27/03/2017

De Londres a Barcelos

O que tem de comum o crime de Barcelos e o crime de Londres, e quem diz Barcelos diz Ovar, e quem diz Londres diz Orly?... Um desesperado sentimento de vingança social ou individual, política ou passional, um desprezo pela própria vida, uma coragem irracional.

Um homem sente-se rejeitado por alguém ou por alguma comunidade. Não tem como vencer essa situação. Desespera. Agiganta-se a percepção de estar a ser vítima de uma enorme maldade: afinal ele está a ser traído ou perseguido –convence-se. O ódio empresta-lhe a coragem necessária para uma vingança violenta; a vitimização empresta-lhe a justificação moral.

Por fim entrega-se vivo ou morto. Sabia desde início que a sua vida terminaria com esse acto desesperado. Enterrado num cemitério ou numa prisão, já não lhe interessa – é um suicida. E, afinal, “o indivíduo mata-se para deixar de sofrer”.

O fenómeno não é novo: desde a Idade Média, pelo menos, que os sicários existem e estão longe de ser um fenómeno islâmico. E, em última análise, nem sempre será fácil distinguir certas missões militares de países ocidentais, de suicídios colectivos. Muito menos será fácil distinguir a crueldade jihadista, dos genocídios perpetrados pela Coligação Internacional (Norte-Americana) – que o digam os martirizados povos do Médio-Oriente, isto é, os que ainda puderem falar.


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