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2023/01/05
2014/08/23
Porque hoje é domingo (51)
Alguém sabe quem foi esse a que chamam Jesus? Entre a visão, digo as visões religiosas, e as pesquisas históricas, perde-se num manto de espesso nevoeiro a figura desse profeta que se dizia filho de Deus e, ao contrário de outros concorrentes, continua a fazer grande sucesso.
Quem diz o povo que eu sou? - perguntou Jesus aos discípulos, segundo Lucas (9,18-24). Dois milénios depois, continuamos à procura da resposta.
'Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou...' – terão respondido aqueles que seguiam o Mestre.
´E vós, quem dizeis que eu sou?'- continuou ele. Ao que Pedro terá respondido que Jesus era “o Cristo de Deus”.
Logo aqui se apresenta uma curiosidade: Jesus era o nome; Cristo era a identidade, o título, digamos assim - é a designação grega do termo hebraico que significa “ungido” ou “messias”, em função dos mecanismos de tradução. De notar que a designação “Cristo” atribuída a Jesus é aceite apenas por uma parte dos judeus.
Os estudiosos da História não se satisfazem com as respostas dadas pelos discípulos. A ideia de que um homem seja filho de uma virgem, já não é razoável, mas que seja filho de Deus, ele próprio Deus no domínio da “Santíssima Trindade”, é demasiado fumo para os olhos dos historiadores.
Para ver claro, eles vasculharam e continuam a vasculhar os sinais da época, do local e das culturas contemporâneas de Jesus, sinais rigorosos ou razoáveis da sua vida, limpos da poeira que a religião foi derramando sobre ele. Além de algumas futilidades como a de não lavar as mãos antes das refeições (Marcos 7:1-23, Mateus 15:1-20) e muitas fantasias destinadas a engrandecer o seu prestígio, isto é, o prestígio do cristianismo, o que se sabe mesmo é decepcionante.
No ocurre con Cristo como con Augusto (na imagem) o con otros grandes "en la carne", de los que tenemos las fechas exactas del nacimiento y muerte, retratos en estatua y fiel narración de sus hazañas en el mármol.
Nada sabemos de la figura terrestre de Jesús ni por la Escritura, que El mismo ha inspirado, ni por las estatuas o reliquias. Hasta su vida terrena, todavía no glorificada y envuelta en la debilidad de la carne, es ya un misterio; está ya completamente en el ámbito del Pneuma" (Hugo Rahner, Die Theologie des Lebens Jesu, en "Theologie der Zeit", 1938, II serie, 80; más tarde publicado en H. Rahner, Theologie der Verkundigung, 1939, pág. 98, citado por Joseph Ratzinger ).
Alguns defendem que Jesus foi membro do grupo do norte da Palestina, os Essénios, que se concentrava ao redor do Monte Carmelo, como de resto o tinha sido seu primo João Baptista. Curiosamente, o Papa emérito Bento XVI, actualmente em silêncio no Vaticano e já atrás citado, estabeleceu em 2007 uma relação entre Jesus e os Essénios.
“Com jeito”, Joseph Ratzinger ainda nos vai surpreender com versões originais sobre a vida de Jesus, antes de deixar definitivamente o Vaticano.
Quem diz o povo que eu sou? - perguntou Jesus aos discípulos, segundo Lucas (9,18-24). Dois milénios depois, continuamos à procura da resposta.
'Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou...' – terão respondido aqueles que seguiam o Mestre.
´E vós, quem dizeis que eu sou?'- continuou ele. Ao que Pedro terá respondido que Jesus era “o Cristo de Deus”.
Logo aqui se apresenta uma curiosidade: Jesus era o nome; Cristo era a identidade, o título, digamos assim - é a designação grega do termo hebraico que significa “ungido” ou “messias”, em função dos mecanismos de tradução. De notar que a designação “Cristo” atribuída a Jesus é aceite apenas por uma parte dos judeus.
Os estudiosos da História não se satisfazem com as respostas dadas pelos discípulos. A ideia de que um homem seja filho de uma virgem, já não é razoável, mas que seja filho de Deus, ele próprio Deus no domínio da “Santíssima Trindade”, é demasiado fumo para os olhos dos historiadores.
Para ver claro, eles vasculharam e continuam a vasculhar os sinais da época, do local e das culturas contemporâneas de Jesus, sinais rigorosos ou razoáveis da sua vida, limpos da poeira que a religião foi derramando sobre ele. Além de algumas futilidades como a de não lavar as mãos antes das refeições (Marcos 7:1-23, Mateus 15:1-20) e muitas fantasias destinadas a engrandecer o seu prestígio, isto é, o prestígio do cristianismo, o que se sabe mesmo é decepcionante.
No ocurre con Cristo como con Augusto (na imagem) o con otros grandes "en la carne", de los que tenemos las fechas exactas del nacimiento y muerte, retratos en estatua y fiel narración de sus hazañas en el mármol.
Nada sabemos de la figura terrestre de Jesús ni por la Escritura, que El mismo ha inspirado, ni por las estatuas o reliquias. Hasta su vida terrena, todavía no glorificada y envuelta en la debilidad de la carne, es ya un misterio; está ya completamente en el ámbito del Pneuma" (Hugo Rahner, Die Theologie des Lebens Jesu, en "Theologie der Zeit", 1938, II serie, 80; más tarde publicado en H. Rahner, Theologie der Verkundigung, 1939, pág. 98, citado por Joseph Ratzinger ).
Alguns defendem que Jesus foi membro do grupo do norte da Palestina, os Essénios, que se concentrava ao redor do Monte Carmelo, como de resto o tinha sido seu primo João Baptista. Curiosamente, o Papa emérito Bento XVI, actualmente em silêncio no Vaticano e já atrás citado, estabeleceu em 2007 uma relação entre Jesus e os Essénios.
“Com jeito”, Joseph Ratzinger ainda nos vai surpreender com versões originais sobre a vida de Jesus, antes de deixar definitivamente o Vaticano.
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2012/12/03
A vaca do Natal
Anda meio mundo a marrar com o Papa por ele dizer que não havia vacas nem quaisquer outras bestas no presépio onde nasceu Jesus. Havia apenas a jovem Maria e o velho José que viviam juntos não se sabe porquê ou para quê, e a eles se juntaram, isso sim, mas por pouco tempo, os três reis-magos com a missão política que lhes cabia de visitar o rei dos judeus, e por não terem sido ainda inventados os ministros dos negócios estrangeiros e os diplomatas – sorte a deles!
Quem quiser saber mais só tem que comprar o livro onde isto vem tudo escarrapachado. A tiragem está em um milhão de exemplares! E a oportunidade não podia ser melhor para vendê-lo. Não é por acaso que há tantos lançamentos literários nesta época do ano… Ou julgavam que era só o padre Mário?
Papa e Padre Mário da Lixa " (composição original)
Esperamos que nas vèsperas do Natal seguinte, o escritor Ratzinger, também ele José e também ele velho e santo, aproveite a onda para desmentir a virgindade de Maria a fim de se acabar com a desconfiança sobre a virilidade do marido, e aproveite até para desmentir a ressurreição de Cristo de quem não se conhece a segunda morte que decorreria nessas circunstâncias.
Afinal, diga o Papa o que disser, só a sua Igreja pode interpretar “autenticamente a Palavra de Deus escrita e transmitida, exercendo sua autoridade em nome de Jesus” – diz ele.
Quem quiser saber mais só tem que comprar o livro onde isto vem tudo escarrapachado. A tiragem está em um milhão de exemplares! E a oportunidade não podia ser melhor para vendê-lo. Não é por acaso que há tantos lançamentos literários nesta época do ano… Ou julgavam que era só o padre Mário?
Papa e Padre Mário da Lixa " (composição original)
Esperamos que nas vèsperas do Natal seguinte, o escritor Ratzinger, também ele José e também ele velho e santo, aproveite a onda para desmentir a virgindade de Maria a fim de se acabar com a desconfiança sobre a virilidade do marido, e aproveite até para desmentir a ressurreição de Cristo de quem não se conhece a segunda morte que decorreria nessas circunstâncias.
Afinal, diga o Papa o que disser, só a sua Igreja pode interpretar “autenticamente a Palavra de Deus escrita e transmitida, exercendo sua autoridade em nome de Jesus” – diz ele.
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2010/05/13
Os novos cruzados
A cruzada papal a que assistimos com Bento XVI, terá directamente a ver com os conflitos mundiais em curso?
Será que o “eixo do mal” é um conceito que resiste ao mandato de George Bush e que o ultrapassa em importância e estratégia mundial?
Estará a Igreja Católica a viver uma nova etapa histórica da luta pela Terra Santa que, segundo alguns, teria sido prometida ao povo israelita no antigo testamento?
Se assim for, ganha especial significado a tarefa diplomática de Bento XVI, de resto no seguimento de João Paulo II a quem cumpriu limpar o terreno hostil a estes propósitos – o bloco comunista afecto à União Soviética.
Não são os papas que definem as estratégias da Igreja; é a Igreja que escolhe os papas adequados a essas estratégias. O caso do papa polaco foi evidente. A sucessão por um papa alemão de nascimento e carreira, faz lembrar o papel dos alemães ao longo das cruzadas, mas certamente será coincidência.
O papa Urbano II exortou, em 1095, a que se “libertasse” a Terra Santa, isto é, a que se conquistasse a actual Palestina e Jerusalém. O domínio dos turcos seljúcidas sobre Jerusalém era interpretado pelos cristãos do Ocidente como uma ameaça e uma forma de repressão sobre os peregrinos e os cristãos do Oriente. É o conceito de “eixo” político-geográfico! Ou seja, trata-se de um conflito entre europeus e turcos muçulmanos.
Prometendo "salvação a todos os mortos em combate contra os infiéis", o Papa Urbano II mobilizou um grande e entusiástico exército. Afinal, não é a fé na salvação – como cada um entender isso – que mobiliza as multidões religiosas, sempre? (Acresce muitas vezes o anti-comunismo, é certo, com o seu forte exército).
Os “soldados de Cristo” apresentavam-se naquelas invasões como peregrinos da fé... tal como hoje, e identificavam-se com uma cruz vermelha que lhes valeria o nome de cruzados.
Essa cruz vermelha continua a figurar, ainda hoje, nas vestes papais, mas as invasões foram substituídas por relações diplomáticas.
Enquanto as coisas forem pela via diplomática, poupam-se os massacres, a carnificina que as cruzadas provocaram.

Mas há que estar atento desde já a duas questões: a primeira, é que as cruzadas fogem rapidamente ao controlo dos próprios papas e são apropriadas por oportunistas crueis interessados no poder e na pilhagem; a segunda é que os conflitos colocam em presença a “nossa” força... e a dos outros!, o que torna os resultados imprevisíveis.
Aparentemente, as relações do Vaticano com o outro mundo religioso vão no sentido contrário, isto é, da tolerância e co-habitação.

Outro tanto acontece quanto às relações com países de direcção marxista como Cuba e a China. Mas a missão evangelizadora da Igreja, isto é, o seu objectivo de influenciar cada vez mais gente, faz pensar que a política apaziguadora em curso pode ser apenas o necessário passo atrás para distender os adversários e reunir forças que tanto vão escasseando - como dá conta a falta de vocações sacerdotais.
Hoje estamos assistindo à troca de presentes entre os cruzados e os indígenas de várias partes do globo. Amanhã, não sei. Sei que vale a pena pensar no assunto, muito mais do que alinhar num côro de hossanas irracionais.
Será que o “eixo do mal” é um conceito que resiste ao mandato de George Bush e que o ultrapassa em importância e estratégia mundial?
Estará a Igreja Católica a viver uma nova etapa histórica da luta pela Terra Santa que, segundo alguns, teria sido prometida ao povo israelita no antigo testamento?
Se assim for, ganha especial significado a tarefa diplomática de Bento XVI, de resto no seguimento de João Paulo II a quem cumpriu limpar o terreno hostil a estes propósitos – o bloco comunista afecto à União Soviética.Não são os papas que definem as estratégias da Igreja; é a Igreja que escolhe os papas adequados a essas estratégias. O caso do papa polaco foi evidente. A sucessão por um papa alemão de nascimento e carreira, faz lembrar o papel dos alemães ao longo das cruzadas, mas certamente será coincidência.
O papa Urbano II exortou, em 1095, a que se “libertasse” a Terra Santa, isto é, a que se conquistasse a actual Palestina e Jerusalém. O domínio dos turcos seljúcidas sobre Jerusalém era interpretado pelos cristãos do Ocidente como uma ameaça e uma forma de repressão sobre os peregrinos e os cristãos do Oriente. É o conceito de “eixo” político-geográfico! Ou seja, trata-se de um conflito entre europeus e turcos muçulmanos.
Os “soldados de Cristo” apresentavam-se naquelas invasões como peregrinos da fé... tal como hoje, e identificavam-se com uma cruz vermelha que lhes valeria o nome de cruzados.
Essa cruz vermelha continua a figurar, ainda hoje, nas vestes papais, mas as invasões foram substituídas por relações diplomáticas.Enquanto as coisas forem pela via diplomática, poupam-se os massacres, a carnificina que as cruzadas provocaram.

Mas há que estar atento desde já a duas questões: a primeira, é que as cruzadas fogem rapidamente ao controlo dos próprios papas e são apropriadas por oportunistas crueis interessados no poder e na pilhagem; a segunda é que os conflitos colocam em presença a “nossa” força... e a dos outros!, o que torna os resultados imprevisíveis.
Aparentemente, as relações do Vaticano com o outro mundo religioso vão no sentido contrário, isto é, da tolerância e co-habitação.
Outro tanto acontece quanto às relações com países de direcção marxista como Cuba e a China. Mas a missão evangelizadora da Igreja, isto é, o seu objectivo de influenciar cada vez mais gente, faz pensar que a política apaziguadora em curso pode ser apenas o necessário passo atrás para distender os adversários e reunir forças que tanto vão escasseando - como dá conta a falta de vocações sacerdotais.
Hoje estamos assistindo à troca de presentes entre os cruzados e os indígenas de várias partes do globo. Amanhã, não sei. Sei que vale a pena pensar no assunto, muito mais do que alinhar num côro de hossanas irracionais.
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Visita do Papa
2010/05/10
Em nome do Pai
A foto exprime bem o contraste entre Jesus Cristo e o Papa:
seja na escala das figuras, seja no vestuário.
É o contraste entre os valores cristãos e o testemunho da sua igreja, entre o sacrifício e o benefício terrenos, entre as mensagens e os símbolos, entre o deus instrumental e o instrumento endeusado.
Basta reparar no tratamento geral da visita, e em particular nas entrevistas e debates com os seus ministros, para perceber como toda a propaganda da Igreja sobre o “representante de Deus”, reduz, digo revela a importância secundária de Jesus Cristo na organização religiosa – é a clássica perversão do papel dos representantes, nesta como noutras esferas públicas.
Uma religião assente no “mistério da Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo”, designa o seu ministro da mesma forma que designa o seu deus: Papa, isto é, Pai. A par disso, atribui-lhe méritos de santidade – “Sua Santidade” – que qualquer outro homem ou mulher só pode ter por práticas alegadamente heroicas ao serviço da fé católica. O resto são as poses e os discursos tão enfáticos como abstractos.
Afinal, o que fez o Papa para ser comparado aos mártires da sua igreja? Pela sua cultura excepcional poderia ser doutorado honoris causa por qualquer universidade e porventura Prémio Nobel de qualquer coisa, mas santo, porquê?
Os milagres de Ratzinger
Em 1985, Ratzinger impôs “voto de silêncio”, ao frade brasileiro Leonardo Boff, que chegou a leccionar na Universidade de Lisboa e é um dos expoentes da Teologia da Libertação. Razões de Ratzinger: as posições “marxistas” de Boff que este recusa com indignação.
Ratzinger, na sua teologia da resignação, digamos assim, é tão obstinado contra os movimentos progressistas, quão tolerante para as figuras mais condenáveis no plano moral e no plano socio-político.
Num documentário* da BBC, o Papa é acusado de liderar o "encobrimento de casos de pedofilia". A reportagem do programa examinou um documento secreto interno da igreja (Crimen Sollicitationis), que instrui bispos como lidar com acusações de abusos sexuais cometidos por padres nas suas paróquias.
Santo padre, porquê? Qual foi a sua cruz? Qual foi o seu milagre?
*Documentário da BBC, de 1 de Outubro de 2006, "Sex Crimes and the Vatican. Notícia AQUI.
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