Os desmandos da banca privada custaram, desde 2008, quase 15 mil milhões de euros públicos. Este valor permitiria pagar 500 equipas de sapadores florestais durante 700 anos.
Ver em: abrilabril
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2017/10/25
2016/10/18
Minha proposta para o O. E.
Se a estupidez pagasse imposto, não faltaria ao Estado - a muitos Estados - com que baixar as dívidas e passar de déficit para super-avit. Só continuariam descontentes os porta-vozes não assumidos das confederações patronais - mais do que as próprias, aliás.
Fica a minha sugestão para a discussão do Orçamento do Estado, em curso.
2016/02/26
Ai que medo!
Inconformados com o seu presente e envergonhadas do seu passado, os líderes da direita política apostam em tempestades que hão-de surgir na rota do governo das esquerdas – são os novos profetas da desgraça.
Segundo eles, o orçamento de Estado sucumbirá ao tentar dobrar o cabo de Bruxelas. Segundo eles, os partidos à esquerda do PS terão sido “forçados a negar a essência de si mesmos, e perderão qualquer utilidade, a prazo” – os tais partidos que não tinham qualquer utilidade antes, por serem “apenas partidos de protesto” – segundo eles.
“Quando a tempestade chegar, e chegará, cá estaremos!” – diz o Nuno Melo (na foto).
Segundo eles, o orçamento de Estado sucumbirá ao tentar dobrar o cabo de Bruxelas. Segundo eles, os partidos à esquerda do PS terão sido “forçados a negar a essência de si mesmos, e perderão qualquer utilidade, a prazo” – os tais partidos que não tinham qualquer utilidade antes, por serem “apenas partidos de protesto” – segundo eles.
“Quando a tempestade chegar, e chegará, cá estaremos!” – diz o Nuno Melo (na foto).
2016/01/28
2011/12/22
Humor com orçamento
O Parlamento interrompe os seus trabalhos durante a próxima semana. Antes disso, os representantes parlamentares foram apresentar cumprimentos de Boas Festas ao Presidente da República que gracejou, ao despedir-se:
- Podem descansar que nós ficamos aqui com o Orçamento.
No mesmo tom, respondeu-lhe Bernardino Soares, do PCP:
- Pode sempre devolvê-lo, senhor Presidente.
Há piadas que valem por discursos! - digo eu.
E agora, senhor Presidente? Agora que está nas suas mãos decidir, o que fará de uma proposta que vai contra as suas recomendações de "limites para o sacrifício", de "equidade" e outras piedosas declarações?
TSF10 Dez 2011
O Presidente da República diz que devemos ter vergonha por haver quem passe fome neste país.
Os portugueses devem sentir-se «envergonhados por estarmos no século XXI, Portugal ser uma democracia, ser um país que, apesar de tudo, está num desenvolvimento acima da média e, no entanto, alguns de nós sofrem de carência alimentar».
ACTUALIZAÇÃO em 30DEZ2011
Cavaco promulgou! LUSA / Diário de Notícias.
Afinal quem não tem vergonha?
- Podem descansar que nós ficamos aqui com o Orçamento.
No mesmo tom, respondeu-lhe Bernardino Soares, do PCP:
- Pode sempre devolvê-lo, senhor Presidente.
Há piadas que valem por discursos! - digo eu.
E agora, senhor Presidente? Agora que está nas suas mãos decidir, o que fará de uma proposta que vai contra as suas recomendações de "limites para o sacrifício", de "equidade" e outras piedosas declarações?
TSF10 Dez 2011
O Presidente da República diz que devemos ter vergonha por haver quem passe fome neste país.
Os portugueses devem sentir-se «envergonhados por estarmos no século XXI, Portugal ser uma democracia, ser um país que, apesar de tudo, está num desenvolvimento acima da média e, no entanto, alguns de nós sofrem de carência alimentar».
ACTUALIZAÇÃO em 30DEZ2011
Cavaco promulgou! LUSA / Diário de Notícias.
Afinal quem não tem vergonha?
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2010/11/25
Aviso prévio
NOTÍCIA
A proposta de Orçamento de Estado para 2011, vai ser definitivamente aprovada na Assembleia da República na próxima sexta-feira, 26 de Novembro, com os votos a favor do PS e com a abstenção do PSD destinada a viabilizá-lo.
DENÚNCIA
Este O.E. incorpora a vontade política dos países mais ricos da União Europeia e os respectivos interesses, bem como a opção liberal dos partidos portugueses que se reclamam “do arco da governação".
ACUSAÇÃO
As políticas contempladas no documento em apreço têm efeitos claros:
1) destinam-se a fazer pagar aos trabalhadores e às camadas sociais menos protegidas, o preço exclusivo de uma crise que não provocaram, através da redução directa de salários e do congelamento de pensões; do aumento de impostos sobre o trabalho e o consumo (IRS e IVA) que corresponde a uma desvalorização indirecta das remunerações;
2) degradação do tecido económico, recessão, falências e desemprego:
3) empobrecimento crescente da população e agravamento das condições de funcionamento da Segurança Social;
4) aumento das desigualdades e desmotivação da população para as soluções políticas da crise, com reacções sociais imprevisíveis.
AVISO
A contestação «vem para ficar e para ser o impulso forte e combativo para todas as pequenas e grandes lutas que os próximos tempos continuarão a reclamar imperativamente, sector a sector, empresa a empresa, medida a medida, luta a luta, batalha a batalha, e nacionalmente» (Victor Dias)
Assim conserve o Movimento Sindical - digo eu - a confiança que já foi perdida, por razões diversas, nos partidos políticos fundadores desta democracia empobrecida .

Quanto aos efeitos da «terapia de» choque receitada por Merkel e Sarcozy, mais depressa os “curarão” a eles e à União Europeia, do que às economias nacionais que lhes são dependentes.
E não é porque não tenham sido eleitos. É por não terem sido eleitos... para isto!
A proposta de Orçamento de Estado para 2011, vai ser definitivamente aprovada na Assembleia da República na próxima sexta-feira, 26 de Novembro, com os votos a favor do PS e com a abstenção do PSD destinada a viabilizá-lo.
DENÚNCIA
Este O.E. incorpora a vontade política dos países mais ricos da União Europeia e os respectivos interesses, bem como a opção liberal dos partidos portugueses que se reclamam “do arco da governação".
ACUSAÇÃO
As políticas contempladas no documento em apreço têm efeitos claros:
1) destinam-se a fazer pagar aos trabalhadores e às camadas sociais menos protegidas, o preço exclusivo de uma crise que não provocaram, através da redução directa de salários e do congelamento de pensões; do aumento de impostos sobre o trabalho e o consumo (IRS e IVA) que corresponde a uma desvalorização indirecta das remunerações;
2) degradação do tecido económico, recessão, falências e desemprego:
3) empobrecimento crescente da população e agravamento das condições de funcionamento da Segurança Social;
4) aumento das desigualdades e desmotivação da população para as soluções políticas da crise, com reacções sociais imprevisíveis.
AVISO
A contestação «vem para ficar e para ser o impulso forte e combativo para todas as pequenas e grandes lutas que os próximos tempos continuarão a reclamar imperativamente, sector a sector, empresa a empresa, medida a medida, luta a luta, batalha a batalha, e nacionalmente» (Victor Dias)
Assim conserve o Movimento Sindical - digo eu - a confiança que já foi perdida, por razões diversas, nos partidos políticos fundadores desta democracia empobrecida .

Quanto aos efeitos da «terapia de» choque receitada por Merkel e Sarcozy, mais depressa os “curarão” a eles e à União Europeia, do que às economias nacionais que lhes são dependentes.
E não é porque não tenham sido eleitos. É por não terem sido eleitos... para isto!
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2010/10/27
À porta fechada
Há realmente coisas que só podem ser feitas à porta-fechada. Vergonhas! Aqui ficam dois exemplos.
Dizem as notícias que «O Ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, esteve na residência oficial do Primeiro-Ministro, depois de se ter encontrado a sós com o líder negocial do PSD, Eduardo Catroga (na foto), antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva».
Dizem os comentadores afectos ao “arco da governação” que a escolha de Eduardo Catroga tem méritos incontestáveis. Diz Jerónimo de Sousa, no seu estilo metafórico de grosso recorte, que tal encontro é “conversa de alcova”.
Verdadeiramente pornográfico, porém, é este texto do Diário da República:
Eduardo de Almeida Catroga — contratado, por conveniência urgente de serviço, em regime de contrato administrativo de provimento, para o exercício das funções de Professor Catedrático Convidado, a tempo parcial 0 %, além do quadro deste Instituto, com efeitos a partir de 1 de Setembro de 2008. (não carece de fiscalização prévia do T. C.).
26 de Maio de 2010. — O Presidente da Escola, Prof. Doutor João Duque.
Diário da República, 2.ª série — N.º 107 — 2 de Junho de 2010
Quem me enviou esta informaqção por e-mail, juntava o seguinte comentário que julgo útil transcrever para quem não entender à primeira:
«Se contratado para o quadro a 0% do tempo, eu diria que talvez fosse para não trabalhar mas para ter o lugar garantido. Agora contratado para além do quadro a tempo parcial 0% e ainda por cima com efeitos retroactivos a 01/09/2008, desculpem mas não entendo. Vá-se lá saber das intenções...
Com certeza que Mário Crespo, quando se voltar a cruzar com João Duque (na foto) no seu programa 'Plano Inclinado', não deixará de lhe pedir que explique como este despacho irá contribuir para o desenvolvimento da ciência económica em Portugal».
Eu pergunto se serão situações destas que preocupam a Direita quando se refere a pessoas que ganham dinheiro sem trabalhar!?
Dizem as notícias que «O Ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, esteve na residência oficial do Primeiro-Ministro, depois de se ter encontrado a sós com o líder negocial do PSD, Eduardo Catroga (na foto), antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva». Dizem os comentadores afectos ao “arco da governação” que a escolha de Eduardo Catroga tem méritos incontestáveis. Diz Jerónimo de Sousa, no seu estilo metafórico de grosso recorte, que tal encontro é “conversa de alcova”.
Verdadeiramente pornográfico, porém, é este texto do Diário da República:
UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOAPor despacho do Presidente do Conselho Directivo do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, de 1/09/08, proferido por delegação do Reitor da mesma Universidade de 25/05/2007:
Instituto Superior de Economia e Gestão
Despacho (extracto) n.º 9405/2010
Eduardo de Almeida Catroga — contratado, por conveniência urgente de serviço, em regime de contrato administrativo de provimento, para o exercício das funções de Professor Catedrático Convidado, a tempo parcial 0 %, além do quadro deste Instituto, com efeitos a partir de 1 de Setembro de 2008. (não carece de fiscalização prévia do T. C.).
26 de Maio de 2010. — O Presidente da Escola, Prof. Doutor João Duque.
Diário da República, 2.ª série — N.º 107 — 2 de Junho de 2010
Quem me enviou esta informaqção por e-mail, juntava o seguinte comentário que julgo útil transcrever para quem não entender à primeira:
«Se contratado para o quadro a 0% do tempo, eu diria que talvez fosse para não trabalhar mas para ter o lugar garantido. Agora contratado para além do quadro a tempo parcial 0% e ainda por cima com efeitos retroactivos a 01/09/2008, desculpem mas não entendo. Vá-se lá saber das intenções...
Com certeza que Mário Crespo, quando se voltar a cruzar com João Duque (na foto) no seu programa 'Plano Inclinado', não deixará de lhe pedir que explique como este despacho irá contribuir para o desenvolvimento da ciência económica em Portugal». Eu pergunto se serão situações destas que preocupam a Direita quando se refere a pessoas que ganham dinheiro sem trabalhar!?
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2010/10/24
Importa que não se importe
2010 Outubro 24
Todos os dias e em toda a parte, os políticos e economistas com voz nos orgãos de difusão, insistem na necessidade de aumentar as exportações como medida para reduzir o défice da nossa Balança Comercial e assim reduzir a dívida externa.
Parece que faz sentido! Mas atendendo às enormes dificuldades de exportar quando os outros países estão “em contracção”, eles a braços com problemas da mesma natureza, e quando o nosso “aparelho produtivo” tem sido destruído por decisão política nacional e europeia, esta parece ser uma questão retórica.
Tal discurso exprime mais desejo do que viabilidade, mas há um "efeito colateral" que não passa despercebido: ele serve de pretexto para defender a diminuição dos apoios sociais e do rendimento dos trabalhadores “a fim de diminuir os custos de produção e tornar os nossos produtos mais competitivos no mercado”.
Claro que as exportações têm que ser promovidas e não sou eu quem venha desmoralizar o Primeiro-Ministro num dia forte de vendas à Venezuela, mas há sinais, e nem a minha formação económica me habilita a dizer mais, de que há muito a fazer “do lado” das importações numa sociedade onde o consumo supérfluo foi incentivado com grande sucesso por parte das empresas, dos bancos e dos governantes.
Parece evidente que é prioritário, por razão de eficiência, contrariar os consumos supérfluos e muitas vezes sumptuários dos governantes (a Direita diria “do Estado”), dos empresários e dos cidadãos mais abastados. No caso dos governantes, de forma coerciva, aos restantes através de desincentivos a esse tipo de consumo – aqui sim, talvez seja o IVA um instrumento de correcção onde não venha agravar custos de produção nacional.
Desculpem, mas é que ainda faltava eu dizer qualquer coisinha...
Nota:
«No período de Junho a Agosto de 2010, as saídas de bens registaram um aumento de 14,2% e as entradas de 10,0% face ao período homólogo (Junho a Agosto de 2009), resultando, ainda assim, no agravamento do défice da balança comercial em 161,2 milhões de euros.» - INE
Todos os dias e em toda a parte, os políticos e economistas com voz nos orgãos de difusão, insistem na necessidade de aumentar as exportações como medida para reduzir o défice da nossa Balança Comercial e assim reduzir a dívida externa.
Tal discurso exprime mais desejo do que viabilidade, mas há um "efeito colateral" que não passa despercebido: ele serve de pretexto para defender a diminuição dos apoios sociais e do rendimento dos trabalhadores “a fim de diminuir os custos de produção e tornar os nossos produtos mais competitivos no mercado”.
Desculpem, mas é que ainda faltava eu dizer qualquer coisinha...
Nota:
«No período de Junho a Agosto de 2010, as saídas de bens registaram um aumento de 14,2% e as entradas de 10,0% face ao período homólogo (Junho a Agosto de 2009), resultando, ainda assim, no agravamento do défice da balança comercial em 161,2 milhões de euros.» - INE
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2010/10/20
Estamos nisto !

Há quem fale em mudança de rumo; há quem fale em mudança de estratégia; há quem fale em mudar o paradigma... É tudo muito vago, abstracto e inconsequente. Não será melhor partir a parede?
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2010/01/28
Aviso
Com uma expectativa de recuperação económica em que ninguém acredita, e uma perspectiva de desemprego cada vez mais dramática, o que se tem por certo é a deterioração das condições e remunerações do trabalho e do apoio social no desemprego, na reforma e na doença. Políticas de sacrifício são apresentadas como inevitáveis e são aplicadas, desde logo, a quem depende do rendimento do trabalho.

Os grupos profissionais reagem com protestos e greves. Os governos apercebem-se de que não estiveram a lidar com expressões matemáticas quando decidiram nos seus gabinetes os sábios orçamentos; era com vidas humanas, famílias, crianças, que estavam a lidar.
Até certo ponto já sabiam disso, claro, e até certo ponto tiveram a preocupação de acautelar os efeitos humanos, sociais e políticos. Até certo ponto acreditaram que o Governo fez o que podia fazer no fio desta navalha político-económica – “A nossa primeira prioridade é o emprego”, proclamam ao mesmo tempo que decretam com entusiasmo a redução para metade dos funcionários públicos...
A partir do ponto a que chegaram, os governantes estariam a romper com o sistema, com o liberalismo social-democrata, o que se lhes afigura uma fantasia aberrante. Até certo ponto é de facto uma fantasia – na medida em que não é o tempo. Mas quem sabe quando é? Quantas falências mais? Quantos mais desempregados? Quantos pobres mais? Quantos ordenados congelados, quantas carências de serviços públicos, quantas manifestações, greves, revoltas, crimes de origem social, são necessários para que a sociedade entre em ruptura?
É que numa coisa não se enganou Karl Marx: «as mudanças quantitativas operam mudanças qualitativas». E raramente elas são calculáveis no tempo. Afinal quem sabe o momento em que a água passa dos 99 aos 100 graus, isto é, de água a vapor? Quem sabe o momento em que se evaporam as convicções de agora? O que se sabe é que num processo de aquecimento imparável, a água vai ferver. E quem diz a água diz a sociedade.
(Fotograma de Tempos Modernos, de Charlie Chaplin)
Os grupos profissionais reagem com protestos e greves. Os governos apercebem-se de que não estiveram a lidar com expressões matemáticas quando decidiram nos seus gabinetes os sábios orçamentos; era com vidas humanas, famílias, crianças, que estavam a lidar.
Até certo ponto já sabiam disso, claro, e até certo ponto tiveram a preocupação de acautelar os efeitos humanos, sociais e políticos. Até certo ponto acreditaram que o Governo fez o que podia fazer no fio desta navalha político-económica – “A nossa primeira prioridade é o emprego”, proclamam ao mesmo tempo que decretam com entusiasmo a redução para metade dos funcionários públicos...
A partir do ponto a que chegaram, os governantes estariam a romper com o sistema, com o liberalismo social-democrata, o que se lhes afigura uma fantasia aberrante. Até certo ponto é de facto uma fantasia – na medida em que não é o tempo. Mas quem sabe quando é? Quantas falências mais? Quantos mais desempregados? Quantos pobres mais? Quantos ordenados congelados, quantas carências de serviços públicos, quantas manifestações, greves, revoltas, crimes de origem social, são necessários para que a sociedade entre em ruptura?
É que numa coisa não se enganou Karl Marx: «as mudanças quantitativas operam mudanças qualitativas». E raramente elas são calculáveis no tempo. Afinal quem sabe o momento em que a água passa dos 99 aos 100 graus, isto é, de água a vapor? Quem sabe o momento em que se evaporam as convicções de agora? O que se sabe é que num processo de aquecimento imparável, a água vai ferver. E quem diz a água diz a sociedade.
(Fotograma de Tempos Modernos, de Charlie Chaplin)
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2009/12/07
Governabilidade ou cumplicidade

De tanto repetirem uma mentira, acabaram por se enganarem a si próprios. É vulgar. De tantas vezes falarem em “governo eleito”, sabendo que o Governo não é eleito mas sim os deputados, e por isso se designam eleições legislativas, fingem-se espantados e afirmam-se indignados porque a maioria não é do PS. É o que os portugueses quiseram; não se importam? Ou então acabem com as eleições...
Assim não é possível governar? Assim não é possível governar contra tudo e contra todos, é só isso. Haja um um sentido claro, uma estratégia credível e um discurso de verdade, e talvez seja tudo mais fácil. Ou julgavam que atirando a esquerda contra a direita, um dia, e a direita contra a esquerda, no dia seguinte, a caravana do oportunismo político ia passando e rindo como tantas vezes tem acontecido na história do PS? Assumam-se!
Em Novembro de 2008, quando tinha maioria absoluta, a bancada do PS aprovou, sozinha, em votação na generalidade, a proposta de Orçamento do Estado para 2009, contra a votação de toda a oposição, do Bloco de Esquerda ao CDS-PP. Ora aí está o sentido de cooperação do PS !
Que a Oposição, apesar de estar agora em maioria, viabilize a aprovação do orçamento, como tudo indica, a fim de evitar “um contexto de crise governativa”, não lhes basta. Exigem, além disso, a cumplicidade com as suas políticas sejam elas quais forem.
Já cá faltava uma ajudinha da Igreja :
«O momento político que Portugal vive, exige a solidariedade entre forças partidárias que ofereçam condições de governabilidade ao País. Diante de “dificuldades graves” que Portugal atravessa, é necessário encontrar soluções “com bastante sustentabilidade e que tenham resistência perante as forças de interesses que não deixarão de vir a terreno”».
Do resto da notícia se compreende que esta intervenção de D. Carlos Azevedo, Presidente da Comissão de Pastoral Social da Igreja Católica, apela à resignação da Oposição que recebeu a maioria dos votos populares. É a caridade.
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