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2023/05/25

Uma sessão do parlamento

Depois de organizados na mesa da presidência os dossiers e os copos de água a contento do senhor presidente e dos secretários, foi declarada aberta a sessão. Passavam já largos minutos da hora marcada, mas ninguém estranhou - eram todos portugueses, estavam habituados.
O presidente teve ainda a prerrogativa de anunciar a ordem dos trabalhos, mas logo um deputado da oposição pediu a palavra. "Para que efeito?" - perguntou o presidente. "É para apresentar um ponto de ordem à mesa, sr. presidente". Surpreendido, o presidente ripostou: "Mas os trabalhos ainda não começaram sequer...". "Por isso mesmo, senhor presidente. A minha intervenção é exactamente para que se verifique se existe quorum. Eu sei que é uma mera formalidade, mas as formalidades são essenciais para o bom decurso dos trabalhos".
O olhar do presidente percorreu com grande cuidado a sala, fila por fila, cadeira por cadeira, cara por cara, e, tendo verificado que a sala estava completamente preenchida, ainda assim teve o cuidado de perguntar: "falta alguém?". Se faltava alguém, não respondeu, pelo que se daria início aos trabalhos, sem mais delongas. Mas a bancada da maioria não pôde conter a sua indignação com o insólito episódio e, para além do burburinho a que se dedicou durante o mesmo, fez questão de requerer também ela um ponto de ordem à mesa: que a intenção com que o deputado anterior requereu o seu protesto não foi mais do que um pretexto para atrazar os trabalhos, devido ao incómodo que a discussão agendada trazia à bancada da oposição. Nisto, entre uma intervenção e outra que colocaram pontos de ordem à mesa, não só a ordem foi quebrada como os trabalhos demoraram mais do que aconteceria se não fossem as reclamações... contra a demora no início dos trabalhos.

2018/11/09

A virgem ofendida do PSD

Uma tal deputada do PSD, Emília Cerqueira, apresentou-se hoje aos orgãos de Informação, arrogante e indignada qual virgem ofendida, para nos fazer saber que não há registos de presença nas sessões da Assembleia da República, que basta um deputado, onde quer que esteja, abrir a página de trabalho de um outro para que seja registada a presença deste outro no emiciclo parlamentar!... Que é muito normal e vulgar os deputados partilharem as passwords uns dos outros para acederem aos ficheiros de trabalho, do que resulta automaticamente o registo da presença na Assembleia do deputado que aloja esses ficheiros no seu computador.

Logo ficamos a saber que os registos de presença não servem para assinalar as presenças mas sim para cobrar os subsídios de presença!

A virgem ofendida - falta saber se foi ela, uma vez que outros podem ter acedido à página de trabalho do deputado em causa - só se apercebeu da gravidade da situação ao fim de cinco dias de escândalo público. Como é que eu me apercebi vários dias antes dela?

A virgem ofendida - a melhor defesa é o ataque! - insultou os lisboetas a despropósito e em nome da superioridade moral dos minhotos! Eu que sou mais minhoto do que lisboeta, sinto-me envergonhado - passe o exagero - com esta representante de não-sei-quem.

A virgem ofendida não é digna de representar os portugueses nem os minhotos nem os habitantes dos Arcos de Valdevez para onde deveria voltar com a mesma determinação com que tratou hoje os cidadãos indignados deste país que pagam aos deputados pela participação real ou falsa nas sessões da Assembleia da República.

2013/07/12

À atenção de Assunção Esteves

Convidada a comentar o governo PSD-CDS", disse Simone de Beauvoir: “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.” E sobre a posição de Passos Coelho, comentou: “Diante de um obstáculo que é impossível de superar, obstinação é estupidez.”

Um outro jornalista perguntou-lhe se não reconhecia, apesar de tudo, que o presidente Cavaco Silva era, acima de tudo, um homem sério. Ao que respondeu Simone Beauvoir : “O homem sério é perigoso, pode transformar-se em tirano.”

As citações de S. Beauvoir são verdadeiras mas retiradas, obviamente, do contexto original.