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2012/08/07

Era assim o "Estado Novo"

Independentemente dos pretextos invocados, o regime de Salazar exprimia-se assim no âmbito da Exposição do Mundo Português de 1940.
É de ir às lágrimas...


Mas o que representaria melhor o Portugal do Estado Novo em construção, seria este incidente retratado "poeticamente" por Leitão de Barros.
É de partir o côco.

2012/08/03

Elogios fúnebres

No elogio fúnebre, aos políticos burgueses se atribui «longo percurso dedicado à causa pública»; aos políticos progressistas se atribui «grande coerência»; aos autores destas declarações se há-de atribuir grande falsidade, cinismo, hipocrisia.

Dedicados à causa pública foram, por excelência, aqueles que sacrificaram as suas comodidades mais elementares, a sua segurança pessoal, a sua vida, não poucas vezes, na luta contra um regime que oprimia o seu povo, e sobretudo aqueles que o fizeram sistematicamente e toda a vida.

Só para falar dos que tive a honra de conhecer pessoalmente, desde operários a intelectuais, de activistas anónimos até dirigentes políticos e sindicais, falta-me o tempo. Mas aqui fica, em sua representação, uma referência simbólica.

Dela me ficou para sempre na memória o discurso mais eloquente que eu ouvi. Foi proferido no primeiro ou num dos primeiros dias da Revolução Portuguesa de 1974.

Uma turba juntava-se a um pequeno estrado improvisado à frente do Quartel General do Porto e eu perdia-me entre todos no intuito de perceber o que se passava. Alguém disse umas palavras que, julgo agora, seriam para anunciar a presença de Virgínia Moura.


Pequena, magra, muito morena, dificilmente emerge da multidão apesar do palanque, e eu que mal a vi e que posso estar a trocar o dia e o local, não tenho dúvidas de lhe ouvir gritar, numa voz que arranhava as membranas da garganta com a violência da revolta:
«Morte à PIDE! Morte à PIDE! Morte à PIDE!».
Mais nada.


Essa voz, esse discurso, nunca mais me saiu da memória. Ele carregava uma vida de luta e de sofrimento às mãos dos carrascos salazaristas que são tão acarinhados nos nossos dias em alguns orgãos de informação. Essa voz sofrida e justa, ainda hoje reclama contra os abusos do Poder, nomeadamente o abuso da palavra e o abuso da repressão económica.

Foto original de busto de Virgínia Moura tendo o antigo edifício da PIDE/Porto, em fundo. As restantes fotos são também de Virgínia Moura.

2007/02/18

má memória


A brincar, a brincar, o programa Grandes Portugueses veio ajudar os saudosistas da ditadura a mostrar que ainda seriam capazes de restaurar a mesma se as condições se proporcionassem - ou se proporcionarem... Por isso é necessário denunciá-los.

Diz o autor do programa sobre Salazar:

QUE este nunca abusou do Poder.
RESPONDO: 1926 a 1968 (mais de 40 anos no poder)

QUE Salazar não foi um totalitário.
RESPONDO: instituiu a censura, proibiu os sindicatos e os partidos, centralizou todo o Poder na sua pessoa e instituiu uma polícia política que dominava as ruas, os cafés, as escolas, todos lugares públicos e não só, e que perseguia a partir daí as pessoas que simplesmente discordasem do Governo – perseguia-as, torturava-as e muitas vezes matava-as.


QUE Salazar não era populista, não se preocupava muito em que a sua política agradasse ao Povo; exerceu o poder de um modo distante porque o seu fim era Portugal. RESPONDO: Um Portugal sem Povo, pelos vistos!

QUE o regime não tinha características fundamentais do fascismo. RESPONDO: É uma velha discussão técnica… Mas o que é certo é que Salazar copiou e aplicou o modelo fascista de organização e de actuação política e criou instituições directamente inspiradas no fascismo e até no nazismo, de que a Mocidade Portuguesa e a Legião Portuguesa são exemplos incontornáveis.

QUE só podemos entender os políticos à luz da sua época e no seu contexto. RESPONDO: Mas então, desse ponto de vista, todos os regimes autoritários da época estão justificados ! E o Stalinismo mais que qualquer um pelo seu conteúdo ideológico de libertação dos povos.

QUE refugiados da Guerra Mundial foram protegidos por Salazar. «Lisboa foi assim um oázis de paz na Europa. RESPONDO: A paz dos cemitérios, era como nós lhe chamávamos, nós os que não eramos lacaios da tirania. Nós os que desejavamos viver num país livre, humano e desenvolvido. Que oázis era este de onde os portugueses fugiam para sobreviver como emigrantes em França, na Alemanha e outros países?

QUE Salazar acreditava que a conservação das colónias era uma luta necessária para evitar que Portugal fosse absorvido pela Península Ibérica. RESPONDO: Disparate! As colónias não enriqueciam Portugal, pelo contrário – sacrificaram a riqueza do país e sacrificaram milhares e milhares de famílias no processo imparável da guerra colonial.

QUE, de resto, ter um império ultramarino era normal nos anos 50, mas não já depois … e aí portugal ficaria isolado mais tarde na comunidade internacional. “Orgulhosamente sós” era o seu lema mas na verdade destinava-se mais a uso interno já que na realidade o país mantinha relações diplomáticas normais com os outros países e com as organizações internacionais como a NATO, o FMI …
RESPONDO: E o discurso de Franco Nogueira a uma assembleia esvaziada da ONU, por exemplo, significava o quê? Há imagens disso em arquivo!!!

QUE em 1974 Portugal mantinha o controlo territorial de todo o Império. RESPONDO: não é verdade nem é prestigiante para Portugal.

QUE no início dos anos 60 o MPLA causa grande “perturbação e alarme” em Luanda. RESPONDO: o MPLA lutou pela independência do povo angolano, desculpem se fez muito barulho por tão pouca coisa…

QUE no tempo de Salazar houve repressão, prisões… como fariam os governos provisórios e o COPCON a seguir ao 25 de Abril de 74. RESPONDO: Eu não sei se Salazar foi “um patriota e um grande português” como diz o senhor Nogueira Pinto, mas que este senhor é um grande mentiroso, é!