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2017/09/18

"Geringonça" e o futuro


Se Jerónimo de Sousa e Catarina Martins se manifestam pouco disponíveis para repetir o acordo de apoio ao Governo “socialista” no próximo mandato, é porque prevêem uma maioria absoluta do PS ou uma maioria relativa em que um só dos actuais apoiantes chegaria para viabilizar o Governo. Não é uma zanga, é uma estratégia que faz todo o sentido para todos.

No caso da maioria relativa do PS, porém, os constrangimentos seriam insuportáveis para o PCP mas também para o Bloco de Esquerda e até para para o próprio PS.

O que poderá comprometer este quadro, enfim, será uma nova liderança do PSD tão necessária e desejada pela “maioria silenciosa” deste partido. Mas ainda assim será preciso que ocorra um grave acidente político no actual governo, o que não se vislumbra.


Razões suficientes para as especulações prematuras que vão sucedendo nos orgãos de informação, que os partidos de esquerda não devem alimentar, sabido que tudo será decidido apenas em Outubro… de 2019!

2013/10/09

Qual é a pressa?

No próximo dia 15 de Outubro, o Governo apresenta o Orçamento de Estado para 2014.

Nele se reflectirão os buracos existentes na dívida pública e no défice orçamental - o Orçamento para 2013 já revelou até Agosto uma degradação do défice e aumento da dívida pública que já vai em 130% do PIB.

No O.E. de 2014 se reflectirão, enfim, os erros decorrentes do enorme aumento de impostos aplicados aos cidadãos com efeito desastroso no poder e na confiança destes para consumir, e a falta de condições para o investimento privado. Nele se justificarão as “medidas de austeridade” em curso ou em preparação.

Cada orçamento que passa, cada avaliação da troika, cada pacote de austeridade, é mais um golpe na economia nacional e nas condições de vida dos portugueses – são mais falências, mais desemprego, mais empobrecimento, mais degradação geral. Por isso é que custa a entender que o PS de José Seguro a António Costa continuem a perguntar “qual é a pressa” de derrotar o Governo.

«António José Seguro avisa que o PS não será cúmplice do empobrecimento de Portugal nem contribuirá para um estado "low cost"». Entretanto, vai deixando passar a caravana e a gente adivinha a explicação em forma de pergunta: “qual é a pressa”?

Por seu lado, António Costa, revela que avisou o secretário-geral do partido, na Comissão Política Nacional, que "ou havia um conjunto de condições que era possível reunir para unificar o partido" ou que se "sentia na obrigação de avançar para a liderança". E mais recentemente, a propósito dos resultados para as autárquicas, considerou: - Ganhámos em votos, ganhámos em câmaras, mas há ainda bastante caminho a fazer. – Afinal, digo eu, qual é a pressa?

Francisco Assis tampouco acha que chegou o momento… E Augusto Santos Silva, por muito que goste “de malhar na direita”, também parece pouco decidido. Ele defende “um consenso pluripartidário assente noutras bases”, isto é, com “outra liderança”. Santos Silva concretiza: uma coligação que integre o Partido Socialista, uma parte do CDS (na linha de Pires de Lima) e parte importante do PSD – aqui reunindo, nomeadamente, a linha de Rui Rio e de Cavaco Silva! (TVI24, 2013-10-08)

Mesmo ignorando esta bizarra “alternativa” sugerida por Santos Silva, se o regresso do PS significa prosseguir o programa de privatizações e destruição da produção, dos PECs e Memorando com a troika, que ocorreu durante o governo de José Sócrates, faz todo o sentido perguntar: qual é a pressa?

2010/12/02

Não há argumentos...

... se não há vergonha.

Ao contrário do que dizem as notícias, os deputados do PS não fizeram a vontade a Francisco Assiz, particularmente. Foi a si próprios, aos seus interesses de lobbye e "sabe-se lá" a que interesses mais deles próprios, que os deputados fizeram a vontade.

Entre a credibilidade dos seus discursos de rigor, contenção, responsabilidade, partilha de sacrifícios... e os interesses privilegiados dos seus membros, o PS decidiu-se por estes. Está em causa a tributação em 2010 de dividendos das empresas e esses são os superiores interesses do "arco da governação".

Por exemplo: 56 milhões de euros para Ricardo Salgado e o Grupo BES, cerca de 81 milhões de euros para Faria de Oliveira e a CGD, cerca de 48 milhões de euros para Nuno Vasconcelos e a Ongoing, cerca de 18 milhões de euros para Paulo Varela e o Grupo Visabeira
Vota PS! Quanto mais não seja tens sempre aquele "argumento" de que a proposta do PCP se destinava a implantar em Portugal uma Coreia do Norte, blábláblá... Tem tudo a ver...

Quanto mais conheço os lobos menos gosto de carneiros, senhores deputados do PS. Por razões muito menos graves há quem abandone os seus partidos. Mas quando se está lá porque "dá jeito", compreende-se! Compreende-se mas não se aceita. Tenham vergonha!

2010/11/25

Aviso prévio

NOTÍCIA
A proposta de Orçamento de Estado para 2011, vai ser definitivamente aprovada na Assembleia da República na próxima sexta-feira, 26 de Novembro, com os votos a favor do PS e com a abstenção do PSD destinada a viabilizá-lo.

DENÚNCIA
Este O.E. incorpora a vontade política dos países mais ricos da União Europeia e os respectivos interesses, bem como a opção liberal dos partidos portugueses que se reclamam “do arco da governação".

ACUSAÇÃO
As políticas contempladas no documento em apreço têm efeitos claros:

1) destinam-se a fazer pagar aos trabalhadores e às camadas sociais menos protegidas, o preço exclusivo de uma crise que não provocaram, através da redução directa de salários e do congelamento de pensões; do aumento de impostos sobre o trabalho e o consumo (IRS e IVA) que corresponde a uma desvalorização indirecta das remunerações;
2) degradação do tecido económico, recessão, falências e desemprego:
3) empobrecimento crescente da população e agravamento das condições de funcionamento da Segurança Social;
4) aumento das desigualdades e desmotivação da população para as soluções políticas da crise, com reacções sociais imprevisíveis.

AVISO
A contestação «vem para ficar e para ser o impulso forte e combativo para todas as pequenas e grandes lutas que os próximos tempos continuarão a reclamar imperativamente, sector a sector, empresa a empresa, medida a medida, luta a luta, batalha a batalha, e nacionalmente» (Victor Dias)

Assim conserve o Movimento Sindical - digo eu - a confiança que já foi perdida, por razões diversas, nos partidos políticos fundadores desta democracia empobrecida .

Quanto aos efeitos da «terapia de» choque receitada por Merkel e Sarcozy, mais depressa os “curarão” a eles e à União Europeia, do que às economias nacionais que lhes são dependentes.

E não é porque não tenham sido eleitos. É por não terem sido eleitos... para isto!

2010/11/21

"Contenção" salarial


Recorte do CM de 21 de Novembro de 2010 - no escândalo dos cortes salariais e do congelamento de pensões, ambos agravados por aumentos de impostos. Infelizmente é apenas um de muitos exemplos do cinismo do "arco da governação". Infelizmente há muito mais razões para a Greve Geral do dia 24.

2009/12/24

PS contra PS



A birra do PS contra o resultado das eleições legislativas de 2009 era mais gritante do que a dramatização patética da Presidência da República nos últimos meses, mas a opinião publicada não se dava conta. Perdiam-se os “opinion makers” no côro dos argumentos e contra-argumentos dos partidos: ora que o PS não percebeu ainda que perdeu a maioria absoluta, ora que a Oposição não percebeu que o PS deve governar com o seu programa e não outro, ora agora repito eu, ora agora repetes tu, ora repetimos todos ao mesmo tempo para que isto se pareça mais com um debate.

José Sócrates provocava, os dirigentes do PS provocavam, já havia vidros partidos, cabeças rachadas, mortos pelas ruas, quando se começou a dizer que havia um problema: o PS não aceitava os resultados eleitorais. Governar em maioria relativa, governar com os outros partidos, era-lhe insuportável. O golpe-de-estado democrático fazia o seu curso no PS e a arrogância política dava lugar à insolência verbal. Contra todos os partidos e sem deixar de fora o próprio Presidente da República.

Chegados ao ponto de ruptura desejado pelo PS, já não se discutirá como vai José Sócrates governar em maioria relativa, mas sim, até quando!

Já o PPD sonhou para si «um governo, uma maioria, um presidente» Mas não se recusava a governar; era “apenas” um sonho... Nada que a aventura do PS, em curso, não possa proporcionar finalmente ao PSD.

2009/12/07

Governabilidade ou cumplicidade


De tanto repetirem uma mentira, acabaram por se enganarem a si próprios. É vulgar. De tantas vezes falarem em “governo eleito”, sabendo que o Governo não é eleito mas sim os deputados, e por isso se designam eleições legislativas, fingem-se espantados e afirmam-se indignados porque a maioria não é do PS. É o que os portugueses quiseram; não se importam? Ou então acabem com as eleições...

Assim não é possível governar? Assim não é possível governar contra tudo e contra todos, é só isso. Haja um um sentido claro, uma estratégia credível e um discurso de verdade, e talvez seja tudo mais fácil. Ou julgavam que atirando a esquerda contra a direita, um dia, e a direita contra a esquerda, no dia seguinte, a caravana do oportunismo político ia passando e rindo como tantas vezes tem acontecido na história do PS? Assumam-se!

Em Novembro de 2008, quando tinha maioria absoluta, a bancada do PS aprovou, sozinha, em votação na generalidade, a proposta de Orçamento do Estado para 2009, contra a votação de toda a oposição, do Bloco de Esquerda ao CDS-PP. Ora aí está o sentido de cooperação do PS !

Que a Oposição, apesar de estar agora em maioria, viabilize a aprovação do orçamento, como tudo indica, a fim de evitar “um contexto de crise governativa”, não lhes basta. Exigem, além disso, a cumplicidade com as suas políticas sejam elas quais forem.

Já cá faltava uma ajudinha da Igreja :

«O momento político que Portugal vive, exige a solidariedade entre forças partidárias que ofereçam condições de governabilidade ao País. Diante de “dificuldades graves” que Portugal atravessa, é necessário encontrar soluções “com bastante sustentabilidade e que tenham resistência perante as forças de interesses que não deixarão de vir a terreno”».

Do resto da notícia se compreende que esta intervenção de D. Carlos Azevedo, Presidente da Comissão de Pastoral Social da Igreja Católica, apela à resignação da Oposição que recebeu a maioria dos votos populares. É a caridade.