O período posterior à Primeira Guerra Mundial colocou o projecto liberal entre o movimento socialista e comunista, por um lado, e a ascensão do nazi-fascismo e de outros regimes autoritários, por outro lado.
Neste contexto, o liberalismo continuou a defender sem reservas a propriedade privada, que se transformava cada vez mais num privilégio de grandes capitalistas e banqueiros os quais não hesitaram, tanto em Itália como na Alemanha, em financiar os partidos de extrema-direita perante o avanço dos partidos socialistas e comunistas. Incapaz de interpretar (esta) nova fase e não tendo conseguido dar resposta à crise de 1929/33, o liberalismo foi claramente ultrapassado.
O liberalismo tardou em reconhecer, ou não reconheceu de facto, a incompatibilidade entre capitalismo e democracia nos momentos de grave crise económica, social e política.
Excerto de História Crítica do Pensamento Político – vol.II, pg. 174 / Ed.70
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2023/12/22
2017/06/13
Do alojamento local
e do capital
Julgava eu que a “economia de mercado”, a livre concorrência”, era o modo de funcionamento defendido pelos investidores e gestores no sistema capitalista. E que este sistema oferecia a melhor garantia de desenvolvimento económico, permitindo a selecção dos mais capazes e o critério justo de fixação dos preços.
Até que ouço um representante qualificado do sistema, a rebelar-se contra o recrudescimento do alojamento local, isto é, da oferta paralela à hotelaria tradicional por causa… da concorrência que aquele faz aos hotéis tradicionais.
“Tem que haver uma estratégia coordenada entre os empresários da hotelaria para aumentar os preços” – diz ele. E compara os preços nos nossos hotéis com os preços de Paris ou Londres!
Definitivamente eu não devia esquecer-me das teorias de Karl Marx, nomeadamente quanto à formação dos preços… Mas o velho sábio escreveu tanta porra que eu prefiro ver o senhor Carlos Leal discorrer, de forma resumida e até simpática, como funciona… o capitalismo real.
NOTAS
Carlos Leal é gestor de empresas e administrador do grupo IFA Hotéis & Resorts consórcio e parceiro de investimento, líder mundial no desenvolvimento de empreendimentos hoteleiros e residenciais, com operações que se estendem pelo Médio Oriente, Europa, África, América do Norte e Oceano Índico. As suas declarações foram prestadas em entrevista programa “Tudo é Economia” que é emitido na RTP3 às Segundas-feiras, pelas 23 horas.
Nada me move contra Carlos Leal que aqui é citado apenas como pretexto para tratar o sofisma do liberalismo económico. Menos ainda me move contra o programa de televisão referido e que até recomendo.
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2017/05/01
La nave va... mal
O “incompreensível” triunfo (do discurso) de Donald Trump foi o resultado político do fracasso neoliberal nos Estados Unidos. E o “incompreensível” apoio popular à demagogia de Marine Le Pen é a expressão política da rejeição duma União Europeia economicista, divisionista e arrogante. Como o “incompreensível” voto dos britânicos.
Neste mar de mistérios convenientes para ocultar um modelo socio-económico insustentável, La nave va… e ninguém dá atenção ao cadáver que transporta. Inebriados com discursos e abraços, os passageiros dançam, nos salões da sua própria demagogia, La Brusselese.
Neste mar de mistérios convenientes para ocultar um modelo socio-económico insustentável, La nave va… e ninguém dá atenção ao cadáver que transporta. Inebriados com discursos e abraços, os passageiros dançam, nos salões da sua própria demagogia, La Brusselese.
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2017/04/25
2014/11/09
Porque hoje é domingo (60)
A Igreja Católica invoca neste dia o episódio em que Jesus expulsa os vendilhões do Templo: «Não façais da casa de meu Pai uma casa de negócio»*. E “proibiu” qualquer tipo de comércio no Templo - mesmo que isso arruinasse os sacerdotes.**
Não é difícil perceber que o Filho de Deus deixava um recado aos portugueses do século XXI. Basta pensar que o tempolo dos cidadãos é o seu país e que os vendilhões são os vendedores do património nacional.
Alguém tem que juntar as cordas da sociedade, as vontades dispersas de mudança, e com elas fazer um chicote com que vergastar os vendilhões da Pátria, do País, da Nação – como queiram chamar-lhe. Não importa qual seja a sua igreja, desde que seja patriota, desde que o castigo infligido aos “cambistas” seja para restituir ao Povo o que lhe pertence – património, cultura, dignidade.
Alguém tem que enfrentar com risco e coragem os sacerdotes do capitalismo, ameaçados nos seus privilégios directos ou indirectos – os próprios capitalistas ou os seus propagandistas. Alguém tem que restituir ao Povo o que é do Povo, à Nação o que é da Nação. E já não pode ser Lenine. Nem Álvaro Cunhal.
E a quem se reclama de ser Livre, há que perguntar:
- livre para quê? Para servir o governo que vier?
notas
O quadro "Expulsão dos Vendilhões do Templo" é de Rembrandt.
* (João 2:15-16) ** (Mc 11:16)
Não é difícil perceber que o Filho de Deus deixava um recado aos portugueses do século XXI. Basta pensar que o tempolo dos cidadãos é o seu país e que os vendilhões são os vendedores do património nacional.
Alguém tem que juntar as cordas da sociedade, as vontades dispersas de mudança, e com elas fazer um chicote com que vergastar os vendilhões da Pátria, do País, da Nação – como queiram chamar-lhe. Não importa qual seja a sua igreja, desde que seja patriota, desde que o castigo infligido aos “cambistas” seja para restituir ao Povo o que lhe pertence – património, cultura, dignidade.
Alguém tem que enfrentar com risco e coragem os sacerdotes do capitalismo, ameaçados nos seus privilégios directos ou indirectos – os próprios capitalistas ou os seus propagandistas. Alguém tem que restituir ao Povo o que é do Povo, à Nação o que é da Nação. E já não pode ser Lenine. Nem Álvaro Cunhal.
E a quem se reclama de ser Livre, há que perguntar:
- livre para quê? Para servir o governo que vier?
notas
O quadro "Expulsão dos Vendilhões do Templo" é de Rembrandt.
* (João 2:15-16) ** (Mc 11:16)
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2014/01/16
Destruição controlada do regime
ou: A crise encurralada
A ideia de que o desenvolvimento económico é o objectivo
final das sociedades, ganhou uma força avassaladora com a crise financeira
desencadeada a partir de 2008.
Esta ideia é um sub-produto cultural que germina no esterco
da especulação e da corrupção, para justificar teoricamente os crimes
económicos e sociais do capitalismo. É a forma de encurralar a crítica e a
revolta, nos muros de uma construção ideológica segundo a qual a saída para a
crise é a recusa do bem-estar social, em benefício do bem-estar empresarial –
lucrar à custa do empobrecimento geral. É a desforra do lucro contra o
progresso social dos povos no século XX.
Nas universidades e nas livrarias, nos jornais e nos discursos, os temas económicos absorvem o pensamento dos cidadãos para os convencer que a Economia é o fim, o
objectivo, e não um instrumento para satisfazer as necessidades dos povos. Já
não se trata de criar felicidade mas sim de criar riqueza, já não é o orçamento
para servir o homem, é o homem para servir o orçamento – é o reino da
imoralidade.
Acontece porém que a criação de riqueza só compensa os
“empreendedores” e os investidores, na
medida em que encontrem consumidores. Mais acontece que o desenvolvimento
económico se confronta com a concorrência de outros actores que fazem o mesmo
jogo.
Ora o empobrecimento, e sobretudo o empobrecimento global, joga contra o consumo de que vive o “empreendedor”, e a concorrência global joga contra a oportunidade do investidor – são muitos os corredores mas só haverá um reduzido grupo de vencedores, o grupo do costume que no contexto actual tem sede na Alemanha, nos EUA ou na China, a nível internacional, e tem nomes sobejamente conhecidos a nível nacional... (*)
Entretanto, quem tem poder para gerar falências e desemprego generalizadas e derrubar o sistema, enfim, também tem poder para reerguê-lo, isto é, para refundá-lo; neste processo de destruição controlada que arrasa as camadas mais desfavorecidas mas favorece os privilegiados, são poupados os alicerces para facilitar a construção do novo edifício a partir das ruínas.
Assiste-se então, com alívio e assombro das populações, a um “milagre económico”, ao florescimento de um mundo “novo” cuja arquitectura copia, na verdade, o paradigma social dos princípios do século XX, isto é, uma sociedade pobre e sem direitos ao serviço de uma elite rica e sem obrigações.
*
"A fortuna dos 870 multimilionários portugueses aumentou 10 mil milhões de dólares (7,5 mil milhões de euros), apesar da crise económica que assola o país". (Ver mais no Público de 7NOV2013)
Ora o empobrecimento, e sobretudo o empobrecimento global, joga contra o consumo de que vive o “empreendedor”, e a concorrência global joga contra a oportunidade do investidor – são muitos os corredores mas só haverá um reduzido grupo de vencedores, o grupo do costume que no contexto actual tem sede na Alemanha, nos EUA ou na China, a nível internacional, e tem nomes sobejamente conhecidos a nível nacional... (*)
Entretanto, quem tem poder para gerar falências e desemprego generalizadas e derrubar o sistema, enfim, também tem poder para reerguê-lo, isto é, para refundá-lo; neste processo de destruição controlada que arrasa as camadas mais desfavorecidas mas favorece os privilegiados, são poupados os alicerces para facilitar a construção do novo edifício a partir das ruínas.
Assiste-se então, com alívio e assombro das populações, a um “milagre económico”, ao florescimento de um mundo “novo” cuja arquitectura copia, na verdade, o paradigma social dos princípios do século XX, isto é, uma sociedade pobre e sem direitos ao serviço de uma elite rica e sem obrigações.
*
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2013/09/22
Da crise à troika (I)
Para responder à recessão económica dos EUA em 2001, foi adoptada uma estratégia de facilidades de crédito que se revelou perigosa.
O entusiasmo da procura criado pelas facilidades de crédito, fez subir os preços e os juros, especialmente no sector da construção civil, o que gerou endividamento dos proprietários e retracção dos potenciais compradores. Em 2004 os juros estavam já em 5,25%. Mas com a execução das hipotecas, os imóveis retomados pela banca voltam a ser colocados à venda, agora por baixos preços, o que agrava ainda mais a crise da indústria de construção.
Foi um desastre para o sector imobiliário e automóvel, especialmente, que deixaram de vender e de cobrar os empréstimos. Mas, além disso, deixaram de alimentar a banca que acabou por apresentar falta de liquidez – é a crise financeira de 2008.
Neste processo teve um papel importante a negociação de títulos que ofereciam taxas altas mas também grandes riscos (subprime) e que deixaram de merecer a confiança dos investidores.
Retracção do crédito, crise de liquidez, falências de empresas imobiliárias que ficam na posse da banca com os seus prejuízos, falência no próprio sector bancário!
Em 2008, o Lehman Brothers, o quarto maior banco de negócios dos Estados Unidos, declarou falência. Começava assim o colapso do sistema financeiro norte-americano. A falência do banco centenário,que perdeu mais de 4 mil milhões de dólares foi anunciada depois da administração Bush ter decidido não intervir no sistema bancário.
Ao verificar os efeitos desastrosos desta não intervenção do Estado, a administração norte-americana teve que inverter a sua estratégia e logo nacionalizou a maior seguradora do mundo, a AIG. Afinal era o Estado quem podia resolver os problemas e não o livre funcionamento dos mercados! «Depois do colapso, o governo norte-americano foi o campeão dos apoios públicos para enfrentar a crise, ao libertar 3.6 milhares de milhões de dólares para dinamizar a economia».
Depois do Lehman Brothers, outros bancos importantes, nomeadamente o Bank of America, o Citigroup e Wells Fargo foram afectados pela crise económica.
O governo americano aprovou em outubro de 2008 um pacote de ajuda de 700 milhares de milhões de dólares para ajudar os bancos afetados com os produtos envolvidos no "subprime" (créditos de alto risco) mas também empresas de créditos, montadoras de automóveis, entre outros. Sucessivos pacotes de ajuda de muitos milhões de dólares, destinada a sectores fundamentais da economia como o sector automóvel, nomeadamente a General Motors e a Chrysler, ou destinadas a obras de infraestrutura, sem perder de vista o combate à elevada taxa de desemprego, foram disponibilizados pelo Estado ultraliberal, isto é, pelos impostos dos cidadãos norte-americanos, para resolver o problema financeiro criado pela desregulamentação.
É a lógica dos mercados... a falhar!
Próximo post: Parte II
O entusiasmo da procura criado pelas facilidades de crédito, fez subir os preços e os juros, especialmente no sector da construção civil, o que gerou endividamento dos proprietários e retracção dos potenciais compradores. Em 2004 os juros estavam já em 5,25%. Mas com a execução das hipotecas, os imóveis retomados pela banca voltam a ser colocados à venda, agora por baixos preços, o que agrava ainda mais a crise da indústria de construção.
Foi um desastre para o sector imobiliário e automóvel, especialmente, que deixaram de vender e de cobrar os empréstimos. Mas, além disso, deixaram de alimentar a banca que acabou por apresentar falta de liquidez – é a crise financeira de 2008.
Neste processo teve um papel importante a negociação de títulos que ofereciam taxas altas mas também grandes riscos (subprime) e que deixaram de merecer a confiança dos investidores.
Retracção do crédito, crise de liquidez, falências de empresas imobiliárias que ficam na posse da banca com os seus prejuízos, falência no próprio sector bancário!
Em 2008, o Lehman Brothers, o quarto maior banco de negócios dos Estados Unidos, declarou falência. Começava assim o colapso do sistema financeiro norte-americano. A falência do banco centenário,que perdeu mais de 4 mil milhões de dólares foi anunciada depois da administração Bush ter decidido não intervir no sistema bancário.
Ao verificar os efeitos desastrosos desta não intervenção do Estado, a administração norte-americana teve que inverter a sua estratégia e logo nacionalizou a maior seguradora do mundo, a AIG. Afinal era o Estado quem podia resolver os problemas e não o livre funcionamento dos mercados! «Depois do colapso, o governo norte-americano foi o campeão dos apoios públicos para enfrentar a crise, ao libertar 3.6 milhares de milhões de dólares para dinamizar a economia».
Depois do Lehman Brothers, outros bancos importantes, nomeadamente o Bank of America, o Citigroup e Wells Fargo foram afectados pela crise económica.
O governo americano aprovou em outubro de 2008 um pacote de ajuda de 700 milhares de milhões de dólares para ajudar os bancos afetados com os produtos envolvidos no "subprime" (créditos de alto risco) mas também empresas de créditos, montadoras de automóveis, entre outros. Sucessivos pacotes de ajuda de muitos milhões de dólares, destinada a sectores fundamentais da economia como o sector automóvel, nomeadamente a General Motors e a Chrysler, ou destinadas a obras de infraestrutura, sem perder de vista o combate à elevada taxa de desemprego, foram disponibilizados pelo Estado ultraliberal, isto é, pelos impostos dos cidadãos norte-americanos, para resolver o problema financeiro criado pela desregulamentação.
É a lógica dos mercados... a falhar!
Próximo post: Parte II
2013/06/12
Passos Coelho no divã

Mais profeta do que militante – “que se lixem as eleições”, disse ele - Passos Coelho julga-se mandatado pela História para uma missão cujo mérito os mandantes (eleitores) hão-de reconhecer... mais tarde. Tal como outras figuras messiânicas da política, ele acha que “a História o absolverá”.
Os seus apóstolos mais próximos formam uma trindade; os seus mentores também e outros tantos são os seus inimigos. Apóstolos: Miguel Relvas, Paulo Portas e Vitor Gaspar. Mentores: Merkel, a troika e os mercados. Inimigos: a Constituição, o estado Social e os portugueses em geral: professores, médicos, juízes, militares, funcionários, reformados, operários, jornalistas, sindicatos, livres-pensadores e as chuvas invernais.
Se parece um exagero da minha parte, não é porque os factos o não confirmem mas porque “é mau demais para ser verdade”, isto é, custa a acreditar. No entanto, se tivermos em conta os efeitos psico-patológicos que o Poder exerce sobre as mentes, tal como ensinou Lacan, acharemos menos improvável.
Segundo este discípulo de Freud, um cidadão qualquer quando sobe ao poder, altera o seu psiquismo. O seu olhar sobre os outros, altera-se; admita ou não, ele olhará "de cima" os seus "governados", os "comandados", os "coordenados", enfim, os demais. (Isto explica a sobranceria em relação ao Tribunal Constitucional, por exemplo).
Ainda que a corrosiva dúvida que assalta qualquer ser humano, perturbe os seus sonhos, assalte o seu pensamento, sobretudo quando emerge de provas evidentes e avisos persistentes, o orgulho ou a cobardia política não lhe permitirão mudar de rumo e, pelo que tem dito, nem sequer mudar de vida. Outros terão que dar-lhe uma ajuda!
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2013/06/08
De Loures a Istambul
Milhares de pinheiros-mansos começaram a ser abatidos no início deste mês, numa área de 5,4 hectares da chamada Mata do Paraíso, junto ao Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL), para ali ser construída uma central fotovoltaica do grupo Martifer.
…
O problema não está nas energias limpas (sol, vento, água, marés, etc.,) e na sua utilização para produzir eletricidade, mas sim na forma neoliberal de sua exploração capitalista intensa com vista a um fim principal: lucros rápidos e chorudos.
Esta denúncia que recortei no blogue Praça do Bocage fez-me lembrar o que se está a passar na Praça Taksim, em Istambul, onde manifestantes turcos protestam há uma semana contra a razia do Parque Gezi para instalação de um grande centro comercial, em nome do progresso!... Mutatis mutandis.
Nota: As fotografias não foram recortadas no sítio do texto. A foto de pinheiros mansos, nomeadamente, foi recolhida em Naturlink
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2013/03/02
Coelho apoia os banqueiros
É o que Passos Coelho chama
"apoio às Pequenas e Médias Empresas":
«Na hora de pedir financiamento, as PME nacionais enfrentam custos superiores aos das suas congéneres gregas, espanholas ou irlandesas. Pior do que em Portugal, só mesmo as empresas do Chipre, país à beira de um resgate da troika, e cujo sector bancário está altamente exposto à Grécia».
Isto depois do Estado português «ter recebido uma injecção de sete mil milhões de euros e de a troika ter exigido que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) facilite o crédito às PME».
SOL 2013Mar02
"apoio às Pequenas e Médias Empresas":
«Na hora de pedir financiamento, as PME nacionais enfrentam custos superiores aos das suas congéneres gregas, espanholas ou irlandesas. Pior do que em Portugal, só mesmo as empresas do Chipre, país à beira de um resgate da troika, e cujo sector bancário está altamente exposto à Grécia».
Isto depois do Estado português «ter recebido uma injecção de sete mil milhões de euros e de a troika ter exigido que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) facilite o crédito às PME».
SOL 2013Mar02
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2013/01/05
Falso missionário português
Neste tempo em que os ratos saltam da barca que se afunda, alguém tem que fazer um retrato desinteressado e inteligente, do governo que temos. A jornalista Sandra Monteiro faz isso no Monde Diplomatique, num texto de que recortei o excerto que segue.
No seu título "Missão Histórica" me inspirei, obviamente, para o nome que dou a este "post".
«... E o drama é este: quanto mais a retórica de Passos Coelho associa a sua governação a uma «missão histórica» que há-de salvar este país de «piegas», mais se percebe que a sua verdadeira missão é transformar os cidadãos em cobaias de um laboratório neoliberal, em que todo o sofrimento social é desprezível. A questão é quando, e como, lhe é retirada esta oportunidade histórica».
Menos contido, eu atrevo-me a lembrar que em outros países, os falsos missionários que se aproveitam da ingenuidade dos crentes, são julgados e punidos. Se isso não acontece com Passos Coelho é certamente porque os prejuízos causados ao povos português são tão avultados que nem ele nem o seu governo nem o seu partido, apesar de tudo, teriam condições para pagar as indemnizações.
No seu título "Missão Histórica" me inspirei, obviamente, para o nome que dou a este "post".
«... E o drama é este: quanto mais a retórica de Passos Coelho associa a sua governação a uma «missão histórica» que há-de salvar este país de «piegas», mais se percebe que a sua verdadeira missão é transformar os cidadãos em cobaias de um laboratório neoliberal, em que todo o sofrimento social é desprezível. A questão é quando, e como, lhe é retirada esta oportunidade histórica».
Menos contido, eu atrevo-me a lembrar que em outros países, os falsos missionários que se aproveitam da ingenuidade dos crentes, são julgados e punidos. Se isso não acontece com Passos Coelho é certamente porque os prejuízos causados ao povos português são tão avultados que nem ele nem o seu governo nem o seu partido, apesar de tudo, teriam condições para pagar as indemnizações.
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2011/09/01
A crise da crise
De cépticos a cínicos
por: Emir Sader
O cepticismo parece um bom refúgio em tempos em que já se decretou o fim das utopias, o fim do socialismo, até mesmo o fim da história. É mais cómodo dizer que não se acredita em nada, que tudo é igual, que nada vale a pena. O socialismo teria dado em tiranias, a política em corrupção, os ideais em interesses. A natureza humana seria essencialmente ruim: egoísta, violenta, propensa à corrupção.
Nesse cenário, só restaria não acreditar em nada, para o que é indispensável desqualificar tudo, aderir ao cambalacho: nada é melhor, tudo é igual. Exercer o cepticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade. Umas são péssimas, outras impossíveis.
(...)
Ser optimista não é desconsiderar os graves problemas de toda ordem que o mundo vive, não porque a natureza humana seja ruim por essência, mas porque vivemos em um sistema centrado no lucro e não nas necessidades humanas – o capitalismo, na sua era neoliberal. Desconhecer as raízes históricas dos problemas, não compreender que é um sistema construído historicamente e que, portanto, pode ser desconstruído, que teve começo, tem meio e pode ter fim. Que a história humana é sempre um processo aberto de alternativas (...)
31 de Agosto de 2011
* De origem libanesa, Emir Sader é sociólogo e cientista político brasileiro e membro do conselho editorial do periódico inglês New Left Review.
Escreve no blogue CARTA MAIOR
As imagens foram acrescentadas
por: Emir Sader
O cepticismo parece um bom refúgio em tempos em que já se decretou o fim das utopias, o fim do socialismo, até mesmo o fim da história. É mais cómodo dizer que não se acredita em nada, que tudo é igual, que nada vale a pena. O socialismo teria dado em tiranias, a política em corrupção, os ideais em interesses. A natureza humana seria essencialmente ruim: egoísta, violenta, propensa à corrupção.
Nesse cenário, só restaria não acreditar em nada, para o que é indispensável desqualificar tudo, aderir ao cambalacho: nada é melhor, tudo é igual. Exercer o cepticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade. Umas são péssimas, outras impossíveis.
(...)
Ser optimista não é desconsiderar os graves problemas de toda ordem que o mundo vive, não porque a natureza humana seja ruim por essência, mas porque vivemos em um sistema centrado no lucro e não nas necessidades humanas – o capitalismo, na sua era neoliberal. Desconhecer as raízes históricas dos problemas, não compreender que é um sistema construído historicamente e que, portanto, pode ser desconstruído, que teve começo, tem meio e pode ter fim. Que a história humana é sempre um processo aberto de alternativas (...)
31 de Agosto de 2011
Escreve no blogue CARTA MAIOR
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2011/07/20
Plano de Privatizações
do Governo PSD-CDS
Alienação total dos capitais públicos da PT, da GALP, da EDP, da REN, a privatização das Águas de Portugal, da TAP, da ANA, da CP-Carga, a concessão de linhas da CARRIS, do Metro de Lisboa, STCP, a concessão de suburbanos de Lisboa e Porto da CP, privatização dos CTT, privatização da RTP e privatização total através do abandono da parte pública da LUSA, na indústria de Defesa os estaleiros navais de Viana do Castelo e outros sectores da IMPORDEF, e no sector financeiro a Privatização do sector segurador da CGD e outras áreas não financeiras da Caixa Geral de Depósitos. Tudo isto na sequência da aprovação de um decreto-lei de 5 de Julho destnado ao abandono das golden shares (direitos especiais), detidas pelo Estado português na GALP, na EDP e na PT, nem sequer através da venda mas sim da oferta aos accionistas privados.Descrição do deputado António Filipe, do PCP, em Audição do dia 18 de Julho.
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2011/07/18
O Grego
«Ver-se grego» ganha nova conotação desde a crise económica em curso. «Ver-se grego» pode querer dizer, entre outras coisas, ver-se entregue aos abutres financeiros. Mas como ensina "Zorba, o Grego", a alegria da alma sobreleva a ganância dos negócios.
Ficção? Não tanto como os discursos dos governantes.
Para representar o capitalista, teria que recortar "um boi a olhar para um palácio" que é como o capitalismo olha para a Cultura, para a História, para a Civilização, para o Homem. Melhor dizendo: "o capitalista vê em tudo mercadoria" - para usar a expressão de Karl Marx.
Pior que a cegueira do capitalista, só quem se deixa guiar por ele. Mas isso é voltar ao assunto do post anterior...
Ficção? Não tanto como os discursos dos governantes.
Para representar o capitalista, teria que recortar "um boi a olhar para um palácio" que é como o capitalismo olha para a Cultura, para a História, para a Civilização, para o Homem. Melhor dizendo: "o capitalista vê em tudo mercadoria" - para usar a expressão de Karl Marx.
Pior que a cegueira do capitalista, só quem se deixa guiar por ele. Mas isso é voltar ao assunto do post anterior...
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2011/07/16
O tempo dirá se é tempo
Este esforço desmesurado dos políticos "e" jornalistas da Direita, para não mostrar que o tempo do liberalismo está condenado a acabar, tem um aspecto patético. E há também aquela pose de candura cínica a espalhar sorrisos de lá do alto, qual amazona, julgando ter o Povo pelas rédeas.

Sob o manto diáfano da sua placidez, a nudez crua do seu pensamento: Mais mercado e menos Estado! Está nas suas mãos evitar a erosão do vento e a fúria do cavalo que, como se sabe, é um animal muito temperamental.
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2011/06/18
Afiam-se as facas
Enquanto os anestesistas vão fazendo o seu trabalho nas televisões e os cirurgiões afiam as facas para nos tratarem da saúde, aproveitemos para lembrar como os mesmos nos ajudaram a adoecer com as suas receitas. E em espanhol, para disfarçar.
sueldo = ordenado
sueldo = ordenado
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2011/03/17
Algazarra e explosão
A manifestação da chamada “Geração à Rasca”,
do passado dia 12 de Março de 2011, vale muito
pelo que revela ou confirma do estado de espírito da sociedade mas parece valer pouco como instrumento para melhorá-la.
Do ponto de vista subjectivo, isto é, do sentimento dos participantes, tanto quanto se possa identificar em conjunto, sobressai a expressão de descontentamento com os poderes, isto é, com os representantes da população nos orgãos de poder, quer estejam em exercício ou em oposição.
Contra o poder em exercício, contestam (algumas) políticas adoptadas; contra as oposições partidárias denunciam a incapacidade destas para interpretar a vontade da população ou para serem eficazes na oposição que encenam. Os manifestantes pretendem afirmar-se como vozes genuínas contra a algazarra geral. As motivações de cada grupo de interesses dilui-se neste inócuo propósito de afirmação. Reproduzem a algazarra mas de forma desorganizada.
Do ponto de vista das motivações, o que parece mais saliente são reivindicações ligadas com o direito ao trabalho e às condições de trabalho, nomeadamente o combate à generalização do trabalho precário. Nada que não seja dito, argumentado e insistido diariamente pelas organizações sindicais e políticas de esquerda, todos os dias e em todos os foros, afinal, pelo que se exprime a desconfiança dos manifestantes em tais organizações – fica o recado! O que esta forma de manifestação acrescenta é a demonstração do caracter plural e amplamente abrangente do descontentamento.
Nesta forma alternativa de algazarra desorganizada, não se adivinham as consequências sonhadas por alguns - é bom ter presente que não estamos (ainda) perante uma revolta. Mas que aquecem as condições sociais para uma “mudança de paradigma” no combate político, lá isso aquecem.
Para pôr água na fervura têm os políticos profissionais, métodos conhecidos que vão das remodelações governamentais até às eleições antecipadas. Mas há que ter em conta o exemplo das centrais nucleares japonesas: quando o sismo da deterioração social se junta ao "sunami" do descontentamento, não haverá água que chegue para arrefecer os motores da revolta.
Nessa altura, o melhor que pode acontecer é a explosão do paradigma liberal. Até lá, vão-se contando as vítimas.
do passado dia 12 de Março de 2011, vale muito
pelo que revela ou confirma do estado de espírito da sociedade mas parece valer pouco como instrumento para melhorá-la.
Do ponto de vista subjectivo, isto é, do sentimento dos participantes, tanto quanto se possa identificar em conjunto, sobressai a expressão de descontentamento com os poderes, isto é, com os representantes da população nos orgãos de poder, quer estejam em exercício ou em oposição.
Contra o poder em exercício, contestam (algumas) políticas adoptadas; contra as oposições partidárias denunciam a incapacidade destas para interpretar a vontade da população ou para serem eficazes na oposição que encenam. Os manifestantes pretendem afirmar-se como vozes genuínas contra a algazarra geral. As motivações de cada grupo de interesses dilui-se neste inócuo propósito de afirmação. Reproduzem a algazarra mas de forma desorganizada.
Do ponto de vista das motivações, o que parece mais saliente são reivindicações ligadas com o direito ao trabalho e às condições de trabalho, nomeadamente o combate à generalização do trabalho precário. Nada que não seja dito, argumentado e insistido diariamente pelas organizações sindicais e políticas de esquerda, todos os dias e em todos os foros, afinal, pelo que se exprime a desconfiança dos manifestantes em tais organizações – fica o recado! O que esta forma de manifestação acrescenta é a demonstração do caracter plural e amplamente abrangente do descontentamento.
Nesta forma alternativa de algazarra desorganizada, não se adivinham as consequências sonhadas por alguns - é bom ter presente que não estamos (ainda) perante uma revolta. Mas que aquecem as condições sociais para uma “mudança de paradigma” no combate político, lá isso aquecem.
Para pôr água na fervura têm os políticos profissionais, métodos conhecidos que vão das remodelações governamentais até às eleições antecipadas. Mas há que ter em conta o exemplo das centrais nucleares japonesas: quando o sismo da deterioração social se junta ao "sunami" do descontentamento, não haverá água que chegue para arrefecer os motores da revolta.Nessa altura, o melhor que pode acontecer é a explosão do paradigma liberal. Até lá, vão-se contando as vítimas.
2010/05/28
Também peço desculpa
Depois de Passos Coelho pedir desculpa por ter dado uma mão "ao país" e de Cavaco Silva ter pedido desculpa por aprovar a lei do casamento entre homossexuais, sinto-me à vontade para pedir desculpa por não publicar aqui nada há vários dias (o que é quase tão grave como ter publicado!).
Mas acontece que fui confrontado com revelações que me deixaram estarrecido - eu que ando nisto há tantos anos, ex-combatente da guerra colonial, ex-sindicalista, ex-pcp... Definitivamente, pela vossa boa saúde,
não leiam o blogue "Trinta de Fevereiro".
Aproveitem mas é para ir à praia e depois de jantar sentem-se a ver os bons conselhos dos nossos líderes de opinião publicada, no sentido de aceitarem as boas, justas e necessárias medidas do Governo - necessárias mas insuficientes, claro. E digam a tudo que sim, se não querem parecer tolos.
Aviso: conheço um que leu aquele blogue e decidiu ir à manifestação deste Sábado, promovida pela CGTP.
não leiam o blogue "Trinta de Fevereiro".
Aproveitem mas é para ir à praia e depois de jantar sentem-se a ver os bons conselhos dos nossos líderes de opinião publicada, no sentido de aceitarem as boas, justas e necessárias medidas do Governo - necessárias mas insuficientes, claro. E digam a tudo que sim, se não querem parecer tolos.
Aviso: conheço um que leu aquele blogue e decidiu ir à manifestação deste Sábado, promovida pela CGTP.
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2008/02/23
Ética política
A “ética” neoliberal se reduz às virtudes privadas dos indivíduos. Ignora a visão de institucionalidade ética.Reforça, assim, a atitude paralisante do moralismo, que a reduz à ilusória perfeição individual.
Ora, se a sociedade é estruturada, a ética é imprescindível para se configurar o mundo histórico. Portanto, exige uma teoria política normativa das instituições que regem a sociedade.
Não basta falar em ética na política. A crítica às instituições geradoras de injustiças e negadoras de direitos exige ética
da política.
As instituições devem garantir a justiça distributiva - a partilha dos bens a que todos têm direito -, e a justiça participativa, a presença de todos (democracia) no poder que decide os rumos da sociedade.O grande desafio ético hoje é como criar instituições capazes de assegurar direitos universais. Isso supõe uma ruptura com a atual visão pós-moderna, neoliberal, de fragmentação do mundo e exacerbação egolátrica, individualista.
...
Neste mundo desesperançado, apenas a imaginação e a criatividade são capazes de livrar a juventude da inércia, a classe média do desalento, os excluídos do sofrido conformismo. Isso requer uma ideologia que resgate a ética humanista do socialismo de inspiração cristã e abandone toda interpretação escolástica da realidade. Sobretudo toda atitude que, em nome do combate à velha ordem, faz a esquerda agir mimeticamente ao incensar vaidades, apegar-se a funções de poder, ceder à corrupção, reforçar a antropofagia de grupos e tendências que se satisfazem em morder uns aos outros.O pólo de referência de todos que pretendem alcançar “um outro mundo possível”, em torno do qual precisam se unir, é somente um: os direitos dos pobres.
- Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Paulo Freire e Ricardo Kotscho, de “Essa escola chamada vida” (Ática), entre outros livros.
Artigo recortado em : http://alainet.org/active/20839&lang=es
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