2014/08/27
Avante com a festa
A festa deste ano como acontece todos os anos, naturalmente, reflectirá nas participações artísticas e nas representações internacionais, nomeadamente, a capacidade financeira, a dimensão do prestígio e as simpatias internacionais do PCP.
De resto, é a revisitação da História, a actualidade política e os tradicionais pavilhões literários, artísticos e culturais, bem como as gastronomias regionais. Uma pluralidade de ofertas de géneros para uma pluralidade de públicos: desde os mais políticos aos mais apolíticos, dos mais degustativos aos mais festivaleiros.
Se não é possível conhecer a história da ditadura em Portugal, sem conhecer a história de resistência do PCP, o mesmo se pode dizer da importância do jornal Avante, órgão central do PCP, enquanto veículo de divulgação clandestina das verdades proibidas pelo fascismo português.
Quanto à festa em si, ela não só expressa os sentimentos e as lutas dos militantes do PCP como tem sido objecto, em si mesma, do combate partidário anticomunista, através de formas administrativas de boicote à realização do evento por parte dos governos. A interdição de usar espaços para a Festa, sob diversos pretextos, obrigou o Partido Comunista a uma aventura inimaginável: comprar um terreno próprio para a realização da Festa. E assim o conseguiu, no Seixal, através de uma campanha impensável de recolha de fundos.
Enquanto o combate político em Portugal não se fizer com bombardeamentos, vai ser difícil a certas forças políticas obrigarem novamente os comunistas do PCP a carregar a festa às costas. E ainda bem – no interesse destes, é certo, mas com benefício para todos.
CURIOSIDADE:
como assinavam os doadores no tempo da ditadura:
2012/07/25
Paradoxos de esquerda
Resistente assumido contra a repressão política, dele se recorda que subscreveu com mais catorze mil cidadãos, uma petição ao abrigo da constituição, destinada a obter a liberdade de associação, de expressão e de Imprensa, e a libertação dos presos políticos. O resultado foi a prisão de 40 membros do movimento de libertação que ele representava.
Isto podia ter sido em Portugal, durante o salazarismo ou a “Primavera Marcelista, mas não; foi durante a Primavera Negra de 2003, em Cuba.
Nada que demova a relação “de fraternidade” que o PCP continua a cultivar com aqueles que noutras partes do mundo impõem ditaduras que o são independentemente das cores com que as pintam. A grande justificação continuará a ser a origem revolucionária libertadora que esses regimes tiveram, e o caracter socialista que esses regimes proclamam. Faz lembrar o generalizado elogio que alguns faziam e fazem ao Estado Novo, em nome do restabelecimento da “ordem” e da saúde financeira do salazarismo.
Está em preparação a Festa do Avante que decorrerá de 7 a 9 de Setembro. Lá voltaremos a encontrar o “Espaço Internacional” onde «estará em evidência a cooperação e a luta dos povos de todo o mundo face à crise do capitalismo e à violenta ofensiva do imperialismo». Mas não a cooperação e a luta dos povos de todo o mundo face aos abusos de poder, à supressão das liberdades políticas, à perseguição repressiva contra os opositores às ditaduras “de esquerda”. Pelo contrário. E este paradoxo ideológico voltará a ser consagrado em forma de farsa no XIX Congresso, também ele em preparação para o final de Novembro.
Como alguém diria: que se lixem as eleições, o que importa são as revoluções!
Felizmente há alternativas.
NOTA: No momento em que publico este artigo, surge esta informação em twiter desde Cuba: Ailer Gzlez narra golpes e irregularidades legales en su arresto (prisão); 20 personas esperamos fuera d Estacion porque liberen a Antonio Rodiles.
2008/08/31
Será desta?
Espaço Internacional recorda
50.º aniversário da Revolução Cubana.
Lutar e resistir contra o imperialismo
«O Espaço Internacional da Festa do Avante! vai dar destaque, este ano, à “Perigosa e explosiva situação no Médio Oriente” e ao “50.º aniversário da Revolução Socialista Cubana”. Ali, o visitante poderá acompanhar como os trabalhadores e os povos, com os partidos comunistas e progressistas, dão resposta à ofensiva do imperialismo e desbravam os caminhos da alternativa socialista».
A saber, quanto à alternativa socialista que a actual Direcção preconiza:
«... No mesmo dia falar-se-á de Cuba. Esta grande iniciativa contará com a presença dos camaradas que integram a delegação do Partido Comunista Cubano. “Mais do que um debate, será um grande acto comemorativo, político, dos 50 anos da Revolução Cubana”, sublinhou Ângelo Alves».
E eu pergunto: - Será desta vez que nos vão explicar se o regime cubano é uma ditadura do proletariado ou uma democracia da família Castro?
Resposta: Não!, isto é “um acto comemorativo, mais do que um debate”.
E eu pergunto: - Mais que um debate ou MENOS que um debate? Para quando o debate? Ficaremos à espera de um colapso... político, à russa, para ouvir que o PCP não aprova o unipartidarismo... nem que seja na América? O povo cubano merece menos que o português em matéria dos direitos e das liberdades?
Informação:
O não-debate será no Sábado, dia 6, ás 18h30.
Não contem comigo (dasss) !


