As grandes obras e os grandes homens

Se a crise económica leva alguns governos a investir nas grandes obras públicas para “alavancar” a Economia, nomeadamente em vias de transporte, há alturas em que é o contexto inverso, isto é, o crescimento económico, que motiva o mesmo tipo de obras. Esteve neste caso a construção da Ponte D. Luis, entre Porto e Gaia, em 1880.


«... mesmo assim não chegava para as encomendas, mormente nas horas de ponta. Com o espraiar das zonas urbanas do Porto e de Gaia em direcção ao mar, a ponte D. Luiz I foi-se cada vez mais convertendo em autêntico, - mas venerável - gargalo no complexo tráfego entre as duas margens do Douro. Era preciso lançar outro elo de comunicação entre as duas margens...» Texto da FE/UP http://paginas.fe.up.pt/porto-ol/lfp/luiz.html

Não há que estranhar as semelhanças desta e da ponte ferroviária D. Maria Pia (1877) com a estrutura da torre Eiffel, visto que o engenheiro francês que deu nome à torre de Paris, foi também o autor das duas pontes do Douro.
Início do arco da ponte (imag. actual)

O que é de estranhar é que um espectáculo amargo-doce de saltos para o rio desde o tabuleiro da ponte D. Luis ocorra ali aos fins de semana, por adolescentes locais, como se vê (mal) na foto seguinte. A imagem não mostra o mêdo que há na coragem, a insegurança que eles próprios denunciam ao benzer-se durante a queda.
Apetece perguntar: que investimento será feito nestes homens de rara coragem? Pela sua condição social, o mais provável é que gastem a vida a chegar cimento nas tais obras. E que acabem a mendigar um subsídio da Segurança Social.

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1 Comments:

Blogger jrd said...

Vão continuar a mergulhar, mas num "rio" sem foz...

09 novembro, 2009  

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