Em nome do Pai


A foto exprime bem o contraste entre Jesus Cristo e o Papa:
seja na escala das figuras, seja no vestuário.


É o contraste entre os valores cristãos e o testemunho da sua igreja, entre o sacrifício e o benefício terrenos, entre as mensagens e os símbolos, entre o deus instrumental e o instrumento endeusado.

Basta reparar no tratamento geral da visita, e em particular nas entrevistas e debates com os seus ministros, para perceber como toda a propaganda da Igreja sobre o “representante de Deus”, reduz, digo revela a importância secundária de Jesus Cristo na organização religiosa – é a clássica perversão do papel dos representantes, nesta como noutras esferas públicas.

Uma religião assente no “mistério da Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo”, designa o seu ministro da mesma forma que designa o seu deus: Papa, isto é, Pai. A par disso, atribui-lhe méritos de santidade – “Sua Santidade” – que qualquer outro homem ou mulher só pode ter por práticas alegadamente heroicas ao serviço da fé católica. O resto são as poses e os discursos tão enfáticos como abstractos.

Afinal, o que fez o Papa para ser comparado aos mártires da sua igreja? Pela sua cultura excepcional poderia ser doutorado honoris causa por qualquer universidade e porventura Prémio Nobel de qualquer coisa, mas santo, porquê?

Os milagres de Ratzinger

Em 1985, Ratzinger impôs “voto de silêncio”, ao frade brasileiro Leonardo Boff, que chegou a leccionar na Universidade de Lisboa e é um dos expoentes da Teologia da Libertação. Razões de Ratzinger: as posições “marxistas” de Boff que este recusa com indignação.

Ratzinger, na sua teologia da resignação, digamos assim, é tão obstinado contra os movimentos progressistas, quão tolerante para as figuras mais condenáveis no plano moral e no plano socio-político.

Entre Jesus e Barrabás, quem é que ele condena e quem é que ele liberta? Nem tudo pode ser desculpado, depois!, à conta de “gafes”.

Num documentário* da BBC, o Papa é acusado de liderar o "encobrimento de casos de pedofilia". A reportagem do programa examinou um documento secreto interno da igreja (Crimen Sollicitationis), que instrui bispos como lidar com acusações de abusos sexuais cometidos por padres nas suas paróquias.

Santo padre, porquê? Qual foi a sua cruz? Qual foi o seu milagre?

*Documentário da BBC, de 1 de Outubro de 2006, "Sex Crimes and the Vatican. Notícia AQUI.

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1 Comments:

Blogger Por Mares Já Dantes Navegados said...

A legenda da foto é fabulosa!!!

Um abraço, António.

28 maio, 2010  

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