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2016/10/29

Meu caro José Pacheko

Meu caro José Pacheko

V. sabe bem quanto eu contradigo a minha obra anterior, mas também sabe que se a contradigo não a renego nunca.


O texto anterior em itálico podia ser retirado de uma carta de Passos Coelho a Pacheco Pereira, mas não é. Trata-se de Almada Negreiros dirigindo-se a um outro Pacheco, aliás Pacheko, em 16 de Novembro... de 1917.

Quanto à "obra" que aqui me traz também não é da política, é da literatura. Quero registar que Almada Negreiros já escrevia sem forma e sem nexo, digamos assim, muito antes de Saramago e de Lobo Antunes, o António, sendo que ele próprio, o Negreiros, era filho de um António Lobo.

Deste "futurista e tudo", dado às artes plásticas e literárias, transcrevo o texto que segue.

esquerdo 1212... e a sombra a desfazer-se prò sol de brim a salpicar o sol de grãos de chumbo a rodar a quatro e quatro pla direita e réguas cinzentas de varetas de leque de rifa com divisas de brim inútil insignificante a vermelho igual ao zero de chumbo à direita com ela a chorar ao meio-dia co'as janelas fechadas e a porta zangada com o sol sem água no moringo sem ele prà acompanhar à mina d'água-férrea por causa do mal de nem querer merendar amoras nem estrear o xaile novo...

Foto recolhida em jornal i-online

2013/04/19

O presidente
«de todos os portugueses»


Na inauguração da Feira Internacional do Livro de Bogotá, em que Portugal é o país convidado, foram lembrados vários nomes de grandes escritores portugueses no discurso de inauguração do pavilhão português. Cavaco Silva referiu-se a Camões como o maior dos poetas e o chefe de Estado da Colômbia, João Manuel Santos, lembrou Fernando Pessoa.

Notada foi a ausência de qualquer referência, por parte de Cavaco Silva, a José Saramago, o único Nobel na literatura portuguesa.



Cavaco Silva, põe os seus interesses pessoais acima dos interesses de Portugal.

2012/02/12

Onde está a Democracia?

Sem concessões a regimes formalmente autoritários, mas a propósito da Grécia, de Portugal, das conversas ao ouvido e dos mansos que se acomodam muito bem aos sacrifícios desiguais...


2010/06/19

A Democracia segundo Saramago



em jeito de provocação

« A Democracia em que vivemos é uma democracia sequestrada, condicionada, amputada; está aí como se fosse uma espécie de santa de altar de quem já não se esperam milagres. Porque o poder de cada um de nós limita-se, na esfera política, a tirar um governo de que não se gosta e a pôr outro de que talvez se venha a gostar. Nada mais.

As grandes decisões são tomadas numa outra esfera. E todos sabemos qual é.

As grandes organizações financeiras internacionais: os “FMI’s”, as “organizações mundiais de comércio”, os “bancos mundiais”, a OCDE, tudo isso! Nenhum desses organismos é democrático. Como é que se pode falar de Democracia se aqueles que efectivamente governam o mundo não são eleitos democraticamente pelo povo? Quem é que escolhe os representantes dos países nessas organizações? Os respectivos povos? Não! Onde está então a Democracia? »


José Saramago em conferência de Abril de 2008
(data não confirmada)