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2017/06/13
Do alojamento local
e do capital
Julgava eu que a “economia de mercado”, a livre concorrência”, era o modo de funcionamento defendido pelos investidores e gestores no sistema capitalista. E que este sistema oferecia a melhor garantia de desenvolvimento económico, permitindo a selecção dos mais capazes e o critério justo de fixação dos preços.
Até que ouço um representante qualificado do sistema, a rebelar-se contra o recrudescimento do alojamento local, isto é, da oferta paralela à hotelaria tradicional por causa… da concorrência que aquele faz aos hotéis tradicionais.
“Tem que haver uma estratégia coordenada entre os empresários da hotelaria para aumentar os preços” – diz ele. E compara os preços nos nossos hotéis com os preços de Paris ou Londres!
Definitivamente eu não devia esquecer-me das teorias de Karl Marx, nomeadamente quanto à formação dos preços… Mas o velho sábio escreveu tanta porra que eu prefiro ver o senhor Carlos Leal discorrer, de forma resumida e até simpática, como funciona… o capitalismo real.
NOTAS
Carlos Leal é gestor de empresas e administrador do grupo IFA Hotéis & Resorts consórcio e parceiro de investimento, líder mundial no desenvolvimento de empreendimentos hoteleiros e residenciais, com operações que se estendem pelo Médio Oriente, Europa, África, América do Norte e Oceano Índico. As suas declarações foram prestadas em entrevista programa “Tudo é Economia” que é emitido na RTP3 às Segundas-feiras, pelas 23 horas.
Nada me move contra Carlos Leal que aqui é citado apenas como pretexto para tratar o sofisma do liberalismo económico. Menos ainda me move contra o programa de televisão referido e que até recomendo.
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Liberalismo
2010/11/14
Assim falava... Karl Marx
(sobre economia)
Recupero este post que havia publicado em Maio, por razões de crescente actualidade.
Anoto apenas, já que o não fiz na altura, que onde se diz burguês ou burguesia deve ler-se aquele ou aquela classe que detém o poder económico. A razão do termo usado é o contexto histórico em que o texto foi escrito. As imagens e apenas as imagens são actuais. O texto é integralmente de 1848... Embora não pareça!
«A burguesia despiu da sua aparência sagrada todas as actividades até aqui veneráveis e consideradas com pia reverência. Transformou o médico, o jurista, o padre, o poeta, o homem de ciência em trabalhadores assalariados pagos por ela. A burguesia arrancou à relação familiar o seu comovente véu sentimental e reduziu-a a uma pura relação de dinheiro».

«A necessidade de um escoamento sempre mais extenso para os seus produtos persegue a burguesia por todo o globo terrestre. Tem de se implantar em toda a parte, instalar-se em toda a parte, estabelecer contactos em toda a parte».
«A burguesia, pela sua exploração do mercado mundial, configurou de um modo cosmopolita a produção e o consumo de todos os países. (...) As antiquíssimas indústrias nacionais foram aniquiladas, e são ainda diariamente aniquiladas. São desalojadas por novas indústrias cuja introdução se torna uma questão vital para todas as nações civilizadas, por indústrias que já não laboram matérias-primas nativas, mas matérias-primas oriundas das zonas mais afastadas, e cujos fabricos são consumidos não só no próprio país como simultaneamente em todas as partes do mundo».
«Para o lugar das velhas necessidades, satisfeitas por artigos do país, entram [necessidades] novas que exigem para a sua satisfação os produtos dos países e dos climas mais longínquos».
«Para o lugar da velha auto-suficiência e do velho isolamento locais e nacionais, entram um intercâmbio omnilateral, uma dependência das nações umas das outras.
(...) A burguesia, pelo rápido melhoramento de todos os instrumentos de produção, pelas comunicações infinitamente facilitadas, arrasta todas as nações, mesmo as mais bárbaras, para a civilização. Os preços baratos das suas mercadorias são a artilharia pesada com que deita por terra todas as muralhas da China, com que força à capitulação o mais obstinado ódio dos bárbaros ao estrangeiro».
«Compele todas as nações a apropriarem o modo de produção da burguesia, se não quiserem arruinar-se; compele-as a introduzirem no seu seio a chamada civilização, i. é, a tornarem-se burguesas».
Excertos do Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels.
Anoto apenas, já que o não fiz na altura, que onde se diz burguês ou burguesia deve ler-se aquele ou aquela classe que detém o poder económico. A razão do termo usado é o contexto histórico em que o texto foi escrito. As imagens e apenas as imagens são actuais. O texto é integralmente de 1848... Embora não pareça!
«A burguesia despiu da sua aparência sagrada todas as actividades até aqui veneráveis e consideradas com pia reverência. Transformou o médico, o jurista, o padre, o poeta, o homem de ciência em trabalhadores assalariados pagos por ela. A burguesia arrancou à relação familiar o seu comovente véu sentimental e reduziu-a a uma pura relação de dinheiro».

«A necessidade de um escoamento sempre mais extenso para os seus produtos persegue a burguesia por todo o globo terrestre. Tem de se implantar em toda a parte, instalar-se em toda a parte, estabelecer contactos em toda a parte».
«A burguesia, pela sua exploração do mercado mundial, configurou de um modo cosmopolita a produção e o consumo de todos os países. (...) As antiquíssimas indústrias nacionais foram aniquiladas, e são ainda diariamente aniquiladas. São desalojadas por novas indústrias cuja introdução se torna uma questão vital para todas as nações civilizadas, por indústrias que já não laboram matérias-primas nativas, mas matérias-primas oriundas das zonas mais afastadas, e cujos fabricos são consumidos não só no próprio país como simultaneamente em todas as partes do mundo».
«Para o lugar das velhas necessidades, satisfeitas por artigos do país, entram [necessidades] novas que exigem para a sua satisfação os produtos dos países e dos climas mais longínquos». «Para o lugar da velha auto-suficiência e do velho isolamento locais e nacionais, entram um intercâmbio omnilateral, uma dependência das nações umas das outras.
(...) A burguesia, pelo rápido melhoramento de todos os instrumentos de produção, pelas comunicações infinitamente facilitadas, arrasta todas as nações, mesmo as mais bárbaras, para a civilização. Os preços baratos das suas mercadorias são a artilharia pesada com que deita por terra todas as muralhas da China, com que força à capitulação o mais obstinado ódio dos bárbaros ao estrangeiro».
Excertos do Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels.
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