O PCP fecha os olhos à natureza autoritária de regimes pró-comunistas com a mesma tolerância e esperteza com que a Igreja fecha os olhos ao fariseismo dos seus sacerdotes. Não há outra forma de sobreviverem como instituições, de tal modo alguns elementos da sua história e a sua doutrina, cumplicidades e contradições, estorvam a sua imagem sagrada.
Mas o que é desarmante para quem quer ou precisa de seriedade nos processos e nos argumentos, é que isto funciona e, em boa medida, funciona bem. Vejam-se as multidões devotas de Nossa Senhora e de Fidel Castro. Acerca deste, lê-se no editorial do último Avante, que teve “uma vida inteiramente consagrada aos ideais da liberdade”…
Enfim, para quem precisa de um mundo racional para viver, este não é o mais adequado. Por isso recomendo: Pensadores de todo o mundo, matem-se!
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2016/12/03
2016/11/29
Fidel visto por Daniel
Não aprecio a postura pessoal de Daniel Oliveira - a falta de respeito democrático com que participa nos debates, para já não invocar snobismos menos públicos. Mas assim como "Deus escreve direito por linhas tortas", o Daniel Oliveira escreveu um "ensaio" no Expresso que diz tudo o que eu diria sobre Fidel Castro, se eu tivesse as suas capacidades - do Daniel, entenda-se.
Seja como for, para aquilo que me pagam, já não é mau que me dê ao trabalho de sugerir a leitura do seu feliz artigo que se lê AQUI.
Seja como for, para aquilo que me pagam, já não é mau que me dê ao trabalho de sugerir a leitura do seu feliz artigo que se lê AQUI.
2012/10/20
Da censura à propaganda
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)
Eis senão quando, o Jornal das Sete da SIC Notícias fala da América Latina. Fala mal! Para dizer que o representante das FARC nas conversações de paz afirmou que o conflito armado não cessava durante estas negociações.
Pois foi, senhor jornalista, mas isso porque o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, já o havia afirmado alguns dias antes, ‘tá a ver? O que foi hoje reafirmado pelo representante do Governo: "No habrá despeje, no habrá cese de operaciones militares, la fase dos no es una negociación tradicional, no se trata de que el Estado entregue una serie de competencias suyas a cambio de las ideas de las Farc, porque eso no sería, entre otras cosas, digno", aseguró De la Calle.
"Con estas palabras, De la Calle parecía advertir a sus contrarios en la mesa de negociación que el Gobierno se sigue negando a considerar un pronto cese del fuego, como sí lo ha pedido la guerrilla".
No dia seguinte àquela “notícia” o mesmo "jornalista" da Sic anuncia que Fidel Castro está moribundo ou semi-morto ou lá o que lhe apeteceu anunciar.
O "jornalista" nem se deu conta de que Fidel já estava morto há vários anos. A crer nas notícias, as suas mortes mais recentes ocorreram em 2009 e 2010, como pode certificar-se AQUI
Quantas vezes é que o jornalista venezuelano Nelson Bocaranda publicou que Fidel Castro teria morrido? Bem pode Alex Castro, filho de Fidel, desmentir a notícia, afirmando que o líder da Revolução Cubana "está bem, fazendo suas atividades diárias, lendo, praticando exercícios". Desde quando é que o filho de Castro sabe mais sobre o pai do que o cangalheiro dos líderes de esquerda da América Latina?
É claro que algum dia o "coma-andante", como lhe chamam alguns, há-de morrer e a morbidez de alguns jornalistas há-de acertar. Mas isso não é jornalismo, é propaganda abusiva. E olhe que quem lhe diz isto já terá atacado politicamente Fidel Castro e o seu regime mais vezes do que você. Mas reportando-me a factos e não a desejos. A Sic Notícias merece melhor e tem melhor, como eu também já disse aqui.
Eis senão quando, o Jornal das Sete da SIC Notícias fala da América Latina. Fala mal! Para dizer que o representante das FARC nas conversações de paz afirmou que o conflito armado não cessava durante estas negociações.
Pois foi, senhor jornalista, mas isso porque o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, já o havia afirmado alguns dias antes, ‘tá a ver? O que foi hoje reafirmado pelo representante do Governo: "No habrá despeje, no habrá cese de operaciones militares, la fase dos no es una negociación tradicional, no se trata de que el Estado entregue una serie de competencias suyas a cambio de las ideas de las Farc, porque eso no sería, entre otras cosas, digno", aseguró De la Calle.
"Con estas palabras, De la Calle parecía advertir a sus contrarios en la mesa de negociación que el Gobierno se sigue negando a considerar un pronto cese del fuego, como sí lo ha pedido la guerrilla".
No dia seguinte àquela “notícia” o mesmo "jornalista" da Sic anuncia que Fidel Castro está moribundo ou semi-morto ou lá o que lhe apeteceu anunciar.
O "jornalista" nem se deu conta de que Fidel já estava morto há vários anos. A crer nas notícias, as suas mortes mais recentes ocorreram em 2009 e 2010, como pode certificar-se AQUI
Quantas vezes é que o jornalista venezuelano Nelson Bocaranda publicou que Fidel Castro teria morrido? Bem pode Alex Castro, filho de Fidel, desmentir a notícia, afirmando que o líder da Revolução Cubana "está bem, fazendo suas atividades diárias, lendo, praticando exercícios". Desde quando é que o filho de Castro sabe mais sobre o pai do que o cangalheiro dos líderes de esquerda da América Latina?
É claro que algum dia o "coma-andante", como lhe chamam alguns, há-de morrer e a morbidez de alguns jornalistas há-de acertar. Mas isso não é jornalismo, é propaganda abusiva. E olhe que quem lhe diz isto já terá atacado politicamente Fidel Castro e o seu regime mais vezes do que você. Mas reportando-me a factos e não a desejos. A Sic Notícias merece melhor e tem melhor, como eu também já disse aqui.
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2012/02/15
"Inimigo" ao meu serviço
Na passada sexta-feira, 2012-02-10, decorreu em Havana um encontro de Fidel Castro com mais de cem intelectuais de 22 países que se fazem representar na Feira Internacional do Livro, de Cuba.
Ali intervieram alguns desses estrangeiros, com perguntas e comentários. Entre eles, um elemento que se deslocava da Tunísia mereceu a Fidel Castro especial atenção. Depois do ex-presidente de Cuba fazer, ele próprio, algumas perguntas sobre o país norte-africano, o tunisino reconheceu que não sabia responder a algumas das questões de natureza económica mas disponibilizou-se para fazer chegar a Fidel Castro, em poucas horas, as informações que pedia.
Se já era ridículo que Fidel fizesse perguntas que facilmente se esclarecem com uma simples consulta no Google ou na Wikipedia, mais se tornou quando Fidel Castro, depois de vários alertas sobre o poder conspirativo da Internet, perguntou com ironia se o outro mandava a resposta … pela Internet.
Desta mesma sessão vale a pena contar outra passagem. Aquela em que o interlocutor chamava a atenção de Fidel Castro ou por seu intermédio, para que não é prestigiante para os meios de comunicação “progressistas”, nomeadamente a Telesur, simplificar a crítica aos meios opositores usando o método de inverter simplesmente o ponto-de-vista destes. É que, segundo o participante, por vezes o inimigo usa algumas verdades a fim de tornar credível a mensagem, e então o efeito da simples negação torna-se perverso.
Chama-se a isto, na minha terra, "ensinar o padre-nosso... ao vigário".
Ali intervieram alguns desses estrangeiros, com perguntas e comentários. Entre eles, um elemento que se deslocava da Tunísia mereceu a Fidel Castro especial atenção. Depois do ex-presidente de Cuba fazer, ele próprio, algumas perguntas sobre o país norte-africano, o tunisino reconheceu que não sabia responder a algumas das questões de natureza económica mas disponibilizou-se para fazer chegar a Fidel Castro, em poucas horas, as informações que pedia.
Se já era ridículo que Fidel fizesse perguntas que facilmente se esclarecem com uma simples consulta no Google ou na Wikipedia, mais se tornou quando Fidel Castro, depois de vários alertas sobre o poder conspirativo da Internet, perguntou com ironia se o outro mandava a resposta … pela Internet.
Desta mesma sessão vale a pena contar outra passagem. Aquela em que o interlocutor chamava a atenção de Fidel Castro ou por seu intermédio, para que não é prestigiante para os meios de comunicação “progressistas”, nomeadamente a Telesur, simplificar a crítica aos meios opositores usando o método de inverter simplesmente o ponto-de-vista destes. É que, segundo o participante, por vezes o inimigo usa algumas verdades a fim de tornar credível a mensagem, e então o efeito da simples negação torna-se perverso.
Chama-se a isto, na minha terra, "ensinar o padre-nosso... ao vigário".
2011/01/15
Os bons terroristas
Posada Carriles, cubano nacionalizado venezuelano, terrorista assumido, dirigiu vários atentados contra instalações de Cuba e contra o próprio presidente Fidel Castro, mesmo noutros países, sendo perfeitamente identificados os seus múltiplos crimes e vítimas mortais.
Está a ser julgado nos Estados Unidos da América... “por perjúrio, obstrução à Justiça e uso de métodos fraudulentos para entrada, em 2005, nos E.U.A.”
Posada Carriles, uma longa história criminal
Posada participou na invasão de Playa Gyron em 1961 e é "autor intelectual" do atentado contra um avião cubano em 1976, que resultou na morte de 73 pessoas. Por este crime foi preso na Venezuela mas fugiu da prisão em 1985 com apoio da CIA e de uma organização cubano-americana anticastrista. Dedicou-se depois a organizar acções contra os governos progressistas da américa central e atentados contra hoteis em Havana.
Algumas das vítimas
Carriles foi também "autor intelectual" de um atentado em Cuba em 1997, que matou um turista italiano.«Ele estava no lugar errado à hora errada» - comentaria Carriles.
Em 2000 foi preso no Panamá quando planeava um atentado contra Fidel Castro fazendo uso de "200 libras de C-4" num auditorio cheio de estudantes, mas seria indultado em 2004 pela presidenta de então. Em 2005 entrou ilegalmente nos EUA e pediu asilo político para evitar a extradição reclamada por Cuba e Venezuela, extradição que os EUA têm evitado.
O envolvimento da CIA e da própria administração norte-americana (ao tempo dos crimes) nos actos terroristas de Carriles, inibem ainda hoje o tribunal do Texas de acusá-lo daquilo que é mais relevante na sua actividade criminosa e que não é, seguramente, a entrada ilegal em território norte-americano.
O próprio advogado de defesa de Carriles, Arturo Hernandez, argumenta que o acusado actuou “como aliado dos Estados Unidos”.
A denúncia recente contra Posada Carriles foi feita pelo salvadorenho Francisco Chávez Abarca que foi seu colaborador e a quem Posada Carriles terá recrutado em El Salvador, para preparar uma serie de atentados em Havana.
Chavez Abarca fez esta denúncia pormenorizada durante um julgamento a que foi sujeito em Cuba no seguimento da sua própria prisão quando tentava entrar clandestinamente na Venezuela e dali foi extraditado. Ele mostra grande disponibilidade para desmontar toda a rêde de Carriles e da CIA neste âmbito. Diz ter sido "uma marioneta de Carriles". Foi condenado a 30 anos de prisão pelo tribunal cubano.
De Posada, actualmente a ser julgado no Texas, não se sabe ainda o que lhe irá acontecer, mas não parece que esteja preocupado. Ele sabe demais acerca da administração norte-americana, foi protegido dos Bush e, como já se invocou, tem a CIA nas mãos - ou na boca. Pelo menos, enquanto tiver boca.
Está a ser julgado nos Estados Unidos da América... “por perjúrio, obstrução à Justiça e uso de métodos fraudulentos para entrada, em 2005, nos E.U.A.”
Posada Carriles, uma longa história criminalPosada participou na invasão de Playa Gyron em 1961 e é "autor intelectual" do atentado contra um avião cubano em 1976, que resultou na morte de 73 pessoas. Por este crime foi preso na Venezuela mas fugiu da prisão em 1985 com apoio da CIA e de uma organização cubano-americana anticastrista. Dedicou-se depois a organizar acções contra os governos progressistas da américa central e atentados contra hoteis em Havana.
Algumas das vítimasCarriles foi também "autor intelectual" de um atentado em Cuba em 1997, que matou um turista italiano.«Ele estava no lugar errado à hora errada» - comentaria Carriles.
Em 2000 foi preso no Panamá quando planeava um atentado contra Fidel Castro fazendo uso de "200 libras de C-4" num auditorio cheio de estudantes, mas seria indultado em 2004 pela presidenta de então. Em 2005 entrou ilegalmente nos EUA e pediu asilo político para evitar a extradição reclamada por Cuba e Venezuela, extradição que os EUA têm evitado.
O envolvimento da CIA e da própria administração norte-americana (ao tempo dos crimes) nos actos terroristas de Carriles, inibem ainda hoje o tribunal do Texas de acusá-lo daquilo que é mais relevante na sua actividade criminosa e que não é, seguramente, a entrada ilegal em território norte-americano.
O próprio advogado de defesa de Carriles, Arturo Hernandez, argumenta que o acusado actuou “como aliado dos Estados Unidos”.
A denúncia recente contra Posada Carriles foi feita pelo salvadorenho Francisco Chávez Abarca que foi seu colaborador e a quem Posada Carriles terá recrutado em El Salvador, para preparar uma serie de atentados em Havana. Chavez Abarca fez esta denúncia pormenorizada durante um julgamento a que foi sujeito em Cuba no seguimento da sua própria prisão quando tentava entrar clandestinamente na Venezuela e dali foi extraditado. Ele mostra grande disponibilidade para desmontar toda a rêde de Carriles e da CIA neste âmbito. Diz ter sido "uma marioneta de Carriles". Foi condenado a 30 anos de prisão pelo tribunal cubano.
De Posada, actualmente a ser julgado no Texas, não se sabe ainda o que lhe irá acontecer, mas não parece que esteja preocupado. Ele sabe demais acerca da administração norte-americana, foi protegido dos Bush e, como já se invocou, tem a CIA nas mãos - ou na boca. Pelo menos, enquanto tiver boca.
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2010/11/19
Mais Fidel, menos Fidel
Fidel desprende o segundo laço que o amarrava à direcção política de Cuba, ou esta a ele. Depois de deixar formalmente a direcção do governo, em 2008, deixa agora a direcção do partido. Uma vez mais, por razões de saúde.
”No vacilé ni un segundo al deponer mis cargos" – disse como quem não se tivesse agarrado ao poder durante cinquenta anos à custa do monopartidarismo, da repressão e da censura.
Vai mesmo ao ponto de declarar a sua concordância com as reformas em curso e fala da necessidade de "salvar la Revolución" y fortalecer la "crítica y la autocrítica" – sem se criticar!
De notar que o Partido Comunista de Cuba realizará em Abril de 2011 o seu VI Congresso onde se aprovará um plano de reformas económicas mas que também “elegerá” a nova cúpula do partido único, incluindo o seu secretário geral (“primer secretario”).
”No vacilé ni un segundo al deponer mis cargos" – disse como quem não se tivesse agarrado ao poder durante cinquenta anos à custa do monopartidarismo, da repressão e da censura. Vai mesmo ao ponto de declarar a sua concordância com as reformas em curso e fala da necessidade de "salvar la Revolución" y fortalecer la "crítica y la autocrítica" – sem se criticar!
De notar que o Partido Comunista de Cuba realizará em Abril de 2011 o seu VI Congresso onde se aprovará um plano de reformas económicas mas que também “elegerá” a nova cúpula do partido único, incluindo o seu secretário geral (“primer secretario”).
2010/09/14
Un pasito pa’lante... Raúl Castro
Em 13 de Setembro de 2010
diz a Central de Trabalhadores de Cuba:
«En correspondencia con el proceso de actualización del modelo económico y las proyecciones de la economía para el periodo 2011-2015, se prevé en los Lineamientos para el año próximo la reducción de más de 500 000 trabajadores en el sector estatal y paralelamente su incremento en el sector no estatal. El calendario para su ejecución está concebido por los organismos y empresas, hasta el primer trimestre del 2011.
Para el movimiento sindical y los trabajadores prestar la máxima atención a la reducción de plantillas, al proceso de disponibilidad laboral y al empleo, y lograr una adecuada utilización de los recursos humanos resulta una tarea insoslayable. Es conocido que el exceso de plazas sobrepasa el millón de personas en los sectores presupuestado y empresarial.
Nuestro Estado no puede ni debe continuar manteniendo empresas, entidades productivas, de servicios y presupuestadas con plantillas infladas, y pérdidas que lastran la economía, resultan contraproducentes, generan malos hábitos y deforman la conducta de los trabajadores. Es necesario elevar la producción y la calidad de los servicios, reducir los abultados gastos sociales y eliminar gratuidades indebidas, subsidios excesivos, el estudio como fuente de empleo y la jubilación anticipada».
(...)
Estos cambios en la política de empleo se aplicarán de forma gradual y progresiva, se iniciarán de inmediato y por su magnitud e incidencia abarcarán a todos los sectores.
Todo este proceso se efectuará sobre bases y normas nuevas y se modificará el actual tratamiento laboral y salarial para los disponibles e interruptos, pues ya no será posible aplicar la fórmula de proteger o subsidiar salarialmente de forma indefinida a los trabajadoresEn la identificación, traslado y ubicación hacia otras labores tendrá un papel muy importante la gestión y disposición personal del interesado. (...)
Entretanto o grande líder Fidel Castro vai falando sobre o Irão, o Médio Oriente... ou, como alguém diz, «los habituales delirios mesiánicos cargados de sombríos augurios»
Fazia tanta falta que alguém explicasse quando serão integrados os trabalhadores despedidos, e se os despedimentos ficarão condicionados a essa integração - sabido que esta não depende do Estado mas do «incremento en el sector no estatal», isto é, da nova (eventual!) iniciativa privada. Ou então, porque continuam presos e exilados tantos cubanos por terem defendido este tipo de "actualización del modelo económico".
Fonte: Granma
2010/09/10
As coisas que diz Fidel (ACTUALIZADO)
(09 SET 2010)
No fim de Agosto, Fidel Castro concedeu uma entrevista a Jeffrey Goldberg, para a revista norte-americana The Atlantic.
Depois de terem falado durante três horas acerca do Irão e do Médio Oriente, assunto a que Fidel se tem dedicado nas últimas "reflexiones", e no decorrer de uma refeição em que estavam também presentes a mulher e um filho do líder cubano, o jornalista perguntou-lhe se entendia que o modelo cubano era exportável (para outros países). A resposta não podia ser mais surpreendente: “el sistema cubano no funciona ni para nosotros mismos”.
A este respeito faço minhas as palavras da cubana Yoani Sanchez no seu blogue:
«Si no recuerdo mal, por frases menores o similares expulsaron a muchos militantes del Partido Comunista y purgaron largas condenas innumerables cubanos. El dedo índice de quien fuera el Máximo Líder se dirigió sistemáticamente contra los que intentaron explicarle que el país no marchaba. Pero no sólo el castigo acompañó a los inconformes, sino que la máscara se nos convirtió en ardid de sobrevivencia en una isla que él intentaba hacer a su imagen y semejanza. Simulación, susurros, dobleces, todo para ocultar la misma opinión que ahora el “resucitado” comandante lanza precipitadamente frente a un periodista extranjero».
Por este caminho, digo agora eu, ainda vamos ter os nossos indefectíveis apoiantes do modelo cubano, (o mais recente é Jerónimo de Sousa no comício da Festa do Avante) a dividirem-se entre falsos “críticos de sempre” e sinceros acusadores do “garoto” Fidel – à imagem do que aconteceu com a “glasnost” de Gorbachëv.
De Fidel, já nada devia surpreender quem tenha acompanhado o recrudescimento da sua patética campanha mediática desde que recuperou a saúde... física. Raúl parece não o acompanhar nesta operação de marketing pessoal como não acompanha nas suas deambulações à frente das câmaras da Cubavisión, mas uma côrte de fidelistas, preocupada com os seus interesses pessoais, carrega em ombros o que resta do seu “comandante”, até ao colapso final.
Que mais ocorrerá aos ditadores na tentativa de desmotivar a resistência crescente?
ACTUALIZAÇÃO (11 Set. 2010)
No dia seguinte à publicação do artigo de J. Golberg, Fidel publica no Granma, um desmentido da "interpretação" que o jornalista teria feito das suas palavras. E a "Atlantic magazine" comentou esse desmentido em termos que pretendem confirmar a versão original do jornalista.
Nisto, como em tudo, cada um acreditará no que quiser, sendo obvio que Fidel Castro não assume a opinião inicialmente citada. Mas eu interrogo-me se ele acredita que o seu "cubanismo" funciona mesmo, e esta questão Fidel não esclarece no seu... esclarecimento. Nem precisa, que o estado político, económico e social a que chegou o país, fala por si!
Para quem não tenha visto, mais pertinente me parece agora a consulta aos meus artigos anteriores "Também tu, Raúl?" e "Cuba instável"
No fim de Agosto, Fidel Castro concedeu uma entrevista a Jeffrey Goldberg, para a revista norte-americana The Atlantic.
Depois de terem falado durante três horas acerca do Irão e do Médio Oriente, assunto a que Fidel se tem dedicado nas últimas "reflexiones", e no decorrer de uma refeição em que estavam também presentes a mulher e um filho do líder cubano, o jornalista perguntou-lhe se entendia que o modelo cubano era exportável (para outros países). A resposta não podia ser mais surpreendente: “el sistema cubano no funciona ni para nosotros mismos”.
A este respeito faço minhas as palavras da cubana Yoani Sanchez no seu blogue:«Si no recuerdo mal, por frases menores o similares expulsaron a muchos militantes del Partido Comunista y purgaron largas condenas innumerables cubanos. El dedo índice de quien fuera el Máximo Líder se dirigió sistemáticamente contra los que intentaron explicarle que el país no marchaba. Pero no sólo el castigo acompañó a los inconformes, sino que la máscara se nos convirtió en ardid de sobrevivencia en una isla que él intentaba hacer a su imagen y semejanza. Simulación, susurros, dobleces, todo para ocultar la misma opinión que ahora el “resucitado” comandante lanza precipitadamente frente a un periodista extranjero».
Por este caminho, digo agora eu, ainda vamos ter os nossos indefectíveis apoiantes do modelo cubano, (o mais recente é Jerónimo de Sousa no comício da Festa do Avante) a dividirem-se entre falsos “críticos de sempre” e sinceros acusadores do “garoto” Fidel – à imagem do que aconteceu com a “glasnost” de Gorbachëv.
De Fidel, já nada devia surpreender quem tenha acompanhado o recrudescimento da sua patética campanha mediática desde que recuperou a saúde... física. Raúl parece não o acompanhar nesta operação de marketing pessoal como não acompanha nas suas deambulações à frente das câmaras da Cubavisión, mas uma côrte de fidelistas, preocupada com os seus interesses pessoais, carrega em ombros o que resta do seu “comandante”, até ao colapso final.
Que mais ocorrerá aos ditadores na tentativa de desmotivar a resistência crescente?
ACTUALIZAÇÃO (11 Set. 2010)
No dia seguinte à publicação do artigo de J. Golberg, Fidel publica no Granma, um desmentido da "interpretação" que o jornalista teria feito das suas palavras. E a "Atlantic magazine" comentou esse desmentido em termos que pretendem confirmar a versão original do jornalista.
Nisto, como em tudo, cada um acreditará no que quiser, sendo obvio que Fidel Castro não assume a opinião inicialmente citada. Mas eu interrogo-me se ele acredita que o seu "cubanismo" funciona mesmo, e esta questão Fidel não esclarece no seu... esclarecimento. Nem precisa, que o estado político, económico e social a que chegou o país, fala por si!
Para quem não tenha visto, mais pertinente me parece agora a consulta aos meus artigos anteriores "Também tu, Raúl?" e "Cuba instável"
2010/07/17
Também tu, Raúl?

Nestes dias, tem-se assistido a um patético e abusivo exercício de Poder em que Fidel Castro se mete à frente das câmaras de televisão para apagar a imagem e o papel político de Raúl Castro, nomeadamente após as mudanças que este fez no Governo e a libertação de presos políticos cubanos.
A nostalgia e o desespero dos mais decadentes actores do regime, obrigam Fidel Castro a este último estertor.
Na sua falta de capacidade e de coragem para assumir os erros do mapa que traçaram, não corrigem o mapa nem o rumo, agarram-se doentiamente ao leme numa vertigem tresloucada que precipita o país para um naufrágio à vista de Miami.
Sim, Fidel, tu és o Comandante, tu és indispensável; sem as tuas reflexiones, Cuba mergulharia no vazio intelectual; sem este frenesim de aparições públicas dos últimos dias, não haveria tabaco em Pinar del Río nem sol em Varadero nem mulheres bonitas e graciosas das ruas de Havana até Santiago – pobres viúvas de Fidel arrastando-se em dolorosos prantos.
Este é o panorama que me inspira o trabalho que segue, construído com imagens manipuladas de uma entrevista recente do “coma-andante” - como lhe chamam já muitos cubanos.
ENTREVISTA ESQUIZOFRÉNICA
(carregar no nariz para ampliar)
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Cuba,
Fidel Castro,
presos políticos cubanos,
Raúl Castro
2010/03/08
Sonhar é legal em Cuba
«Esta noche es la reunión para proponer candidatos en la zona de bloques de concreto donde vivo.
La citación ha llegado desde hace un par de días mientras en la tele nos convocaban a elegir a los mejores y más capaces. Sin embargo, no me queda ni pizca de fe en un mecanismo que ha probado su inoperatividad y su sectarismo.
Me gustaría levantar la mano por el vecino de verbo firme y proyectos concretos que vive al frente, pero hay órdenes de salirle al paso a quien nomine a un “disidente”, incluso a esos que sólo parecen ser proclives al cambio.
Existen muchas posibilidades de que sea ratificado el mismo delegado que desde hace más de diez años nos promete soluciones, a sabiendas que no está en sus manos cumplirlas. Él es el cómodo candidato de estas elecciones baldías, y nosotros meros figurines que deben alzar la mano o rellenar la boleta».
Este excerto do blogue de Yoani Sánchez, que em dois dias já recebeu cerca de 2500 comentários, não faz referência ao facto de que toda a informação publicada em Cuba é propriedade e conteúdo do partido do Governo e que é com essa desinformação e o controlo das opiniões pela polícia política, que se desenrolam os processos eleitorais.
Bem podem os Castros, grandes proprietários de Cuba, invocar os alegados 638 atentados contra Fidel que isso não lhes dá autoridade moral para a imposição da ditadura. Além de que, mesmo depois de morto, o génio, o santo, o insubstituível Fidel continuará a mandar em toda a gente como se vê pelo aparelho que deixa montado. A menos que uma erupção de violência irrompa algum dia, porque a História não suporta para sempre terrenos instáveis e as margens não podem comprimir indefinidamente a liberdade dos rios - para invocar Brecht !
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