Porque hoje é domingo (38)

Ciente de que a ingenuidade ou o desespero das suas ovelhas está, ainda hoje, aberta a todas as fantasias que lhes tragam esperança e sentido para as suas vidas, a Igreja oferece este domingo um espectáculo alucinante de ficção científica, na sua homilia.

Por todo o mundo, em todas as línguas, milhares e milhares de sacerdotes a trabalhar para o Vaticano, elaboram as suas narrativas a partir deste mote da vinda do Espírito Santo que sendo espírito não se desloca, por definição, enfim, e sobre esta fantasia dizem o que lhes parece mais conveniente para assustar, manipular, submeter ou mobilizar os crentes no sentido que mais convém à sua ideologia pessoal ou ao seu comprometimento temporal.

Que muitos destes profissionais da oratória sejam eles próprios ingénuos ou tementes, praticantes da auto-sugestão religiosa, é natural, pois que são feitos da mesma massa do seu auditório e moldados por anos de seminário.

A cena a que se referem conta-se em poucas palavras.


Enquanto a população se reunia para participar no “festival da colheita” que comemora a entrega dos Dez Mandamentos no Monte Sinai – era o tradicional dia de Pentecostes - os apóstolos cristãos permaneciam trancados no cenáculo, com medo dos judeus. Então Jesus Cristo se apresentou perante eles para incentivá-los.

Socorreu-se para o efeito de uma estratégia fantástica: disse que aquele era o dia em que o Pai cumpriria a sua promessa de “enviar” o Espírito Santo sobre eles. De tal modo a palestra de Jesus os convenceu que se operou uma revolução nas suas vidas: de tímidos e covardes, se tornaram corajosos, destemidos e sairam a pregar à população. Quem acompanha o papel dos treinadores nos balneáreos das equipas receosas, não tem dificuldade em compreender o fenómeno. Perguntem a Jesus, o Jorge.


Mais conta a narrativa oficial (Jo 20, 19-23) que o povo que se reunia para a festa de Pentecostes eram devotos de todas as nações do mundo e que ficaram muito admirados e confusos, pois os apóstolos falavam em outras línguas e eles compreendiam no seu próprio idioma as maravilhas que Deus operava no meio deles – passe a ambiguidade e escassez da descrição. Mas estes pormenores de grande efeito dramático ficam à consideração de cada um.

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