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2013/12/04

Eu avisei

( texto rectificado )

A foto acima documenta a forma como alguns trabalhadores da "Radiotelevision Valenciana" (RTVV) reagiram contra o presidente da "Generalidad Valenciana" (representante ordinario do Estado Espanhol na "Comunidad Valenciana"), na sequência do encerramento daquela estação pública.

Isto fez-me lembrar a maior greve que ocorreu na RTP, creio que em 1980.

Lá onde os jornalistas fazem sempre a sua "luta" à parte, beneficiando da sua influência política, até estes aderiram. A emissão manteve-se no ar - com alterações - apenas porque meia dúzia de pessoas são o suficiente para fazê-lo durante poucos dias com materiais gravados, e alguns quadros de chefia não se importaram de sujar temporariamente as mãos nas máquinas...

Era presidente da administração, Proença de Carvalho que, ao sair de carro pela garagem, foi surpreendido por um grupo de trabalhadores que o aplaudia. Fez parar a viatura e saiu para agradecer. Foi então vaiado com uma assobiadela geral e recolheu imediatamente à viatura que logo se afastou. Quem não sabia assobiar, como eu, gritou... qualquer coisa.

Tudo acabou assim, sem um murro no carro, uma riscadela, um vidro partido - assobios apenas. À portuguesa! - dir-se-há. Mas devemos reconhecer que a gravidade não é a mesma.

Talvez seja o nível de gravidade das acções, acima de tudo, que provoca o grau das reacções. Pelo menos na Física é assim. Talvez haja mesmo alguém encarregado de medir a resistência "da corda" a cada momento. Creio que sim. Até que rebente, só podemos dizer que ela está tensa. Depois, todos dirão: eu avisei!...

2012/11/24

As pedras e as palavras

Até hoje, nenhum post inserido aqui teve tanto a ver com o título deste blogue - nome e imagem! Mas isto não é tanto um artigo, é mais um comentário a um artigo de JN.


Na comparação que faz entre o apoiante de Passos Coelho, provocador que apareceu num comício do PS, e os indivíduos que estiveram a atirar pedras à polícia, digo aos polícias, na sequência da recente manifestação de 14 de Novembro, JN deixa-me perplexo. A consideração que tenho por ele, se é quem penso que é, inibe-me de dizer mais!

Em todo o restante argumentário, no entanto, o JN prossegue numa lógica formal sobre teses “moralistas” e teses “militaristas” e sobre a diferença entre “os fins e os meios”, que me fazem duvidar das suas competências filosóficas, de tal modo se deixa levar pelas palavras – destas dizia Sartre, em "Les Mots", que são de tal modo fascinantes que por vezes nos fazem perder a noção da realidade – passe a citação de memória. Começo a duvidar, enfim, que o JN seja quem eu penso.

Finalmente o JN não percebeu que o que distingue aqueles indivíduos, de Gandhi, é que este estava verdadeiramente empenhado na revolução social e por isso, consciente da desproporção de forças com que contava, não se deixava entusismar com fogachadas contra forças bem armadas, arremetidas que duram apenas duas horas ou o tempo que as autoridades quiserem, e deixam um sabor a impotência, a frustração, a desistência, a divisão na base social de contestação. Definitivamente, este JN não é quem eu pensava que era.

Nem violência gratuita nem “abstenção violenta” à moda do PS. O que o país precisa é que os cidadãos reforcem a capacidade de intervenção da esquerda consequente nas instâncias do Poder, o que requer mais tempo do que duas horas, mais trabalho e mais coragem do que atirar pedras e incendiar caixas de lixo às escondidas.

Quem é o JN? Isso importa pouco. Há vários.