2007/11/23

Tratado mal tratado

A importância do Tratado Europeu depende muito da importância que for dada ao respectivo referendo – uma coisa é um acordo entre líderes, uma espécie de G8 a 27, outra coisa é um acordo entre povos. Em nenhum dos casos a matéria é sagrada porque é política e sempre provisória, mas sagrada é a legitimidade dos povos cujas vidas se decide.

Em geral, em abstracto, em teoria, os dirigentes políticos teriam legitimidade para decidir sem referendo, como tantas vezes tem acontecido com acordos internacionais de grande importância. Mas além de haver hoje maior exigência e maiores condições para o exercício democrático dos poderes, há no caso concreto do Tratado Europeu duas razões incontornáveis:

A primeira é que a questão deste referendo tem uma história suja que é preciso limpar e não conspurcar mais: ele foi reprovado na sua versão original e só poderia vir a ser aprovado numa segunda versão por aqueles que a reprovaram na primeira. Doutro modo trata-se de um embuste e de uma manifestação de autoritarismo e desprezo pelos cidadãos. Nessas condições, o Tratado é uma imposição da Constituição Europeia àqueles que a rejeitaram ou viriam a rejeitar.

O Tratado é um instrumento de trabalho da UE, como se diz, mas é também um pacto entre líderes sobre o futuro da Europa, ou seja, não é um consenso entre os povos mas sim uma falsa legitimação das políticas supranacionais que vão ser impostas ás sociedades europeias.

A segunda razão para o referendo é que os povos querem pronunciar-se sobre uma matéria que interfere com a soberania e a capacidade futura de participação dos cidadãos na vida política. E esta vontade faz cessar a delegação de vontade expressa nas eleições legislativas

Os actores desta farsa, ao invocar a dificuldade dos cidadãos em analisarem as matérias do Tratado, por se tratar de questões muito vastas, profundas ou técnicas, denunciam-se, já que na primeira tentativa de que esperavam a adesão geral, não tiveram essa preocupação – desde que fosse aprovada, pouco importava se era ou não compreendida. Para eles, não são os cidadãos que escolhem as políticas, são as políticas que escolhem os cidadãos!

Se os dirigentes, digo líderes políticos que dirigem esta farsa não reconhecem competência aos cidadãos para decidirem em referendo, também não podem reconhecer-lhes competência para darem o voto a esses políticos. Que se demitam então e assumam a sua opção por estados não-democráticos.

2007/10/04

última ceia...


Tantas últimas-ceias, tantos judas, tantos pilatos... e tanto silêncio em latim.

Avé, avé, avé... Tanta histeria para calar os gritos de justiça!

2007/09/28

simplicity [ver]



In the decades prior to the ‘60s, through the work of such avatars as Woody Guthrie, the Weavers and Pete Seeger, folk music had become identified with sociopolitical commentary, but the idiom had been forced underground in the Senator Joe McCarthy witch-hunting era of the late ‘50s.


By the time Peter, Paul and Mary arrived on the scene, for the majority of America, folk was viewed merely as a side-bar to pop music which employed acoustic instruments.


At this critical historic juncture, with the nation still recovering from the McCarthy era, the Civil Rights Movement taking shape, the Cold War heating up and a nascent spirit of activism in the air, Peter Yarrow, Noel (Paul) Stookey and Mary Travers came together to juxtapose these cross currents and thus to reclaim folk’s potency as a social, cultural and political force. But few at the time could have realized how fervently and pervasively the group’s message of humanity, hope and activism would be embraced.

2007/09/13

crimes sem remorso

Indivíduos que são inteligentes e que são capazes de raciocinar bem, tornam-se monstros sociais quando eles não sentem "emoção social", que é a base da moral, do sentimento que está certo ou errado, etc.

António Damásio , neurologista português

PSICOPATA
Segundo a teoria pela qual uma pessoa psicopata é uma pessoa perversa, supõe-se que nesta classe o doente é um sujeito que se mantém a par da realidade, mas que carece de Superego. Isto faz com que a pessoa psicopata possa cometer actos criminosos sem sentir culpa.

SUPER-EGO
O super-ego é inconsciente, é a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id, impedindo-o de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos. É a repressão, particularmente, a repressão sexual. Manifesta-se à consciência indiretamente, sob forma da moral, como um conjunto de interdições e deveres, e por meio da educação, pela produção do "eu ideal", isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa.

Nota: O Id é a estrutura da personalidade original, básica e central do ser humano, exposta tanto às exigências somáticas do corpo às exigências do ego e do superego.

RESPONSABILIDADE
Do ponto de vista penal, existe o dilema, amplamente discutido, sobre se uma personalidade doente é imputável, especialmente se é de origem psicótica. Mesmo que se trate de uma personalidade doente (exemplos: pessoas sádicas, violadoras, etc.) há tendência para sustentar que há uma punição correspondente, dado que, mesmo doente, a pessoa mantém consciência dos seus actos e pode evitar cometê-los.

Os psicopatas muitas vezes conseguem entender que seus atos são errados, porém não conseguem se autodeterminar com relação ao seu entendimento. Ocasionando com isso, os crimes bárbaros, e na maioria das vezes, podem, os psicopatas, tornarem-se assassinos em série.
(Textos extraídos da Wikipedia)


EXCERTO de um texto de Renato M.E. Sabbatini, em http://www.cerebromente.org.br/n07/doencas/disease.htm :


O indivíduo sociopata geralmente exibe um charme superficial para as outras pessoas e tem uma inteligência normal ou acima da média. Não mostra sintomas de outras doenças mentais, tais como neuroses, alucinações, delírios, irritações ou psicoses. Eles podem ter um comportamento tranqüilo no relacionamento social normal e têm uma considerável presença social e boa fluência verbal. Em alguns casos, eles são os líderes sociais de seus grupos. Muito poucas pessoas, mesmo após um contato duradouro com os sociopatas, são capazes de imaginar o seu "lado negro", o qual a maioria dos sociopatas é capaz de esconder com sucesso durante sua vida inteira, levando a uma dupla existência. Vítimas fatais de sociopatas violentos percebem seu verdadeiro lado apenas alguns momentos antes de sua morte.

Os sociopatas são caracterizados pelo desprezo pelas obrigações sociais e por uma falta de consideração com os sentimentos dos outros. Eles exibem egocentrismo patológico, emoções superficiais, falta de auto-percepção, pobre controle da impulsividade (incluindo baixa tolerância para frustração e limiar baixo para descarga de agressão), irresponsabilidade, falta de empatia com outros seres humanos e ausência de remorso, ansiedade e sentimento de culpa em relação ao seu comportamento anti-social.

Eles são geralmente cínicos, manipuladores, incapazes de manter uma relação e de amar. Eles mentem sem qualquer vergonha, roubam, abusam, trapaceiam, negligenciam suas famílias e parentes, e colocam em risco suas vidas e a de outras pessoas.

Os sociopatas são incapazes de aprender com a punição, e de modificar seus comportamentos. Quando eles descobrem que seu comportamento não é tolerado pela sociedade, eles reagem escondendo-o, mas nunca o suprimindo, e disfarçando de forma inteligente as suas características de personalidade.

Os próprios sociopatas se descrevem como "predadores" e geralmente são orgulhosos disto. Eles não têm o tipo mais comum de comportamento agressivo, que é o da violência acompanhada de descarga emocional (geralmente raiva ou medo) e nem ativação do sistema nervoso simpático (dilatação das pupilas, aumento dos batimentos cardíacos e respiração, descarga de adrenalina, etc).

Seu tipo de violência é similar à agressão predatória, que é acompanhada por excitação simpática mínima ou por falta dela, e é planejado, proposital, e sem emoção ("a sangue-frio"). Isto está correlacionado com um senso de superioridade, de que eles podem exercer poder e domínio irrestrito sobre outros, ignorar suas necessidades e justificar o uso do que quer que eles sintam para alcancar seus ideais e evitar consequências adversas para seus atos.

Por exemplo, em Justine, o personagem que incorpora o Marquês de Sade diz que tudo é justificado quando o objetivo é a gratificação de seus sentidos, e que a ele é permitido usar outros seres humanos da forma como ele desejar para aquele propósito.

O distúrbio sociopático também está altamente associado com a incidência de abuso de drogas e alcoolismo. De fato, esta associação piora os aspectos do comportamento sociopático, assim considera-se que eles são mutuamente reforçadores.

(Este texto foi sujeito a cortes e realinhamento para o blogue)

2007/06/27

«Romance de um vagabundo»

Foto de ensaio

Ao recuperar este romance de Manuel Mendes, mais de cinquenta anos depois da sua publicação em livro, pretendo homenagear aqueles e aquelas que resistiram ou resistem às adversidades com dignidade, inteligência e fantasia até. Homenagem à arte de escrever e à arte de viver, à simplicidade formal e à superioridade moral.