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2019/12/01

Hermanos y independentes

O El País de 29 de Novembro dava conta de que o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) iria apresentar uma “queixa formal” ao PS português por ter apoiado uma moção, na Assembleia Municipal de Lisboa, contra a “repressão” na Catalunha.

Dir-se-ia que se reacendem os conflitos entre os dois países, com o regresso dos Filipes ao trono de Espanha. Estará isto associado à celebração da nossa independência ocorrida em 1 de Dezembro de  1640?

Aqui está um bom assunto para os comentadores se/nos entreterem, ao que acrescentariam uma reflexão, porventura mais oportuna, sobre a independência em relação à "União" Europeia - arrogantemente chamada Europa.


2014/06/04

Portugal e os Filipes

Entre 1580 e 1640, Portugal viveu sob o domínio dos reis Felipes de Espanha, como resultado da sucessão monárquica por mecanismos familiares. Foi no que deu a morte envergonhada de D. Sebastião e o celibato do prior do Crato.

A pobreza aumenta entre os portugueses e os impostos sobre eles também – ainda estou a falar do domínio dos Felipes…!

Mais que o fantasma de D. Sebastião, talvez, a figura do Manelinho inspirou a fé do nosso povo que não podia ainda recomendar-se a Nossa Senhora de Fátima. O Manuelinho era uma espécie de Marinho e Pinto, só para dar uma ideia e “com o devido e merecido respeito” por um e pelo outro. Mas enquanto o Pinto canta de galo nas televisões, o Manuelinho agitava manifestações de rua – lá teria outra agilidade.

Não creio que Felipe VI de Espanha seja candidato ao trono português, até porque terá bastante com que se entreter, nomeadamente as revoltas da Catalunha – tal como na época dos Felipes de Portugal - , além de que o 1640 já se cumpriu em Maio, segundo Paulo Portas. Mas que o domínio estrangeiro está cá instalado, sabemos que está.

Será que alguém se dispões a confrontar a duquesa de Mântua alemã para Portugal recuperar a independência? Da outra vez foram sessenta anos à espera de Dom Sebastião! E agora? Estamos dispostos a esperar outros sessenta?

2011/07/03

Independência nacional

No dia 28 de Junho estive numa sessão de lançamento do livro “Tempo de Barbárie e Luta”, de Miguel Urbano Rodrigues, desta vez no Clube Literário do Porto.

Embora as intervenções e perguntas fossem para outras latitudes, eu queria ouvi-lo sobre a América-Latina, região que tão bem conhece. Da sua resposta recorto as seguintes passagens, não porque fossem as mais relevantes para ele mas sim para mim:
“a Venezuela é hoje o principal apoio à Revolução Bolivariana” e “sem Hugo Chavez a Revolução Bolivariana desaparece”.

A importância destas afirmações feitas por um grande admirador do regime cubano e defensor do papel político positivo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, com quem conviveu, denunciam dois factos novos: que nem Cuba nem as FARC têm já um papel importante no devir histórico da região. E sendo Chavez um político frágil, enredado em populismo e contradições, e sem garantias de continuidade no Poder, o sonho frustrado de Simon Bolívar terá que esperar por novos heróis e novas circunstâncias que os produzam.

Simón Bolívar, apesar das lutas heroicas e generosas que travou e do legado que deixou para o imaginário da América-Latina, morreu após uma batalha dolorosa contra a tuberculose sem que o seu projecto federalista se realizasse. Chavez, corre o risco de ser vitimado pela doença da nossa época, sem méritos que se comparem aos do seu inspirador histórico. Além do mais, são outras as circunstâncias.

As circunstâncias da revolta mais depressa parecem estar a formar-se na Europa. Assim queiram os escravos do colonialismo económico que alastra no "velho continete", e não faltarão simons-bolívares.