«O que me surpreende são os comentários, de pessoas responsáveis que conhecem a economia, de que este Governo é «incompetente», a «austeridade não está a resultar», as previsões «falharam». Nada falhou nesta política do ponto de vista de quem ganhou até agora. Ela é aliás muito bem sucedida – há mais milionários em Portugal e os milionários têm mais.
Falhou claro, até agora, a resistência. Não acredito que por muito mais tempo. Porque há limites objectivos à tolerância dos «de baixo» que quando derrubam os «de cima» deitam para o caixote de lixo da história o senso comum, o velho senso comum que diz que os portugueses são «brandos, não saem do sofá, são acomodados». Descobre-se então um outro senso: o bom senso de quem já não suporta o terrorismo laboral e a inércia e, às vezes, o bloqueio mesmo, daquilo que deveria ser a oposição.»
Isto é um excerto de um artigo de Raquel Varela em 5dias.net
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2013/11/08
2009/12/07
Governabilidade ou cumplicidade

De tanto repetirem uma mentira, acabaram por se enganarem a si próprios. É vulgar. De tantas vezes falarem em “governo eleito”, sabendo que o Governo não é eleito mas sim os deputados, e por isso se designam eleições legislativas, fingem-se espantados e afirmam-se indignados porque a maioria não é do PS. É o que os portugueses quiseram; não se importam? Ou então acabem com as eleições...
Assim não é possível governar? Assim não é possível governar contra tudo e contra todos, é só isso. Haja um um sentido claro, uma estratégia credível e um discurso de verdade, e talvez seja tudo mais fácil. Ou julgavam que atirando a esquerda contra a direita, um dia, e a direita contra a esquerda, no dia seguinte, a caravana do oportunismo político ia passando e rindo como tantas vezes tem acontecido na história do PS? Assumam-se!
Em Novembro de 2008, quando tinha maioria absoluta, a bancada do PS aprovou, sozinha, em votação na generalidade, a proposta de Orçamento do Estado para 2009, contra a votação de toda a oposição, do Bloco de Esquerda ao CDS-PP. Ora aí está o sentido de cooperação do PS !
Que a Oposição, apesar de estar agora em maioria, viabilize a aprovação do orçamento, como tudo indica, a fim de evitar “um contexto de crise governativa”, não lhes basta. Exigem, além disso, a cumplicidade com as suas políticas sejam elas quais forem.
Já cá faltava uma ajudinha da Igreja :
«O momento político que Portugal vive, exige a solidariedade entre forças partidárias que ofereçam condições de governabilidade ao País. Diante de “dificuldades graves” que Portugal atravessa, é necessário encontrar soluções “com bastante sustentabilidade e que tenham resistência perante as forças de interesses que não deixarão de vir a terreno”».
Do resto da notícia se compreende que esta intervenção de D. Carlos Azevedo, Presidente da Comissão de Pastoral Social da Igreja Católica, apela à resignação da Oposição que recebeu a maioria dos votos populares. É a caridade.
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