Há terroristas bons e terroristas maus, segundo os governos ocidentais – e quem diz os governos diz os seus porta-vozes na política e nos orgãos de informação. Os primeiros são chamados “moderados” e recebem apoio financeiro e militar da Europa e dos Estados Unidos da América para combater o presidente sírio.
No dia 4 de Abril de 2017, o exército governamental sírio atacou uma base de “terroristas bons” e daí resultaram 58 ou mais de uma centena de mortos, conforme a fonte, tendo-se apurado que muitas das vítimas acusavam efeitos de armas químicas "proibidas".
Os EUA, sem investigarem a procedência de tais armas e sem aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, reagiram com o lançamento de 59 mísseis Tomahawk contra a base aérea de Shayrat (província de Homs) da qual terão partido os ataques sírios.
O Exército sírio nega a autoria de qualquer ataque com armas químicas, garantindo que nunca o fez nem o fará, e a Rússia admite que os produtos químicos letais não fossem lançados pelo exército sírio mas que estivessem armazenados num depósito oculto, dos terroristas, e por isso tenham sido atingidos.
“Os rebeldes” – como também são designados pelo ocidente os "terroristas bons"– negam as acusações e os ocidentais tomam estes por fontes credíveis.
Nunca se saberá a verdade, muito provavelmente. Esta é a grande vantagem dos verdadeiros autores do uso das armas químicas. E a opinião pública fará o “seu” juízo com base na opinião publicada. Talvez por isso estejamos a assistir a tanta unanimidade nos orgãos ocidentais de informação onde, de resto, só é ouvida uma parte dos actores políticos deste conflito. O próprio Donald Trump surge nestes meios travestido de homem justo.
Entretanto, em Boston, Massachusetts, americanos dizem que querem diplomacia para resolver a questão síria, e não mísseis. Para os envolvidos nas manifestações que ocorrem em pelo menos 35 cidades dos EUA, a motivação humanitária de Trump não passa de uma desculpa, muito parecida com a utilizada por George W. Bush em 2003 (invasão do Iraque), para atacar a Síria com o objetivo de derrubar o actual regime, matando ainda mais civis durante o processo.
A História ensina que provavelmente nunca saberemos a verdade, como disse, mas também ensina o que tem acontecido noutros episódios, isto é, qual a estratégia político-militar predominante nos EUA:
1) Provocar os países incómodos (de preferência através de rebeldes, verdadeiros ou falsos, desses países);
2) Acusá-los de iniciar hostilidades (com base na reacção às provocações);
3) “Retaliar” brutalmente (com a legitimidade da opinião favorável publicada);
4) Alimentar o descontentamento interno desses países hostis até à substituição do Poder por dirigentes pró-ocidentais.
A propósito: Venezuela, te cuida!
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2017/04/10
Terroristas bons
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2017/03/27
De Londres a Barcelos
O que tem de comum o crime de Barcelos e o crime de Londres,
e quem diz Barcelos diz Ovar, e quem diz Londres diz Orly?... Um desesperado sentimento de vingança social ou individual, política ou passional, um desprezo pela própria vida, uma coragem irracional.
Um homem sente-se rejeitado por alguém ou por alguma comunidade. Não tem como vencer essa situação. Desespera. Agiganta-se a percepção de estar a ser vítima de uma enorme maldade: afinal ele está a ser traído ou perseguido –convence-se. O ódio empresta-lhe a coragem necessária para uma vingança violenta; a vitimização empresta-lhe a justificação moral.
Por fim entrega-se vivo ou morto. Sabia desde início que a sua vida terminaria com esse acto desesperado. Enterrado num cemitério ou numa prisão, já não lhe interessa – é um suicida. E, afinal, “o indivíduo mata-se para deixar de sofrer”.
O fenómeno não é novo: desde a Idade Média, pelo menos, que os sicários existem e estão longe de ser um fenómeno islâmico. E, em última análise, nem sempre será fácil distinguir certas missões militares de países ocidentais, de suicídios colectivos. Muito menos será fácil distinguir a crueldade jihadista, dos genocídios perpetrados pela Coligação Internacional (Norte-Americana) – que o digam os martirizados povos do Médio-Oriente, isto é, os que ainda puderem falar.
Recorte de jornal recolhido AQUI
Um homem sente-se rejeitado por alguém ou por alguma comunidade. Não tem como vencer essa situação. Desespera. Agiganta-se a percepção de estar a ser vítima de uma enorme maldade: afinal ele está a ser traído ou perseguido –convence-se. O ódio empresta-lhe a coragem necessária para uma vingança violenta; a vitimização empresta-lhe a justificação moral.
Por fim entrega-se vivo ou morto. Sabia desde início que a sua vida terminaria com esse acto desesperado. Enterrado num cemitério ou numa prisão, já não lhe interessa – é um suicida. E, afinal, “o indivíduo mata-se para deixar de sofrer”.
O fenómeno não é novo: desde a Idade Média, pelo menos, que os sicários existem e estão longe de ser um fenómeno islâmico. E, em última análise, nem sempre será fácil distinguir certas missões militares de países ocidentais, de suicídios colectivos. Muito menos será fácil distinguir a crueldade jihadista, dos genocídios perpetrados pela Coligação Internacional (Norte-Americana) – que o digam os martirizados povos do Médio-Oriente, isto é, os que ainda puderem falar.
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2016/07/19
Comparação inoportuna
Talvez não seja oportuno ressuscitar o assunto, mas que esta golpada de Erdogan, na Turquia, faz lembrar o “25 de Novembro” de 1975 em Portugal, com um grupo de aventureiros a fazer uma tempestade num copo de água... emprestado pela Direita, lá isso faz!
Que o “grande educador da classe operária” Arnaldo de Matos ressuscite agora politicamente para apoiar os crimes do “DAESH”, reforça o sentido desta comparação.
Fazer das fraquezas, força, é a última tentativa de qualquer califa falhado. Já não estou a falar do Arnaldo de Matos, por desprezível. Estou a referir-me ao perfil dos imbecis que levam a cabo os genocídios a que temos assistido em nome do chamado Estado Islâmico, e aos seus métodos indigentes.
Esperemos que Cavaco Silva, tão criticado por justas razões, não seja acusado um destes dias por ter dado ideias... a quem não devia.
Que o “grande educador da classe operária” Arnaldo de Matos ressuscite agora politicamente para apoiar os crimes do “DAESH”, reforça o sentido desta comparação.
Fazer das fraquezas, força, é a última tentativa de qualquer califa falhado. Já não estou a falar do Arnaldo de Matos, por desprezível. Estou a referir-me ao perfil dos imbecis que levam a cabo os genocídios a que temos assistido em nome do chamado Estado Islâmico, e aos seus métodos indigentes.
Esperemos que Cavaco Silva, tão criticado por justas razões, não seja acusado um destes dias por ter dado ideias... a quem não devia.
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