05/04/2018

Hoje sou brasileiro

Todos os cinco (juizes que apreciaram o caso de Lula da Silva no Brasil) tinham fundadas razões jurídicas para votar a favor do Habeas Corpus, até porque estas existem em tanta abundância que Celso de Mello, Gilmar Mendes e Marco Aurelio Mello, em nada simpáticos a Lula ou ao PT, as encontraram.

Mas eles fizeram questão de não ver, com seus olhos rútilos na possibilidade de serem lacaios do poder e do golpismo.

Weber, até, disposta a promover uma cena dantesca: diz ser fiel a seus princípios, mas abre mão deles para seguir “a maioria” que não seria maioria se ela não aderisse à minoria.

Traidores do povo brasileiro, traidores dos que os conduziram ao Supremo, traidores de si mesmos.

Pobre povo brasileiro.


O texto acima é um excerto de uma crónica do jornal brasileiro DCM

Deste excerto eu discordo da conclusão, embora compreenda o sentimento. É que não podemos medir a força e a riqueza de um povo como aquele, de tanta gente excepcional em todos os aspectos, por incidentes históricos como este. Pobre povo brasileiro, sim, se não souber reagir à altura. Mas parece claro que as dores de hoje são dores de parto de um país novo e forte que está para vir.

Sim, é possível que Lula da Silva seja sacrificado neste processo. Mas, como se cantava em Portugal nos tempos mais negros, POR CADA FLOR ESTRANGULADA HÁ MILHÕES DE SEMENTES A FLORIR.

2 comentários:

antónio m p disse...

“O que está em jogo é esse preconceito contra o pobre e as classes populares que Lula representa. Não tem nada a ver com corrupção”, diz o sociólogo Jessé Souza, autor do livro A Elite do Atraso – da escravidão à Lava Jato. Para ele, a condenação do ex-presidente busca impedir que a base da pirâmide social tenha seus interesses representados. Por trás do processo contra o petista, Jessé aponta uma elite financeira sem compromisso com o país e que quer lucrar a todo custo.

Jessé alertou sobre as consequências que a prisão poderá ter para o país. “Não sei se as pessoas imaginam que isso vá ficar desse modo, sem consequências. Não estou pensando só numa possibilidade de revolta popular, porque as condições são muito difíceis, mas o que digo é de uma violência, de uma sociedade extremamente cindida”, previu.

Por seu lado, professor de ciência política da Unicamp, Armando Boito, citou que, apesar das posturas que Moro adota, “ninguém ousa desafiá-lo”. “Ele tem muita força. Tem o apoio ativo do capital internacional, por intermédio do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Tem o apoio militante e massivo da camada mais abastada da classe média brasileira, que, quando chamada, sai às ruas em sua defesa”, indicou.

Entretanto, o ministro Gilmar Mendes declarou que delegados, promotores e juízes de primeira instância formam uma casta e decidem como querem e por conta própria.

antónio m p disse...

Este domingo, 8 de Abril, esperavam-se em Curitiba dezenas de autocarros com apoiantes a Lula da Silva, sobretudo do Movimento dos Sem Terra e da Central Única dos Trabalhadores. Esperam o dia em que Marco Aurélio Mello, magistrado do Supremo Tribunal, pedirá à máxima instância que decida se condenados em segunda instância com recursos ainda em aberto podem ser presos, como aconteceu com Lula e como a Constituição brasileira parece rejeitar. Pode não haver decisão nesse dia, ou mesmo debate, mas, a votar-se, é concebível que o mesmo tribunal que na semana passada rejeitou o habeas corpus do ex-presidente em liberdade decida que Lula – e todos os que estão na sua situação – podem sair em liberdade.
(Notícia em https://sol.sapo.pt/artigo/607333)