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2022/03/27

Porque hoje é domingo 116

Hoje não vou comentar o texto do Evangelho que inspira as homilias do dia: o regresso do filho pródigo. O dilema entre justiça e tolerância exigiria demasiado esforço para aquilo que me pagam... Em compensação, publico uma imagem recolhida hoje mesmo na Rua de Sta Catarina, no Porto:

2016/10/26

Transportados como porcos

"Somos transportados como porcos!" é a forma como a população do Porto traduz a designação STCP. E como porcos somos obrigados a resignar-nos porque as reclamações não são apenas inúteis, são também impraticáveis.

De resto, se as empresas de transportes tivessem pelos utentes alguma consideração, não esperavam pelas reclamações, cumpriam os horários e prestavam os serviços que anunciam.

As queixas, bem juntinhas, não caberiam na frota. Por isso deixo apenas os dois exemplos mais "frescos". Trata-se de duas tentativas de viagem da Casa da Música para Gaia.

Ontem à noite o autocarro 902 que devia fazer aquele percurso às 22h50... não fez. Ou então perdeu-se no caminho. Hoje, o 903 em percurso idêntico às 21h50, saiu atrasado - o condutor devia ter umas conversas em atraso com algum colega na Casa da Música! - e saiu em velocidade acelerada numa gincana aparatosa pelas ruelas de Gaia, fazendo perigar a segurança das outras viaturas e dos passageiros entre os quais se contavam crianças e pessoas com mobilidade deficiente.

Que se lixe, é Povo! E se for povo contra povo, motorista contra passageiros, tanto melhor: a gente lava as mãos e vai comer uma francesinha ao Capa Negra que fica no caminho.

Na figura seguinte que pretende ilustrar uma tentativa de reclamação, assinala-se ao fundo a vermelho a única coisa que se pode fazer com a reclamação: cancelar!


2016/09/05

Palácio de Cristal

 Se trago aqui esta recomendação é porque este ano a Feira está linda - o que nem sempre aconteceu... E os jardins do Palácio de Cristal, eles próprios estão mais vivos e mais alegres com a Feira e as outras iniciativas associadas. 

2015/03/07

Camélias p'ra carago!



Tá tudo AQUI, murcóm!

2014/10/22

Costa & Moreira, a mesma luta!

Aqui se vê como o carácter dos actores políticos
é fundamental.



"As cidades do Porto e Lisboa consideram que as preocupações fundamentais dos municípios não estão de forma alguma acauteladas, nomeadamente quanto aos termos do concurso de concessão recentemente lançado nos transportes do Porto, bem como na persistência da intenção de proceder ao lançamento da concessão dos transportes de Lisboa a privados", referiram os autarcas, num comunicado conjunto divulgado esta terça-feira.
2014-10-21 JN

2014/08/13

Joaquim Namorado



Estava eu com os meus pais a passar férias na aldeia de Murtede, de onde o meu pai era natural, quando me apercebi que havia qualquer coisa a acontecer na Casa do Povo. Mais para conhecer a casa onde nunca tinha entrado, do que para ver o que se passava dentro e em relação ao qual não tinha quaisquer expectativas, entrei.

O que eu presenciei era de todo inusitado. Naquela terra onde eu pensava que as pessoas apenas se interessavam pela agricultura, por leitão e chanfana, e por bicicletas, uma sala cheia de gente atenta, interessada, ouvia o poeta Joaquim Namorado que ainda hoje não sei porque foi ali parar.

Eu sei que quase ninguém conhece o Joaquim Namorado, mas para mim era um mito. De tal modo que tinha decorado o seu poema "Port Wine" que conheci pela voz de Mário Viegas, e que termina assim:

O rio Douro é um rio de sangue
por onde o sangue do meu povo corre.
Meu povo, liberta-te, liberta-te.
Liberta-te, meu povo. Ou morre!


Mais tarde tive o prazer de inserir este seu poema num documentário que fiz para a RTP sobre a poesia de resistência à ditadura salazarista: eu chamei ao documentário "Versos e Reversos".

NOTA PARA EVITAR CONFUSÕES:
Alguém alheio ao programa mas com poder burocrático para o efeito, resolveu abusivamente registá-lo e anunciá-lo com o nome "Palavras de Abril" mas este título é tão obvio que reaparece noutras iniciativas tal como aconteceu nas comemorações recentes dos 40 anos.

Mas agora o que me importa é divulgar a exposição a que se refere o folheto acima.

2013/09/19

Ideias para o Porto e disparates

Em Lisboa, a Avenida de Roma não fica nada atrás da Avenida da República e o bairro de Telheiras (na foto) não é menos simpático do que Alfama ou o Bairro Alto – são espaços, arquitecturas, atmosferas e até culturas diferentes. Mas cada um deles vale por si mesmo sem substituir nenhum dos outros.

A criação e desenvolvimento dos bairros periféricos, é a melhor solução contra o congestionamento do trânsito, contra a especulação imobiliária e contra a asfixia geral dos centros históricos. Pólos dispersos de atracção de moradores através de infraestruturas satisfatórias, resolvem mais problemas nas grandes cidades do que estratégias de circulação que sempre se traduzem em constrangimentos, e mais do que parques de estacionamento em espaço exíguo e com grandes custos de implementação e de utilização.

Com acessos e transportes adequados – e pouco há que gastar, porventua, para isto – viver no centro da cidade é uma vantagem duvidosa. Hospitais, escolas, mercados e empresas fora do centro satisfazem melhor do que o congestionamento insolúvel a que se assiste geralmente no desenvolvimento concentracionário da cidade.

O Porto merece um Douro fascinante como tem, e um centro vivo, é certo, como merece e necessita da recuperação do parque edificado e dagradado, mas também precisa de pólos habitacionais dispersos pelas zonas periféricas, dotados de serviços e comércio, de lazer e transportes que os tornem atractivos especialmente para os habitantes locais, compensando assim o congestionamento da cidade.

Conheço pessoas que vivem em bairros periféricos de metrópoles ou até em subúrbios, que perderam o hábito de frequentar o centro ou mesmo a cidade, uma vez que encontram tudo o que precisam, perto de casa.


Londres, um velho caso de estudo

Este conceito é antigo e é bom que tenha sido defendido por um ou mais autarcas do Porto na campanha eleitoral; assim haja capacidade para implementá-lo na estratégia de um “Porto Forte” ou de um “Porto de Futuro”, de uma candidatura “Por Todos” ou de outra que reivindica “Mudar o Porto”…

Já a proclamação para “Virar o Porto ao Contrário” é um mero exibicionismo verbal de quem não troca uma frase “bombástica” por um gesto simplesmente útil, ou, segundo Lenine, a expressão de um “radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista”.

2013/09/11

O Porto está morto, viva o Porto

Escurece, e o Porto desaparece, foge do centro. As ruas principais vão-se tornando sombrias, ameaçadoras. Deserto, mais parece um cemitério. Quais mausuléus, também tem majestosos monumentos de granito trabalhado que se erguem para o céu e ali se perdem.

O Porto, à luz do dia, mostra-se esventrado e desfigurado; à luz da noite, é um labirinto de ruelas pardas e assustadoras por onde se arrastam vagabundos sombrios e prostitutas de carnes suadas.
O Porto foi entregue à indignidade.

Rua Sá da Bandeira

Senhores gestores do que resta da cidade: convido-os a descer as ruas da baixa, o ex-libris da cidade, ao que se diz. Desçam Santa Catarina de noite, quando o comércio está fechado. Mas não vão em cortejo porque assustam os fantasmas. Um hoje, outro amanhã, sem escolta, sem cão e sem BMW. A pé, abandonados à cidade que inventaram.

Se tiverem a coragem de seguir mesmo até ao fundo da rua que oferecestes aos vossos eleitores, ireis desaguar na Praça da Batalha onde dorme tudo quanto de dia é ouro: o café Chave d’Ouro, o cinema Águia d’Ouro e o mijadouro que existia por baixo da Igreja e já não há porque foi soterrado.

Era suposto ser o "hall" de entrada sul, da cidade que fizestes, a Praça da Batalha, mas nem o Cine-Teatro S. João lhe empresta respeitabilidade; está para ali, entre os tremoços e as cervejas das esplanadas terceiro-mundistas que rodeiam a praça. Experimentem sentar-se a uma mesa dessas chafaricas. E como prémio pelo esforço, ficam dispensados de conhecer o resto da cidade, a pé. Que, de carro, eu sei, conhecem tudo. Pode-se conhecer o mundo até de avião; viver lá é que não.
Depois, há aquelas duas zonas onde uma juventude estudantil se estuda, faz o seu curso nocturno para a vida adulta: entre o "Piolho" que não por acaso fica junto da Reitoria da Universidade, a Rua Galeria de Paris, José Falcão e Praça Filipa de Lencastre – um rodopio de gente linda e subsidiada que nos faz esquecer a outra gente, as outras famílias. Se não fossem os carros do lixo a importunar, limpando o que a gente linda suja, nem se dava por que há outra realidade. Mas "está-se bem": seja feliz quem pode e nos contagie com a sua alegria. "Do tipo. Tás a ver?"


A questão é que nada desta animação se deve aos autarcas do Porto. O que se lhes deve é a degradação das ruas centrais: Santa Catarina, Sá da Bandeira, Avenida dos Aliados…

Ah, sim, eu sei: a ribeira, a histórica e deslumbrante ribeira que embalou gerações de tripeiros e foi descoberta, finalmente, pelos estrangeiros. Aqui há algum mérito das Câmaras de Porto e Gaia no desenho das luzes que discretamente pontuam como estrelas, como luas, a paisagem sombria dos velhos casarios.

O resto, a animação, foi puxada pelo comércio local - com as virtualidades e as indigências locais. Animação que é feita mais uma vez pelos próprios frequentadores, um palhaço pobre, uma estátua humana e um cantor de bom gosto que à sua custa e do restaurante que o patrocina, entretém os circunstantes mais próximos.



Espanta-me, portanto, que um candidato a presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, venha declarar que não quer que o Porto se transforme numa Disneylândia para turistas. O que vale é que já ninguém quer saber o que pensa Moreira desde que Menezes vê legitimada a sua candidatura.

Nota:
A última foto é de Carlos Albuquerque e foi copiada de olhares.sapo.pt

2013/08/20

Porto tão perto (2)


Já foi fotografada um milhão de vezes. Mais, muito mais. Mas a gente tem sempre a sensação de que há um ângulo que não foi explorado, ou uma luz, ou uma neblina… Há sempre, com certeza, alguém que por lá passa e que não passou das outras vezes. E até os barcos, cópias dos rabelos com pipas vazias ou turistas deslumbrados – justamente deslumbrados, entendamos.


A ponte D. Luis não é como a Torre Eiffel que não serve para nada – a ponte liga o Norte ao Sul de Portugal. Não estou a exagerar, que o bairrismo exacerbado de muitos portuenses chama a Gaia, Marrocos, e, aos lisboetas, mouros, logo Espinho, Aveiro, Coimbra, Entroncamento, é tudo sul!...

Mas dizia eu que a Ponte D. Luis, em rigor, Ponte Luis I, com tabuleiro em cima e tabuleiro em baixo donde salta para o Douro a “canalha” local, além de grande, magestosa e linda, abraça Porto a Gaia com férrea solidez e belo rendilhado como é a gente que ali nasce, franca e afectuosa “p’ra carago”.

De um lado, pitoresca, a ribeira portuense de longas tradições, conhecida no meu tempo de criança, pelas cheias e as inundações entretanto controladas; do outro lado, o chamado Cais de Gaia que copiou a evolução do Porto e criou bares e restaurantes que foram ganhando qualidade, e profissionalismo na arte de agradar aos visitantes. Mas cuidado: há que escolher.

Actualmente percorrem o leito do rio para montante e para jusante, os cruzeiros de pequeno e grande porte. Percorrendo as margens de ambos os lados, os automóveis parecem flutuar na estrada, gozando sem pressas a paisagem. E há os que fazem uma paragem com a cana de pesca ou a câmara fotográfica, que há sempre uma imagem imprevista que faltou capturar. É uma pena que se não possa levar o Douro para casa! (Isto sou eu a falar porque nunca levei com ele no tempo das cheias...).

(Fotos originais mas sem reserva de propriedade)

2013/08/09

Porto tão perto




(Fotos originais)

2012/08/09

Liberdades em conflito

Ao concluir a prova de luta greco-romana que lhe valeu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2012, o cubano Mijain López Núñez levantou a mão direita e com ela não desenhou um V de vitória mas sim o L de liberdade...

O gesto pode ser interpretado como involuntário... mas não parece nada! É que se assemelha demasiado ao mesmo desenho das mãos que é usado por dissidentes cubanos nas suas escassas, restritas e perigosas manifestações públicas.

Não sei como vai o severo regime do seu país lidar com o caso, mas entre nós há um processo em que detecto pontos de contacto curiosos.

Aconteceu que o editor do guia de restaurantes, cafés e bares da cidade “Porto Menu”, fez publicar na capa da nona edição uma fotografia duma zona central da cidade, em que aparece esta inscrição na fachada de um edifício: NÃO RIO, ÉS UM FDP.

A frase, em si mesma, é ilegível. Embora se preste a uma interpretação obvia facilitada pelo contexto em que se insere - palavra chave que está associada a um espaço e um tempo - ela carece de ser interpretada subjectivamente. Oferece uma leitura ambígua, enfim. Mas Rui "Rio", o presidente da Câmara Municipal do Porto, indignado, moveu uma acção judicial, tanto mais que a inscrição que aparenta ser um "graffiti" não existe realmente no local - foi inserida graficamente na fotografia, como o próprio autor terá feito questão de confirmar.

Mutatis mutandis, que nem Manuel Leitão é campeão olímpico, nem López Núñez é pequeno empresário – nem pequeno, nem empresário – há uma proximidade curiosa entre os dois, além da forma que usaram para se expressar: é que ambos combatem contra o exercício abusivo do Poder, nos seus países, ... apesar de Cuba e Portugal terem sistemas e regimes opostos.

2010/11/21

A censura anda aí


Funcionários da Polícia Municipal da cidade do Porto, entraram nas instalações da "Federação dos Sindicatos do sector Têxtil, Vestuário e Calçado" e retiraram ilegalmente uma faixa de propaganda que fazia o apelo à Greve Geral de 24 de Novembro e que estava colocada na varanda das instalações da própria Federação.Esses mesmos elementos da Polícia Municipal tentaram retirar uma faixa idêntica no "Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte" sendo que aqui, legitimamente, o Sindicato conseguiu impedir essa acção.

É o PSD que quer ser governo nacional... Dasss!

2009/12/30

O Porto tem muito ouro

mas não tem petróleo

Com aquele humor de fino recorte e superior inteligência que os orgãos de “comunicação social” muito valorizam, só comparável às vulgaridades de Manoel de Oliveira, proferiu Pinto da Costa esta enormidade: “O Porto não tem petróleo!”.

A minha indignação, entenda-se, não é tanto por causa do que ele disse mas sim pelo que ele não disse: que o Porto, se não tem petróleo, tem ouro e muito.


Desde logo, o rio, o Rio Douro. Mas também os cafés Âncora d’Ouro (o "Piolho") e Chave d’Ouro, o cinema Águia d’Ouro e um mijadouro que se situava até há pouco tempo por baixo de uma igreja.

Qualquer portuense sabe disto como é o caso do presidente do "FQP", mas uma vez mais se prova que ser portuense não é ser portista.
Bibó Salgueiros, carago!

2009/08/15

Teatro no Porto

Cessem de Gil Vicente e de Garrett, as cenas todas que outrora fizeram, que eu tenho a incumbência de erguer o teatro que os portuenses esperam.

E digo os portuenses somente, por modéstia, não por incapacidade, que aquilo a que venho por missão, extravasa as fronteiras da cidade.

Assim acorram "da Ribeira até à Foz", das Antas a Matosinhos, de Gaia e outros concelhos vizinhos, os actores, o público e o dinheiro com que se compram pregos, tintas, panos e papeis. Cómicos , apareçam. Cómicos verdadeiros, que dos outros já estamos cheios.

2009/06/26

"O Piolho" do Porto


Hoje, 26 de Junho, é justamente invocado em vários espaços virtuais:

"Chama-se Âncora de Ouro, mas por este nome, no Porto, ninguém o reconhece. É para todos “O Piolho” e faz hoje cem anos. Tradicional café dos universitários, foi também ponto de encontro de quem lutou contra a ditadura"
http://www.cienciahoje.pt/

Muita da mística do Piolho consistia no seu ar degradado, algo que se perdeu com as recentes obras de recuperação. Mas há esperança. Como referiu o seu proprietário Edgar Gonçalves, "cabe agora às pessoas continuarem a vir cá degradá-lo".
http://contraculturalmente.blogspot.com/


Participam nesta iniciativa o médico António Graça, em representação das gerações dos anos 40, o jurista e político Pedro Baptista (anos 60) e o matemático Paulo Morais, representando os estudantes dos anos 80, disse aquele responsável.
… "Temos para este ano marcados mais dois debates sobre lutas estudantis, um em Setembro e o terceiro em Dezembro", revelou.
http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Cafe-Piolho-comemora-os-seus-100-anos-com-tertulia-que-abre-programa-cultural.rtp&article=209443&layout=10&visual=3&tm=4

Fica junto ao jardim da Cordoaria, no Porto.

2007/04/08

Querido Porto


Ninguém pode banhar-se duas vezes na mesma água de um rio
- disse um filósofo antigo.

Quem diz um rio...

Porém, quanto de mim, quanto de Porto, se reencontraram.
Uma vez mais.

Desculpem mas... não há «razão» alguma para esta postagem.
Há sentimento, apenas.

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