Não é a Grécia, é a ideologia

Se é verdade que o povo grego rejeitou em referendo a proposta das políticas de austeridade do Eurogrupo, é igualmente verdade que o mesmo povo manifestou e continua a manifestar vontade de permanecer na Euro-zona, de resto como defende o próprio governo grego em cada discurso do seu primeiro-ministro.



Respeitar a vontade do povo significaria, portanto, negociar as condições da permanência no Euro e minimizar, na prática política, os efeitos da "austeridade" imposta. Por isso faz todo o sentido a decisão de Alexis Tsipras de assinar um acordo quando estavam esgotadas todas as possibilidades de cedência do Eurogrupo, num processo duríssimo de negociações.

Mais: teve a coragem de afirmar publicamente que não concordava com os termos do acordo, que o considerava uma chantagem e que assumia as responsabilidades desta opção porque entendeu que esta foi a melhor maneira de salvaguardar os interesses do povo grego - leia-se o financiamento a curto prazo de salários e pensões!


Passos Coelho devia ter vergonha de comparar a sua – a nossa! - obediência submissa e humilhante, com a resistência e a combatividade de Alexis Tsipras num histórico conflito negocial do Eurogrupo.

Quanto às motivações do governo alemão e seus satélites políticos, para as propostas que colocam à Grécia, elas estão bem resumidas nestes dois parágrafos de um discurso de Alexis Tsipras em 21 de Junho de 2015:

«O mais provável é que as instituições tenham motivos políticos para insistir tão obcecadamente apenas em vias impossíveis , além de seguirem um plano para humilhar exemplarmente não só o governo grego, mas também a própria Grécia.

Para disseminar alguma espécie de 'mensagem' para o povo grego e para todos os povos da Europa, de que nenhum governo popular poderá jamais mudar coisa alguma».

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