O ministro é um fingidor

É o talento próprio e a oportunidade que faz de um tímido escriturário, um escritor, de um marinheiro, poeta, de um livreiro, dramaturgo, e assim por diante. É o talento.

Quem ensinou o Fernando Pessoa a ler e a escrever – e, quem diz Pessoa, diz Bocage, diz Eça, diz Ramalho, Torga, Agustina, Saramago – quem ensinou a estes, digo eu, também ensinou muitos outros que, no entanto, pairaram sem brilho ou sem talento, anónimos, discretos funcionários, operários, jogadores de futebol, polícias, bombeiros, médicos, engenheiros, a quem a Literatura nada deve.


O mesmo acontece na política. Há gente que ensina, que aconselha, que diz como se diz, como se faz, mas é preciso ter alma ou sangue ou tripas, sei lá eu, para conquistar o “trono” que é, em democracia, o coração dos eleitores.

É preciso sentir, para fazer sentir; é preciso acreditar, para fazer acreditar. E não é porque o treinador de Passos, o mandou ultimamente jogar ao ataque, que a sua equipa vai ganhar o jogo. Posto a jogar num lugar em que não acredita, fará pior figura ainda do que se mostrasse a apatia no meio das tormentas, como costumava fazer.


O Seguro morreu de velho, de cansado, tanto foi o esforço teatral da sua representação. Passos Coelho corre o risco de nos cansar a todos com tanto fingimento. É que, para voltar a Fernado Pessoa, o Coelho “é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor (o desprezo) que deveras sente”... pela gente.

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