Testamento de Berlusconi

«È terribile – afirmou Silvio Berlusconi - assistere impotenti alla televisione al dramma di Genova.
Vediamo se ci sarà il modo di intervenire per evitare che quello che è successo non possa succedere più in futuro».

Parece uma metáfora, o primeiro-ministro italiano a assistir, impotente, à tragédia que se abate sobre o seu país. «Impotente», porém, fica fora da metáfora, para que não se tome por inocente.

A Itália é nada menos que a oitava economia do mundo e a terceira da zona euro. A sua dívida pública representa 120% do PIB.

Os juros da dívida italiana já chegaram aos 6,4% nos prazos de cinco e dez anos, e as acções dos bancos italianos caíram a pique.  O país só resiste à pressão especulativa graças ao Banco Central Europeu, que, por sua vez, exige a aplicação de medidas de austeridade.

As autoridades europeias anunciaram a intenção de reduzir em 2 ou 3 pontos as taxas de juro que exigem à Grécia, à Irlanda e a Portugal, e que a duração dos empréstimos da Troika ia ser alongada. É o reconhecimento de que as condições do acordo de 21 de Julho são impraticáveis e que o risco de contágio a outros países, da insolvência, seria desastroso para toda a Europa.

Por outro lado, a função dos estados ricos e do FMI na gestão das taxas de juro agrava todas as dificuldades dos países endividados: estados como a Alemanha, a França e a Áustria pedem emprestado a 2% nos mercados e emprestam à Grécia a 5% ou 5,5%, à Irlanda a 6%. Assim como o FMI empresta aos seus membros a baixas taxas de juro e empresta à Grécia, à Irlanda e a Portugal a taxas nitidamente superiores.

As medidas sociais e políticas não são conhecidas inteiramente e em detalhe mas sabe-se que incluem o aumento da idade da reforma para 67 anos e a facilitação dos despedimentos. A imprensa avança ainda outro tipo de medidas, nomeadamente a liberalização das profissões regulamentadas, o relançamento de infra-estruturas e a simplificação dos procedimentos administrativos.

Vai ser lançado também um plano de venda de activos públicos, de pelo menos cinco mil milhões de euros por ano, durante um período de três anos, e as regiões deverão definir um programa de privatizações das empresas que controlam.

Durão Barroso já manifestou a satisfação da Comissão Europeia com estas medidas mas o presidente francês Nicolas Sarkozy disse recentemente que, embora tivessem tomado conhecimento, com interesse, das medidas tomadas pelo governo italiano “a questão não é o conteúdo do pacote, mas saber se ele será aplicado”. Como dizia Merkel “o que conta são os actos”.

Supervisão e subversão

O Fundo Monetário Internacional vai participar, junto com a Comissão Europeia, na supervisão dos planos de austeridade da Itália. A decisão foi tomada durante a cimeira do G20, em Cannes, França. Uma fonte da Comissão afirma que “temos de assegurar-nos que os objectivos da Itália são credíveis e que vai conseguir atingi-los. No clima actual, cada pequeno problema amplifica-se e os mercados perdem a confiança”.

O governo italiano já aceitou a supervisão do FMI. Mas será que este governo ainda estará lá quando essa subversão de competências se cumprir, ou isto não é senão o testamento político de Silvio Berlusconi?

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