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2014/01/25

Opinião pública não publicada

(Há um mês, em Dezembro de 2013), o Instituto Datafolha publicou uma pesquisa a respeito do posicionamento ideológico dos brasileiros. (…) O resultado foi simplesmente surpreendente.

Se você ler os cadernos de economia dos jornais e ouvir comentaristas econômicos na televisão e no rádio, encontrará necessariamente o mesmo mantra: os impostos brasileiros são insuportavelmente altos, as leis trabalhistas apenas encarecem os custos e, quanto mais o Estado se afastar da regulação da economia, melhor. Durante décadas foi praticamente só isso o que ouvimos dos ditos "analistas" econômicos deste país.

No entanto décadas de discurso único no campo econômico foram incapazes de fazer 47% dos brasileiros deixarem de acreditar que uma boa sociedade é aquela na qual o Estado tem condição de oferecer o máximo de serviços e benefícios públicos.

Da mesma forma, 54% associam leis trabalhistas mais à defesa dos trabalhadores do que aos empecilhos para as empresas crescerem, e 70% acham que o Estado deveria ser o principal responsável pelo crescimento do Brasil.

Agora, a pergunta que não quer calar é a seguinte: por que tais pessoas praticamente não têm voz na imprensa econômica deste país? Por que elas são tão sub-representadas na dita esfera pública?

(…) Na verdade, o povo brasileiro sabe muito bem a importância da solidariedade social construída por meio da fiscalidade e da tributação dos mais ricos, assim como é cônscio da importância do fortalecimento da capacidade de intervenção do Estado e da defesa do bem comum. Só quem não sabe disso são nossos analistas econômicos, com suas consultorias milionárias pagas pelo sistema financeiro.

Artigo do professor Vladimir Safatle, da Filosofia da USP (Univ. de S. Paulo)
Publicado AQUI

2008/10/04

Mais fumo que fogo

Sendo Pacheco Pereira um homem do Porto, como eu, não me dei conta de que tenha passado pelo Clube Fenianos Portuenses onde se ensinava, na respectiva secção artística, que “o ilusionista não diz o que faz, não faz o que diz, diz o que não faz e faz o que não diz”.

Porém o manipulador da comunicação, em causa, parece conhecer aqueles princípios quando os aplica à produção de opinião; só que neste caso é suposto obedecer aos critérios contrários. O resultado é desastroso.

Mais uma vez na Sábado que parece particularmente vocacionada para estes exercícios de mau-gosto, lemos:

« Durante todas as presidências, socialistas, social-democratas e centrista, em vereações com o PCP ou sem ele, ou seja, na prática com todos os partidos, as casas da Câmara foram atribuídas discricionariamente».

É notório o esforço para meter o PCP nisto, ele que não sente a falta do PCP num programa semanal onde estão representados PSD, PS e CDS.

Mas quando diz...:

«Sabendo nós muito bem como as coisas são feitas, e toda a gente na Câmara Municipal de Lisboa tinha que o saber, a começar pelos Presidentes antigos e actual, a maioria das casas devia ser entregue a quem de direito o justificava e uma minoria, presumo que considerável, existia ou para fazer favores ou pagar favores políticos e pessoais».

... dá para comentar:
1) se sabe muito bem como as coisas são feitas, conte à gente;
2) o que é uma “minoria considerável”?
3) “fazer favores ou pagar favores políticos e pessoais” é demasiado exaustivo para quem não falou com Santana Lopes antes de escrever o artigo... Favores pessoais? Diga tudo, cara!



Uma coisa parece perceber-se no texto de PP: que alguém, independentemente dos directos beneficiados, estava interessado naquela atribuição de casas.


E ainda: que desta vez há fumo a mais para o fogo. Para os fogos.