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2018/01/20

É a crise dos 27 anos

Uma semana depois de fazer 28 anos ainda falava disso com entusiasmo, isto é, com vivacidade se não mesmo alarido. Não era alegria, animação; pelo contrário, era perturbação, preocupação. Tinha passado dos maravilhosos vinte e sete que é a idade ideal duma mulher enquanto tal – ainda que para o homem seja igual.

A sensação de ter chegado ao fim, não o fim da vida mas da ascensão ao céu do estrelato, ocorre frequentemente com celebridades desta idade. Para quem se habituou a voar inebriado pelo êxito e pelo aplauso, pensar que chegou ao topo, que não há mais céu, mais brilho, mais deslumbramento, ainda que seja um engano, um medo apenas, é-lhe insuportável. Dir-se-ia que à falta de mais céu para alimentar a fama, buscam o inferno. Ou então o céu decepcionou-os.

Terá sido tudo isto que precipitou para a morte precoce, aos 27 anos, Amy Winehouse, Linda Jones, Jimi Hendrix e Jim Morrison, entre tantos outros.  

Uma semana depois de fazer 28 anos, porém, aquela de quem falo não almejava o estrelato senão à escala da sua condição de artista de rua, por assim dizer, para quem a forma física é o principal critério de competência. Por isso decidiu fazer umas tantas operações plásticas que lhe custarão muitas noites mal pagas. É uma outra forma de suicídio, talvez, porém na esperança de que este lhe devolverá por muito tempo os vinte e sete anos.

Para evitar equívocos, devo acrescentar que tais coisas, nascidas de profundas depressões, podem acontecer em muitas outras idades como no caso de Emilio Salgari, Hemingway, Stefan Zweig, Rainer Fassbinder, Violeta Parra, Florbela Espanca, Camilo Castelo Branco ou Antero de Quental. E Mário de Sá Carneiro que não quis sequer chegar aos 27 – dois anos antes escreveu serenamente uma carta de despedida e partiu.


É a vida... A má vida! – dizem. 

2017/03/27

De Londres a Barcelos

O que tem de comum o crime de Barcelos e o crime de Londres, e quem diz Barcelos diz Ovar, e quem diz Londres diz Orly?... Um desesperado sentimento de vingança social ou individual, política ou passional, um desprezo pela própria vida, uma coragem irracional.

Um homem sente-se rejeitado por alguém ou por alguma comunidade. Não tem como vencer essa situação. Desespera. Agiganta-se a percepção de estar a ser vítima de uma enorme maldade: afinal ele está a ser traído ou perseguido –convence-se. O ódio empresta-lhe a coragem necessária para uma vingança violenta; a vitimização empresta-lhe a justificação moral.

Por fim entrega-se vivo ou morto. Sabia desde início que a sua vida terminaria com esse acto desesperado. Enterrado num cemitério ou numa prisão, já não lhe interessa – é um suicida. E, afinal, “o indivíduo mata-se para deixar de sofrer”.

O fenómeno não é novo: desde a Idade Média, pelo menos, que os sicários existem e estão longe de ser um fenómeno islâmico. E, em última análise, nem sempre será fácil distinguir certas missões militares de países ocidentais, de suicídios colectivos. Muito menos será fácil distinguir a crueldade jihadista, dos genocídios perpetrados pela Coligação Internacional (Norte-Americana) – que o digam os martirizados povos do Médio-Oriente, isto é, os que ainda puderem falar.


Recorte de jornal recolhido AQUI