O que tem de comum o crime de Barcelos e o crime de Londres,
e quem diz Barcelos diz Ovar, e quem diz Londres diz Orly?... Um desesperado sentimento de vingança social ou individual, política ou passional, um desprezo pela própria vida, uma coragem irracional.
Um homem sente-se rejeitado por alguém ou por alguma comunidade. Não tem como vencer essa situação. Desespera. Agiganta-se a percepção de estar a ser vítima de uma enorme maldade: afinal ele está a ser traído ou perseguido –convence-se. O ódio empresta-lhe a coragem necessária para uma vingança violenta; a vitimização empresta-lhe a justificação moral.
Por fim entrega-se vivo ou morto. Sabia desde início que a sua vida terminaria com esse acto desesperado. Enterrado num cemitério ou numa prisão, já não lhe interessa – é um suicida. E, afinal, “o indivíduo mata-se para deixar de sofrer”.
O fenómeno não é novo: desde a Idade Média, pelo menos, que os sicários existem e estão longe de ser um fenómeno islâmico. E, em última análise, nem sempre será fácil distinguir certas missões militares de países ocidentais, de suicídios colectivos. Muito menos será fácil distinguir a crueldade jihadista, dos genocídios perpetrados pela Coligação Internacional (Norte-Americana) – que o digam os martirizados povos do Médio-Oriente, isto é, os que ainda puderem falar.
Recorte de jornal recolhido AQUI
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2017/03/27
2016/07/19
Comparação inoportuna
Talvez não seja oportuno ressuscitar o assunto, mas que esta golpada de Erdogan, na Turquia, faz lembrar o “25 de Novembro” de 1975 em Portugal, com um grupo de aventureiros a fazer uma tempestade num copo de água... emprestado pela Direita, lá isso faz!
Que o “grande educador da classe operária” Arnaldo de Matos ressuscite agora politicamente para apoiar os crimes do “DAESH”, reforça o sentido desta comparação.
Fazer das fraquezas, força, é a última tentativa de qualquer califa falhado. Já não estou a falar do Arnaldo de Matos, por desprezível. Estou a referir-me ao perfil dos imbecis que levam a cabo os genocídios a que temos assistido em nome do chamado Estado Islâmico, e aos seus métodos indigentes.
Esperemos que Cavaco Silva, tão criticado por justas razões, não seja acusado um destes dias por ter dado ideias... a quem não devia.
Que o “grande educador da classe operária” Arnaldo de Matos ressuscite agora politicamente para apoiar os crimes do “DAESH”, reforça o sentido desta comparação.
Fazer das fraquezas, força, é a última tentativa de qualquer califa falhado. Já não estou a falar do Arnaldo de Matos, por desprezível. Estou a referir-me ao perfil dos imbecis que levam a cabo os genocídios a que temos assistido em nome do chamado Estado Islâmico, e aos seus métodos indigentes.
Esperemos que Cavaco Silva, tão criticado por justas razões, não seja acusado um destes dias por ter dado ideias... a quem não devia.
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2015/10/29
NATO na sua teia
A seita terrorista e sanguinária conhecida por “Estado Islâmico”, que também poderá designar-se Al-Qaida, Al-Nusra e Exército Livre da Síria – tiradas a limpo as consequências da existência deste – deixou de estar impune.
…
A ofensiva russa não acabou apenas com a impunidade do Estado Islâmico e outros bandos de mercenários; põe em causa a hipocrisia da guerra oficial “contra o terrorismo” proclamada pelos Estados Unidos e a NATO – que tem como exemplos mais trágicos as situações no Iraque, na Líbia e na Síria.
José Goulão em Mundo Cão
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A ofensiva russa não acabou apenas com a impunidade do Estado Islâmico e outros bandos de mercenários; põe em causa a hipocrisia da guerra oficial “contra o terrorismo” proclamada pelos Estados Unidos e a NATO – que tem como exemplos mais trágicos as situações no Iraque, na Líbia e na Síria.
José Goulão em Mundo Cão
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2015/08/31
Síria aproxima o Ocidente
ao Estado Islâmico
A Síria confronta o terrorismo, ao contrário do resto do mundo – afirmava Zou’bi na 8ª sessão da Assembleia geral das Rádios-Televisões islâmicas.
Por outras palavras: se os estados da NATO estão apostados em destruir a Síria, para quê combater de facto o “Estado Islâmico”?!
Quando os meios de informação “ocidentais” falam da Síria, a deontologia profissional esconde-se, envergonhada, e o jornalista debita ao chefe, ao patrão, ao ideólogo, uns pontos de serviço sujo. O mesmo se falássemos da Ucrânia ou da Venezuela, por exemplo, como já tratei em artigo anterior.
Confiança na fonte? Se o texto agrada ideologicamente, é de confiança! Por exemplo: «82 mortos nos ataques do regime, a oposição denuncia “um massacre”».
Alguém perguntava: «Qual oposição? A OSDH? E quando há raides das forças da coligação contra Daesh, estes meios falam de vítimas colaterais».
Que importa se os bombardeamentos permitem às forças armadas sírias avançar numa zona que tinha sido capturada pelos grupos armados que nós sabemos? Que importa se essa acção abre caminho para o regresso das populações daquelas zonas?
Os meios de informação dominantes da Europa estarão contra o governo sírio mesmo que este possa, com apoio euro-americano, acabar com o flagelo da região, que agora se estende para a própria Europa, seja através da pressão migratória ou seja até pelo terrorismo. Um discurso de condolências e um funeral majestoso tranquilizam os mentores políticos da nossa santa-aliança.
E é aqui que se coloca a questão fundamental que os aliados da NATO tardam em reconhecer e proceder: confrontar a origem desta gravíssima situação.
Até lá, vamos assistindo ao desespero e à chacina diária das populações em fuga, e à disseminação da "ideologia" e do terrorismo entre nós. Para já, vamo-nos habituando a ver morrer. Será que algum dia nos teremos que habituar a morrer, como na Síria?
Por outras palavras: se os estados da NATO estão apostados em destruir a Síria, para quê combater de facto o “Estado Islâmico”?!
Quando os meios de informação “ocidentais” falam da Síria, a deontologia profissional esconde-se, envergonhada, e o jornalista debita ao chefe, ao patrão, ao ideólogo, uns pontos de serviço sujo. O mesmo se falássemos da Ucrânia ou da Venezuela, por exemplo, como já tratei em artigo anterior.
Confiança na fonte? Se o texto agrada ideologicamente, é de confiança! Por exemplo: «82 mortos nos ataques do regime, a oposição denuncia “um massacre”».
Alguém perguntava: «Qual oposição? A OSDH? E quando há raides das forças da coligação contra Daesh, estes meios falam de vítimas colaterais».
Que importa se os bombardeamentos permitem às forças armadas sírias avançar numa zona que tinha sido capturada pelos grupos armados que nós sabemos? Que importa se essa acção abre caminho para o regresso das populações daquelas zonas?
Os meios de informação dominantes da Europa estarão contra o governo sírio mesmo que este possa, com apoio euro-americano, acabar com o flagelo da região, que agora se estende para a própria Europa, seja através da pressão migratória ou seja até pelo terrorismo. Um discurso de condolências e um funeral majestoso tranquilizam os mentores políticos da nossa santa-aliança.
E é aqui que se coloca a questão fundamental que os aliados da NATO tardam em reconhecer e proceder: confrontar a origem desta gravíssima situação.
Até lá, vamos assistindo ao desespero e à chacina diária das populações em fuga, e à disseminação da "ideologia" e do terrorismo entre nós. Para já, vamo-nos habituando a ver morrer. Será que algum dia nos teremos que habituar a morrer, como na Síria?
RECORTES
O grupo 'jihadista' Estado Islâmico executou no período de um mês perto de 100 pessoas, um terço dos quais civis, nas zonas que estão sob o seu controlo na Síria, indicou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). (2015/Ago)
O auto-proclamado estado islâmico divulgou um novo vídeo de uma execução em massa na cidade história de Palmira. As imagens mostram dezenas de soldados sírios a serem executados no principal anfiteatro da cidade, com muita gente a assistir. O vídeo mostra também a destruição de dezenas de monumentos que são Património da Humanidade.
(RTP 4 de Julho de 2015)
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2014/09/14
Porque hoje é domingo (54)
Antes de Jesus, a cruz era vista como um instrumento
de castigo, de humilhação, de condenação dos criminosos. Porém, o facto de o Filho de Deus ter sido crucificado, deu à cruz um sentido novo: ela deixou de evocar a condenação e a morte, para significar a exaltação da vida. Diz-se.
Vão lá contar esta história aos crucificados antes e depois de Jesus!...
As forças rebeldes que combatem contra o governo da Síria e têm sido apoiados pelo cristianíssimo "ocidente", enforcam os cristãos que não seguem a "fé muçulmana".
Para significar a exaltação da vida, admito que a água que vem dos rios e dos mares, a terra onde medram as plantas, o leite ou a própria vaca com seus bifes, fariam mais sentido. Mas uma cruz é como uma forca, uma guilhotina ou uma fogueira de assar pessoas - todos estes são elementos de terror e não de exaltação.
Por outro lado, é verdade que os símbolos podem ganhar novas significações. A cruz suástica, por exemplo e para não nos afastarmos da cruz!, muito antes de ser o símbolo do Partido Nazista Alemão a partir de 1920, era um desenho muito recorrente na arquitectura e na arte hindus, indianas e outras, como se sabe,
sem qualquer conotação com a ideologia nazi. Neste caso, o sentido moral é o inverso – trata-se da diabolização, na perspectiva democrática, de um símbolo de natureza estética ou até religiosa com diversos significados em diferentes
regiões e épocas.
A cruz da crucificação, essa, continua a ser um símbolo da crueldade a que pode conduzir o autoritarismo político e o fanatismo ideológico. Da sua actualidade nos dão conta as notícias, ainda que mitigadas:
Os guerrilheiros do exército do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, vêm promovendo demonstrações de crueldade nesta guerra. O seu objectivo declarado é criar um estado islâmico em áreas sunitas do Iraque e na Síria, restabelecendo o regime de califado, desaparecido há um século, e que significa na prática que o seu líder será o líder dos muçulmanos em todas as partes do mundo.
Ver mais informação em canalgama.com.br
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