Os custos do terrorismo

O combate ao terrorismo, por parte dos Estados Unidos da América e da Europa, dispende valores astronómicos que são cobrados nos orçamentos dos respectivos estados, isto é, em prejuízo do desenvolvimento nacional e do bem-estar das respectivas populações.

Só a título de exemplo, a invasão do Afeganistão em 2001 e do Iraque em 2003, e as sucessivas operações militares no Paquistão, representam um custo de cerca de 4 000 milhões de dólars para os EUA. (*)

Por outro lado, e para além das despesas com materiais afectos às operações, e salários dos militares, o estado fica ainda com intermináveis despesas relacionadas com as mortes e doenças permanentes do pessoal que regressa das operações – milhares e milhares de que não se fala.

E tudo resulta, geralmente, num aumento das tensões regionais que alimentam mais vocações terroristas, na ineficácia quanto à eliminação do fenómeno e na frustração dos cidadãos dos estados intervencionistas.

Só a resposta policial e militar aos ataques terroristas em Paris, em 7 de Janeiro, quanto terá custado? As medidas de investigação, vigilância, segurança e repressão que foram tomadas antes e depois dessa intervenção directa, quanto custaram? Quanto custam as “medidas excepcionais” que estão em curso e que visam, nomeadamente, fornecer segurança a orgãos de comunicação, mesquitas e escolas? 

Mas a pergunta que mais importa, é: quanto custarão ainda, se não se tomarem também medidas de integração social dos grupos e camadas marginalizadas? Isto é, quantos hospitais, escolas, professores, empregos, infraestruturas suburbanas será necessário financiar para reduzir os custos em esquadras e polícias e armas e sangue? 

Será que a dignificação da vida suburbana, porventura a medida mais eficaz, merece ao menos a mesma atenção que o reforço do controlo de circulação, o aperfeiçoamento das tecnologias de vigilância informática, o reapetrechamento das esquadras, a multiplicação de agentes policiais e tudo o mais que neste momento se discute ou re-discute?

Os prejuízos económicos associados à desestabilização social que resultam intencionalmente das acções terroristas, pesam mais nas diligências de alguns governantes – nos países mais ameaçados – do que a liberdade de imprensa. E é nesta lógica que entendo a solidariedade estratégica que junta Merkel, Hollande, Netanyahu, David Cameron, Mariano Rajoy, Samaras e outros. (Não menos que esses, estiveram na marcha só para ficar na fotografia da grande irmandade ocidental).

Entre aqueles que sinceramente estão preocupados com as questões de segurança e integração, e que estarão representados nas tais discussões “novas”, conta-se inevitavelmente Angela Merkel, que disse nesta terça-feira, numa conferência em Berlim: "Precisamos de saber como usar todos os meios à nossa disposição, como um Estado constitucional, para combater a violência e a intolerância". 

Um inquérito recente, mas feito antes dos ataques de Paris, para a Fundação Bertelsmann, mostrou que 57% da população alemã não muçulmana se sentia ameaçada “pelo islão”. Por toda a Alemanha estima-se que 100 mil pessoas tenham aderido aos movimentos antimuçulmanos e a favor de leis de imigração mais restritas. 

A forma como Angela Merkel coloca o problema dos "meios" assemelha-se demasiado à posição de Bush  a seguir ao caso das Torres Gémeas e que o levaram aos abusos criminosos ocorridos no estrangeiro! Mas a preocupação de Merkel é justificada, como a preocupação de Hollande e Rajoy, por exemplo. 

Porém, quem conhece a mentalidade destes dirigentes não pode deixar de recear uma fixação exclusiva na estratégia securitária, o medo ou a incapacidade de olhar para a parte imaterial do problema. Por isso este apelo a que façam contas, ao menos.

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