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2019/01/06
Obviamente...
A Liberdade de Expressão não se defende com a promoção de figuras que representam os valores do nazi-fascismo.
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2018/06/29
José Manuel Tengarrinha
Interrompo o longo silêncio que venho mantendo neste blogue, para registar o meu sentido pesar pela morte de José Manuel Tengarrinha.
Não se entendam estas palavras com ligeireza porque é tão profundo o meu pesar quão grande é a admiração que sempre tive pela sua generosa e corajosa dedicação à luta antifascista, desde a minha adolescência no Portugal salazarista. Mas não menos admiração pela sua personalidade, seja na sua cumplicidade com o Partido Comunista Português, seja no distanciamento discreto que manteve em relação a este partido - eu diria em relação a alguma "vanguarda" dirigente do PCP - em diferentes circunstâncias.
Soubesse eu gritar quanto lhe devo, quanto lhe devemos todos - os que o sabem e os que não o sabem. Afinal, mais que um sentimento de pesar é um sentimento de pertença a uma causa que justificou muitas vidas.
Não se entendam estas palavras com ligeireza porque é tão profundo o meu pesar quão grande é a admiração que sempre tive pela sua generosa e corajosa dedicação à luta antifascista, desde a minha adolescência no Portugal salazarista. Mas não menos admiração pela sua personalidade, seja na sua cumplicidade com o Partido Comunista Português, seja no distanciamento discreto que manteve em relação a este partido - eu diria em relação a alguma "vanguarda" dirigente do PCP - em diferentes circunstâncias.
Soubesse eu gritar quanto lhe devo, quanto lhe devemos todos - os que o sabem e os que não o sabem. Afinal, mais que um sentimento de pesar é um sentimento de pertença a uma causa que justificou muitas vidas.
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Tengarrinha
2012/08/03
Elogios fúnebres
No elogio fúnebre, aos políticos burgueses se atribui «longo percurso dedicado à causa pública»; aos políticos progressistas se atribui «grande coerência»; aos autores destas declarações se há-de atribuir grande falsidade, cinismo, hipocrisia.
Dedicados à causa pública foram, por excelência, aqueles que sacrificaram as suas comodidades mais elementares, a sua segurança pessoal, a sua vida, não poucas vezes, na luta contra um regime que oprimia o seu povo, e sobretudo aqueles que o fizeram sistematicamente e toda a vida.
Só para falar dos que tive a honra de conhecer pessoalmente, desde operários a intelectuais, de activistas anónimos até dirigentes políticos e sindicais, falta-me o tempo. Mas aqui fica, em sua representação, uma referência simbólica.
Dela me ficou para sempre na memória o discurso mais eloquente que eu ouvi. Foi proferido no primeiro ou num dos primeiros dias da Revolução Portuguesa de 1974.
Uma turba juntava-se a um pequeno estrado improvisado à frente do Quartel General do Porto e eu perdia-me entre todos no intuito de perceber o que se passava. Alguém disse umas palavras que, julgo agora, seriam para anunciar a presença de Virgínia Moura.
Pequena, magra, muito morena, dificilmente emerge da multidão apesar do palanque, e eu que mal a vi e que posso estar a trocar o dia e o local, não tenho dúvidas de lhe ouvir gritar, numa voz que arranhava as membranas da garganta com a violência da revolta:
«Morte à PIDE! Morte à PIDE! Morte à PIDE!».
Mais nada.
Essa voz, esse discurso, nunca mais me saiu da memória. Ele carregava uma vida de luta e de sofrimento às mãos dos carrascos salazaristas que são tão acarinhados nos nossos dias em alguns orgãos de informação. Essa voz sofrida e justa, ainda hoje reclama contra os abusos do Poder, nomeadamente o abuso da palavra e o abuso da repressão económica.
Foto original de busto de Virgínia Moura tendo o antigo edifício da PIDE/Porto, em fundo. As restantes fotos são também de Virgínia Moura.
Dedicados à causa pública foram, por excelência, aqueles que sacrificaram as suas comodidades mais elementares, a sua segurança pessoal, a sua vida, não poucas vezes, na luta contra um regime que oprimia o seu povo, e sobretudo aqueles que o fizeram sistematicamente e toda a vida.
Só para falar dos que tive a honra de conhecer pessoalmente, desde operários a intelectuais, de activistas anónimos até dirigentes políticos e sindicais, falta-me o tempo. Mas aqui fica, em sua representação, uma referência simbólica.
Dela me ficou para sempre na memória o discurso mais eloquente que eu ouvi. Foi proferido no primeiro ou num dos primeiros dias da Revolução Portuguesa de 1974.
Uma turba juntava-se a um pequeno estrado improvisado à frente do Quartel General do Porto e eu perdia-me entre todos no intuito de perceber o que se passava. Alguém disse umas palavras que, julgo agora, seriam para anunciar a presença de Virgínia Moura.
Pequena, magra, muito morena, dificilmente emerge da multidão apesar do palanque, e eu que mal a vi e que posso estar a trocar o dia e o local, não tenho dúvidas de lhe ouvir gritar, numa voz que arranhava as membranas da garganta com a violência da revolta:
«Morte à PIDE! Morte à PIDE! Morte à PIDE!».
Mais nada.
Essa voz, esse discurso, nunca mais me saiu da memória. Ele carregava uma vida de luta e de sofrimento às mãos dos carrascos salazaristas que são tão acarinhados nos nossos dias em alguns orgãos de informação. Essa voz sofrida e justa, ainda hoje reclama contra os abusos do Poder, nomeadamente o abuso da palavra e o abuso da repressão económica.
Foto original de busto de Virgínia Moura tendo o antigo edifício da PIDE/Porto, em fundo. As restantes fotos são também de Virgínia Moura.
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2010/11/20
Jornais que matam
Uma amiga, prestigiada cançonetista, dizia-me que não era grave que dissessem mal dela mas sim que a ignorassem. Ignorar alguém que, pelo seu mérito e interesse público deva ser notícia, é matá-lo. Isto é o que fazem jornais impresssos, falados ou audiovisualisados. É nisto, entre outras razões, que um relevante serviço público de Informação se torna indispensável.
Quase só como pretexto, que os há muitos e todos os dias, trago por razões de actualidade a notícia da morte de Joaquim Gomes que não era cantor nem actor nem jogador de futebol nem ministro – era apenas um homem que passou a vida inteira a lutar contra a ditadura salazarista, primeiro, e contra a tirania capitalista, então e sempre.
Dos que “apesar de tudo, falam” para expressar ódios anti-comunistas, não reproduzo o que dizem mas algumas respostas que mereceram:
«... Este comentário deve ser lido por todos para que se apenda quais os limites da ignorância, do ódio, da falta de verdade e de vergonha. Este tipo de pensamento é que nos arrasta para o buraco em que nos encontramos, mas já é antigo. Vê-se coisa idêntica nos textos dos que atacavam o Mestre de Avis e queriam dar o Reino de Portugal aos Espanhois. Encontrava-se nos que resistiam aos Filipes de Espanha, nos que defederam o Salazarismo e de forma geral dos que sempre estiveram do lado errado da História, aquele que sempre trocaram a inteligência e a cultura pela traição ao seu povo».
Não resisti também a escrever:
«Imbecis anónimos que se colocam do lado dos assassinos contra as vítimas, do lado dos carrascos, contra os perseguidos, do lado dos opressores contra os oprimidos, "eunucos que se devoram a si mesmos", fazem sobresair ainda mais a grandeza e a dignidade, a generosidade, a coragem e a actualidade de homens como Joaquim Gomes, valores que estão muito acima de quaisquer polémicas sobre opções de percurso».
Mas falta uma palavra sobre as atitudes mais graves de que falava a minha amiga cantora – os silêncios que matam.
A "Visão online" (de manifesto pendor “socialista”) começou por remeter para espaço escondido a notícia sobre um homem que dedicou a vida à resistência anti-fascista e à defesa dos mais fracos. Nada que se compare com as notícias que destaca, desde o rádio que foi atirado à cabeça de Scolari, à montagem do espectáculo de Shakira, da deputada argentina que dá uma bofetada numa colega até ao que se diz sobre um anúncio de Bayoncé... e outras frivolidades ainda menos interessantes e importantes.
Mas enquanto eu escrevia este comentário, a notícia envergonhada sobre Joaquim Gomes, foi simplesmente eliminada... Assim vai a cegueira da Visão.
Dos que “apesar de tudo, falam” para expressar ódios anti-comunistas, não reproduzo o que dizem mas algumas respostas que mereceram:
«... Este comentário deve ser lido por todos para que se apenda quais os limites da ignorância, do ódio, da falta de verdade e de vergonha. Este tipo de pensamento é que nos arrasta para o buraco em que nos encontramos, mas já é antigo. Vê-se coisa idêntica nos textos dos que atacavam o Mestre de Avis e queriam dar o Reino de Portugal aos Espanhois. Encontrava-se nos que resistiam aos Filipes de Espanha, nos que defederam o Salazarismo e de forma geral dos que sempre estiveram do lado errado da História, aquele que sempre trocaram a inteligência e a cultura pela traição ao seu povo».
Não resisti também a escrever:
«Imbecis anónimos que se colocam do lado dos assassinos contra as vítimas, do lado dos carrascos, contra os perseguidos, do lado dos opressores contra os oprimidos, "eunucos que se devoram a si mesmos", fazem sobresair ainda mais a grandeza e a dignidade, a generosidade, a coragem e a actualidade de homens como Joaquim Gomes, valores que estão muito acima de quaisquer polémicas sobre opções de percurso».
Mas falta uma palavra sobre as atitudes mais graves de que falava a minha amiga cantora – os silêncios que matam.
A "Visão online" (de manifesto pendor “socialista”) começou por remeter para espaço escondido a notícia sobre um homem que dedicou a vida à resistência anti-fascista e à defesa dos mais fracos. Nada que se compare com as notícias que destaca, desde o rádio que foi atirado à cabeça de Scolari, à montagem do espectáculo de Shakira, da deputada argentina que dá uma bofetada numa colega até ao que se diz sobre um anúncio de Bayoncé... e outras frivolidades ainda menos interessantes e importantes.
Mas enquanto eu escrevia este comentário, a notícia envergonhada sobre Joaquim Gomes, foi simplesmente eliminada... Assim vai a cegueira da Visão.
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