04/10/2008

Mais fumo que fogo

Sendo Pacheco Pereira um homem do Porto, como eu, não me dei conta de que tenha passado pelo Clube Fenianos Portuenses onde se ensinava, na respectiva secção artística, que “o ilusionista não diz o que faz, não faz o que diz, diz o que não faz e faz o que não diz”.

Porém o manipulador da comunicação, em causa, parece conhecer aqueles princípios quando os aplica à produção de opinião; só que neste caso é suposto obedecer aos critérios contrários. O resultado é desastroso.

Mais uma vez na Sábado que parece particularmente vocacionada para estes exercícios de mau-gosto, lemos:

« Durante todas as presidências, socialistas, social-democratas e centrista, em vereações com o PCP ou sem ele, ou seja, na prática com todos os partidos, as casas da Câmara foram atribuídas discricionariamente».

É notório o esforço para meter o PCP nisto, ele que não sente a falta do PCP num programa semanal onde estão representados PSD, PS e CDS.

Mas quando diz...:

«Sabendo nós muito bem como as coisas são feitas, e toda a gente na Câmara Municipal de Lisboa tinha que o saber, a começar pelos Presidentes antigos e actual, a maioria das casas devia ser entregue a quem de direito o justificava e uma minoria, presumo que considerável, existia ou para fazer favores ou pagar favores políticos e pessoais».

... dá para comentar:
1) se sabe muito bem como as coisas são feitas, conte à gente;
2) o que é uma “minoria considerável”?
3) “fazer favores ou pagar favores políticos e pessoais” é demasiado exaustivo para quem não falou com Santana Lopes antes de escrever o artigo... Favores pessoais? Diga tudo, cara!



Uma coisa parece perceber-se no texto de PP: que alguém, independentemente dos directos beneficiados, estava interessado naquela atribuição de casas.


E ainda: que desta vez há fumo a mais para o fogo. Para os fogos.

1 comentário:

Menina_marota disse...

E se sabia, porque se calou tanto tempo?

Detesto estes joguinhos de "poder"... de quem quer parecer o que não é, mas é!