Plano
Governante abre um concurso (para a construção de uma ponte, p.e.).
Construtora oferece “boas condições” para ganhar o concurso.
Banqueiro oferece “boas condições” para financiar a Construtora.
Execução
Banqueiro vende um produto a Construtora, por 10MM
Construtora vende o mesmo produto a Deputado*, por 15 MM
Deputado vende o mesmo produto a cúmplice(s) políticos(s), por 20MM
Este(s) vende(m) o mesmo produto ao Banqueiro, por 25 MM
Conclusão
Construtora, Deputado e Cúmplices ganham 5 MM cada um (corrupção legal)
Banqueiro “perde” 15 MM (25-10) para ir buscar muito mais através do empréstimo para financiamento do projecto!
Nota
O projecto, necessário ou discutível, tanto pode nascer na cabeça do governante (exemplo dado) como pode ser-lhe “sugerido” por algum dos intervenientes acima referidos.
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2020/07/18
2019/09/28
Ecologia e socialismo
Tem razão a CDU quando diz que “o capitalismo não é verde”. Os acontecimentos actuais na Amazónia, p.e., o demonstram. Mas isso significa o quê? Que o socialismo é verde?
O país mais poluidor do mundo é a China... comunista. E a União
Soviética não foi um exemplo mais feliz. E o que dizer da tragédia de Chernobil,
na União Soviética? Foi mais verde do que o acidente nuclear de Fukushima, no
Japão? Não, não é por aí.
Um socialismo utópico talvez seja verde mas disso sabemos tanto
como da cor dos marcianos. E afinal o que seria um socialismo verde? Aqueles que fazem da expressão um lema de
propaganda, que respondam.
(Excerto submetido a recomposição gráfica)
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2019/06/17
Teses alternativas sobre ecologia
Excerto de um texto de Daniel Vaz de Carvalho
publicado em resistir.info
Fala-se de gases de efeito de estufa como responsáveis pelas
alterações climáticas. A primeira falácia é reduzirem-se estes ao CO2. Outro
aspeto não explicado – na realidade escamoteado – é que tendo aumentado a
concentração de CO2 na atmosfera desde os finais do século XVIII, se registaram
períodos frios ao longo deste tempo, designadamente nos anos 40 do século
passado. Ou se quisermos recuar, também não é explicável pela concentração de
CO2 a existência de períodos quentes no passado, como o que levou no século IX
e X os vikings a instalarem-se na Gronelândia (a Terra Verde).
Ora os gases de efeito de estufa relevantes são o CO2, o
metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). Com a agravante de o CO2 ser essencial
para a existência de vida na Terra, enquanto os demais são tóxicos, poluentes e
agressivos. Do ponto de vista do efeito de estufa o metano tem um potencial 60
vezes superior ao do dióxido de carbono e o óxido nitroso quase 300 vezes
superior.
A agricultura industrial é responsável por 25% das emissões
de CO2, 60% de metano e 70 a 80% do óxido nitroso, além disto a questão do CO2
foi centrada nos automóveis ligeiros. O que não passa de uma farsa, ignorando,
por exemplo, os cerca de 13 milhões de veículos pesados que circulam pelas
estradas da Europa, graças ao sacrossanto comércio livre.
Há dezenas de milhões de veículos pesados, milhares de
navios e aviões que diariamente viajam por todo o mundo, em resultado sobretudo
da globalização neoliberal, mas que não são considerados.
Os grandes porta-contentores queimam cada um 10 mil
toneladas de combustível para uma viagem e regresso entre a Ásia e a Europa. A
frota de cargueiros, petroleiros e outros navios atinge cerca de 100 mil
unidades, percorrendo os mares. A que se somam as frotas de pesca e recreio. Só
em França há mais de 5 mil iates com mais de 60 metros, que queimam cerca de
900 litros de combustível por hora. [*]
Os automóveis elétricos não passam de uma falácia em termos
ambientais, fortemente subsidiada pelos Estados. Os seus componentes são
altamente consumidores de recursos e intensos agentes poluidores,
designadamente as baterias com a sua produção, relativa curta duração e
reciclagem.
Os biocombustíveis – domínio das transnacionais – implicam a
desflorestação, e a utilização intensa de fertilizantes químicos (emissores de
N2O), além de promoverem o êxodo rural, destruição da agricultura familiar
sustentável e fator de encarecimento dos bens alimentares básicos.
As energias renováveis, privatizadas e subsidiadas pelo
Estado, têm sido um rendoso negócio para as camadas oligárquicas.
[*]
Carros elétricos assunto de reflexão,
groups.google.com/forum/#!topic/tertulia-das-tercas/R7q1fiPYj-M
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2019/03/23
Ser ou não ser
uma democracia
«O PCP defende uma
democracia avançada tendo em conta os valores de Abril, sem perder a perspectiva
da construção do socialismo», cita Jerónimo
de Sousa sem perder de vista satisfazer "revisionistas" e revolucionários. É
compreensível.
Polígrafo - Porque é que tem tanta dificuldade em admitir
que não há uma democracia na Coreia do Norte?
Jerónimo de Sousa - O problema não é esse. O que é a democracia? Primeiro tínhamos
de discutir o que é a democracia.
Aqui fica a minha
reflexão
Para os comunistas, democracia é sobretudo igualdade social,
isto é, abolição das classes antagónicas inerentes às sociedades capitalistas.
É neste sentido que desdenham dos regimes e partidos social-democratas.
Para os social-democratas, por seu lado, democracia é um
regime estruturado na base do pluralismo partidário, da separação de poderes
(legislativo, executivo e judicial) e do liberalismo económico.
Assim como acontece com o conceito de democracia, também o
conceito de liberdade concorre para identificar um regime e o outro. Quanto a
este, porém, e ao contrário do que parece, as diferenças são menos radicais já
que ambos restringem as liberdades àquelas que preservam os respectivos
regimes.
Em todo o caso, é indisfarçável que comparar as liberdades
nestes diferentes regimes é como comparar as liberdades de um prisioneiro com
as liberdades de um cidadão comum – sabendo-se que também os presos têm
direitos e liberdades.
O pecado original do comunismo enquanto regime é manter na
sua doutrina aqueles conceitos e métodos revolucionários que fizeram sentido
quando se tratava ou trata de derrubar ditaduras de direita.
Também o conceito de ditadura, a propósito, marca um aspecto
distintivo dos regimes: a experiência revela que as ditaduras de direita
agravam sempre as desigualdades sociais enquanto as ditaduras de esquerda
confrontam essas desigualdades. Que ambas favoreçam a corrupção é outra
questão.
Vemos pois como é o princípio da igualdade social que
distingue essencialmente os dois conceitos de sociedade, seja no domínio das
liberdades, seja no domínio dos poderes.
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2017/06/13
Do alojamento local
e do capital
Julgava eu que a “economia de mercado”, a livre concorrência”, era o modo de funcionamento defendido pelos investidores e gestores no sistema capitalista. E que este sistema oferecia a melhor garantia de desenvolvimento económico, permitindo a selecção dos mais capazes e o critério justo de fixação dos preços.
Até que ouço um representante qualificado do sistema, a rebelar-se contra o recrudescimento do alojamento local, isto é, da oferta paralela à hotelaria tradicional por causa… da concorrência que aquele faz aos hotéis tradicionais.
“Tem que haver uma estratégia coordenada entre os empresários da hotelaria para aumentar os preços” – diz ele. E compara os preços nos nossos hotéis com os preços de Paris ou Londres!
Definitivamente eu não devia esquecer-me das teorias de Karl Marx, nomeadamente quanto à formação dos preços… Mas o velho sábio escreveu tanta porra que eu prefiro ver o senhor Carlos Leal discorrer, de forma resumida e até simpática, como funciona… o capitalismo real.
NOTAS
Carlos Leal é gestor de empresas e administrador do grupo IFA Hotéis & Resorts consórcio e parceiro de investimento, líder mundial no desenvolvimento de empreendimentos hoteleiros e residenciais, com operações que se estendem pelo Médio Oriente, Europa, África, América do Norte e Oceano Índico. As suas declarações foram prestadas em entrevista programa “Tudo é Economia” que é emitido na RTP3 às Segundas-feiras, pelas 23 horas.
Nada me move contra Carlos Leal que aqui é citado apenas como pretexto para tratar o sofisma do liberalismo económico. Menos ainda me move contra o programa de televisão referido e que até recomendo.
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2017/02/07
Contradições insuperáveis
O recrudescimento do terrorismo nos conflitos internacionais alimenta juízos e estratégias que podem extravasar a racionalidade e tornar-se, elas próprias, perigosas para as vítimas do terrorismo.
As medidas de Donald Trump bastariam para ilustrar e demonstrar esta tese. A perversidade a que levam tais juízos e estratégias é-nos relatada nos noticiários: são as novas “medidas de segurança interna” em suposta alternativa à “segurança mundial”, e os seus efeitos para os próprios americanos, nomeadamente em matérias económicas e dos direitos individuais.
Por outro lado, e com as notícias actuais sobre a contestação das grandes multinacionais americanas, ficam à vista as contradições insuperáveis de profetas imperiais como Trump.
Cruzando uma sentença de Jesus Cristo com uma tese de Karl Marx, diria que “é mais fácil a um camelo passar no buraco de uma agulha” do que os interesses dos povos – onde for o caso – passarem no crivo dos exploradores, corruptos, negociantes de armas…
Qualquer coisa me diz que Trump chegará a uma espécie de concertação social em que… as multinacionais sairão satisfeitas e tudo voltará à "normalidade" - numa primeira fase.
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2016/07/24
Não são os bancos
Não são os bancos, são os negócios financeiros que excitam as discussões.
Um capitalismo cada vez menos empreendedor e mais jogador, domina o mundo económico. A defesa da produção e do emprego, para o capitalista típico nunca foi senão a valorização financeira do investimento e a mobilização da força de trabalho necessária àquele objectivo. E o seu investimento nunca foi um acto social mas sim uma operação financeira destinada a multiplicar-se indefinidamente com ostentação e desprezo pela economia, pelo país e pelas pessoas.
É a “crença natural do bicho”, como se diz em tauromaquia.
Para estes toureiros da moeda, qualquer crise financeira própria ou geral só trás mais picante à sua aventura. Qualquer crise social decorrente das políticas que os servem, é uma oportunidade para reforçar o seu exército de corruptos mais ou menos activos, mais ou menos excitados.
Um capitalismo cada vez menos empreendedor e mais jogador, domina o mundo económico. A defesa da produção e do emprego, para o capitalista típico nunca foi senão a valorização financeira do investimento e a mobilização da força de trabalho necessária àquele objectivo. E o seu investimento nunca foi um acto social mas sim uma operação financeira destinada a multiplicar-se indefinidamente com ostentação e desprezo pela economia, pelo país e pelas pessoas.
É a “crença natural do bicho”, como se diz em tauromaquia.
Para estes toureiros da moeda, qualquer crise financeira própria ou geral só trás mais picante à sua aventura. Qualquer crise social decorrente das políticas que os servem, é uma oportunidade para reforçar o seu exército de corruptos mais ou menos activos, mais ou menos excitados.
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2016/02/04
Banco a banco enchem o papo
BPN
Crise interna que vem de antes da crise financeira
de 2008.
Tem na génese fraudes e irregularidades. Sofreu uma queda acentuada de depósitos.
Solução: foi incorporado na Caixa Geral de Depósitos (nacionalização)
e depois vendido ao BIC angolano, por 40 milhões de euros. No entanto, os novos accionistas não desembolsaram capital para realizar a
compra!
O Estado assume os custos com a eventual cessação dos vínculos laborais dos trabalhadores.
A factura total para os contribuintes pode chegar a 5,2 mil milhões de euros.
BPP
O banco tinha feito investimentos arriscados.
Em Dezº de 2008 o Governo deixa o banco à sua sorte e cria um fundo de 450 milhões de euros para reaver (?) parte dos investimentos
perdidos por clientes.
Nesse ano de 2008, os três principais administradores - João
Rendeiro, Paulo Guichard e Fezas Vital -, receberam 6,4 milhões de euros. Só João Rendeiro (na foto), antigo presidente do conselho de administração, arrecadou 2,8
milhões. João Rendeiro acumulava dívidas fiscais relativas ao seu salário à frente do banco, num valor que ronda os três milhões de euros que viria a pagar.
Seriam todos absolvidos no julgamento de 2015.
Em Abril de 2010, verificada a inviabilidade dos esforços de recapitalização e recuperação, o
banco é dado como insolvente pelo Banco de Portugal – situação sem precedentes.
O Estado é credor de 450 milhões da massa falida mas a Comissão Europeia ordenou que Portugal recuperasse apenas o montante referente à ajuda que foi prestada em 2010 – que o BPP diz ser de 23 milhões.
BES
O BES e o GES foram máquinas de absorção de dinheiro sem actividade
Financiou muitas empresas importantes e clubes de futebol. Recusava a recapitalização pública. Medida de resolução aplicada pelo Banco de Portugal. Prejuízos futuros dependem do valor da venda do banco.
A factura foi paga pelos accionistas que pagaram tudo depois…
Está ainda a tentar-se vender o Novo Banco. A Comissão Europeia concedeu uma extensão do prazo limite para a venda da instituição além de Agosto de 2016. Não é revelado o novo prazo, mas essas extensões podem ser concedidas por períodos de um ano. Ainda assim, Bruxelas é explícita ao dizer que não revela o prazo, para "proteger a eficácia do processo de venda"
«Nos casos excepcionais, como o presente, em que o Estado seja chamado a prestar apoio financeiro temporário ao Fundo de Resolução, esse apoio será posteriormente reembolsado (e remunerado através do pagamento de juros) pelo Fundo» - "esclarece" o Banco de Portugal.
BANIF
BANIF
Em 2012 o Estado
injecta 1100 milhões de euros.
Exigia-se um plano de viabilização em 3 anos mas a União Europeia não avalizou nenhuma das 6 ou 8 propostas de plano apresentadas pelo banco e pelo governo.
«Na realidade, a tramoia já vem de longe e foi só por razões políticas que a questão do Banif foi escondida, nos termos de um acordo ou de uma concessão do Governador do Banco de Portugal às conveniências eleitorais de Passos Coelho», segundo Francisco Louçã.
Exigia-se um plano de viabilização em 3 anos mas a União Europeia não avalizou nenhuma das 6 ou 8 propostas de plano apresentadas pelo banco e pelo governo.
«Na realidade, a tramoia já vem de longe e foi só por razões políticas que a questão do Banif foi escondida, nos termos de um acordo ou de uma concessão do Governador do Banco de Portugal às conveniências eleitorais de Passos Coelho», segundo Francisco Louçã.
Em Dezembro de 2014,
a Comissão Europeia propôs ao anterior Governo uma solução para o Banif, que permitiria, em seu entender,resolver rapidamente o problema do banco, com os activos “tóxicos” a serem colocados num veículo especial e o negócio saudável a ser vendido de forma gradual, até ao final de 2017 - segundo o Diário Económico.
O caso Banif vai custar aos contribuintes pelo menos mais 2.200 milhões de euros. Há quem diga que a proposta de Bruxelas implicaria uma resolução mas que "poderia" ter custos inferiores.
O caso Banif vai custar aos contribuintes pelo menos mais 2.200 milhões de euros. Há quem diga que a proposta de Bruxelas implicaria uma resolução mas que "poderia" ter custos inferiores.
2016/01/30
A dona Banca
A Banca tem um papel central e fundamental no funcionamento do sistema capitalista.
Apesar de todos os esforços feitos desde a crise financeira de 2008/2009 para sanear o sector bancário, dos activos tóxicos acumulados durante os anos de expansão, e apesar do reforço que se tem feito ou anunciado desde então, no âmbito da regulação financeira, os bancos continuam a ser o grande problema que afecta o crescimento económico na zona euro.
Por outro lado, a recente crise bancária mostrou que os bancos não são capazes de suportar as suas perdas e que, em tais condições, os Estados acabam por ter que pagar os prejuízos – quem diz os Estados, diz os contribuintes.
UNIÃO BANCÁRIA
Para evitar ou limitar, no futuro, o contágio entre as crises bancárias e o aumento das dívidas públicas provocadas para os salvar, foi concebido um mecanismo de mutualização da dívida que se designou por União Bancária. (A partir daqui, o Banco de Portugal, no nosso caso, passa a ser um mero executante das directivas da União Bancária).
SUPERVISÃO
O primeiro pilar da União Bancária é o mecanismo único de supervisão bancária, que dá ao Banco Central Europeu (BCE) a responsabilidade de monitorizar os maiores bancos da zona euro e identificar os que estão em dificuldades. Atualmente encontram-se sob supervisão, 128 bancos.
A nova autoridade da UE denominada Conselho Único de Resolução, de acordo com o “mecanismo de resolução” europeu, pode decidir rapidamente o que fazer com os maiores bancos da zona euro que estejam em dificuldades.
MEDIDAS
As medidas de "resolução" (i.e. de saneamento) aplicam-se quando já não existem condições para que determinada instituição continue a exercer a sua actividade de forma autónoma, e contemplam, essencialmente, dois tipos de medidas concretas:
1) A alienação de património da instituição que se encontre em dificuldades financeiras para uma ou mais instituições autorizadas a desenvolver as atividades em causa;
2) A constituição de um banco de transição e a transferência, parcial ou total, do património da instituição que se encontre em dificuldades financeiras, para este banco.
Para assegurar que a factura das falências deixe de ser paga pelos contribuintes (pelos estados), estabelece-se o princípio de que as entidades chamadas a responder pela falência dos bancos são, agora, os accionistas e credores séniores, seguidos dos credores juniores e dos depositantes de valores acima de cem mil euros.
O Parlamento Europeu já tinha imposto limites aos prémios dos banqueiros e exigido requisitos de capital de boa qualidade aos bancos, para poderem lidar de melhor forma com as potenciais perdas.
FUNDO DE RESOLUÇÃO
O Fundo de Resolução é uma pessoa colectiva de direito público, dotada de autonomia administrativa e financeira, que tem por objeto principal apoiar o financiamento da aplicação de medidas saneamento financeiro que sejam determinadas pelo Banco de Portugal.
O Fundo é gerido por uma comissão directiva composta por três membros, sendo o presidente um elemento do conselho de administração do Banco de Portugal, por este designado, um segundo membro é designado pelo membro do governo responsável pela área das finanças e o terceiro membro é designado por acordo entre o Banco de Portugal e o membro do governo responsável pela área das finanças.
Apesar de todos os esforços feitos desde a crise financeira de 2008/2009 para sanear o sector bancário, dos activos tóxicos acumulados durante os anos de expansão, e apesar do reforço que se tem feito ou anunciado desde então, no âmbito da regulação financeira, os bancos continuam a ser o grande problema que afecta o crescimento económico na zona euro.
Por outro lado, a recente crise bancária mostrou que os bancos não são capazes de suportar as suas perdas e que, em tais condições, os Estados acabam por ter que pagar os prejuízos – quem diz os Estados, diz os contribuintes.
UNIÃO BANCÁRIA
Para evitar ou limitar, no futuro, o contágio entre as crises bancárias e o aumento das dívidas públicas provocadas para os salvar, foi concebido um mecanismo de mutualização da dívida que se designou por União Bancária. (A partir daqui, o Banco de Portugal, no nosso caso, passa a ser um mero executante das directivas da União Bancária).
SUPERVISÃO
O primeiro pilar da União Bancária é o mecanismo único de supervisão bancária, que dá ao Banco Central Europeu (BCE) a responsabilidade de monitorizar os maiores bancos da zona euro e identificar os que estão em dificuldades. Atualmente encontram-se sob supervisão, 128 bancos.
A nova autoridade da UE denominada Conselho Único de Resolução, de acordo com o “mecanismo de resolução” europeu, pode decidir rapidamente o que fazer com os maiores bancos da zona euro que estejam em dificuldades.
MEDIDAS
As medidas de "resolução" (i.e. de saneamento) aplicam-se quando já não existem condições para que determinada instituição continue a exercer a sua actividade de forma autónoma, e contemplam, essencialmente, dois tipos de medidas concretas:
1) A alienação de património da instituição que se encontre em dificuldades financeiras para uma ou mais instituições autorizadas a desenvolver as atividades em causa;
2) A constituição de um banco de transição e a transferência, parcial ou total, do património da instituição que se encontre em dificuldades financeiras, para este banco.
Para assegurar que a factura das falências deixe de ser paga pelos contribuintes (pelos estados), estabelece-se o princípio de que as entidades chamadas a responder pela falência dos bancos são, agora, os accionistas e credores séniores, seguidos dos credores juniores e dos depositantes de valores acima de cem mil euros.
O Parlamento Europeu já tinha imposto limites aos prémios dos banqueiros e exigido requisitos de capital de boa qualidade aos bancos, para poderem lidar de melhor forma com as potenciais perdas.
FUNDO DE RESOLUÇÃO
O Fundo de Resolução é uma pessoa colectiva de direito público, dotada de autonomia administrativa e financeira, que tem por objeto principal apoiar o financiamento da aplicação de medidas saneamento financeiro que sejam determinadas pelo Banco de Portugal.
O Fundo é gerido por uma comissão directiva composta por três membros, sendo o presidente um elemento do conselho de administração do Banco de Portugal, por este designado, um segundo membro é designado pelo membro do governo responsável pela área das finanças e o terceiro membro é designado por acordo entre o Banco de Portugal e o membro do governo responsável pela área das finanças.
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2015/09/25
É a retoma a funcionar!
No domínio financeiro, “nada se cria e nada se perde” – tudo muda de mãos! Se os pobres estão mais pobres, os ricos estão cada vez mais ricos.
E como é que isto "se" cconsegue? Baixando os salários, aumentando o tempo de trabalho e o esforço dos trabalhadores, pagando menos impostos sobre os lucros (IRC) e não taxando os rendimentos do capital. Em tudo isto não há o tal “mérito das empresas” como faz passar Coelho e Portas; há escolhas políticas ao serviço das grandes fortunas.
Fontes:
2013
O "Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013" confirma que em Portugal não só cresceu o número de multimilionários como aumentou o valor global das suas fortunas, de 90 para 100 mil milhões de dólares (mais 11,1%). (DN)
2015
Este ano, as maiores fortunas portuguesas valem mais 500 milhões. (TSF)
E como é que isto "se" cconsegue? Baixando os salários, aumentando o tempo de trabalho e o esforço dos trabalhadores, pagando menos impostos sobre os lucros (IRC) e não taxando os rendimentos do capital. Em tudo isto não há o tal “mérito das empresas” como faz passar Coelho e Portas; há escolhas políticas ao serviço das grandes fortunas.
Fontes:
2013
O "Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013" confirma que em Portugal não só cresceu o número de multimilionários como aumentou o valor global das suas fortunas, de 90 para 100 mil milhões de dólares (mais 11,1%). (DN)
2015
Este ano, as maiores fortunas portuguesas valem mais 500 milhões. (TSF)
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2014/12/16
O capitalismo é generoso
Das notícias:
Sobre a “prenda” de 14 milhões de euros dada pelo construtor José Guilherme a Ricardo Salgado, Manuel Fernando Espírito Santo disse na Comissão de Inquérito que não achava normal.
Manuel Fernando admitiu que foi decidido dar aos membros do Conselho Superior uma retribuição especial, “a título dos ganhos obtidos nos contratos dos submarinos” (...) O gestor diz que o dinheiro (um milhão de euros para cada ramo da família) foi pago em 2004 ou 2005 por uma empresa ligada à Escom para uma sociedade sua na Suíça.
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2014/11/09
Porque hoje é domingo (60)
A Igreja Católica invoca neste dia o episódio em que Jesus expulsa os vendilhões do Templo: «Não façais da casa de meu Pai uma casa de negócio»*. E “proibiu” qualquer tipo de comércio no Templo - mesmo que isso arruinasse os sacerdotes.**
Não é difícil perceber que o Filho de Deus deixava um recado aos portugueses do século XXI. Basta pensar que o tempolo dos cidadãos é o seu país e que os vendilhões são os vendedores do património nacional.
Alguém tem que juntar as cordas da sociedade, as vontades dispersas de mudança, e com elas fazer um chicote com que vergastar os vendilhões da Pátria, do País, da Nação – como queiram chamar-lhe. Não importa qual seja a sua igreja, desde que seja patriota, desde que o castigo infligido aos “cambistas” seja para restituir ao Povo o que lhe pertence – património, cultura, dignidade.
Alguém tem que enfrentar com risco e coragem os sacerdotes do capitalismo, ameaçados nos seus privilégios directos ou indirectos – os próprios capitalistas ou os seus propagandistas. Alguém tem que restituir ao Povo o que é do Povo, à Nação o que é da Nação. E já não pode ser Lenine. Nem Álvaro Cunhal.
E a quem se reclama de ser Livre, há que perguntar:
- livre para quê? Para servir o governo que vier?
notas
O quadro "Expulsão dos Vendilhões do Templo" é de Rembrandt.
* (João 2:15-16) ** (Mc 11:16)
Não é difícil perceber que o Filho de Deus deixava um recado aos portugueses do século XXI. Basta pensar que o tempolo dos cidadãos é o seu país e que os vendilhões são os vendedores do património nacional.
Alguém tem que juntar as cordas da sociedade, as vontades dispersas de mudança, e com elas fazer um chicote com que vergastar os vendilhões da Pátria, do País, da Nação – como queiram chamar-lhe. Não importa qual seja a sua igreja, desde que seja patriota, desde que o castigo infligido aos “cambistas” seja para restituir ao Povo o que lhe pertence – património, cultura, dignidade.
Alguém tem que enfrentar com risco e coragem os sacerdotes do capitalismo, ameaçados nos seus privilégios directos ou indirectos – os próprios capitalistas ou os seus propagandistas. Alguém tem que restituir ao Povo o que é do Povo, à Nação o que é da Nação. E já não pode ser Lenine. Nem Álvaro Cunhal.
E a quem se reclama de ser Livre, há que perguntar:
- livre para quê? Para servir o governo que vier?
notas
O quadro "Expulsão dos Vendilhões do Templo" é de Rembrandt.
* (João 2:15-16) ** (Mc 11:16)
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2014/09/22
Marxistas e cristãos
Continuação do assunto tratado em
“Porque Hoje é Domingo (55)”
Aquilo que o proprietário distribui pelos trabalhadores não é a sua riqueza – a sua terra. Esta permanecerá integralmente nas suas mãos. O que ele distribui é a riqueza que os trabalhadores produzem, fazendo uso dos meios do proprietário. São os trabalhadores, eles sim, colectivamente, que acrescentam riqueza! São eles os reais produtores
Portanto, o que o proprietário distribui em forma de “retribuição”, é aquilo que não lhe pertence e, ainda assim, só uma parte disso, visto que se apropria de outra parte para si.
Nesta distribuição da riqueza produzida pelo trabalho, entre os trabalhadores, o proprietário (dos meios de produção) e o Estado (através de impostos que supostamente voltam para a comunidade em forma de serviços e bens públicos), o que distingue o sistema socialista é que o propietário-capitalista não faz parte do sistema, logo a riqueza produzida reverte toda ela para os trabalhadores, de forma directa ou indirecta.
O socialismo assim entendido como o entendem os marxistas, não pode ignorar que há proprietários e há trabalhadores que escapam a esta lógica. Isto é: há proprietários que têm um papel positivo também na economia socialista, e há trabalhadores que não trabalham ou não o fazem em proporção com os seus rendimentos.
A primeira questão tem sido respondida caso a caso, país a país e de forma diferente em épocas diferentes. Por exemplo: actualmente, em Cuba, promove-se o trabalho por conta própria, "los cuentrapropistas" em alguns sectores de actividade que antes estavam interditos.
Talvez se possa dizer que o socialismo moderno tende a consentir na propriedade privada dos meios de produção conforme a dimensão destes e a sua importância estratégica para a economia nacional. Água, electricidade, comunicações e banca, muito dificilmente se enquadram no grupo de actividades privadas no sistema socialista.
A segunda questão, a retribuição dos trabalhadores, é a que se prende com a parábola de Jesus que invoquei no artigo anterior “Porque Hoje é Domingo (55)”! É a questão de saber os critérios de distribuição da riqueza produzida.
O critério subjectivo do proprietário, apresentado na parábola e aprovado por Jesus, é completamente injusto e incoerente, porque beneficia os que trabalham menos, com o esforço dos que trabalham mais – é uma forma de exploração de uns trabalhadores por outros trabalhadores.
O critério subjectivo de classe, segundo o qual há sub-classes privilegidas que auferem rendimentos desproporcionados em relação a outras – administrativos em relação a operários, p. e. – é também considerado injusto e é contrariado no critério marxista. Voltando a Cuba como exemplo, um professor ou um médico ganha ao nível de um empregado sem qualificações académicas relevantes. Escusado será dizer que este “critério subjectivo de classe” que vigora nos países capitalistas, se encontra frequentemente na prática de países socialistas de forma perversa.
Curiosamente, o marxismo apresenta um critério de distribuição da riqueza produzida, que não é, também ele, objectivo. Isto é: não se trata de atribuir a cada um segundo o seu trabalho. A máxima é: "de cada um segundo as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades" . E isto conciliaria Karl Marx com Jesus e o proprietário na parábola, se este, na sua distribuição desproporcionada do dinheiro, a fizesse em razão das necessidades de cada um. Mas nada indica que fosse o caso.
Este critério marxista, em todo o caso, não é praticado na fase de retribuição directa do trabalho (no salário) mas sim no âmbito das responsabilidades sociais do Estado (nos preços dos serviços). E a social-democracia burguesa, ela própria, tem sido obrigada a aplicá-lo em certa medida, por força das exigências populares. É o caso dos apoios do Estado aos cidadãos mais carenciados, em matéria de saúde, ensino, transportes, etc.
A Venezuela, um país capitalista com um governo socialista de inspiração marxista, desenvolve desde 2003 campanhas de apoio material e efectivo às camadas mais desfavorecidas da população, através das chamadas “misiones”: misión vivienda, misión barrio adentro, misión mercal, etc., etc.
E enquanto a acção política prossegue a sua missão de promover a exploração ou a justiça social, a religião apela… às orações. É a apologia do imobilismo, da rendição ao poder constituído, justificado com aquela sentença de Jesus “politicamente correcta”: a César o que é de César…
Como se a Igreja não soubesse que Jesus estava “entalado” quando teve que dar aquela resposta. Como se a riqueza de César não fosse resultado da exploração desenfreada e dos saques perpetrados nas sanguinárias guerras imperiais.
“Porque Hoje é Domingo (55)”
Aquilo que o proprietário distribui pelos trabalhadores não é a sua riqueza – a sua terra. Esta permanecerá integralmente nas suas mãos. O que ele distribui é a riqueza que os trabalhadores produzem, fazendo uso dos meios do proprietário. São os trabalhadores, eles sim, colectivamente, que acrescentam riqueza! São eles os reais produtores
Portanto, o que o proprietário distribui em forma de “retribuição”, é aquilo que não lhe pertence e, ainda assim, só uma parte disso, visto que se apropria de outra parte para si.
Nesta distribuição da riqueza produzida pelo trabalho, entre os trabalhadores, o proprietário (dos meios de produção) e o Estado (através de impostos que supostamente voltam para a comunidade em forma de serviços e bens públicos), o que distingue o sistema socialista é que o propietário-capitalista não faz parte do sistema, logo a riqueza produzida reverte toda ela para os trabalhadores, de forma directa ou indirecta.
O socialismo assim entendido como o entendem os marxistas, não pode ignorar que há proprietários e há trabalhadores que escapam a esta lógica. Isto é: há proprietários que têm um papel positivo também na economia socialista, e há trabalhadores que não trabalham ou não o fazem em proporção com os seus rendimentos.
A primeira questão tem sido respondida caso a caso, país a país e de forma diferente em épocas diferentes. Por exemplo: actualmente, em Cuba, promove-se o trabalho por conta própria, "los cuentrapropistas" em alguns sectores de actividade que antes estavam interditos.
Talvez se possa dizer que o socialismo moderno tende a consentir na propriedade privada dos meios de produção conforme a dimensão destes e a sua importância estratégica para a economia nacional. Água, electricidade, comunicações e banca, muito dificilmente se enquadram no grupo de actividades privadas no sistema socialista.
A segunda questão, a retribuição dos trabalhadores, é a que se prende com a parábola de Jesus que invoquei no artigo anterior “Porque Hoje é Domingo (55)”! É a questão de saber os critérios de distribuição da riqueza produzida.
O critério subjectivo do proprietário, apresentado na parábola e aprovado por Jesus, é completamente injusto e incoerente, porque beneficia os que trabalham menos, com o esforço dos que trabalham mais – é uma forma de exploração de uns trabalhadores por outros trabalhadores.
O critério subjectivo de classe, segundo o qual há sub-classes privilegidas que auferem rendimentos desproporcionados em relação a outras – administrativos em relação a operários, p. e. – é também considerado injusto e é contrariado no critério marxista. Voltando a Cuba como exemplo, um professor ou um médico ganha ao nível de um empregado sem qualificações académicas relevantes. Escusado será dizer que este “critério subjectivo de classe” que vigora nos países capitalistas, se encontra frequentemente na prática de países socialistas de forma perversa.
Curiosamente, o marxismo apresenta um critério de distribuição da riqueza produzida, que não é, também ele, objectivo. Isto é: não se trata de atribuir a cada um segundo o seu trabalho. A máxima é: "de cada um segundo as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades" . E isto conciliaria Karl Marx com Jesus e o proprietário na parábola, se este, na sua distribuição desproporcionada do dinheiro, a fizesse em razão das necessidades de cada um. Mas nada indica que fosse o caso.
Este critério marxista, em todo o caso, não é praticado na fase de retribuição directa do trabalho (no salário) mas sim no âmbito das responsabilidades sociais do Estado (nos preços dos serviços). E a social-democracia burguesa, ela própria, tem sido obrigada a aplicá-lo em certa medida, por força das exigências populares. É o caso dos apoios do Estado aos cidadãos mais carenciados, em matéria de saúde, ensino, transportes, etc.
A Venezuela, um país capitalista com um governo socialista de inspiração marxista, desenvolve desde 2003 campanhas de apoio material e efectivo às camadas mais desfavorecidas da população, através das chamadas “misiones”: misión vivienda, misión barrio adentro, misión mercal, etc., etc.
E enquanto a acção política prossegue a sua missão de promover a exploração ou a justiça social, a religião apela… às orações. É a apologia do imobilismo, da rendição ao poder constituído, justificado com aquela sentença de Jesus “politicamente correcta”: a César o que é de César…
Como se a Igreja não soubesse que Jesus estava “entalado” quando teve que dar aquela resposta. Como se a riqueza de César não fosse resultado da exploração desenfreada e dos saques perpetrados nas sanguinárias guerras imperiais.
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2014/07/13
Vícios privados, prejuízos públicos
Não há bancos verdadeiramente privados quando a economia de um país depende deles. Menos ainda quando eles dependem da economia do país e da protecção do Estado. Muito menos quando coincidem as duas coisas como acontece… em toda a parte.
A Banca e as grandes empresas a que está associada, fazem parte do tecido económico-financeiro de um país, lá onde se entrelaçam os seus objectivos com os objectivos da política nacional e internacional. A “dívida externa” que conta para a avaliação de um país, é a dívida pública (do Estado) mas também a dívida privada (das empresas).
O mesmo acontece com a actividade económica e a vida social – os impostos e a sua incidência no investimento e no consumo, os preços e os salários e a incidência de ambos na inflação, os juros dos empréstimos e a sua incidência na construção e na indústria, etc., etc., etc.
Em suma, se a riqueza de um país é apropriada por uma elite poderosa, já a produção dessa riqueza é colectiva, de toda a sociedade.
O que fazem os ideólogos da exploração e da desigualdade, é atribuir a riqueza produzida, não aos produtores (aqueles que produzem, os trabalhadores) mas sim aos proprietários dos meios de produção. Mesmo que esta propriedade resulte, ela própria, da canalização para aquela elite, através da banca, das mais-valias produzidas nas empresas pelos trabalhadores, e das poupanças pessoais.
É indisfarçável, enfim, o embuste daqueles que dizem que a criação de riqueza é fruto da iniciativa individual dos investidores. A criação de riqueza e toda actividade económica assenta numa base social, tem um carácter social. A necessidade do investimento capitalista existe, isso sim, como critério imposto à sociedade pelo sistema capitalista.
Enfim, o papel do capitalismo não é produzir riqueza mas sim apropriar-se da riqueza produzida pela sociedade, para entregá-la a uma elite de privilegiados.
Um banco que tem vivido acima das suas possibilidades
A Banca e as grandes empresas a que está associada, fazem parte do tecido económico-financeiro de um país, lá onde se entrelaçam os seus objectivos com os objectivos da política nacional e internacional. A “dívida externa” que conta para a avaliação de um país, é a dívida pública (do Estado) mas também a dívida privada (das empresas).
O mesmo acontece com a actividade económica e a vida social – os impostos e a sua incidência no investimento e no consumo, os preços e os salários e a incidência de ambos na inflação, os juros dos empréstimos e a sua incidência na construção e na indústria, etc., etc., etc.
Em suma, se a riqueza de um país é apropriada por uma elite poderosa, já a produção dessa riqueza é colectiva, de toda a sociedade.
O que fazem os ideólogos da exploração e da desigualdade, é atribuir a riqueza produzida, não aos produtores (aqueles que produzem, os trabalhadores) mas sim aos proprietários dos meios de produção. Mesmo que esta propriedade resulte, ela própria, da canalização para aquela elite, através da banca, das mais-valias produzidas nas empresas pelos trabalhadores, e das poupanças pessoais.
É indisfarçável, enfim, o embuste daqueles que dizem que a criação de riqueza é fruto da iniciativa individual dos investidores. A criação de riqueza e toda actividade económica assenta numa base social, tem um carácter social. A necessidade do investimento capitalista existe, isso sim, como critério imposto à sociedade pelo sistema capitalista.
Enfim, o papel do capitalismo não é produzir riqueza mas sim apropriar-se da riqueza produzida pela sociedade, para entregá-la a uma elite de privilegiados.
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2014/02/08
Porque hoje é domingo (46)
O Paraíso Celestial e o Paraíso Fiscal, se não ocupam o mesmo espaço, são bons vizinhos. Por mais que os discursos populares do Papa Francisco reprovem os “excessos” do capitalismo, é mesmo para defender o sistema contra o socialismo, que a Igreja está no mundo. Catolicismo e capitalismo são aliados ideológicos e materiais.
A escolha do Papa tem um papel crucial nesta missão. Viu-se com a eleição do polaco João Paulo II, envolvido descaradamente na militância do movimento Solidariedade, na Polónia; perceber-se-há mais cedo ou mais tarde com o papa Francisco, argentino, para influenciar a corrente progressista que engrossa na América Latina.
A hipervalorização de qualquer palavra, de qualquer gesto, de qualquer atitude do Papa, por mais banal que estes sejam, alimenta o desígnio da Igreja Católica, ela própria promotora desses comportamentos. O “casting” que os bispos realizam na escolha do Papa, garante o sucesso da representação – ninguém melhor para interpretar a linguagem do povo latino-americano do que um latino-americano! Ninguém o faria com tanta convicção e naturalidade.
Entretanto, tudo está justificado à luz da missão da Igreja. Antes de mais porque é suposto que seja o Espírito Santo a inspirar os bispos eleitores. Depois porque a luta contra o socialismo se inscreve na missão de combater o ateísmo. De passagem, digamos assim, a Igreja ganha as alianças e os apoios de que precisa para manter o Vaticano e a sua legião de profissionais espalhados pelo mundo.
E enquanto houver quem precise de acreditar em milagres, no perdão dos seus "pecados" ou na ajuda discriminatória de Deus para os seus dramas pessoais, não faltará o apoio popular.
“Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” – lembra a Igreja neste domingo, invocando o Evangelho (Mt 5,13-16). "Mas nós, Igreja, somos quem decide o prato e o caminho!" – isto não dizem nem precisam dizer os apóstolos da privação dos sabores e da razão.
A escolha do Papa tem um papel crucial nesta missão. Viu-se com a eleição do polaco João Paulo II, envolvido descaradamente na militância do movimento Solidariedade, na Polónia; perceber-se-há mais cedo ou mais tarde com o papa Francisco, argentino, para influenciar a corrente progressista que engrossa na América Latina.
A hipervalorização de qualquer palavra, de qualquer gesto, de qualquer atitude do Papa, por mais banal que estes sejam, alimenta o desígnio da Igreja Católica, ela própria promotora desses comportamentos. O “casting” que os bispos realizam na escolha do Papa, garante o sucesso da representação – ninguém melhor para interpretar a linguagem do povo latino-americano do que um latino-americano! Ninguém o faria com tanta convicção e naturalidade.
Entretanto, tudo está justificado à luz da missão da Igreja. Antes de mais porque é suposto que seja o Espírito Santo a inspirar os bispos eleitores. Depois porque a luta contra o socialismo se inscreve na missão de combater o ateísmo. De passagem, digamos assim, a Igreja ganha as alianças e os apoios de que precisa para manter o Vaticano e a sua legião de profissionais espalhados pelo mundo.
E enquanto houver quem precise de acreditar em milagres, no perdão dos seus "pecados" ou na ajuda discriminatória de Deus para os seus dramas pessoais, não faltará o apoio popular.
“Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” – lembra a Igreja neste domingo, invocando o Evangelho (Mt 5,13-16). "Mas nós, Igreja, somos quem decide o prato e o caminho!" – isto não dizem nem precisam dizer os apóstolos da privação dos sabores e da razão.
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2014/01/16
Destruição controlada do regime
ou: A crise encurralada
A ideia de que o desenvolvimento económico é o objectivo
final das sociedades, ganhou uma força avassaladora com a crise financeira
desencadeada a partir de 2008.
Esta ideia é um sub-produto cultural que germina no esterco
da especulação e da corrupção, para justificar teoricamente os crimes
económicos e sociais do capitalismo. É a forma de encurralar a crítica e a
revolta, nos muros de uma construção ideológica segundo a qual a saída para a
crise é a recusa do bem-estar social, em benefício do bem-estar empresarial –
lucrar à custa do empobrecimento geral. É a desforra do lucro contra o
progresso social dos povos no século XX.
Nas universidades e nas livrarias, nos jornais e nos discursos, os temas económicos absorvem o pensamento dos cidadãos para os convencer que a Economia é o fim, o
objectivo, e não um instrumento para satisfazer as necessidades dos povos. Já
não se trata de criar felicidade mas sim de criar riqueza, já não é o orçamento
para servir o homem, é o homem para servir o orçamento – é o reino da
imoralidade.
Acontece porém que a criação de riqueza só compensa os
“empreendedores” e os investidores, na
medida em que encontrem consumidores. Mais acontece que o desenvolvimento
económico se confronta com a concorrência de outros actores que fazem o mesmo
jogo.
Ora o empobrecimento, e sobretudo o empobrecimento global, joga contra o consumo de que vive o “empreendedor”, e a concorrência global joga contra a oportunidade do investidor – são muitos os corredores mas só haverá um reduzido grupo de vencedores, o grupo do costume que no contexto actual tem sede na Alemanha, nos EUA ou na China, a nível internacional, e tem nomes sobejamente conhecidos a nível nacional... (*)
Entretanto, quem tem poder para gerar falências e desemprego generalizadas e derrubar o sistema, enfim, também tem poder para reerguê-lo, isto é, para refundá-lo; neste processo de destruição controlada que arrasa as camadas mais desfavorecidas mas favorece os privilegiados, são poupados os alicerces para facilitar a construção do novo edifício a partir das ruínas.
Assiste-se então, com alívio e assombro das populações, a um “milagre económico”, ao florescimento de um mundo “novo” cuja arquitectura copia, na verdade, o paradigma social dos princípios do século XX, isto é, uma sociedade pobre e sem direitos ao serviço de uma elite rica e sem obrigações.
*
"A fortuna dos 870 multimilionários portugueses aumentou 10 mil milhões de dólares (7,5 mil milhões de euros), apesar da crise económica que assola o país". (Ver mais no Público de 7NOV2013)
Ora o empobrecimento, e sobretudo o empobrecimento global, joga contra o consumo de que vive o “empreendedor”, e a concorrência global joga contra a oportunidade do investidor – são muitos os corredores mas só haverá um reduzido grupo de vencedores, o grupo do costume que no contexto actual tem sede na Alemanha, nos EUA ou na China, a nível internacional, e tem nomes sobejamente conhecidos a nível nacional... (*)
Entretanto, quem tem poder para gerar falências e desemprego generalizadas e derrubar o sistema, enfim, também tem poder para reerguê-lo, isto é, para refundá-lo; neste processo de destruição controlada que arrasa as camadas mais desfavorecidas mas favorece os privilegiados, são poupados os alicerces para facilitar a construção do novo edifício a partir das ruínas.
Assiste-se então, com alívio e assombro das populações, a um “milagre económico”, ao florescimento de um mundo “novo” cuja arquitectura copia, na verdade, o paradigma social dos princípios do século XX, isto é, uma sociedade pobre e sem direitos ao serviço de uma elite rica e sem obrigações.
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2013/12/21
2013/11/29
Não há dinheiro (3)
Os 25 mais ricos de Portugal são hoje donos de 10% do PIB, quando há um ano as suas fortunas não chegavam aos 8,5% do PIB.
Conclusão:
a crise é mesmo uma oportunidade!
O fosso entre ricos e pobres e o enriquecimento à custa da pobreza, não são um fenómeno novo nem português, claro. Os socialistas (propriamente ditos) de todo o mundo andam a denunciar isso há mais de um século...
Não é sequer inteiramente novo que a Igreja Católica denuncie as injustiças sociais em termos tão contundentes como acaba de fazê-lo o Papa Francisco. Na encíclica Populorum Progressio fala-se, por exemplo, no "escândalo de desproporções revoltantes, não só na posse dos bens mas ainda no exercício do poder".
O que pode ser novo é o grau de exploração que se atingiu, avaliado pela desproporção a que se chegou entre os rendimentos.
A notícia de ontem, é exemplar: «a reforma complementar de 21 milhões de euros prevista no contrato do ainda presidente do grupo PSA (Peugeot-Citroën), está a chocar a França e foi um dos temas abordados na reunião de hoje do conselho de ministros francês». Em Portugal, notícias equivalentes são interpretadas como bons sinais do mérito dos nossos gestores, porventura objecto de condecorações.
É a crise, a crise moral - coisas de que não tratam os juristas e menos ainda os economistas.
Conclusão:
a crise é mesmo uma oportunidade!
O fosso entre ricos e pobres e o enriquecimento à custa da pobreza, não são um fenómeno novo nem português, claro. Os socialistas (propriamente ditos) de todo o mundo andam a denunciar isso há mais de um século...
Não é sequer inteiramente novo que a Igreja Católica denuncie as injustiças sociais em termos tão contundentes como acaba de fazê-lo o Papa Francisco. Na encíclica Populorum Progressio fala-se, por exemplo, no "escândalo de desproporções revoltantes, não só na posse dos bens mas ainda no exercício do poder".
O que pode ser novo é o grau de exploração que se atingiu, avaliado pela desproporção a que se chegou entre os rendimentos.
A notícia de ontem, é exemplar: «a reforma complementar de 21 milhões de euros prevista no contrato do ainda presidente do grupo PSA (Peugeot-Citroën), está a chocar a França e foi um dos temas abordados na reunião de hoje do conselho de ministros francês». Em Portugal, notícias equivalentes são interpretadas como bons sinais do mérito dos nossos gestores, porventura objecto de condecorações.
É a crise, a crise moral - coisas de que não tratam os juristas e menos ainda os economistas.
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ricos e pobres
2013/06/12
Passos Coelho no divã

Mais profeta do que militante – “que se lixem as eleições”, disse ele - Passos Coelho julga-se mandatado pela História para uma missão cujo mérito os mandantes (eleitores) hão-de reconhecer... mais tarde. Tal como outras figuras messiânicas da política, ele acha que “a História o absolverá”.
Os seus apóstolos mais próximos formam uma trindade; os seus mentores também e outros tantos são os seus inimigos. Apóstolos: Miguel Relvas, Paulo Portas e Vitor Gaspar. Mentores: Merkel, a troika e os mercados. Inimigos: a Constituição, o estado Social e os portugueses em geral: professores, médicos, juízes, militares, funcionários, reformados, operários, jornalistas, sindicatos, livres-pensadores e as chuvas invernais.
Se parece um exagero da minha parte, não é porque os factos o não confirmem mas porque “é mau demais para ser verdade”, isto é, custa a acreditar. No entanto, se tivermos em conta os efeitos psico-patológicos que o Poder exerce sobre as mentes, tal como ensinou Lacan, acharemos menos improvável.
Segundo este discípulo de Freud, um cidadão qualquer quando sobe ao poder, altera o seu psiquismo. O seu olhar sobre os outros, altera-se; admita ou não, ele olhará "de cima" os seus "governados", os "comandados", os "coordenados", enfim, os demais. (Isto explica a sobranceria em relação ao Tribunal Constitucional, por exemplo).
Ainda que a corrosiva dúvida que assalta qualquer ser humano, perturbe os seus sonhos, assalte o seu pensamento, sobretudo quando emerge de provas evidentes e avisos persistentes, o orgulho ou a cobardia política não lhe permitirão mudar de rumo e, pelo que tem dito, nem sequer mudar de vida. Outros terão que dar-lhe uma ajuda!
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subsídio de férias
2013/06/08
De Loures a Istambul
Milhares de pinheiros-mansos começaram a ser abatidos no início deste mês, numa área de 5,4 hectares da chamada Mata do Paraíso, junto ao Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL), para ali ser construída uma central fotovoltaica do grupo Martifer.
…
O problema não está nas energias limpas (sol, vento, água, marés, etc.,) e na sua utilização para produzir eletricidade, mas sim na forma neoliberal de sua exploração capitalista intensa com vista a um fim principal: lucros rápidos e chorudos.
Esta denúncia que recortei no blogue Praça do Bocage fez-me lembrar o que se está a passar na Praça Taksim, em Istambul, onde manifestantes turcos protestam há uma semana contra a razia do Parque Gezi para instalação de um grande centro comercial, em nome do progresso!... Mutatis mutandis.
Nota: As fotografias não foram recortadas no sítio do texto. A foto de pinheiros mansos, nomeadamente, foi recolhida em Naturlink
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