7.3.12

Os fantasmas de Israel

No passado dia 5 de Março, o primeiro-ministro israelita, Binyamin Netanyahu encenou com Barack Obama um drama de mau gosto. Foi no teatro da Casa Branca.

A peça era para se chamar “Os fantasmas de Israel”, mas para evitar conotações com o holocausto da segunda guerra mundial que foi demasiado real, resolveram chamar-lhe “Agarra-me! Se não, eu mato-o”.

Em cena, além das duas personagens já mencionadas, um gasoduto – e lá voltam as conotações indesejadas – que aqui nos remetem para o tubo que abastece de gás, Israel e a Jordânia, e que tem sofrido muitos ataques por egípcios, alegadamente.

Alegadamente é palavra que Netanyahu dispensa quando desenvolve a intriga sobre a criação de armas nucleares no Irão. Na sua ingenuidade, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos por engano, concorda amavelmente com o colega israelita, alegando que o Irão, se quer ter armas atómicas, pode comprar… a Israel, daquelas que este não conseguiu vender à África do Sul no tempo do apartheid - lembram-se? Os Estados Unidos também as tem à vista… desarmada, mas não há que tratar de forma igual o que é desigual e tal.

Pois é isso mesmo – confirmou Netanyahu. – A diferença é que nós somos países confiáveis e eles não.

Em todo o caso – retorquiu o presidente americano – os EEUU não estão interessados em desencadear agora um ataque ao Irão…

Que não tinha importância – anuiu o outro. – Desde que os EEUU continuem a subsidiar-nos anualmente com os biliões do costume, a gente trata de tudo. Afinal Israel deve assumir as suas decisões independentemente das posições dos outros estados.

Aqui, Obama tem uma representação brilhante quando engole em sêco. Nem Putin a chorar com a aclamação eleitoral. O público explode em aplausos e o espectáculo termina. Ouvem-se brados: Yahu, yahu...! Netanyahu vem à boca de cena agradecer.

NOTA:
Qualquer semelhança com a realidade, é pura coincidência.

1 comentário:

O Puma disse...

Por aqui os fantasmas

são meninos de coro
e as metáforas
alvos de ataque

envenenado