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2015/08/15

A Torto e a Direita

A Direita gosta de Passos Coelho. A Direita gosta do Governo PSD/CDS. A Direita gosta das receitas liberais. A Direita gosta daqueles que nos emprestam dinheiro. Está tudo bem assim e não podia estar melhor. Este é o rumo certo que está a dar resultados.

No entanto, a mesma Direita critica a torto e a direito, a propósito ou a despropósito, que Alexis Tsipras tenha cedido em algumas das políticas receitadas pelas instituições financeiras, não por opção livre - no caso grego! - mas por força da chantagem daquelas instituições, não por adesão entusiástica, como Passos Coelho, mas porque o Primeiro-Ministro grego, esse sim, está-se "nas tintas para as eleições" (no sentido em que o português o afirmou).

“Pergunta a minha curiosidade”: para a Direita, afinal, as “medidas de austeridade” receitadas pelos credores, são boas ou são más???

2015/07/19

Não é a Grécia, é a ideologia

Se é verdade que o povo grego rejeitou em referendo a proposta das políticas de austeridade do Eurogrupo, é igualmente verdade que o mesmo povo manifestou e continua a manifestar vontade de permanecer na Euro-zona, de resto como defende o próprio governo grego em cada discurso do seu primeiro-ministro.



Respeitar a vontade do povo significaria, portanto, negociar as condições da permanência no Euro e minimizar, na prática política, os efeitos da "austeridade" imposta. Por isso faz todo o sentido a decisão de Alexis Tsipras de assinar um acordo quando estavam esgotadas todas as possibilidades de cedência do Eurogrupo, num processo duríssimo de negociações.

Mais: teve a coragem de afirmar publicamente que não concordava com os termos do acordo, que o considerava uma chantagem e que assumia as responsabilidades desta opção porque entendeu que esta foi a melhor maneira de salvaguardar os interesses do povo grego - leia-se o financiamento a curto prazo de salários e pensões!


Passos Coelho devia ter vergonha de comparar a sua – a nossa! - obediência submissa e humilhante, com a resistência e a combatividade de Alexis Tsipras num histórico conflito negocial do Eurogrupo.

Quanto às motivações do governo alemão e seus satélites políticos, para as propostas que colocam à Grécia, elas estão bem resumidas nestes dois parágrafos de um discurso de Alexis Tsipras em 21 de Junho de 2015:

«O mais provável é que as instituições tenham motivos políticos para insistir tão obcecadamente apenas em vias impossíveis , além de seguirem um plano para humilhar exemplarmente não só o governo grego, mas também a própria Grécia.

Para disseminar alguma espécie de 'mensagem' para o povo grego e para todos os povos da Europa, de que nenhum governo popular poderá jamais mudar coisa alguma».

2015/02/02

António Costa no divã


Catherine Millot foi a última amante oficial de Jackes Lacan, prestigiado estudioso da psicanálise e promotor do regresso ao verdadeiro pensamento de Freud.

Catherine estava com Lacan no momento em que este morreu. Depois disso surgiu todo um mito que ela alimentou, obviamente, de que Lacan, exactamente antes de morrer, lhe teria revelado uma fórmula secreta, o máximo da sabedoria. Todos ficaram na expectativa de que ela dissesse que fórmula era essa. Até hoje!

Isto faz-me lembrar – ou será o contrário? – a pressão que o líder do PS está a receber de dentro e de fora do partido, para revelar o seu programa político com vista a um próximo e eventual governo do Partido Socialista.

Esta pressão não é recente. Lembro as interrogações de Alfredo Barroso em Julho passado: "que novas 'teorias' António Costa irá inventar, para se furtar ao debate da questão do Tratado Orçamental, da questão da renegociação e/ou reestruturação da dívida, da questão das privatizações e da questão da promiscuidade entre o PS e os negócios?"

Estamos (ainda) ao nível das conferências ou seminários lacanianos, das abordagens parciais, não das grandes revelação ansiadas pelos cidadãos e, menos ainda, do compromisso? Talvez António Costa esteja a protelar estrategicamente a grande revelação, até para evitar histerias jornalísticas, mas há quem receie que a morte política o surpreenda entretanto.

O certo é que o candidato a primeiro-ministro nem mesmo no divã se entrega completamente.


2015/01/03

António Costa e Papandreu,
a mesma luta !



Para que o Partido Comunista, em Portugal, e o Syrisa, na Grécia, não beneficiem do descontentamento popular que é gerado pelas políticas neo-liberais dos partidos social-democratas (PSD e PS), os partidos “Socialistas” dos dois países introduzem no panorama partidário um elemento de confusão, uma suposta alternativa às verdadeiras alternativas – uma nova direcção ou um novo partido, “agora sim”, para corresponder aos sentimentos e anseios dos cidadãos.

“É tempo para construir, em conjunto, uma nova casa política que acolha os valores progressistas, os valores que nos unem”, diz Geórgios Papandreu como se o Syrisa não fosse claramente essa nova casa, com a vantagem de já acolher a confiança dos cidadãos, de já ter construído um espaço capaz de disputar com vantagem o próximo Governo da Grécia. Mas Papandreu, divergindo oficialmente do seu partido socialista, o Pasok, faz de conta que o Syrisa não existe!

Nas eleições parlamentares de Maio de 2012, o Pasok foi fortemente reprovado pelos eleitores, ficando-se por 12,28%, devido à sua política de alinhamento com a “troika” internacional e às violentas políticas anti-populares associadas. O Syrisa ascendeu então a uma posição inesperada e apresenta-se agora com fortes possibilidades de vencer as eleições de 25 de Janeiro.

O SYRISA (Coligação da Esquerda Radical), com uma ideologia anti-liberal e de ruptura com o sistema bi-partidário, não sendo um partido comunista, afigura-se para os partidos social-democratas como um seu equivalente nas circunstâncias actuais.

A questão é que, na Grécia, é o Syrisa que ameaça o sistema, e não o Partido Comunista Grego. Este foi reduzido a 4,5% nos resultados eleitorais de 2012, enquanto o Syrisa, com 26,89%, ficou a menos de 3% de distância do partido mais votado e tudo indica que ganhará as próximas eleições.


A estratégia dos partidos “Socialistas” para desviar as correntes revolucionárias, nomeadamente para filtrar a influência dos partidos comunistas nas “massas populares”, já vem de longe. Vem da fundação da II Internacional em 1889, posteriormente designada “Internacional Socialista”.

No contexto português em curso, o lançamento de António Costa para contrariar a tendência de crescimento do PCP já iniciada nas eleições europeias, é a expressão dessa estratégia do Partido Socialista. Por isso é tão bem tolerado pela direira.

António Costa e o PS estão no seu direito, entenda-se. Em democracia, todos os partidos e movimentos têm o direito de defender os seus programas e de se oporem politicamente aos outros. O que não têm é a mesma moral. Era disto que falava Álvaro Cunhal quando invocava “a superioridade moral dos comunistas” – moral de classe, entenda-se. E não cabe aqui apenas um juízo de valor, é sobretudo um juízo de facto sobre o apoio das bases do PS e sobre a própria vontade de A. Costa.

A foto inicial é uma montagem para este blogue.

2014/04/08

Coelho ao mar...

Quatro bombas termonucleares caíram em Palomares, localidade espanhola de Almeria, em Janeiro de 1966.

Uma delas caíu no mar, sendo localizada e recuperada 80 dias depois. Para “demonstrar” que “não provocara qualquer perigo” de contaminação para os utilizadores da praia frequentada por pescadores e turistas, o ministro de Franco, Manuel Fraga Iribarne, fez-se filmar a tomar banho naquelas águas.

Palomares tornou-se a localidade mais radioactiva de Espanha.
Em 1989, Marcelo Rebelo de Sousa fez-se filmar durante um mergulho no Tejo, no âmbito da inauguração da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcântara. Consta que se preveniu com uma boa vacinação… Era candidato a presidente da Câmara de Lisboa.

O banho não convenceu a população que deu a vitória a Jorge Sampaio.

Conclusão: já era tempo de Passos Coelho ir nadar no mar da pobreza, para nos provar as suas convicções.
Recortado em RTP

2014/04/06

Assim falava o governo

Por favor carregue sobre a imagem para ampliar

2014/03/10

Uma branda oposição

Quem defende a política de austeridade teve a sua oportunidade para o defender, aplicou-a como entendeu e falhou. O FMI teve o programa que quis, o governo foi além da troika, e isto não resultou.

A aplicação deste programa de austeridade desestabiliza o país e não cria as condições para o pagamento da dívida.


Com efeito, temos mais dívida, temos menos riqueza produzida e não há sustentabilidade do aumento das exportações. Temos menos salários pagos à população e temos mais desemprego – a população desempregada está em 20%.

Nós só teremos possibilidade de sair desta situação quando tivermos crescimento económico, e por este caminho não chegamos lá. O investimento está a 60% do valor de 1995.

Toda a gente ajustou mas não os grandes grupos económicos e o sector financeiro. Nestes o Governo não toca. Não toca nas comunicações, na banca, na EDP…

O cautelar e o concenso com o PS destinam-se à mesma coisa: garantir que a austeridade continua no próximo ciclo de três anos, agravando a dívida e o desemprego.


Estas são, em síntese, as ideias expressas no programa “Comissão Executiva” de 2014-03-09 do “Económico. tv”, com grande clareza,por Marco Capitão Ferreira (na foto), por estas palavras ou equivalentes. Uma voz a seguir.

Outra ideia "contra uma falácia muito em voga" é que nós não podemos aumentar as exportações, todos ao mesmo tempo!

Mas destaco uma frase particularmente oportuna :
“Nós somos um povo de brandos costumes mas escusávamos de ter uma branda oposição”.

2013/12/24

Desejos para 2014

Yoani Sanchez, famosa blogueira cubana e contestatária do regime, lançou uma pergunta vulgar no seu espaço twitter: o que deseja para o ano de 2014?

Das respostas que recebeu, destaco esta de Yusimi:
Deixar de trabalhar para qualquer xulo; trabalhar para mim mesma!”.

Mas também esta de Ailyn Castillo: “… um país a que possa regressar, não para visitá-lo por um mês, mas onde possa construir uma vida”.

E eu pergunto quantos portugueses não diriam o mesmo.


2013/11/05

Não há dinheiro (2)

(Na última semana de Outubro), a EDP apresentou lucros na ordem dos 800 milhões de euros. Curiosamente, nessa semana também, a EDP decidiu desencadear uma mega-operação de corte de electricidade a um sector de privilegiados que vive à grande e à francesa nos “luxuosos” bairros sociais de Lisboa e Porto.

E se aqui se usa de uma certa ironia, veja-se como, na idiossincrasia de João Miranda, se desenha uma vida faustosa das gentes de um desses bairros, no caso o do Lagarteiro, caracterizada por ele como gente que recebe – e coloca tudo ao molho para engrandecer ainda mais a coisa… – “uma data de pensões”. Aquilo é um fartote! É uma data de euros e de euros valentes! Aquilo é que é “mamar”!

João Miranda fala de “complemento solidário para idosos, subsídio social de desemprego, abono de família e pensão social de invalidez” como se estivesse a falar de mais-valias bolsistas, salários milionários de gestores, motoristas particulares, jactos privados, benesses e luxos que auferem e de que beneficiam certamente os Mexias desta louvada terra.

Texto de Ivo Rafael Silva, recortado em CINCO DIAS de 2013Nov02

E ainda... em comentários:

-”EDP pagou 3,1 milhões de euros em remunerações e prémios a António Mexia” .Só no ano de 2012. http://www.publico.pt/economia/noticia/edp-pagou-31-milhoes-de-euros-em-remuneracoes-e-premios-a-antonio-mexia-1590365
-”De acordo com o relatório da eléctrica, o montante global bruto das remunerações pagas aos membros dos órgãos de administração e fiscalização da EDP, no exercício de 2012, rondou os 18 milhões de euros.” http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=72464

2013/08/18

Incêndio numa chávena de café

Peço um café quase cheio. Ás vezes nem peço, de tal modo é habitual. Vejo o café a chegar ao balcão e a empregada das mesas a mandar encher um pouco mais. É o costume.

Tirar um café na máquina é-lhes tão frequente que se tornou um gesto automático. Daí que, quando o movimento é muito, nem reparam no “pormenor” do pedido: "quase cheio!".

Mais um centímetro de altura ou menos um, poderia ser esquisitice, extravagância, vontade de complicar, se me referisse a um jarro de água ou de vinho, a uma garrafa ou até a um copo, mas numa chávena de café “expresso” ou “simbalino” – para usar uma expressão regional - faz uma diferença “do carago” – para usar outra expressão local.

O que mais irrita é que não há qualquer justificação para que o pedido não seja correctamente atendido – o café gasto é na mesma quantidade e o preço também. Pior: voltar com a chávena à máquina para acrescentar o café que faltou, duplica o trabalho e o tempo dispendido pela trabalhadora. Além de que o resto acrescentado prejudica a qualidade do produto final.


Pessoal competente e com tempo para fazer bem feito é portanto uma receita para a qualidade do serviço e para a satisfação do cliente. É assim no café e na sapataria, no serviço de saúde, no ensino e no governo da nação. É assim na satisfação e no conforto das pessoas, na sua disposição e no contágio para a comunidade.

Mas o episódio, tantas vezes repetido, teve desta vez a minha reclamação e uma desculpa esfarrapada que era mais uma injustificada justificação. Mais irritado ainda, paguei o café e saí sem o tomar mas com um comentário: - Ofereço-lho!

O volume ou o tom ou a má impressão que a ocorrência poderia causar na clientela, levou à intervenção do gerente que admoestou a empregada de mesa que chutou para a colega que acusou o gerente da falta de pessoal, que não tardou a dispensar os seus serviços… Já nem vou projectar o que se terá passado em casa da rapariga quando fez constar o despedimento nas barbas do marido e dos dois filhos.

Para bom entendedor: quando o terreno e o clima são propícios, a mais pequena chama ateia um enorme incêndio pelo que o melhor será “limpar a mata” – e nem sai mais caro do que tê-la queimada.
 
(Fotos inéditas e originais)

2013/06/04

O grito português

... ouve-se longe



O meu título pretende invocar, como a foto parece fazer também, "O Grito" do pintor norueguês Edvard Munch. Infelismente, a foto não está assinada no jornal La Republica, da Colômbia.

2013/04/21

Porque hoje é domingo (37)

No evangelho de hoje (João 10, 27-30), Passos Coelho apresenta-se como o Pastor, aquele que cuida de nós, que cura nossas feridas financeiras, que nos ampara quando a austeridade parece impossível de suportar: “Não sejais piegas; vede como os passarinhos vivem felizes sem casa, sem carro, sem televisão, sem escola – voam, cantam e mijam sem nada exigirem do Governo”.

“Eu e o pai somos um” - é uma afirmativa de Jesus no evangelho deste domingo, que é como Vitor Gaspar a falar de Passos Coelho ou este a falar da Merkel ou a Merkel a falar dos especuladores financeiros.

E nós que somos o seu povo e o seu rebanho, deviamos louvar a sua coragem e a sua sabedoria, mas ao invés temos vergonha de dizer que o amamos, que votámos nele, que por ele sacrificaremos os nossos filhos e netos.

Em vez disso pensamos em David quando ainda pastor, que quando via o seu rebanho atacado pelo lobo, se atirava sobre ele e o estraçalhava com a força do seu braço e dos seus dentes. Não percebemos que os deuses escrevem direita por linhas tortas, isto é, combatem o desemprego, desempregando, e recuperam a economia, empobrecendo…

Como somos ingratos. Mereciamos que os nossos nomes fossem escarrapachados na internet em vez das matrículas dos automóveis dos clientes das prostitutas, como fazem as “esposas de Viseu”, para assumirmos de vez a nossa perfídia ou mudarmos finalmente de comportamento.

2012/07/13

História de um chapéu
quando perde a cabeça

Esta é a história de um chapéu que perdeu a cabeça. Não falo em sentido figurado, de perder o juízo; falo em perder a cabeça propriamente dita.

Trata-se de um chapéu que, pela estima que lhe tinha o dono ou pela forma como a cabeça se lhe ajustava, se afeiçoou àquele que o usava como eu só conheço na afeição dos apaixonados e dos cães.

Nisto do afecto escapou a obra ao criador, como tantas vezes acontece, porque quem faz chapéus não quer deles senão que tenham quem os compre e quem os pague, sendo-lhe estranho o valor afectivo.


Foi o que me fez pensar que há na mercadoria e no que se lhe compare, vida própria, e assim como um chapéu, uma cerejeira ou uma casa, podem ser muito mais do que coisas negociáveis ou “reestruturáveis”, dependendo da função que tiveram na vida dos seus usuários, assim uma praça, uma escola, um hospital, não podem ser entregues apenas ao arbítrio da Economia, mas também ao domínio da História e da Cultura, raízes, tronco e flores da nossa identidade, da nossa realidade e da nossa felicidade.

Este pode parecer um discurso conservador. Em algum sentido, talvez seja. Mas para que serve ao Homem um "progresso" que destrói o próprio Homem, convertendo-o em máquina, avaliando-o em bolsa? Sacrificar o domínio financeiro ao domínio humano, no contexto do caos a que nos trouxe o liberalismo económico, isso sim é indispensável ao progresso. Quem não entender isto nunca entenderá as convulsões sociais que se desenrolam fora das sedes do poder político-económico.

O chapéu é de palha – não vale nada na Bolsa. Mas não sossegará enquanto não voltar à cabeça que lhe deu uma alma. E quando se perde a cabeça, tudo pode acontecer.

A imagem reproduz o autoretrato de Van Gogh, «O Chapéu de Palha».

2012/07/12

Que IVA Espanha

Da esquerda (???) para a direita:
Victor Gaspar, Ministro das Finanças, e Passos Coelho, Primeiro-Ministro de Portugal.

2012/06/16

Diálogo improvável


...
HORAS MAIS TARDE
...


Nota: Carregar sobre as imagens para ampliá-las.

2012/05/20

Porque hoje é domingo (16)

Não é preciso que isto faça sentido. Tampouco sei se é crença ou é metáfora, mas isso que importa? Como alguém disse, «não devemos permitir que a verdade estrague uma boa história».
Ascensão de Cristo, de Domingos Sequeira
Hoje, 20 de Maio, a Igreja celebra a Festa da Ascensão, isto é, da subida de Jesus ao Céu.

Enfim, o que importa é que depois disto, Jesus Cristo só voltará um dia «para julgar os vivos e os mortos». Se demorar muito já não encontrará vivos os governantes da crise em curso, o que lhes poupará umas merecidas penitências dolorosas que, a ser Deus justo como se diz que é, passariam por ter que viver com ordenado mínimo, ter que pagar juros incomportáveis pela habitação, ter que experimentar o desemprego até à reforma ao nível mínimo… E não sendo isto por eles entendido como penitência mas sim austeridade, oportunidade, adequação à realidade, sofreriam ainda algumas torturas adicionais que apesar de tudo também são correntes nas condições de vida e de trabalho de muitos dos seus governados.

A encontrá-los mortos, o pior que lhes pode acontecer é que Deus os ressuscite para terem que viver no mundo que criaram. O problema é que, se Deus fosse justo, eles nunca teriam sido governantes. Depois, há que ter sempre em conta o que dizem as sagradas escrituras: que Jesus, tendo subido ao Céu, ficou sentado “à direita” de Deus. Isto sim, pode explicar muita coisa…

2012/01/29

AUSTERIDADE MATA

«Las cifras facilitadas por Gobierno (de Grecia) registran un incremento (dos suicídios) del 40% entre enero y mayo (de 2011) en relación al mismo período de 2010. Nadie duda de que la causa de este fenómeno sean las dolorosas medidas de austeridad presupuestaria.

Los griegos, individual y colectivamente, se sienten más pobres, más solos, más acobardados y más desvalidos que en ningún otro momento de su reciente historia.

(...) antes de ser golpeado por la crisis, Grecia tenía el porcentaje de suicidios más bajo de Europa, (...) ahora (tiene el porcentaje) más alto de Europa. » - em El Pais 2011Dez20.

Nada que afecte as contas públicas...

A perda de soberania formal que Merkel vem agora "propor", a rendição da Democracia em que já não seria o voto dos eleitores que julgaria o Governo, mas sim um comissário estrangeiro, esta nova versão da eliminação dos fracos pelos fortes, revela o grau de loucura que domina a política da União Europeia. Mas ainda ninguém quer reconhecer, na governança europeia. Quando é que já vimos isto?

2010/10/10

Deputados suecos, precisa-se!

Não sei em que medida o modelo sueco de desenvolvimento se aplicaria a Portugal, mas não tenho dúvida que há no Reino da Suécia uma cultura política que, por maioria de razão, devia ser exigida pelo povo português aos nossos políticos do arco da desgovernação.



Entretanto cheguei através de João Pereira Coutinho, no Correio da Manhã, a ESTA INFORMAÇÃO que me escapou no espaço noticioso certamente porque a irracionalidade se tornou vulgar.

Nota:
A Suécia é país-membro da União Europeia mas 55,9% da população votou pela rejeição do Euro num referendo em Setembro de 2003. Assim, a moeda do país continua a ser a coroa sueca.