Conflito é fundamental

O conflito é fundamental na ficção literária e cinematográfica. Sem conflito a história aborrece.
A bem dizer, não há história.

Pedro e Mariana estão apaixonados? Isso só nos interessa se alguém se interpuser nessa paixão ou se alguma circunstância os afastar contra a sua vontade, obrigando-os a lutar pelo reencontro. “Romeu e Julieta” não seria uma grande história se não se tratasse de um amor proibido.

Receio, por esta ordem de ideias, que os casamentos homossexuais – cá está outra vez a mesma conversa! – venham trazer aborrecimento às vidas dos respectivos parceiros...

José e Maria têm um filho? E daí? Mas se constar que Maria nunca “conheceu” José – no sentido bíblico... – e que este, embora destinado à santidade, não acredita em virgens-mães, temos um casal em conflito, isto é, vamos querer saber qual deles tem razão e qual deles vencerá a contenda, sendo que nós próprios já tomamos partido. Em segredo, talvez. A vitória de um deles será a nossa vitória; a sua derrota será a nossa derrota – mesmo que o conflito deles seja amoroso e o nosso seja ideológico.

Como no futebol ou na política, o assunto interessa-nos porque há nele um conflito e nós nos sentimos parte dele. Por isso menosprezamos um debate entre Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas, mas já valorizamos um debate entre qualquer deles e Francisco Louçã. Por isso menosprezamos um jogo “a feijões” mas "vamos" ao rubro num jogo a contar para um campeonato – é o grau do conflito devido às consequências para os intervenientes e não os próprios intervenientes, o que prende a nossa atenção.

Traição, ciúme, insulto, agressão, denúncia, roubo, crime... é o que dá força dramática a uma história. E uma história precisa disso para vencer a preguiça e a distracção do leitor ou do espectador. No caso da Televisão, então, este fenómeno é especialmente... dramático. Solicitados pelo filho ou pelo gato, pelo outro canal ou pelo telefone, só nos mantemos atentos por mais do que escassos minutos se estivermos hipnotizados por uma história muito bem contada.

Por falar nisto: não acha que já está há tempo demais a ler este artigo? A menos que queira saber como é que os autores controlam a atenção do leitor ou espectador. Através da “curva dramática”! Isto é, fazendo surgir ao longo da história e a tempos psicologicamente calculados, emoções, “picos dramáticos”, acontecimentos estimulantes como os que descrevi no parágrafo anterior.

Neste particular, as possibilidades do audio-visual são excepcionais: os pés de um homem que segue uma mulher em fuga ou o som de um comboio que se aproxima enquanto duas crianças se aproximam da linha, não deixam ninguém indiferente...

É tempo de parar? Está bem. Amanhã há mais!

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2 Comments:

Blogger intimidades said...

o amor e a felicidade nao vendem, nos nao queremos ver as outras pessoas melhor que nos, queremos ve-las mal, para nos sentirmos bem

Jokas

Paula

12 janeiro, 2010  
Blogger Mar Arável said...

Tudo em ordem no seu texto

a conduzir o leitor

que espera não se tresmalhar

Uma delícia

Agradeço a partilha

12 janeiro, 2010  

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