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2016/10/29

Meu caro José Pacheko

Meu caro José Pacheko

V. sabe bem quanto eu contradigo a minha obra anterior, mas também sabe que se a contradigo não a renego nunca.


O texto anterior em itálico podia ser retirado de uma carta de Passos Coelho a Pacheco Pereira, mas não é. Trata-se de Almada Negreiros dirigindo-se a um outro Pacheco, aliás Pacheko, em 16 de Novembro... de 1917.

Quanto à "obra" que aqui me traz também não é da política, é da literatura. Quero registar que Almada Negreiros já escrevia sem forma e sem nexo, digamos assim, muito antes de Saramago e de Lobo Antunes, o António, sendo que ele próprio, o Negreiros, era filho de um António Lobo.

Deste "futurista e tudo", dado às artes plásticas e literárias, transcrevo o texto que segue.

esquerdo 1212... e a sombra a desfazer-se prò sol de brim a salpicar o sol de grãos de chumbo a rodar a quatro e quatro pla direita e réguas cinzentas de varetas de leque de rifa com divisas de brim inútil insignificante a vermelho igual ao zero de chumbo à direita com ela a chorar ao meio-dia co'as janelas fechadas e a porta zangada com o sol sem água no moringo sem ele prà acompanhar à mina d'água-férrea por causa do mal de nem querer merendar amoras nem estrear o xaile novo...

Foto recolhida em jornal i-online

2015/07/21

Pacheco Pereira e eu

Cerca de um mês depois do Zé Pacheco Pereira ter sido baptizado na Igreja do Bonfim, no Porto, foi a minha vez. A água benta que se fazia ali, tinha qualquer coisa que nos deixava a cabeça a fervilhar de ideias e inquietações, de querer mudar o mundo e acreditar nas nossas próprias forças para o fazer.

A PIDE que viria a ser o centro das nossas preocupações e, mais tarde, da sua entrada na clandestinidade, ficava perto da Igreja. Quem desce da igreja para a Avenida Camilo, e desce daí ao lado do Liceu Alexandre Herculano, vê logo o edifício da antiga polícia política ao fundo da António Granjo. 


Quantas vezes no teremos cruzado com os livros debaixo dos braços – na verdade já não me lembro como é que transportávamos os livros naquele tempo.

Os livros viriam a dominar a sua vida mais que a minha, talvez. Mas imagino que na adolescência ambos nos perdêssemos na Biblioteca Municipal, ali a São Lázaro, e que os gostos não seriam muito diferentes – o ensaio e a filosofia. Imagino, porque não nos conhecemos. Ai Zé, quantas vezes teremos saído juntos porque à hora de encerrar a sala de leitura, sem reparar no tempo que perdemos à procura de respostas que não existem, enquanto outros gozavam, despreocupados, da confortável impunidade de quem não sabe e não quer saber. Em todo ocaso, o mundo que procurávamos conhecer, lá dentro, estava cá fora.

Sim, a poesia. É sabido que o José Pacheco Pereira conviveu com Eugénio de Andrade. O meu convívio com os poetas da altura fazia-se apenas na biblioteca ou nas livrarias mas, em boa verdade, só se conhecem os artistas pelas suas obras e não pela partilha da mesa de casa ou do café.

Por falar em café, eu não frequentava o Café São Lázaro, ao pé, onde veio a constar que o José terá manifestado à Zita Seabra a vontade de entrar para o PCP e que o PCP torceu o nariz ficando a conversa… por ali. O Pacheco Pereira já desmentiu este episódio mas ainda que tivesse acontecido não teria perdido nada porque não encontraria espaço para o debate político que tanto aprecia. Entre o esquerdismo maoista e a social-democracia sá-carneirista, fez o seu caminho político, tão errático quanto turbulento.

E eu? Eu fiquei lá para trás, a vê-los. Mais ou menos. Que a minha água benta já terá perdido algumas propriedades, um mês depois do Pacheco Pereira ter sido baptizado como eu na Igreja do Bonfim. Se é que ele foi baptizado…

2014/01/25

Está-se bem na Direita

Pacheco Pereira denuncia com toda a propriedade, na revista Sábado" e no blogue Abrupto, aquilo que, a meu ver, não é "senão" a expressão despreocupada da ideologia que graça no CDS/PP. Transcrevo o primeiro parágrafo e recomendo o texto integral.

«A Juventude Popular propôs numa moção ao Congresso do CDS a diminuição da escolaridade obrigatória do 12º ano para o 9º ano porque “a liberdade de aprender (…) é um direito fundamental de cada pessoa”. Cinco secretários de estado, que pertencem à distinta agremiação, subscreveram a moção, que exprime o direito inalienável à ignorância, como direito individual.(*) Isto escrito por membros de um partido que se diz “personalista”. Aliás há outras puras imbecilidades na moção, como seja a igualização do “autoritarismo do Estado Novo”, com “o autoritarismo do défice e da dívida”, uma “ideia” igualmente muito reveladora do que vai na cabeça dos candidatos a senhoritos do CDS, que, como se vê, nos governam».

Situações de diferente natureza mas com gravidade equivalente ou muito menor até, têm levado à auto-suspensão de militantes do PCP e do Bloco de Esquerda, tanto quanto demonstra a experiência, mas no critério dos militantes da Direita, a escravatura económica que o seu Governo pratica, não perturba a sua filiação.  Por maiores que sejam as declaradas divergências com os seus partidos, para Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, Bagão Felix e muitos outros, "Está-se bem"!


2011/06/13

Santos populares

Santo António, que não era António mas Fernando, comemora-se a 13 de Junho que não é o dia em que nasceu mas aquele em que morreu – como se a sua morte devesse ser celebrada, não a vida. Ainda por cima a sua morte ocorreu em Pádua, Itália, e não em Lisboa onde nasceu num Agosto de ano incerto.

O seu mérito não foi fazer milagres, que os faz Deus, se faz, e não os santos que podem apenas interceder junto daquele, dadas as boas relações “pessoais” existentes. No que ele era bom, era a falar.

Nem Pacheco Pereira, nem Rebelo de Sousa se lhe igualam – e muito menos em sábia humildade. António, digo Fernando, teve por isso o reconhecimento dos seus pares – mais uma diferença – e um auditório internacional, ouvido que era em Portugal, na França, em Itália... Se fosse homem de perder a cabeça, teria ido a Marrocos, como outros foram, mas foi melhor assim pois já dizia Marx nas suas tiradas pró-materialistas que não há pensamento sem cabeça!


Haveria de perdê-la S. João Baptista às ordens de Salomé – que nem se lhe conhece outra mulher por quem o santo, apesar da fama, a tivesse perdido.


Curiosamente, no caso de S. João que o Porto perfilhou sem ser da terra, comemora-se o nascimento e não a morte. Enfim, nisto de ter fama o que conta é ter sorte! E daí, voltando aos sermões de Pacheco e Marcelo, pertencer à seita adequada não será indiferente
.

2009/01/10

A matança dos inocentes


Quando os reis Magos se deslocaram a Belém para visitar o menino Jesus, perguntaram pelo “rei dos judeus”. Ora isso não agradou a Herodes que era quem ocupava esse cargo à época. Este, vendo em Jesus uma ameaça ao seu próprio poder, e não tendo conseguido localizá-lo para o matar, “mandou massacrar, em Belém e nos seus arredores, todos os meninos de dois anos para baixo”!

Já o Faraó havia mandado matar todos os recém nascidos dos hebreus, como conta o Antigo Testamento, mas salvou-se Moisés, que depois libertou o povo.

Esta crueldade que se reproduz hoje na Faixa de Gaza por vontade do governo israelita, tem os seus defensores. E não é preciso ir longe nem falar línguas para os ouvir. Ainda há dois dias Pacheco Pereira, corroborado pelo “democrata-cristão” Lobo Xavier e não contrariado pelo “socialista” António Costa, subscrevia a matança actual de inocentes palestinianos com a mesma frieza com que falaria dos mais banais gestos humanos.

Para não falar do que há de repugnantemente imoral nesta avaliação da tragédia social, a que os psicopatas são indiferentes, fico-me pela questão da “ lógica estricta” em que os pachecos julgam poder-se analisar os fenómenos políticos.


Assim, se um suposto criminoso se intrometer em casa de Pacheco Pereira, lá onde habitam a sua mulher e filhos e outra mais família talvez, o que a Polícia deve fazer é lançar uma bomba na casa – a morte do criminoso justifica as outras mortes, incluindo a sua, porventura.

Aqui deixo o meu apêlo:

salvem Pacheco Pereira; não ouçam o que ele diz!

2008/09/19

Pacheco à bruta

Num momento de inconti- nência verbal em que certos palradores deixam estilhaçar o verniz, a cera, tornando sin-cera a sua verborreia, José Pacheco Pereira esparramou no "Abrupto" um texto vergonhoso.


Homens como Pacheco Pereira «são perigos públicos em qualquer parte do mundo. Estes homens, em nome das ideias» mais retrógradas, antidemocráticas e falaciosas, uma mistura de anticomunismo e traumatismo psicológico, mais vaidade exacerbada e reverência aos poderes políticos mundiais mais arrogantes, destemperado por um verbalismo fácil mas bem cotado no mercado de ignorantes e enganados que ele explora, arrota os seus vitupérios a rodos, empestando o país em que vivemos.

E como é habitual, há orgãos de difusão (chamados de comunicação) que o acolhem e projectam com complacência e com nojenta admiração. Também alguma esquerda, cúmplice da sua grande cruzada, deixa-se confundir com algumas verdades inócuas ou descentradas dos seus objectivos de fundo. Ele leu Aleixo e sabe que «para a mentira ser segura e atingir profundidade tem que trazer à mistura qualquer coisa de verdade».Coisas do género « É verdade que (Chavez e Morales) foram legitimamente eleitos, mas...». Mas... são progressistas e marxistas, que merda! De uribes é que a América Latina de Pacheco, precisa. Até porque na sua estratégia de silêncios manhosos se parece mais com a sua eleita, Leite.

«Infelizmente tudo isto é clássico» na arrogância verbal, não só de Pacheco Pereira mas de uma longa história da difusão social, criada na escola de gente como ele, propagandistas da direita caceteira e belicista - conforme a escala geográfica.

Pacheco não contabiliza os mortos e as bombas no Iraque cuja invasão continua a defender; contabiliza as palavras feias de Chavez. Santos destes acabariam no inferno se o houvesse, mas Pacheco não deve acreditar, logo, sente-se à vontade para dizer as alarvidades que lhe apetecer.