Muitos daqueles que trabalham para a IMPRESA de Balsemão, isto é, do Expresso, do JL, da Visão, da Caras, das cinco SIC’s, etc., estão indignados com o caracter moral de José António Saraiva.
Este é o homem que dirigiu o jornal Expresso durante vinte e um anos (1985-2006), o homem que se considera dono dos jornalistas do semanário, o homem que andou todos aqueles anos “a fazer opinião” nas cabeças dos cidadãos portugueses, sob a responsabilidade, confiança e amizade de Francisco Pinto Balsemão.
O Expresso conta em média cerca de 585.400 leitores com predomínio na Grande Lisboa. Recentemente orgulhava-se de andar “há 40 anos a fazer opinião”, o que é uma verdade mas denunciava demasiado a sua missão ideológica. A sua e a dos outros, certamente. “Talvez” por isso, mudou de lema para “Liberdade Para Pensar”, o que “corrige” e contraria a ideia de que está aí para influenciar ou condicionar o pensamento dos leitores e eleitores.
“Não é por se chamar cão ao gato que o gato começa a ladrar”. Mas alguma importância terão os lemas, para serem usados e mudados com tanto empenho.
Reconheço a importância social que o semanário teve antes e depois da revolução democrática de 74 e a competência técnica dos seus colaboradores em geral. Actualmente é o jornal de José Gomes Ferreira e Miguel Sousa Tavares, mas também de Nicolau Santos e de Daniel Oliveira - do centrão social-democrata a que alguns não-alinhados, digamos assim, emprestam uma imagem de pluralismo mais abrangente.
Também reconheço o direito e até o interesse público de um jornal com a sua matriz ideológica. “Independência” é que soa a falso neste como em qualquer outro jornal. Independência de quê? Do poder político não é certamente: Pinto Balsemão é o associado mais antigo e o mais influente do PPD/PSD e continua a emprestar a sua presença e apoio ao seu partido.
Balsemão aconselhava-se com José António Saraiva sobre os directores a nomear para os seus orgãos de comunicação, como este relata no livro em desapreço.
Na roda de amigos a que ambas as personagens anteriores pertenciam, entravam figuras tão relevantes para “fazer opinião” e dar emprego!, como Emídio Rangel (TSF/SIC/RTP) José Eduardo Moniz ou José Sócrates… E é aqui que a porca torce o rabo: quem pretendem proteger os novos sicatários jornalísticos de Saraiva? Porque é que não extraem nada sobre a cumplicidade partidária na gestão da “Comunicação Social”?
Merecem-se uns aos outros, muitos deles.
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2016/09/20
2016/07/13
O homem dos lixos
De passagem, entrei num café onde nunca tinha estado. Um espaço pequeno com um pequeno balcão quase escondido a um canto. Em torno do balcão, os poucos clientes com ar de enfado.
Aproximo-me. Peço um café. Sinto o cuidado com que dois deles me facilitam a aproximação. Reparo que ninguém fala e que a minha presença lhes causa estranheza.
O café é-me servido com manifesta deferência. Agradeço, pago, agradece, retiro-me para uma mesa. Na parede, um televisor passa as notícias já muito repetidas em diferentes horários e diferentes canais: fulano disse, cicrano comentou o que fulano disse, beltrano comentou o que cicrano acabava de comentar sobre o que fulano terá dito ou alguém disse que disse.
Um dos presentes, envergando uma farda de trabalhador municipal da recolha de lixos, afasta-se para a porta a fumar um cigarro enquanto quebra o silêncio geral com esta lamúria sem destinatário: “Acabou o futebol, agora temos isto!...”.
E eu percebi que o homem não sabia apenas do lixo que fazem os cidadãos comuns mas também daquele outro com que os chamados orgãos de comunicação social entopem o espaço informativo. Mais: ele resumia em meia dúzia de palavras uma tese de Umberto Eco sobre a ilusão de diversidade que adviria com a multiplicação de canais.
O café é-me servido com manifesta deferência. Agradeço, pago, agradece, retiro-me para uma mesa. Na parede, um televisor passa as notícias já muito repetidas em diferentes horários e diferentes canais: fulano disse, cicrano comentou o que fulano disse, beltrano comentou o que cicrano acabava de comentar sobre o que fulano terá dito ou alguém disse que disse.
Um dos presentes, envergando uma farda de trabalhador municipal da recolha de lixos, afasta-se para a porta a fumar um cigarro enquanto quebra o silêncio geral com esta lamúria sem destinatário: “Acabou o futebol, agora temos isto!...”.
E eu percebi que o homem não sabia apenas do lixo que fazem os cidadãos comuns mas também daquele outro com que os chamados orgãos de comunicação social entopem o espaço informativo. Mais: ele resumia em meia dúzia de palavras uma tese de Umberto Eco sobre a ilusão de diversidade que adviria com a multiplicação de canais.
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2016/06/22
Canais há muitos...
Não, o jornalismo não é uma missão, é uma profissão. O objectivo de um órgão (privado) de Informação, não é servir, é vender – ou então é servir no mesmo sentido em que o é qualquer outra actividade comercial. Mais: quando um
jornalista serve uma missão, afasta-se da sua função.
Ora isto acontece sempre que se enfatiza uma posição em relação a outra, mas acontece de forma mais sinistra ao censurar o protagonista de um conflito mundial. E assume contornos inquisitoriais quando esse procedimento é sistemático, instituído. É o que “nós” fazemos aos discursos de Bashar al-Assad.
A pretexto de negar visibilidade a um suposto hereje da sua religião, o jornalista nega ao público o direito de saber o que diz o protagonista de grandes conflitos mundiais. Nega ao público! Em nome da democracia!
Em nome da democracia, da nossa, devíamos ter o direito de saber o que dizem os amigos e os inimigos da nossa crença. Depois chamem um regimento de sacerdotes comentadores para desdizê-lo, se lhes fizer falta, mas não nos tapem os olhos e os ouvidos.
Que mal faria se nos deixassem ouvir coisas como estas?:
«… Uma vez que o seu plano terrorista (dos estados inimigos da Síria) falhou apesar de toda a destruição e massacres perpetrados, adquiriram a convicção que o essencial do seu plano político ainda poderia materializar-se pelo ataque à Constituição.
Na verdade, o seu plano inicial consistia em fazer de forma que o terrorismo dominasse completamente o país concedendo-lhe uma pertença qualidade de moderação, e de legitimidade, depois, decidida evidentemente pelo estrangeiro, que instalaria um caos absoluto impondo como única saída uma Constituição étnica e confessional transformando um povo ligado à sua terra natal em grupos rivais anexados às suas seitas e apelando à intervenção estrangeira contra os seus compatriotas…».
Este discurso foi proferido pelo presidente da Síria, Bashar al-Assad, no passado dia 7, na sequência das eleições parlamentares da Síria.
Sabia? Pois, não sabia! E não é por falta de canais, é porque há uma epidemia de censura na “comunicação social”.
Ora isto acontece sempre que se enfatiza uma posição em relação a outra, mas acontece de forma mais sinistra ao censurar o protagonista de um conflito mundial. E assume contornos inquisitoriais quando esse procedimento é sistemático, instituído. É o que “nós” fazemos aos discursos de Bashar al-Assad.
A pretexto de negar visibilidade a um suposto hereje da sua religião, o jornalista nega ao público o direito de saber o que diz o protagonista de grandes conflitos mundiais. Nega ao público! Em nome da democracia!
Em nome da democracia, da nossa, devíamos ter o direito de saber o que dizem os amigos e os inimigos da nossa crença. Depois chamem um regimento de sacerdotes comentadores para desdizê-lo, se lhes fizer falta, mas não nos tapem os olhos e os ouvidos.
Que mal faria se nos deixassem ouvir coisas como estas?:
«… Uma vez que o seu plano terrorista (dos estados inimigos da Síria) falhou apesar de toda a destruição e massacres perpetrados, adquiriram a convicção que o essencial do seu plano político ainda poderia materializar-se pelo ataque à Constituição.
Na verdade, o seu plano inicial consistia em fazer de forma que o terrorismo dominasse completamente o país concedendo-lhe uma pertença qualidade de moderação, e de legitimidade, depois, decidida evidentemente pelo estrangeiro, que instalaria um caos absoluto impondo como única saída uma Constituição étnica e confessional transformando um povo ligado à sua terra natal em grupos rivais anexados às suas seitas e apelando à intervenção estrangeira contra os seus compatriotas…».
Este discurso foi proferido pelo presidente da Síria, Bashar al-Assad, no passado dia 7, na sequência das eleições parlamentares da Síria.
Sabia? Pois, não sabia! E não é por falta de canais, é porque há uma epidemia de censura na “comunicação social”.
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2016/02/25
Umberto Eco… e eu!
«A discussão desportiva (o espectáculo desportivo, o falar do espectáculo desportivo, o falar sobre os jornalistas que falam sobre o espectáculo desportivo) é o substituto mais fácil da discussão política». Além disso, «permite assumir posições, exprimir opiniões, auspiciar soluções sem se
expor» à censura grave de terceiros e a conflitos consequentes.
Disto falava Umberto Eco em 1978 (L’Expresso, 19JUN.). Só não me lembro se também falava do “ruído” que a própria discussão política traz à comunicação quando os debates sucedem em carrocel repetindo exaustivamente os mesmos argumentos.
Felismente vão ganhando espaço público novos protagonistas, por força das contradições do sistema “representativo” de participação, sistema que não tinha problemas em ser representativo enquanto os orgãos de poder eram inteiramente dominados por correntes liberais.
Em todo o caso, a liberalidade dos orgãos de “comunicação social” está suficientemente moldada, desde a sua propriedade a tudo o resto, para que os argumentos desconfortáveis de alguns políticos, sejam imediatamente diluídos na lixívia destrutiva dos comentadores… “independentes”. Mas isto já sou eu a falar. Ou não?!
Disto falava Umberto Eco em 1978 (L’Expresso, 19JUN.). Só não me lembro se também falava do “ruído” que a própria discussão política traz à comunicação quando os debates sucedem em carrocel repetindo exaustivamente os mesmos argumentos.
Felismente vão ganhando espaço público novos protagonistas, por força das contradições do sistema “representativo” de participação, sistema que não tinha problemas em ser representativo enquanto os orgãos de poder eram inteiramente dominados por correntes liberais.
Em todo o caso, a liberalidade dos orgãos de “comunicação social” está suficientemente moldada, desde a sua propriedade a tudo o resto, para que os argumentos desconfortáveis de alguns políticos, sejam imediatamente diluídos na lixívia destrutiva dos comentadores… “independentes”. Mas isto já sou eu a falar. Ou não?!
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2014/08/03
A guerra da Informação sobre Gaza
Hora e meia após o início do cessar-fogo, Israel fez bombardeamentos na área de Rafah que causaram a morte de mais de 60 pessoas e ferimentos em centenas. Quanto ao ataque palestiniano, terá causado dois militares mortos segundo o próprio porta-voz de Israel.
Considerando o espaço temporal entre o rompimento de um e a resposta do outro, a ser assim, e considerando os efeitos provocados por cada um dos ataques, ficamos na dúvida se é Gaza ou “gansa” o que faz falar as autoridades de Israel e os seus porta-vozes entre políticos e jornalistas.
As atrocidades provocadas por Israel foram de tal modo explosivas que o próprio presidente norte-americano se sentiu obrigado a reprová-las ainda que num fraseado ambíguo.
Mas ainda não arrefeciam os corpos das dezenas de mortos, ainda não tinham sido assistidas as centenas de feridos, ainda agonizavam homens, mulheres e crianças atingidos pelos ataques israelitas, e já Netanyahu, essa fonte “insuspeita”, fornecia a Obama e este às agências de notícias e estas aos jornais de todo o mundo, que «o Hamas foi o primeiro a romper as tréguas acordadas».
Servil e irracional, a comunidade jornalística, lambendo o sangue que escorria das mãos do primeiro-ministro de Israel, subscreveu a sua versão remendada.
O número dois do Hamas, disse que “qualquer operação que o Hamas tenha feito ocorreu antes do início do cessar-fogo”? Esquece! O papel da comunidade informativa “ocidental” é o de contar a versão “ocidental”. Missão cumprida.
Última hora:
A ONU revelou que já morreram neste conflito cerca de 300 crianças palestinianas. E eu, sabe-se lá porque sentimento pueril, não tenho coragem de inserir aqui a imagem de uma “só” que seja.
Foto inicial recolhida em aljazeera.com
Considerando o espaço temporal entre o rompimento de um e a resposta do outro, a ser assim, e considerando os efeitos provocados por cada um dos ataques, ficamos na dúvida se é Gaza ou “gansa” o que faz falar as autoridades de Israel e os seus porta-vozes entre políticos e jornalistas.
As atrocidades provocadas por Israel foram de tal modo explosivas que o próprio presidente norte-americano se sentiu obrigado a reprová-las ainda que num fraseado ambíguo.
Mas ainda não arrefeciam os corpos das dezenas de mortos, ainda não tinham sido assistidas as centenas de feridos, ainda agonizavam homens, mulheres e crianças atingidos pelos ataques israelitas, e já Netanyahu, essa fonte “insuspeita”, fornecia a Obama e este às agências de notícias e estas aos jornais de todo o mundo, que «o Hamas foi o primeiro a romper as tréguas acordadas».
Servil e irracional, a comunidade jornalística, lambendo o sangue que escorria das mãos do primeiro-ministro de Israel, subscreveu a sua versão remendada.
O número dois do Hamas, disse que “qualquer operação que o Hamas tenha feito ocorreu antes do início do cessar-fogo”? Esquece! O papel da comunidade informativa “ocidental” é o de contar a versão “ocidental”. Missão cumprida.
Última hora:
A ONU revelou que já morreram neste conflito cerca de 300 crianças palestinianas. E eu, sabe-se lá porque sentimento pueril, não tenho coragem de inserir aqui a imagem de uma “só” que seja.
Foto inicial recolhida em aljazeera.com
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2014/04/02
América latina na mira dos EUA (3)
O papel dos meios de informação
ao serviço da ingerência norte-americana
Para comparar com as notícias que correm por cá
acerca da Venezuela!
carregar no recorte para aumentá-lo
ao serviço da ingerência norte-americana
Para comparar com as notícias que correm por cá
acerca da Venezuela!
carregar no recorte para aumentá-lo
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2014/03/19
Sob o manto diáfano da Democracia
Uma das consequências menos invocada mas cada vez mais relevante da implosão da União Soviética em 1991, foi certamente a implosão do acordo em vigor desde a Conferência de Yalta, na Crimeia.
Nessa Conferência, Roosevelt, pelos Estados Unidos da América, Churchill, pela Grã-Bretanha, e Estaline, pela URSS, decidiram o destino da Europa, nomeadamente quanto à sua estabilidade futura e quanto à repartição das zonas de influência entre o Leste e o Oeste. Era Fevereiro de 1945.
Desde então vigorou uma relação de conflito não assumido entre o “Leste” e o “Ocidente” que ficou conhecido por “guerra fria” e que deixaria de fazer sentido, aparentemente, a partir dos acontecimentos de 1991 no “Leste”. Mas o que aconteceu foi que, por detrás das motivações ideológicas se desvelaram as razões económicas.
Face ao desiquilíbrio de forças instalado, face ao domínio unipolar dos Estados Unidos da América, adeus tratados! Daqui em diante a política internacional dos EUA é orientada para a conquista de influência nas regiões que antes escapavam ao seu domínio. Um único problema se lhe colocava – se coloca – que é o sentimento nacionalista e o interesse próprio dos povos e das nações.
A Europa está-lhe no papo mas não é tanto assim na América Latina e no Médio-Oriente - para resumir. Isto explica a dimensão dos grandes focos de destabilização em curso, nomeadamente na Ucrânia mas também na Síria ou na Venezuela, para mencionar os mais recentes.
É “a nudez crua da verdade sob o manto diáfano” dos Direitos Humanos e da Democracia. E da Comunicação Social “livre”.
No domínio da Informação formatada pelo "Ocidente", é sintomático que se transcrevam na íntegra as opiniões do jogador de xadrez Kasparov, por exemplo, sobre os acontecimentos na Crimeia, enquanto as declarações de Putin - presidente da Rússia! - sobre o mesmo assunto são silenciadas ou reduzidas a meia dúzia de palavras inócuas retiradas do discurso. E não é o mesmo com Nicolás Maduro, na Venezuela? E não é assim em todas as situações em que o imperialismo norte-americano se confronta com dirigentes insubmissos de outros países?
Entre os nossos jornalistas e "analistas" mais visíveis, mais exibidos, é manifestamente dominante a submissão a esta matriz. Mas a única coisa que deve espantar é o meu espanto, reconheço. pois não são eles próprios que proclamam (expressamente)que andam "há quarenta anos a fazer opinião"?
Nessa Conferência, Roosevelt, pelos Estados Unidos da América, Churchill, pela Grã-Bretanha, e Estaline, pela URSS, decidiram o destino da Europa, nomeadamente quanto à sua estabilidade futura e quanto à repartição das zonas de influência entre o Leste e o Oeste. Era Fevereiro de 1945.
Desde então vigorou uma relação de conflito não assumido entre o “Leste” e o “Ocidente” que ficou conhecido por “guerra fria” e que deixaria de fazer sentido, aparentemente, a partir dos acontecimentos de 1991 no “Leste”. Mas o que aconteceu foi que, por detrás das motivações ideológicas se desvelaram as razões económicas.
Face ao desiquilíbrio de forças instalado, face ao domínio unipolar dos Estados Unidos da América, adeus tratados! Daqui em diante a política internacional dos EUA é orientada para a conquista de influência nas regiões que antes escapavam ao seu domínio. Um único problema se lhe colocava – se coloca – que é o sentimento nacionalista e o interesse próprio dos povos e das nações.
A Europa está-lhe no papo mas não é tanto assim na América Latina e no Médio-Oriente - para resumir. Isto explica a dimensão dos grandes focos de destabilização em curso, nomeadamente na Ucrânia mas também na Síria ou na Venezuela, para mencionar os mais recentes.
É “a nudez crua da verdade sob o manto diáfano” dos Direitos Humanos e da Democracia. E da Comunicação Social “livre”.
No domínio da Informação formatada pelo "Ocidente", é sintomático que se transcrevam na íntegra as opiniões do jogador de xadrez Kasparov, por exemplo, sobre os acontecimentos na Crimeia, enquanto as declarações de Putin - presidente da Rússia! - sobre o mesmo assunto são silenciadas ou reduzidas a meia dúzia de palavras inócuas retiradas do discurso. E não é o mesmo com Nicolás Maduro, na Venezuela? E não é assim em todas as situações em que o imperialismo norte-americano se confronta com dirigentes insubmissos de outros países?
Entre os nossos jornalistas e "analistas" mais visíveis, mais exibidos, é manifestamente dominante a submissão a esta matriz. Mas a única coisa que deve espantar é o meu espanto, reconheço. pois não são eles próprios que proclamam (expressamente)que andam "há quarenta anos a fazer opinião"?
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2014/01/25
Opinião pública não publicada
(Há um mês, em Dezembro de 2013), o
Instituto Datafolha publicou uma pesquisa a respeito do posicionamento
ideológico dos brasileiros. (…) O resultado foi simplesmente surpreendente.
Se você ler os cadernos de economia dos jornais e ouvir comentaristas econômicos na televisão e no rádio, encontrará necessariamente o mesmo mantra: os impostos brasileiros são insuportavelmente altos, as leis trabalhistas apenas encarecem os custos e, quanto mais o Estado se afastar da regulação da economia, melhor. Durante décadas foi praticamente só isso o que ouvimos dos ditos "analistas" econômicos deste país.
No entanto décadas de discurso único no campo econômico foram incapazes de fazer 47% dos brasileiros deixarem de acreditar que uma boa sociedade é aquela na qual o Estado tem condição de oferecer o máximo de serviços e benefícios públicos.
Da mesma forma, 54% associam leis trabalhistas mais à defesa dos trabalhadores do que aos empecilhos para as empresas crescerem, e 70% acham que o Estado deveria ser o principal responsável pelo crescimento do Brasil.
Agora, a pergunta que não quer calar é a seguinte: por que tais pessoas praticamente não têm voz na imprensa econômica deste país? Por que elas são tão sub-representadas na dita esfera pública?
(…) Na verdade, o povo brasileiro sabe muito bem a importância da solidariedade social construída por meio da fiscalidade e da tributação dos mais ricos, assim como é cônscio da importância do fortalecimento da capacidade de intervenção do Estado e da defesa do bem comum. Só quem não sabe disso são nossos analistas econômicos, com suas consultorias milionárias pagas pelo sistema financeiro.
Artigo do professor Vladimir Safatle, da Filosofia da USP (Univ. de S. Paulo)
Publicado AQUI
Se você ler os cadernos de economia dos jornais e ouvir comentaristas econômicos na televisão e no rádio, encontrará necessariamente o mesmo mantra: os impostos brasileiros são insuportavelmente altos, as leis trabalhistas apenas encarecem os custos e, quanto mais o Estado se afastar da regulação da economia, melhor. Durante décadas foi praticamente só isso o que ouvimos dos ditos "analistas" econômicos deste país.
No entanto décadas de discurso único no campo econômico foram incapazes de fazer 47% dos brasileiros deixarem de acreditar que uma boa sociedade é aquela na qual o Estado tem condição de oferecer o máximo de serviços e benefícios públicos.
Da mesma forma, 54% associam leis trabalhistas mais à defesa dos trabalhadores do que aos empecilhos para as empresas crescerem, e 70% acham que o Estado deveria ser o principal responsável pelo crescimento do Brasil.
Agora, a pergunta que não quer calar é a seguinte: por que tais pessoas praticamente não têm voz na imprensa econômica deste país? Por que elas são tão sub-representadas na dita esfera pública?
(…) Na verdade, o povo brasileiro sabe muito bem a importância da solidariedade social construída por meio da fiscalidade e da tributação dos mais ricos, assim como é cônscio da importância do fortalecimento da capacidade de intervenção do Estado e da defesa do bem comum. Só quem não sabe disso são nossos analistas econômicos, com suas consultorias milionárias pagas pelo sistema financeiro.
Artigo do professor Vladimir Safatle, da Filosofia da USP (Univ. de S. Paulo)
Publicado AQUI
2013/03/27
O debate em debate
O anúncio das entrevistas a José Sócrates que hoje se iniciam após a sua saída da governação, não ainda o conteúdo das entrevistas, note-se, mas a sua realização, criou uma carga dramática elucidativa do que é verdadeiramente a natureza da "Comunicação" Social: espectáculo!
Por detrás da preocupação com “o interesse nacional” e até com o “interesse social”, esconde-se no discurso de muitos analistas, a sua preocupação dominante: a afirmação da sua competência, da “sua” razão.
Felismente “o povo não é estúpido” e até porque é feito da mesma massa, sabe destas fragilidades da condição humana e dá algum desconto aos pareceres dos comentadores públicos.
Entretanto, quando a figura pública é identificável ideologicamente, ela representa para o espectador a sua ideologia, logo, o próprio espectador - se o representante do meu grupo ideológico vence ou perde um debate, eu ganho ou perco com ele. Isto é, o espectador não é isento e é com essa falta de isenção que ele próprio irá repercutir no espaço familiar ou social o conteúdo do comentário ou do debate público a que assistiu.
Mais, antes do espectador, os próprios jornalistas que são feitos da mesma massa que os políticos e os cidadãos comuns, interferem com os seus preconceitos neste jogo de prestígio e assim alimentam o conflito dramático.
Se juntarmos a tudo isto,que "a comunicação é mais de 90% afectiva e pouco mais de um por cento informativa", é caso para perguntar o que sobra de verdadeiro, rigoroso, credível, no fim de um debate ou de uma entrevista polémica.
Sobra apenas o espectáculo, portanto, se os intervenientes não forem excepcionais como raramente acontece. Não me parece que seja o caso de José Sócrates de quem espero apenas a desinteressante defesa da "sua" razão. Mas reconheço que eu próprio sou feito da mesma massa de que são feitos os preconceituosos.
Por detrás da preocupação com “o interesse nacional” e até com o “interesse social”, esconde-se no discurso de muitos analistas, a sua preocupação dominante: a afirmação da sua competência, da “sua” razão.
Felismente “o povo não é estúpido” e até porque é feito da mesma massa, sabe destas fragilidades da condição humana e dá algum desconto aos pareceres dos comentadores públicos.
Entretanto, quando a figura pública é identificável ideologicamente, ela representa para o espectador a sua ideologia, logo, o próprio espectador - se o representante do meu grupo ideológico vence ou perde um debate, eu ganho ou perco com ele. Isto é, o espectador não é isento e é com essa falta de isenção que ele próprio irá repercutir no espaço familiar ou social o conteúdo do comentário ou do debate público a que assistiu.
Mais, antes do espectador, os próprios jornalistas que são feitos da mesma massa que os políticos e os cidadãos comuns, interferem com os seus preconceitos neste jogo de prestígio e assim alimentam o conflito dramático.
Se juntarmos a tudo isto,que "a comunicação é mais de 90% afectiva e pouco mais de um por cento informativa", é caso para perguntar o que sobra de verdadeiro, rigoroso, credível, no fim de um debate ou de uma entrevista polémica.
Sobra apenas o espectáculo, portanto, se os intervenientes não forem excepcionais como raramente acontece. Não me parece que seja o caso de José Sócrates de quem espero apenas a desinteressante defesa da "sua" razão. Mas reconheço que eu próprio sou feito da mesma massa de que são feitos os preconceituosos.
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2012/01/15
Porque hoje é domingo (12)
Não conheço maior maçonaria, em dimensões e influência social, do que a Igreja Católica. Comparativamente, o que são cinco milhões de maçons em todo o mundo? Mas tanto bastaria para despertar rivalidades.
Diferem supostamente no estatuto hierárquico em que a primeira, ao que suponho, é mais horizontal, e a Igreja se assemelha mais, deste ponto de vista, à organização dos partidos políticos – funcionamento vertical e centralizado. De tudo o que caracteriza uns e outros, o que menos importa para os objectivos que prosseguem, já se vê, são os elementos simbólicos: seja a cruz dos cristãos, régua, esquadro e transferidor dos maçónicos, foice e martelo dos comunistas, punhos, setas, bonecos decepados…
Tal como nos estados e nos partidos, ao que parece, há tendências para todos os gostos e comportamentos éticos, para todas as “necessidades” individuais.
Os discursos mais radicais invocam o conflito entre Deus e o Diabo; os mais leves invocam o direito de cada um ao livre pensamento – coisa que até Salazar reconhecia não ser do foro das doutrinas mas sim da Psicologia.
Afinal, que importância têm “os pecados do mundo”, digo a deterioração da vida no planeta, os desacordos sobre a bomba atómica, os desarranjos geo-estratégicos, a ingerência política, a invasão militar, o progresso dos povos sul-americanos na luta pela autonomia, quando comparados com uns farrapos pintados em forma de aventais ou de bandeiras? Entre ladaínhas mais repetitivas e inconsistentes do que as Reflexiones de Fidel Castro, os órgãos de informação vão entretendo as massas, não vá a gente ter tempo para pensar, para se informar, para se revoltar.
A Igreja Católica, rodeada de t(r)alha dourada e paramentos, invoca neste Domingo aquela passagem do Evangelho onde se lê que “Deus julgará os fornicadores e os adúlteros” (Hb. 13,4). Adúlteros são aqueles que se comprometem com o Povo e acabam servindo os seus inimigos; fornicadores são aqueles que oprimem o Povo com impostos e aumento de trabalho e lhes roubam o salário e as poupanças. Mas isto os sacerdotes não explicam; preferem falar da “pureza” – lá está, os aventais.
Diferem supostamente no estatuto hierárquico em que a primeira, ao que suponho, é mais horizontal, e a Igreja se assemelha mais, deste ponto de vista, à organização dos partidos políticos – funcionamento vertical e centralizado. De tudo o que caracteriza uns e outros, o que menos importa para os objectivos que prosseguem, já se vê, são os elementos simbólicos: seja a cruz dos cristãos, régua, esquadro e transferidor dos maçónicos, foice e martelo dos comunistas, punhos, setas, bonecos decepados…
Tal como nos estados e nos partidos, ao que parece, há tendências para todos os gostos e comportamentos éticos, para todas as “necessidades” individuais.
Os discursos mais radicais invocam o conflito entre Deus e o Diabo; os mais leves invocam o direito de cada um ao livre pensamento – coisa que até Salazar reconhecia não ser do foro das doutrinas mas sim da Psicologia.
Afinal, que importância têm “os pecados do mundo”, digo a deterioração da vida no planeta, os desacordos sobre a bomba atómica, os desarranjos geo-estratégicos, a ingerência política, a invasão militar, o progresso dos povos sul-americanos na luta pela autonomia, quando comparados com uns farrapos pintados em forma de aventais ou de bandeiras? Entre ladaínhas mais repetitivas e inconsistentes do que as Reflexiones de Fidel Castro, os órgãos de informação vão entretendo as massas, não vá a gente ter tempo para pensar, para se informar, para se revoltar.
A Igreja Católica, rodeada de t(r)alha dourada e paramentos, invoca neste Domingo aquela passagem do Evangelho onde se lê que “Deus julgará os fornicadores e os adúlteros” (Hb. 13,4). Adúlteros são aqueles que se comprometem com o Povo e acabam servindo os seus inimigos; fornicadores são aqueles que oprimem o Povo com impostos e aumento de trabalho e lhes roubam o salário e as poupanças. Mas isto os sacerdotes não explicam; preferem falar da “pureza” – lá está, os aventais.
2010/02/14
(Ex)citações televisivas
1.«A característica principal da Neo-TV é que ela fala cada vez menos do mundo exterior. Ela fala de si própria e do contacto que está estabelecendo com o seu público». (Umberto Eco, “Viagem na Irrealidade Quotidiana”, Difel 1986)
Por falta de tempo não insiro aqui fotos de Mário Crespo, Manuela Moura Guedes, Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino, Pacheco Pereira, o Polvo, a Enguia e o Cavalo-Marinho.
2.
Na publicação de 1994 cuja capa se apresenta acima, é possível ler frases como estas sobre “a guerra de canais” de televisão:
- uma guerra com os seus espiões, os seus transfugas e a sua dose de intoxicação e de subterfúgios;
- uma guerra com as suas frentes, as suas vítimas, os seus decapitados e os seus heróis;
- uma guerra em que os altos protagonismos têm tendência a fazer mais estrondo do que os conflitos do planeta.
“Dinheiro, poder e audiências” são os três elementos inseparáveis desta guerra, segundo o autor, Erik Emptaz.
Por respeito às autoridades também não insiro aqui as fotos de José Sócrates e Berlusconi – além de serem já sobejamente conhecidas, a sua junção poderia sugerir inapropriadas associações de ideias.
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TV,
TVI
2010/02/12
A Informação é deles
A Televisão e a Informação em geral é propriedade dos governantes, dos detentores das respectivas empresas e ainda dos jornalistas da sua confiança. A guerra a que temos assistido, tenha Manuela Moura Guedes ou Mário Crespo como porta-bandeiras, é sobretudo deles antes de ser da liberdade de expressão. Eles estão preocupados com os seus privilégios - ou porque têm programas ou porque têm estações ou porque têm poder político.
Vimos alguma vez a Comunicação Social preocupada com a discriminação que se faz das vozes exteriores ao "arco da governação" representado na imagem acima? Para uns e outros, o que dizem os partidos de esquerda são opiniões desprezíveis que só por razões legais e nessa medida é preciso recolher, e o que manifestam milhares de pessoas nas ruas não valem nada em comparação com a opinião de um qualquer jornalista ou comentador seu convidado - milhares de vozes de trabalhadores são apenas desprezíveis "interesses corporativos" facilmente anulados e contraditados pelos seus doutos juízos.
Da minha experiência em anos de actividade em comissões de trabalhadores e vida sindical, raríssimas foram as vezes em que os jornalistas da RTP, enquanto colectivo, foram solidários com as lutas laborais dos restantes trabalhadores. E esse sentimento de casta não mudou.
Como bem alertou Umberto Eco, os jornais, a Rádio, a Televisão, não são orgãos de "comunicação" mas sim orgãos de "difusão" - não inter-agem com os receptores, dirigem-se a eles sem direito a resposta. E isso confere-lhes o poder de dizer o que está bem e o que está mal, o que interessa e o que não interessa... a todos. Nisto, como o mesmo autor evidenciou, a Internet trouxe a diferença, uma vez que aqui o utilizador não só constroi a sua própria programação como se exprime em relação a opiniões de outros. Um problema que os jornalistas e comentadores publicados tentam compensar com a sua própria participação nestes novos meios que apesar de tudo não têm o mesmo poder dos orgãos sociais de difusão.
É nesta lógica de controlo da "Comunicação Social" por parte da direita política, que se inscreve a estratégia privatizadora desta área do espectro partidário, sabendo-se que só a Direita - representante das classes privilegiadas - tem poder económico para aceder à compra dos meios privados de difusão. Pinto Balsemão ou Eduardo Moniz fazem o seu jogo neste campeonato. O PS, como sempre, disputa-o pela parte que representa do mesmo espectro. E por interesses partidários associados.
A liberdade de informação, tal como a Democracia, é a possível. E quanto mais ampla fôr esta, mais larga será aquela. O resto é o modo como cada um tenta ganhar terreno nestes jogos: governos, partidos, jornalistas! E o modo como cada cidadão eleitor, suposto soberano da nação, reflecte na rua e nas urnas de voto a sua opinião. (E nos blogues, ok!)
Vimos alguma vez a Comunicação Social preocupada com a discriminação que se faz das vozes exteriores ao "arco da governação" representado na imagem acima? Para uns e outros, o que dizem os partidos de esquerda são opiniões desprezíveis que só por razões legais e nessa medida é preciso recolher, e o que manifestam milhares de pessoas nas ruas não valem nada em comparação com a opinião de um qualquer jornalista ou comentador seu convidado - milhares de vozes de trabalhadores são apenas desprezíveis "interesses corporativos" facilmente anulados e contraditados pelos seus doutos juízos.Da minha experiência em anos de actividade em comissões de trabalhadores e vida sindical, raríssimas foram as vezes em que os jornalistas da RTP, enquanto colectivo, foram solidários com as lutas laborais dos restantes trabalhadores. E esse sentimento de casta não mudou.
Como bem alertou Umberto Eco, os jornais, a Rádio, a Televisão, não são orgãos de "comunicação" mas sim orgãos de "difusão" - não inter-agem com os receptores, dirigem-se a eles sem direito a resposta. E isso confere-lhes o poder de dizer o que está bem e o que está mal, o que interessa e o que não interessa... a todos. Nisto, como o mesmo autor evidenciou, a Internet trouxe a diferença, uma vez que aqui o utilizador não só constroi a sua própria programação como se exprime em relação a opiniões de outros. Um problema que os jornalistas e comentadores publicados tentam compensar com a sua própria participação nestes novos meios que apesar de tudo não têm o mesmo poder dos orgãos sociais de difusão.
É nesta lógica de controlo da "Comunicação Social" por parte da direita política, que se inscreve a estratégia privatizadora desta área do espectro partidário, sabendo-se que só a Direita - representante das classes privilegiadas - tem poder económico para aceder à compra dos meios privados de difusão. Pinto Balsemão ou Eduardo Moniz fazem o seu jogo neste campeonato. O PS, como sempre, disputa-o pela parte que representa do mesmo espectro. E por interesses partidários associados.
A liberdade de informação, tal como a Democracia, é a possível. E quanto mais ampla fôr esta, mais larga será aquela. O resto é o modo como cada um tenta ganhar terreno nestes jogos: governos, partidos, jornalistas! E o modo como cada cidadão eleitor, suposto soberano da nação, reflecte na rua e nas urnas de voto a sua opinião. (E nos blogues, ok!)
2010/02/09
Conversa privada
sobre liberdade de expressão

O PM de cu para cima está metido de cu para baixo num processo de cu para cima sobre a compra de cu para baixo de um canal de cu para cima de televisão de cu para baixo.
Era assim (mutatis mutandis) que brincava a "canalhada" da minha infância quando a Televisão era ainda uma coisa de que se falava que havia na América... E também quando ela veio para o Café Novo Mundo ali à esquina de Costa Cabral com a Rua das Mercês, que era lá que eu via esse mundo novo, isto é, eu na rua, a televisão lá dentro e os vidros pelo meio a demonstrar o que a vida profissional me confirmaria mais tarde: que o som é o aparente pobre do audio-visual.
De vez em quando éramos enxotados porque dava mau aspecto a canalha ali a espreitar para dentro do café... Uma relação de amor-ódio que se manteria muitos anos mais tarde quando fiz da televisão a minha profissão.
Amor-ódio porque escolhi um emprego onde ganhava quase metade do que poderia ganhar noutro sítio, porque tive oportunidade de seguir jornalismo de que tanto gostava mas renunciei para não ser cúmplice da Censura; porque lutei romanticamente pela democracia, lá dentro, mas sacrifiquei aspectos importantes da vida particular; porque escolhi o caminho da solidariedade e fui rastejado muitas vezes pelo oportunismo. Porque conheci as tripas das vedetas, a indignidade dos vendidos e a injustiça dos "maquiaveis à moda do Minho". Não fui um caso raro, decerto, mas dou o meu testemunho.
É a televisão política, a televisão que faz brilhar ou apagar partidos e figuras políticas, que cria presidentes da República.
Ouço queixas do PSD e do PS sobre o controlo das estações de televisão, e é tanta a hipocrisia, é tal o cinismo sobre isenção de cu para cima e transparência de cu para baixo, que já não há... paciência.
O que fizeram eles e de que forma mais escandalosa, desde 1974, senão usurpar a Televisão, desde as nomeações de quadros a todos os níveis,até à atribuição fraudulenta dos canais, assentes em critérios e acordos políticos?! Uma sujeira de que o PS de Mário Soares foi o campeão, há que ser justo. Uma gestão mafiosa que fez escola como se tem visto nas polémicas sobre os “isentos” Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino, e no que não se vê mas que faz os conteúdos da informação e da programação.
Um charco que aconselharia algumas figuras mais credíveis a não chafurdar muito para não se sujarem. E a aceitarem o seu “divórcio” profissional com a mesma facilidade com que aceitaram o seu “casamento”, deixando para o público o juízo social.
O PM de cu para cima está metido de cu para baixo num processo de cu para cima sobre a compra de cu para baixo de um canal de cu para cima de televisão de cu para baixo.
Era assim (mutatis mutandis) que brincava a "canalhada" da minha infância quando a Televisão era ainda uma coisa de que se falava que havia na América... E também quando ela veio para o Café Novo Mundo ali à esquina de Costa Cabral com a Rua das Mercês, que era lá que eu via esse mundo novo, isto é, eu na rua, a televisão lá dentro e os vidros pelo meio a demonstrar o que a vida profissional me confirmaria mais tarde: que o som é o aparente pobre do audio-visual.
De vez em quando éramos enxotados porque dava mau aspecto a canalha ali a espreitar para dentro do café... Uma relação de amor-ódio que se manteria muitos anos mais tarde quando fiz da televisão a minha profissão.
Amor-ódio porque escolhi um emprego onde ganhava quase metade do que poderia ganhar noutro sítio, porque tive oportunidade de seguir jornalismo de que tanto gostava mas renunciei para não ser cúmplice da Censura; porque lutei romanticamente pela democracia, lá dentro, mas sacrifiquei aspectos importantes da vida particular; porque escolhi o caminho da solidariedade e fui rastejado muitas vezes pelo oportunismo. Porque conheci as tripas das vedetas, a indignidade dos vendidos e a injustiça dos "maquiaveis à moda do Minho". Não fui um caso raro, decerto, mas dou o meu testemunho.
É a televisão política, a televisão que faz brilhar ou apagar partidos e figuras políticas, que cria presidentes da República. Ouço queixas do PSD e do PS sobre o controlo das estações de televisão, e é tanta a hipocrisia, é tal o cinismo sobre isenção de cu para cima e transparência de cu para baixo, que já não há... paciência.
O que fizeram eles e de que forma mais escandalosa, desde 1974, senão usurpar a Televisão, desde as nomeações de quadros a todos os níveis,até à atribuição fraudulenta dos canais, assentes em critérios e acordos políticos?! Uma sujeira de que o PS de Mário Soares foi o campeão, há que ser justo. Uma gestão mafiosa que fez escola como se tem visto nas polémicas sobre os “isentos” Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino, e no que não se vê mas que faz os conteúdos da informação e da programação.
Um charco que aconselharia algumas figuras mais credíveis a não chafurdar muito para não se sujarem. E a aceitarem o seu “divórcio” profissional com a mesma facilidade com que aceitaram o seu “casamento”, deixando para o público o juízo social.
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2009/11/23
Marx via televisão ?
Para Karl Marx ter dito que «as ideias dominantes são as ideias da classe dominante» é imperioso que já nessa altura visse televisão. Alertado pela ficção e os documentários, a informação, os comentadores e os comentários difundidos na língua mãe que é o inglês, ou traduzidos para analfabetos, em português, não lhe foi difícil chegar à mesma conclusão a que todos nós já chegámos: que os orgãos de difusão – chamados de comunicação – obedecem todos a uma mesma voz, a voz do dono.
Que caiam na esparrela – laço e lapso – de se denunciarem a si mesmos no assombro das entrevistas, isso é que chega a ser surpreendente, tão treinados que estão nas artes da manipulação.
O José Alberto Carvalho que me perdoe – ou não – mas calhou a vez dele ser trazido à berlinda. Por uma questão de oportunidade que não de raridade.
Da entrevista de José Alberto Carvalho,
Director de Informação da RTP, ao JN :
«JN - Outro assunto por esclarecer é o do futuro dos programas de Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino. Os contratos terminam no primeiro trimestre de 2010... (...)Vai haver alterações?
JAC - Nada está fechado. (...) Mas - este mas é muito importante - a RTP é mais forte e mais influente com os comentários do professor Marcelo e do doutor Vitorino. E eu quero continuar a contar com eles. (...)
JN - Já agora, que apreciação lhe merece a extinção do "Jornal Nacional" de sexta-feira?
JAC - Quando há um programa que não cumpre as regras, não honra as princípios éticos e deontológicos do jornalismo, não respeita a própria civilidade no tratamento das pessoas, confunde jornalismo com militância, tenho dificuldade em comentar... »
JN.sapo.pt 2009-11-23
E eu, “director” deste blogue, mais dificuldade tenho em comentar a militância de quem está empenhado em garantir a influência de Marcelo e Vitorino na formação da opinião pública. Não é como em Cuba, mas também é preocupante.
Que caiam na esparrela – laço e lapso – de se denunciarem a si mesmos no assombro das entrevistas, isso é que chega a ser surpreendente, tão treinados que estão nas artes da manipulação.
O José Alberto Carvalho que me perdoe – ou não – mas calhou a vez dele ser trazido à berlinda. Por uma questão de oportunidade que não de raridade.Da entrevista de José Alberto Carvalho,
Director de Informação da RTP, ao JN :
«JN - Outro assunto por esclarecer é o do futuro dos programas de Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino. Os contratos terminam no primeiro trimestre de 2010... (...)Vai haver alterações?
JAC - Nada está fechado. (...) Mas - este mas é muito importante - a RTP é mais forte e mais influente com os comentários do professor Marcelo e do doutor Vitorino. E eu quero continuar a contar com eles. (...)
JN - Já agora, que apreciação lhe merece a extinção do "Jornal Nacional" de sexta-feira?
JAC - Quando há um programa que não cumpre as regras, não honra as princípios éticos e deontológicos do jornalismo, não respeita a própria civilidade no tratamento das pessoas, confunde jornalismo com militância, tenho dificuldade em comentar... »
JN.sapo.pt 2009-11-23
E eu, “director” deste blogue, mais dificuldade tenho em comentar a militância de quem está empenhado em garantir a influência de Marcelo e Vitorino na formação da opinião pública. Não é como em Cuba, mas também é preocupante.
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