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2019/08/25

Bolsonaro e o fogo

Quando Jair Bolsonaro se tornou Presidente do Brasil, muitos como eu recearam que isso se tornasse num inferno para o país irmão, mas ninguém terá imaginado que a confirmação  fosse tão literal...




2019/06/21

A Justiça e as novas tecnologias

As escutas ilegais de comunicações que revelam a prática de crimes podem ser usadas como prova em tribunal?

Esta é uma questão nova, para a Justiça. De Assange a Snowden, de Rui Pinto a Sérgio Moro, a Justiça confronta-se com uma realidade nova para os seus juízos, trazida pelas novas tecnologias. Para já, são mais as dúvidas do que as certezas. Se a polémica tende a ser resolvida de forma diferente conforme o quadro jurídico de cada país, ela tende a ser manipulada, por outro lado,  em função dos interesses dos acusadores e dos acusados.

Os argumentos abrangem a questão da autenticidade das mensagens, da legitimidade do seu uso e da extensão dessa eventual legitimidade: para a defesa, para a acusação ou para ambas?

É neste contexto que ocorre a revelação de escutas telefónicas que comprometem o juiz brasileiro que mandou Lula da Silva para a prisão e fez, desse juiz, ministro de Jair Bolsonaro. Os juristas debatem formalmente o assunto à sua maneira. Os contentores políticos e seus apoiantes debatem à sua.

Entretanto rebenta mais um escândalo por via tecnológica na Venezuela:
a equipa de Juan Guaidó, auto denominado “presidente interino” é suspeita do desvio de recursos destinados a ajuda humanitária e do pagamento de hotéis de ex-militares desertores da Força Armada Nacional Bolivariana. 

O escândalo foi revelado em 15 de Junho pelo site espanhol PanAm Post e vem citado em “O Lado Oculto”




2019/06/09

Brasil resiste

Luta cresce no Brasil a caminho da greve geral

Perto de dois milhões de pessoas saíram às ruas de mais de 200 cidades do Brasil, a 30 de Maio, em protesto contra os cortes na Educação e a reforma da Segurança Social.
Dia 14 há greve geral.

Em Portugal ninguém fala disto! Com a ida de Jorge Jesus para lá, não sobra espaço noticioso, claro. Ainda se fosse na Venezuela... 

Encontrei AQUI 

2018/11/02

Oxalá Brasil

O deputado Bolsonaro exaltou com orgulho a memória do coronel Ustra, a quem chamou de o “pavor de Dilma Rousseff”. O voto de Jair Bolsonaro causou indignação não só aos que eram contra o impeachment.

Isto aconteceu no 316º voto. Um dos deputados, Jair Bolsonaro, homenageou abertamente o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército brasileiro, responsável por dirigir o DOI-CODI, órgão subordinado ao Exército e responsável pelo aparelho de repressão durante os anos de ditadura militar.

Com esta posição, Bolsonaro abriu espaço a uma parcela da população brasileira que apoia ou tolera os crimes cometidos pelo Estado durante a ditadura militar que durou de 1964 a 1985.

"No engodo de proteger o Brasil da ameaça comunista, instalou-se uma ditadura, que para manter os princípios da caserna ortodoxa, calou, torturou e matou sem o menor constrangimento, centenas de brasileiros.
(citação)

Oxalá que a História não venha a registar que "No engodo de proteger o Brasil da corrupção"...

2018/04/05

Hoje sou brasileiro

Todos os cinco (juizes que apreciaram o caso de Lula da Silva no Brasil) tinham fundadas razões jurídicas para votar a favor do Habeas Corpus, até porque estas existem em tanta abundância que Celso de Mello, Gilmar Mendes e Marco Aurelio Mello, em nada simpáticos a Lula ou ao PT, as encontraram.

Mas eles fizeram questão de não ver, com seus olhos rútilos na possibilidade de serem lacaios do poder e do golpismo.

Weber, até, disposta a promover uma cena dantesca: diz ser fiel a seus princípios, mas abre mão deles para seguir “a maioria” que não seria maioria se ela não aderisse à minoria.

Traidores do povo brasileiro, traidores dos que os conduziram ao Supremo, traidores de si mesmos.

Pobre povo brasileiro.


O texto acima é um excerto de uma crónica do jornal brasileiro DCM

Deste excerto eu discordo da conclusão, embora compreenda o sentimento. É que não podemos medir a força e a riqueza de um povo como aquele, de tanta gente excepcional em todos os aspectos, por incidentes históricos como este. Pobre povo brasileiro, sim, se não souber reagir à altura. Mas parece claro que as dores de hoje são dores de parto de um país novo e forte que está para vir.

Sim, é possível que Lula da Silva seja sacrificado neste processo. Mas, como se cantava em Portugal nos tempos mais negros, POR CADA FLOR ESTRANGULADA HÁ MILHÕES DE SEMENTES A FLORIR.

2016/08/31

Cadê os votos do povo?

(Clique na imagem para ampliar)

2016/06/14

Fora Temer

É uma versão muito livre e muito a propósito da actualidade brasileira, da imortal "O Fortuna" (Carmina Burana). Aconteceu!

2016/05/14

O que querem os brasileiros?

Mais serviços públicos e com melhor qualidade, nomeadamente em matérias de saúde, educação e segurança pública. Este é o desafio declarado de Michel Temer.

A confiança e a unidade do povo brasileiro, que ele elegeu como objectivos no seu primeiro discurso como presidente (não eleito), não significarão nada se o seu governo ilegítimo não mostrar avanços nestes domínios, e será bom ter presente que os governos (eleitos) de Lula e de Dilma deram passos gigantescos nesse sentido sem que isso impedisse a destituição desta.

Dir-se-ia que é tudo uma questão de “conjugação de forças”… mediáticas.

Tanto quanto alguns a imaginam, a agenda política de Temer que lidera um governo provisório, carece de uma revisão da Constituição, o que exige a adesão de 3/5 dos deputados, o que não seria de estranhar que conseguisse, tendo em conta os dois terços conseguidos na assembleia parlamentar. Mas daqui a seis meses virá o tempo de confirmar se o número de conspiradores se mantém. É a prova da viabilidade do seu projecto.

Dilma chama 
"farsa jurídica" ao processo da sua destituição: “Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes”.A oposição acusa-a de violação da lei fiscal com implicações graves na economia. O certo é que o Supremo Tribunal Federal validou o processo de impeachment . Mas o que conta, para efeitos políticos, é o que vai acontecer agora, com este “governo de facto”… e de fato. 

Mesmo aqueles brasileiros que não dão muita importância à seriedade dos novos governantes ou à falta dela, como parece, irão dar importância à distribuição da riqueza, aos impostos, ao emprego, à segurança social, à qualidade da saúde, do ensino, dos transportes…

E não há campanha mediática que chegue para anestesiar uma população que se confronta com a realidade.

2016/04/30

América Latina ameaçada

O processo democratizador progressista que viveu nos últimos anos a América Latina, lá onde confluiram regimes populares por via eleitoral, tornou-se insuportável para os sócios da NATO residentes nos Estados Unidos da América e na União Europeia.

O entendimento dos países da região sobre o direito à própria soberania, sobre o direito autónomo dos povos a decidirem dos seus próprios destinos, era demasiado democrático para os seus interesses.

O crescimento de uma corrente progressista particularmente dinamizada por Hugo Chavez, da Venezuela, e em que participavam Rafael Correa, do Equador, Evo Morales, da Bolívia, Pepe Mujica, do Uruguai, Cristina Kirchner, da Venezuela Raul Castro, de Cuba, ou Lula da Silva, do Brasil, era demasiado assustador para as ambições hegemónicas das potencias ocidentais dominantes e seus aliados submissos.

É por isso, além de mais, que a coligação imperial manda Obama dar o beijo de Judas a Raul Castro, alimenta a desestabilização política e económica na Venezuela, envenena o ambiente na Argentina, e conspira contra Dilma. Não distingue entre regimes democráticos e regimes autoritários mas sim entre regimes submissos, os bons, e regimes soberanos, os maus.

É neste contexto que ocorre a crise na Venezuela de Nicolás Maduro. Uma crise que nasce da guerra económica – armazenamento e desvio clandestino de produtos para desabastecimento do mercado –, sabotagens, contestação violenta (guarimbas), acusações caluniosas e desqualificação dos governantes.

Na Venezuela como no Brasil, o que menos lhes importa é quem ganha as eleições e quais os benefícios sociais distribuídos pela população; o que interessa é que o regime seja servil às conveniências estratégicas, económicas e ideológicas das potências coloniais do novo mundo – este! Nem que seja preciso reeditar um Pinochet, criados os pretextos e recuperadas que vão sendo as condições para isso.

Entretanto, a terra continua a girar, fazendo andar os dias e os anos que estão cada vez menos de feição para aventuras imperialistas. Assim o sol ilumine os povos.

2016/04/22

Brasil no dia seguinte

Se a propaganda da Direita não encontrasse eco na desilusão e revolta de importantes camadas da sociedade brasileira, não teria força nem coragem para levar a cabo o golpe antidemocrático e reaccionário que está em curso.

Já não falo da lama dos processos judiciais como “o mensalão” ou o “lava jato” que salpicaram ou sepultaram dirigentes do PT e dirigentes sindicais, além de membros dos partidos que apoiavam os governos de Lula e de Dilma.

Falo daquilo que é determinante na avaliação popular das políticas e dos políticos, como o emprego e a qualidade dos serviços prestados à população, seja no domínio da saúde ou dos transportes, da habitação ou da segurança.

A população não analisa gráficos económicos, analisa as favelas e o saneamento, as filas de espera e a violência nas ruas. E não compara a situação geral do país com a situação do passado, mas compara o que tem, com aquilo que precisa e em que acreditou.

Por mais milhões de empregos que tenham sido criados, sobram sempre críticas quanto à qualidade e garantias de estabilidade, além de serem sempre menos que os necessários e esperados. Se foram levados à prática programas sociais tão importantes como o Bolsa Família e Fome Zero , as exigências da população, confrontada com a dimensão da corrupção e das carências de um país com duzentos milhões de habitantes, oferecem sempre pretextos à oposição política.

Aqui chegados, a questão é saber se a nova resposta virá de uma direita reaccionária golpista e truculenta, de uma extrema-esquerda populista ou do governo de Dilma Rousseff, mais limpo e mais comprometido com as camadas carenciadas da população.

2016/04/20

Talvez Dilma

Os deputados desordeiros da direita golpista no Brasil vieram confirmar a tese marxista de que a classe trabalhadora, os desfavorecidos sociais, não podem chegar ao Poder pela via pacífica porque sempre encontrarão a reacção violenta da Direita.

O governo de Lula significou um recuo estratégico da Direita, numa conjuntura em que convinha à própria classe dominante uma distensão relativa, para que “a corda” não quebrasse, para evitar, enfim, a justiça popular. Uma estratégia que encontrou cumplicidades, porventura estratégicas também, do outro lado do conflito. Era a guerra fria interna do Brasil.

A estratégia de Lula para ocupar o Poder, incluiu cedências tais como a entrega de ministérios inteiros às forças conservadoras, a nomeação de um banqueiro neoliberal para o Ministério das Finanças, a nomeação de uma latifundiária para o Ministério da Agricultura, o congelamento da Reforma Agrária…

As negociações com parlamentares corruptos, em troca de apoio político só resultam, porém, enquanto e na medida em que elas favoreçam as políticas e as práticas corruptas desses deputados.

Garantidas que estão as contradições entre estes e os interesses das populações, tais cumplicidades entre forças progressistas e forças conservadoras ou reaccionárias acabam numa ofensiva destas para depor o poder que as constrange. Nestas circunstâncias, a crise de poder que se instaura, encontra as supostas forças progressistas sem credibilidade para mobilizar o Povo a seu favor. Estão criadas as condições para o golpe.

Os discursos de Dilma Roussef, por mais justos e assertivos que sejam, ainda vão a tempo de evitá-lo? E bastarão? Resistirá o PT a tão grande desgaste de confiança? E se assim não for, haverá alguém ou alguma organização com força moral e capacidade política para recuperar o ímpeto popular de que beneficiou inicialmente Lula da Silva?

Se a contestação social não for equivalente à contestação política, Dilma Rousseff poderá mesmo ser a alternativa a Dilma Rousseff! Com uma nova estratégia, mais arrojada, mais radical e não menos. E sem a sombra de Lula, talvez. Talvez.

2016/04/19

Nem Ordem nem Progresso

Foi uma assembleia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha.

O que se passou ontem, 17 de Abril, no Congresso do Brasil, foi de uma falta de dignidade que ultrapassa tudo o que é expectável.

Dilma Roussef não está incriminada em nada; é a destituição de uma presidente, sem qualquer base jurídica nem constitucional para tal. É de arrepiar!

Nada disto vai resolver a situação brasileira, nem sequer a questão económica. Vai apenas deixar os brasileiros completamente divididos; a Economia vai paralizar, não sei como o governo vai funcionar e, olhando para o passado, as  coisas estão maduras para um golpe militar.

Excertos do feliz comentário de Miguel Sousa Tavares na SIC/Jornal da Noite de 2016-04-18.

2015/08/17

Quem está contra Dilma

A corte conspira. Multiplicam-se os cartazes com apelos à intervenção militar. Dilma não está envolvida nos escândalos que tanto enervam a Oposição e a imprensa brasileira mas, dizem, "se não foi ela, foi gente do seu partido". 

Por esta lógica, onde já estariam Passos Coelho e Cavaco Silva? E o novo rei de Espanha, Filipe VI? E o Papa Francisco?...

De resto, nas manifestações que a campanha mediática do Brasil (e Portugal!) desenvolvem contra Dilma, não se vê nem se ouve a população que saíu da miséria e do analfabetismo por obra do PT - são mais banhistas e gente bem trajada e bem-falante.

Finalmente, de que é acusada, a presidente eleita do Brasil??? De ser de esquerda, confessem! Atrás das tropas de choque, já começam a mostrar-se os generais dos insurrectos.

"Venho como cidadão indignado com a corrupção, com a mentira, com a incompetência desse governo, que vem fazendo tão mal aos brasileiros", disse o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (na foto, à esqª), derrotado por Dilma na eleição presidencial do ano passado. Como alguém comentava, o PSDB de Aécio já está a jogar para as eleições de 2018.

Nota final:
No mesmo dia 16 em que decorriam manifestações contra o governo de Dilma, decorria uma manifestação a favor do Governo e do PT, promovida pelo Sindicato dos Metalúrgicos e pela CUT (Central Única dos Trabalhadores). Dela não há notícia em Portugal.

2015/03/17

Brasil na mira (1)

Nos últimos dias, multidões de brasileiros participaram em manifestações em várias cidades do Brasil. Muitos milhares em defesa da presidente Dilma Rousseff e muitos milhares críticando o governo.

Procuro os argumentos anti-Dilma, e o que encontro?

Num carro de som, fazem-se críticas à condução do PT no governo, pede-se o afastamento da presidenta Dilma Rousseff e o fim da corrupção. Nos cartazes"Socialismo dura até que acabe o dinheiro dos outros" , "A nossa bandeira jamais será vermelha", "S.O.S. Forças Armadas" , "Intervenção militar já".

Procuro os organizadores das manifestações contra o Governo e o que encontro?

Uns tantos “movimentos” sem organização nem representação significativa e sem programa ou argumentário reconhecível, que se exprimem através do Facebook. Entre eles, porventura os mais intervenientes, o movimento “Vem pra Rua”, o O grupo “Revoltados On Line” e o Movimento Brasil Livre (MBL)”.

O movimento “Vem pra Rua” foi constituído em setembro de 2014, durante as eleições, tendo apoiado o candidato derrotado Aércio Neves e está identificado com o mundo empresarial e financeiro. Na convocatória para uma manifestação, lia-se este “forte” argumento: "Motivos para o dia 15/03 não faltam. Seja qual for o seu, vem pra rua”.

O grupo “Revoltados On Line” conta com a coordenação de cerca de 20 pessoas e foi formado pelas redes sociais. Dizem-se contrários à corrupção e pedem o “impeachment” (cessação de mandato) de Dilma Rousseff. O seu fundador afirmou: “Dilma Rousseff odeia o Brasil, é uma terrorista que infelizmente está no poder nesse país”. Já foram defensores de um golpe militar, mas retiraram esta reivindicação, assim como referências religiosas, por razões táticas.

O “Movimento Brasil Livre (MBL)”, com maior dimensão, é formado por liberais e conservadores, e defende a privatização de serviços básicos como a educação e a saúde e a diminuição da intervenção do Estado na sociedade. Está directa ou indirectamente associado a interesses de grandes grupos empresariais brasileiros e meios de comunicação e associado a outros think thanks internacionais.

Em todo o caso, as expressivas manifestações recentemente realizadas, revelam mais do que estes movimentos “apartidários” representam. Independentemente destas movimentações mais ou menos dispersas e corpusculares, e porventura de movimentações altamente organizadas a nível nacional e internacional, apostadas na desestabilização política do Brasil e da região, os protestos encontram em largas camadas da população brasileira, sentimentos de descontentamento que importa compreender. 

A isso iremos noutra oportunidade.

Brasil na mira



Se este recorte da imprensa é plágio, a foto em si é plágio da t-shirt, ou não?!

2014/10/10

Brasil já escolheu

No “campeonato nacional” das presidenciais, do passado domingo, o Brasil escolheu: Dilma Rousseff ganhou as eleições com 41,59% enquanto Aécio Neves teve 33,55% e Marina Silva teve 21,32%. Dilma recebeu mais oito milhões de votos do que o segundo classificado.
Mas…


Mas Dilma não é da família política do PS nem do PSD, como são Marina e Aécio, respectivamente. 
Logo…

Logo, as notícias em Portugal não são a vitória de Dilma Rousseff mas sim…

QUE Dilma Rousseff, do PT, conseguiu a vitória, mas não os votos suficientes para evitar uma 2ª volta.
QUE Aécio Neves vence primeira volta… em Portugal.
QUE Aécio e Dilma decidem presidência do Brasil na segunda volta

Agora, a notícia é que o Partido Socialista brasileiro vai apoiar o social-democrata Aécio Neves na segunda volta das eleições presidenciais, a 26 de Outubro, para impedir a reeleição de Dilma Rousseff.

E a (minha) previsão é que os órgãos de Informação em Portugal já afiaram as unhas para arranhar o  Partido dos Trabalhadores. Mais certa do que a previsão da Datafolha!

O Instituto Datafolha, um dos principais centros de sondagens e estudos do país, divulgava em 10 de Setembro a sua sondagem, em que Dilma Rousseff surgia com 36% dos votos, seguida de Marina Silva com 33% e do social-democrata Aecio Neves com 15%.

Quanto à segunda volta, Datafolha já está a fazer o seu trabalho...


Nota: A primeira volta das eleições gerais brasileiras de 2014, realizadas no dia 5 de outubro destinaram-se a escolher não só o presidente da República, mas também os vinte e sete governadores das unidades federativas, um terço dos membros do Senado Federal, a totalidade dos membros da Câmara dos Deputados e os representantes dos poderes legislativos estaduais.

2014/05/29

Campeonato político no Brasil

Muito se tem dito sobre o risco de o Brasil não estar preparado a tempo para a fase final do Campeonato do Mundo de Futebol que está previsto decorrer em doze cidades, no próximo Verão. A confirmar-se este vaticínio, seria um desastre para o prestígio do país e uma tragédia para o seu governo.

Face às manifestações contra o evento, em nome de investir na eliminação da pobreza os custos associados à realização do campeonato, há que distinguir as reacções violentas com objectivos políticos, de outras, pacíficas e genuinamente sociais.


Por outro lado, há duas questões que não podem deixar de colocar-se:
1ª) Esses custos são ou não compensados em promoção de emprego e retorno económico?
2ª) Como reagiriam os cidadãos brasileiros se o Governo tivesse recusado a realização do evento no Brasil, fosse em nome do que fosse?

Relevam destes acontecimentos dois fenómenos: o grau de consciência cívica e de capacidade criativa dos cidadãos envolvidos na contestação pacífica, por um lado, e o carácter democrático exemplar da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

“Sou a presidenta de todos os brasileiros, dos que se manifestam e dos que não se manifestam” – disse Dilma, há um ano, no contexto daquelas manifestações.

Há quanto tempo não temos nós um chefe de governo a dizer “É a cidadania, e não o poder económico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar”? Há quanto tempo não temos nós um presidente assim – dos portugueses que consentem e dos portugueses que protestam?

ADENDA

Em relação à Copa, quero esclarecer que o dinheiro do governo federal, gasto com as arenas é fruto de financiamento que será devidamente pago pelas empresas e os governos que estão explorando estes estádios. Jamais permitiria que esses recursos saíssem do orçamento público federal, prejudicando setores prioritários como a Saúde e a Educação.
Na realidade, nós ampliamos bastante os gastos com Saúde e Educação, e vamos ampliar cada vez mais. Confio que o Congresso Nacional aprovará o projeto que apresentei para que todos os royalties (proveitos para o Estado) do petróleo, sejam gastos exclusivamente com a Educação.
(Dilma Rousseff, 2013-Jun-21)

2013/06/29

Como as ideias mudam

Todas as lutas populares são más...
até se tornarem vitoriosas.

Recomendo o visionamento até à entrada da publicidade
(cerca dos 8 min.s).


2013/06/21

Brasil "de saco cheio"

Dois cêntimos de aumento no bilhete de autocarro foi a gota de água que fez transbordar o copo, no Brasil. Nas manifestações como nas greves e até nas guerras, é sempre uma gota de água…

Ignorar toda a outra água que antes se foi acumulando até chegar ao topo, ignorar o descontentamento e a revolta que se acumula pacificamente até “encher o saco” e transbordar,seria um suicídio político. Aquela acumulação explica que os protestos continuem depois de o Governo ter correspondido prontamente à exigência inicial.

«Os protestos já se deslocaram e estão mirando os gastos irresponsáveis, criminosos e eleitoreiros, feitos nesta orgia de gastos, propinas e superfaturamentos das obras e dos estádios da Copa. São bilhões de dólares roubados à saúde e à educação do povo brasileiro» - desabafava um cidadão.

A população que assistiu nos últimos dez anos à consolidação de um governo democrático e popular, e ao desenvolvimento extraordinário do país, sob a direcção do presidente Lula e da presidente Dilma, exige agora que esse progresso seja posto ao seu serviço de forma satisfatória, nomeadamente através das prestações de saúde, da educação e dos transportes.

Ainda que os governos de Lula e Dilma tenham tirado milhões de pessoas da pobreza, a classe média exige um nível de vida compatível com o estatuto mundial que o país alcançou, e as classes mais desfavorecidas reclamam contra as desigualdades.

Pode ser genuína a compreensão manifestada por Dilma Rousseff e a adesão aos protestos do próprio PT, mas Dilma é a presidente e o PT é o partido que está no poder, logo o que lhes compete é apresentar iniciativas políticas para fazer face aos problemas denunciados. E se estes não aparecem sistematizados porque o movimento de protesto é anárquico, não há-de ser difícil a quem governa, identificá-los – pior seria!

A dignidade com que o Governo tem lidado com esta explosão social, e o cuidado com que a generalidade dos manifestantes reprova e evita os grupos provocatórios violentos, alimenta a esperança de que esta seja uma “boa onda” para refrescar o Brasil e não para afogá-lo como desejariam alguns sectores extremistas infiltrados.

Creio que vai no bom sentido a declaração oficial do Partido dos Trabalhadores quando "conclama a militância a continuar presente e atuante nas manifestações lado a lado com outros partidos e movimentos do campo democrático e popular", e diz que a presença de filiados do PT, com "nossas cores e bandeiras neste e em todos os movimentos sociais, tem sido um fator positivo não só para o fortalecimento, mas, inclusive, para impedir que a mídia conservadora e a direita possam influenciar, com suas pautas, as manifestações legítimas".