apoiar o processo de diálogo sobre os presos políticos».
Em DN/GLOBO pode ler que «Fariñas, psicólogo e jornalista de 48 anos, iniciou uma greve de fome em Fevereiro passado (...) e pede ao Governo que sejam libertados 26 prisioneiros políticos doentes...»
Mas acrescento apenas mais um recorte de muitos possíveis, agora com origem na AFP:
« HAVANA — O número de presos políticos cubanos passou de 201 a 167 nos últimos seis meses, a cifra mais baixa desde a revolução de 1959, mas aumentaram a prisões de curta duração, afirmou nesta segunda-feira uma comissão ilegal sobre direitos humanos».
Com esta minha ajuda evitam sujar os olhos no blogue GeneraciónY onde muitos cubanos se referem aos factos e aos sentimentos não comandados.
Eu sei que lhes é mais conveniente invocar as prisões políticas dos comunistas portugueses de há dezenas de anos, mas por uma questão de oportunidade e de legitimidade moral, conviria ser menos... discriminatório e incoerente.
Também os poupo a tomar conhecimento de que as listas de passagem ao desemprego, actualmente a ser publicadas em Cuba, não podem ser objecto de manifestações de protesto...
Só não posso poupá-los à responsabilidade de descridibilizarem o PCP perante a base social com que poderiam contar se fossem sérios.
AVISO: É possível que a imprensa cubana não refira as razões desta visita do ministro espanhol. Não estranhem...! Também é possível que Albano Nunes (Secretariado) considere este artigo «de contornos fascizantes» mas isso já é de outro fôro.
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