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2017/04/10

Terroristas bons

Há terroristas bons e terroristas maus, segundo os governos ocidentais – e quem diz os governos diz os seus porta-vozes na política e nos orgãos de informação. Os primeiros são chamados “moderados” e recebem apoio financeiro e militar da Europa e dos Estados Unidos da América para combater o presidente sírio.

No dia 4 de Abril de 2017, o exército governamental sírio atacou uma base de “terroristas bons” e daí resultaram 58 ou mais de uma centena de mortos, conforme a fonte, tendo-se apurado que muitas das vítimas acusavam efeitos de armas químicas "proibidas".

Os EUA, sem investigarem a procedência de tais armas e sem aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, reagiram com o lançamento de 59 mísseis Tomahawk contra a base aérea de Shayrat (província de Homs) da qual terão partido os ataques sírios.

O Exército sírio nega a autoria de qualquer ataque com armas químicas, garantindo que nunca o fez nem o fará, e a Rússia admite que os produtos químicos letais não fossem lançados pelo exército sírio mas que estivessem armazenados num depósito oculto, dos terroristas, e por isso tenham sido atingidos.

“Os rebeldes” – como também são designados pelo ocidente os "terroristas bons"– negam as acusações e os ocidentais tomam estes por fontes credíveis.


Nunca se saberá a verdade, muito provavelmente. Esta é a grande vantagem dos verdadeiros autores do uso das armas químicas. E a opinião pública fará o “seu” juízo com base na opinião publicada. Talvez por isso estejamos a assistir a tanta unanimidade nos orgãos ocidentais de informação onde, de resto, só é ouvida uma parte dos actores políticos deste conflito. O próprio Donald Trump surge nestes meios travestido de homem justo.

Entretanto, em Boston, Massachusetts, americanos dizem que querem diplomacia para resolver a questão síria, e não mísseis. Para os envolvidos nas manifestações que ocorrem em pelo menos 35 cidades dos EUA, a motivação humanitária de Trump não passa de uma desculpa, muito parecida com a utilizada por George W. Bush em 2003 (invasão do Iraque), para atacar a Síria com o objetivo de derrubar o actual regime, matando ainda mais civis durante o processo.


A História ensina que provavelmente nunca saberemos a verdade, como disse, mas também ensina o que tem acontecido noutros episódios, isto é, qual a estratégia político-militar predominante nos EUA:

1) Provocar os países incómodos (de preferência através de rebeldes, verdadeiros ou falsos, desses países);
2) Acusá-los de iniciar hostilidades (com base na reacção às provocações);
3) “Retaliar” brutalmente (com a legitimidade da opinião favorável publicada);
4) Alimentar o descontentamento interno desses países hostis até à substituição do Poder por dirigentes pró-ocidentais.

A propósito: Venezuela, te cuida!

2014/04/05

As empresas na política



NOTÍCIAS

«A cadeia de fast-food McDonald's encerrou "temporariamente" a actividade dos três restaurantes que existiam na península da Crimeia.

A cadeia vai mais longe e oferece aos trabalhadores das lojas agora encerradas a "oportunidade" de trabalharem noutro restaurante McDonald's situado na Ucrânia».

«A Universal Postal Deutsche Post's, com sede em Genebra, anunciou que já não aceita distribuir cartas da Crimeia nem assegura a entrega na península».

COMENTÁRIOS

Qualquer semelhança com as estratégias da ITT na política interna dos países anti-imperialistas, isto é, dos países soberanos, não é pura coincidência.

Esse foi justamente o tema do meu tríptico recente neste blogue: “América Latina na mira dos EUA 1/2/3”.

Dívida pública, credores, ajustamento económico, etc., são armadilhas da sua "guerra fria" mundial, do boicote económico. É o imperialismo capitalista de peito aberto.

No caso do confronto com a Rússia, porém, é só fumaça. Mais: a Crimeia deve até agradecer, quer por razões de higiene, quer por razões de concorrência económica.

2014/03/25

A arte de derrubar governos

UCRÂNIA

A maior parte dos manifestantes que participaram nos distúrbios ocorridos na Ucrânia, anteriormente à anexação da Crimeia, recebem um pagamento médio de 200-300 grivna (15-25 euros). Recebem ou deviam receber, porque agora surgem notícias de que alguns destes estão a reclamar por não receber o dinheiro prometido!...

E eu que não tinha dado a devida atenção a isto:

«The protests in the western Ukraine are organized by the CIA, the US State Department, and by Washington- and EU-financed Non-Governmental Organizations (NGOs) that work in conjunction with the CIA and State Department. The purpose of the protests is to overturn the decision by the independent government of Ukraine not to join the EU».
(VER ORIGINAL AQUI)

VENEZUELA

«El ministro venezolano de Relaciones Interiores, Justicia y Paz, Miguel Rodríguez Torres, aseguró que Estados Unidos (EE.UU.) trabaja en el modelo de guerra de cuarta generación, en el golpe suave y en el adiestramiento para derrocar el Gobierno de Nicolás Maduro.
...
«Esto que hoy estamos viviendo se empezó a planificar por allá en el 2010. Se llevaron un grupo de estudiantes a México, trajeron unos europeos de Otpor y los estuvieron entrenando, adiestrando en México. Ahí estuvo Gaby Arellano, ustedes la han visto, es una de las que lideriza las guarimbas (...)» teleSUR 2014Mar24


E nós aqui neste quintal da Europa, a precisar tanto duma ajudinha...

2014/03/03

Ucrânia e os outros

Os Estados Unidos da América, a Alemanha e a própria NATO proclamam que “a Rússia deve respeitar a soberania, integridade territorial e as fronteiras da Ucrânia". Em matéria de não-intervenção e de respeito pela soberania dos outros países, a autoridade moral destes três é exemplar, como toda agente sabe !!!

Obama chega a afirmar que se trata de "uma quebra do direito internacional". Por seu lado, o presidente russo diz que “os americanos estão a interferir unilateral e cruamente nos assuntos internos da Ucrânia, (o que) é uma clara violação do tratado de 1994”.

RÚSSIA

Putin que dá asilo político ao presidente legítimo da Ucrânia, digo tão legítimo como Cavaco Silva em Portugal, certamente recebeu a autorização competente de Viktor Yanukovych – dura lex, sed lex – para entrar na Crimeia a fim de proteger a comunidade russa ali residente, e a sua Frota do Mar Negro.*

Entretanto, o Conselho Russo da Federação - equivalente ao Senado dos EUA – aprovou «por unanimidade uma resolução que autoriza Putin a usar as forças armadas da Rússia na Ucrânica, pedido que o Parlamento já havia encaminhado antes».

«Antes da votação, os senadores russos bufavam de fúria, disseram que Obama ameaçou a Rússia, insultou o povo russo, e que exigiam que Putin retirasse dos EUA o embaixador russo».
Citações «» do Pravda

* A Crimeia já foi governada pela Rússia no tempo da União Soviética, até que Kruschov decidiu transferi-la para a República Socialista da Ucrânia como gesto comemorativo da antiga união da Ucrânia à Rússia. Com a queda do comunismo, a Ucrânia manteve a Crimeia sob sua jurisdição, apesar de ali continuar sedeada, por acordo mútuo, a frota russa do Mar Negro.

2014/02/20

Venezuela na mira

“Não sei” se os Estados Unidos da América estão empenhados em dominar as decisões políticas e económicas da Venezuela.

“Não sei” se estão a desenvolver campanhas de desinformação e desestabilização do país.

“Não sei” se estão por detrás das tentativas violentas de golpe de estado em curso contra o governo.

“Não sei" se os líderes opositores Henrique Capriles e Leopoldo López são apoiados operacional e financeiramente pelo ex-ditador da Colômbia Álvaro Uribe e por algum departamento norte-americano.

Mas não faltam “razões” para que sim.


Não é impunemente que a Venezuela tem actualmente a maior reserva petrolífera do mundo – já acima da própria Arábia Saudita.

Não é impunemente que a eleição de Hugo Chavez em 1998 (56% dos votos) inaugurou uma era de políticas sociais contrárias aos interesses das camadas privilegiadas, políticas que estão a ser prosseguidas pelo novo presidente.

Os resultados obtidos na redução da pobreza foram um dos principais fatores de popularidade do governo Chávez. Segundo a CEPAL, por volta de 2002, 48,6% da população venezuelana encontrava-se em situação de pobreza, e 22,2% em condições de indigência. Em 2011, os pobres representavam 29,5% da população, e os indigentes, 11,7%. (Wikipedia)

Não é impunemente que a Venezuela promove a unidade estratégica dos países latino-americanos e do Caribe e que esta se consolida em oposição à pretensão de domínio norte-americano.

2010/07/30

EUA corrompem
jornalistas venezuelanos

UM CERTO CONCEITO
DE INDEPENDÊNCIA


Para que não se pense que a guerra da informação publicada se "limita" a matar jornalistas na Rússia, a comprar orgãos de Informação na Itália ou a prender jornalistas dissidentes em Cuba, aqui fica um recorte de notícia do PRAVDA que ajuda a perceber como a política dos EUA continua a apostar na contra-informação como arma e na corrupção como táctica. Mas também para compreender o contexto em que se insere o conflito interno venezuelano em torno da liberdade de informação.

«Um dos programas da Fupad (*), pelo qual recebeu 699.996 dólares do Departamento de Estado (dos EUA), em 2007, foi dedicado ao "desenvolvimento dos meios independentes na Venezuela" e para o jornalismo "via tecnologias inovadoras".

Os documentos evidenciam que mais de 150 jornalistas foram capacitados e treinados pelas agências estadunidenses e 25 páginas web foram financiadas na Venezuela com dinheiro estrangeiro. Espaço Público e IPYS foram os principais executores desse projeto em âmbito nacional, que também incluiu a outorga de "prêmios" de 25 mil dólares a vários jornalistas.

Durante os últimos dois anos, aconteceu uma verdadeira proliferação de páginas web, blogs e membros do Twitter e do Facebook na Venezuela que utilizam esses meios para promover mensagens contra o governo venezuelano e o presidente Chávez e que tentam distorcer e manipular a realidade sobre o que acontece no país».



Informação baseada em documentos recentemente desclassificados do Departamento de Estado dos Estados Unidos através da Lei de Acesso à Informação.

(*)A FUPAD é a Fundación Panamericana para el Desarrollo. Foi criada em 1962 nos Estados Unidos "mediante un acuerdo único de cooperación entre la Organización de Estados Americanos (OEA) y el sector privado. Es una organización independiente sin fines de lucro, cuyo objetivo es crear asociaciones con los sectores público y privado para asistir a las personas menos favorecidas de América Latina y el Caribe". Chegou em 2000 à Colômbia, país que se mostra muito agradecido como se pode ler AQUI.

2009/11/19

Política picante

Segundo a AFP, Hillary Clinton parece ter uma "queda" pelo ministro britânico David Miliband, no que seria em alguma medida correspondida. Fica assim desfeita a insinuação do jornalista que numa Conferência de Imprensa se referia ao “seu marido” querendo referir-se a Barack Obama!

Se o ex-presidente Bill Clinton já demonstrou saber lidar com situações conjugais ameaçadas, não parece que Michelle Obama seja tão flexível. No entanto a comida chinesa pode trazer-lhe problemas.

Mas no meio de toda esta fantasia picante, pode haver alguma coisa de sério em matéria de ciúmes políticos, os de Hillary por Obama, vindos do tempo em que concorreu contra ele às eleições presidenciais, e com repercussões eventuais no prestígio do presidente eleito, em matéria de política internacional. Mais que ciúmes, enfim, gostos diferentes, divergências escondidas em negociações secretas lá pela Sala Oval.

Estamos no domínio das teorias da conspiração, talvez, mas por alguma razão eles foram concorrentes e por alguma razão ela aceitou ser secretária de estado, representande dos EUA nas relações... internacionais!

Não sei se têm os mesmos sentimentos em relação às guerras e aos presos da CIA, mas pelo menos a postura de um e de outro à mesa da China, é bem distinta se compararmos a foto anterior com esta.
(Foto da AP/VISAO)

Enfim, em última análise, em cima da mesa das negociações, o que há de mais substancial... é a Economia, claro! Ou não fosse a China o maior detentor de títulos do Tesouro norte-americano - com uma carteira estimada em 800 mil milhões de dólares (534 mil milhões de euros) - e os Estados Unidos um dos principais mercados das suas exportações.

Isto é que “dá pica” !