Meu caro José Pacheko
V. sabe bem quanto eu contradigo a minha obra anterior, mas também sabe que se a contradigo não a renego nunca.
O texto anterior em itálico podia ser retirado de uma carta de Passos Coelho a Pacheco Pereira, mas não é. Trata-se de Almada Negreiros dirigindo-se a um outro Pacheco, aliás Pacheko, em 16 de Novembro... de 1917.
Quanto à "obra" que aqui me traz também não é da política, é da literatura. Quero registar que Almada Negreiros já escrevia sem forma e sem nexo, digamos assim, muito antes de Saramago e de Lobo Antunes, o António, sendo que ele próprio, o Negreiros, era filho de um António Lobo.
Deste "futurista e tudo", dado às artes plásticas e literárias, transcrevo o texto que segue.
esquerdo 1212... e a sombra a desfazer-se prò sol de brim a salpicar o sol de grãos de chumbo a rodar a quatro e quatro pla direita e réguas cinzentas de varetas de leque de rifa com divisas de brim inútil insignificante a vermelho igual ao zero de chumbo à direita com ela a chorar ao meio-dia co'as janelas fechadas e a porta zangada com o sol sem água no moringo sem ele prà acompanhar à mina d'água-férrea por causa do mal de nem querer merendar amoras nem estrear o xaile novo...
Foto recolhida em jornal i-online
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2016/10/29
2013/05/23
A condição humana
Luiz Pacheco que sabia dar os nomes ás coisas melhor do que eu dou, diria talvez "A besta humana". Mas esse nome já foi dado por Emile Zola a uma das obras que mais admiro da pouca literatura mundial que conheço.
Por saber dar o nome ás coisas e por ter a coragem de fazê-lo, Luiz Pacheco deu em 1998 uma entrevista excepcional a Anabela Mota Ribeiro. Mérito de ambos.
Por ele e por ela mas sobretudo pelo que transparece da condição humana nesta conversa intemporal que só hoje encontrei AQUI, fica a minha sugestão de leitura. Há muito mais para ler do autor de "O libertino que passeia por Braga...", desde livros a entrevistas, mas esta tem o mérito de ter sido descoberta por mim agora mesmo, carago!
Etiquetas:
Anabela Mota Ribeiro,
literatura,
Luiz Pacheco,
surrealismo
2011/05/14
Manuel António Pina
Conheço-o apenas das crónicas do JN e costumo pensar que elas, por si sós, justificam o jornal. Na modéstia de um canto da última página, quão modesto é o autor, a mim se me afigura que está bem assim, preservado da poeira que faz as primeiras páginas. Só está menos bem porque pode passar despercebido a alguns leitores encandeados pelos destaques liderantes (delirantes?).
Agora, Manuel António Pina acaba de receber o Prémio Camões 2011, pelo conjunto da sua obra, um galardão que ele acolhe com surpresa e modesta satisfação. Mas também com aquela consciência nem sempre presente entre os consagrados, de que “os prémios não tornam as obras literárias melhores nem piores”. É neste jeito quase involuntário, despretensioso, que as suas crónicas vão semeando ideias. Pena é que as vozes do céu não cheguem aos burros, neste que voltou a ser “País de Pessoas Tristes” – para usar uma expressão sua.
Por motivo de avaria geral no "bloguer",
este artigo sai com algum atraso.
Agora, Manuel António Pina acaba de receber o Prémio Camões 2011, pelo conjunto da sua obra, um galardão que ele acolhe com surpresa e modesta satisfação. Mas também com aquela consciência nem sempre presente entre os consagrados, de que “os prémios não tornam as obras literárias melhores nem piores”. É neste jeito quase involuntário, despretensioso, que as suas crónicas vão semeando ideias. Pena é que as vozes do céu não cheguem aos burros, neste que voltou a ser “País de Pessoas Tristes” – para usar uma expressão sua.
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