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2017/07/02

Às armas! Às armas!

O que tem de comum o caso de Pedrógão Grande e o desvio de material de guerra dos paióis de Tancos? 


Qualquer banco, centro comercial ou chafarica tem câmaras de vigilância para alertar ou, pelo menos, identificar as pessoas e as circunstâncias de um crime eventual contra a propriedade.

Além daqueles brinquedos, as grandes empresas são servidas por uns empregados mal pagos mas muito zelosos - é sempre assim - que nos habituamos a designar por "seguranças". Estes têm a vantagem de desencorajar e confrontar eventuais atacantes, prevenindo os crimes.

Só mesmo uma floresta antecipadamente ameaçada e uma unidade militar, porventura a mais perigosa de um país, prescinde de tais aparelhos e de guardas.

Eu sei que que os soldados, pagos ao nível do soldo, fazem falta noutros quartéis para  servirem de criados e de motoristas privados aos respectivos comandantes, mas não sobra um soldado ou um cabo - sargento já seria luxo - para permanecer nas instalações de um grande complexo militar a fim de alertar as "autoridades" em caso de roubo, assalto ou incêndio? 

Aqui fica a sugestão para o caso de nenhum coronel ou tenente-coronel se ter lembrado ainda... Com o devido e merecido respeito, continência e bater de tacão.

2016/08/07

Pic-nic em Paris

(Esta foto, retirada do Google, reproduz fielmente o local apenas; não a situação abaixo relatada)

Até que nos dissesse que era muçulmano, a conversa andou pelas noções de ofensa e de perdão segundo a sua religião, tudo a propósito de estarmos a beber cerveja no pic-nic que improvisámos numa margem do Sena.

Que não era permitido beber cerveja ali! A princípio pasmámos, depois perguntámos: - Mas onde é que está isso escrito?

O segurança apontou para um pequeno cartaz discretamente afixado a poucos metros dos bancos de pedra que nós ocupávamos. Olhamos todos três ao mesmo tempo para o sítio que o homem apontava e lá estava o aviso.

Espantoso: numa cidade ameaçada e atacada violentamente por terroristas, aqueles três pacíficos turistas, tão perigosos como os três pastorinhos de Fátima, eram abordados pelas autoridades para a proibição de partilharem uma cerveja no sítio mais discreto e mais deserto das margens do Sena.

Depois veio a tolerância – desde que não se visse a lata de cerveja – e um início de conversa informal: donde vínhamos, da relação de Portugal com países africanos… É altura de esclarecer que a origem africana do segurança lhe estava estampada na pele, ao que ele acrescentaria ser libanês de origem e muçulmano de confissão religiosa.

Moral ateia da história: o que o homem queria não era exercer represálias pela transgressão alcoólica e nem mesmo converter-nos ao islamismo; queria conversa apenas. E talvez um pouco de cerveja que entretanto se escoara conforme o que estava destinado por mim, pelas minhas amigas e certamente por Alá.