10.9.10

As coisas que diz Fidel (ACTUALIZADO)

(09 SET 2010)

No fim de Agosto, Fidel Castro concedeu uma entrevista a Jeffrey Goldberg, para a revista norte-americana The Atlantic.

Depois de terem falado durante três horas acerca do Irão e do Médio Oriente, assunto a que Fidel se tem dedicado nas últimas "reflexiones", e no decorrer de uma refeição em que estavam também presentes a mulher e um filho do líder cubano, o jornalista perguntou-lhe se entendia que o modelo cubano era exportável (para outros países). A resposta não podia ser mais surpreendente: “el sistema cubano no funciona ni para nosotros mismos”.

A este respeito faço minhas as palavras da cubana Yoani Sanchez no seu blogue:

«Si no recuerdo mal, por frases menores o similares expulsaron a muchos militantes del Partido Comunista y purgaron largas condenas innumerables cubanos. El dedo índice de quien fuera el Máximo Líder se dirigió sistemáticamente contra los que intentaron explicarle que el país no marchaba. Pero no sólo el castigo acompañó a los inconformes, sino que la máscara se nos convirtió en ardid de sobrevivencia en una isla que él intentaba hacer a su imagen y semejanza. Simulación, susurros, dobleces, todo para ocultar la misma opinión que ahora el “resucitado” comandante lanza precipitadamente frente a un periodista extranjero».

Por este caminho, digo agora eu, ainda vamos ter os nossos indefectíveis apoiantes do modelo cubano, (o mais recente é Jerónimo de Sousa no comício da Festa do Avante) a dividirem-se entre falsos “críticos de sempre” e sinceros acusadores do “garoto” Fidel – à imagem do que aconteceu com a “glasnost” de Gorbachëv.

De Fidel, já nada devia surpreender quem tenha acompanhado o recrudescimento da sua patética campanha mediática desde que recuperou a saúde... física. Raúl parece não o acompanhar nesta operação de marketing pessoal como não acompanha nas suas deambulações à frente das câmaras da Cubavisión, mas uma côrte de fidelistas, preocupada com os seus interesses pessoais, carrega em ombros o que resta do seu “comandante”, até ao colapso final.

Que mais ocorrerá aos ditadores na tentativa de desmotivar a resistência crescente?

ACTUALIZAÇÃO (11 Set. 2010)

No dia seguinte à publicação do artigo de J. Golberg, Fidel publica no Granma, um desmentido da "interpretação" que o jornalista teria feito das suas palavras. E a "Atlantic magazine" comentou esse desmentido em termos que pretendem confirmar a versão original do jornalista.

Nisto, como em tudo, cada um acreditará no que quiser, sendo obvio que Fidel Castro não assume a opinião inicialmente citada. Mas eu interrogo-me se ele acredita que o seu "cubanismo" funciona mesmo, e esta questão Fidel não esclarece no seu... esclarecimento. Nem precisa, que o estado político, económico e social a que chegou o país, fala por si!


Para quem não tenha visto, mais pertinente me parece agora a consulta aos meus artigos anteriores
"Também tu, Raúl?" e "Cuba instável"

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