29/05/2017

Miguel Urbano Rodrigues

Entrevista de Miguel Urbano Rodrigues em 2008

Se «há homens que lutam toda a vida» com carácter revolucionário em todos os sentidos, homens a quem Bertold Brecht chamou  de  «imprescindíveis»,  Miguel Urbano Rodrigues é um desses.

Eu costumava dizer entre amigos que ele era o herdeiro mais legítimo do título que por graça atribuíamos ao Mário Castrim enquanto este era vivo: "Sectário Geral do PCP". Polémico, pelo menos, era ele - eram eles. No caso do Miguel dei nota disso há vinte dias num post que publiquei AQUI.

Só há poucos anos descobri que um dos homens mais viajados que eu conhecia, um verdadeiro revolucionário internacionalista, estava a viver aqui mesmo em Vila Nova de Gaia, o que me proporcionou assistir a uma conferência sua e questioná-lo pessoalmente sobre a situação da Venezuela, sabido que ele conhecia a América Latina como rara gente conhecia - esteve no seio das FARC, por exemplo. Ao tempo da conferência, ressalve-se, a Venezuela era ainda presidida por Chavez.

Agora recebo a notícia de que o meu mítico vizinho acaba de falecer. Foi ontem. O funeral parte da Lapa, no Porto, hoje às 16 horas. 

1 comentário:

antónio m p disse...

Excerto de pcb.org.br (Partido Comunista Brasileiro):

Por sofrer as dores e as alegrias de todos os povos, além de português, Miguel era russo, cubano, grego, vietnamita, palestino, argelino, francês, haitiano, iugoslavo, colombiano e venezuelano, angolano e moçambicano. Mas ser brasileiro marcou muito nosso querido Miguel. Viveu entre nós quase vinte anos, durante o exílio que lhe impôs a ditadura fascista de Salazar. No Brasil, exerceu o jornalismo e militou no PCB. Logo após a Revolução dos Cravos (de 1974), voltou a Portugal para se reincorporar ao Partido Comunista Português e militar à frente de sua imprensa partidária.