Herman José e as bombas

De mal-entendidos se fazem muitos conflitos. Na vida pública e na privada. Colette Portelance explica isso muito bem em “La Communication authentique”. Aqui se poderia tratar o queixume de Cavaco Silva acerca dos seus honorários mas é de outra personagem que me ocupo.

Custa-me criticar Herman José com quem trabalhei durante anos e de quem me ficou a melhor impressão profissional e pessoal. Mas quem anda à chuva, molha-se. E as declarações de uma figura com o seu merecido prestígio não podem passar sem um reparo quando fazem opinião em matéria tão grave.

Refiro-me às ideias que defendeu no programa Moeda de Troica, sobre o Irão, justificando o assassinato, a mando externo, de cientistas iranianos que trabalhavam no programa nuclear daquele país. O Herman sabe tanto ou tão pouco acerca dos verdadeiros objectivos do plano, como eu sei – lê os jornais. Mas isso não o impede de subscrever a versão norte-americana. Nem o caso do Iraque lhe recomenda alguma prudência.

Palavra puxa palavra, bomba puxa bomba, e logo “intrinca” aqui a questão da bomba de Hiroshima. Eu sei que se “limitou” a repetir a versão norte-americana da História quando “justificou” aquela atrocidade, dizendo que era a forma de acabar com a guerra. Mutatis mutandis faz lembrar Passos Coelho a promover a facilitação dos despedimentos para defender o emprego, e a promover o empobrecimento para melhorar o futuro dos portugueses. Só que até as crueldades fazem diferença entre si.

Sinceramente, faz-me muita pena este vício de raciocínio num homem com a inteligência, a informação e o bom carácter que atribuo ao Herman José.

Até porque a brilhante Ana Mesquita não merecia ser "intrincada" nesse discurso.


É a desvantagem, Herman, de não ser político, coisa que Cavaco Silva não pode invocar como desculpa para as suas gafes – passe o “intrincamento” do bolo rei nos pasteis de nata.

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1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Companheiro, a alegria da democracia é esta mesma: a de ter a liberdade de esgrimir opiniões - mesmo as mais 'intrincadas' - e de poder dizer o que nos vai na alma, umas vezes com ironia, outras vezes com menos. Claro que ninguém no seu perfeito juizo se pode regozijar com a morte violenta seja de quem for, mas se me derem a escolher entre a ablação preventiva de um pequeno tumor ou a quimioterapia num organismo minado e moribundo, tendo a optar pela primeira acção. Mesmo correndo o risco de chocar os bloguistas defensores de metásteses. Abraços ! Herman José.

31 janeiro, 2012  

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