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2011/08/11

Lideranças na América Latina

Enquanto Cuba vai brincando às reformas económicas e reprimindo os dissidentes do regime; enquanto a doença de Hugo Chavez mobiliza todas as atenções do Poder na Venezuela; enquanto Rafael Correa se abraça mais ao povo do Equador e este a ele, não pela força nem pela demagogia mas pelo aprofundamento da democracia...

... no Chile, o mediático presidente Piñera vê-se confrontado com os estudantes e os mineiros (sim, os mineiros!, lembram-se?) e, para que se enterre um pouco mais – na mina política – surge agora uma notícia muito embaraçosa: uma sua colaboradora recomenda de forma pouco velada... que se mate uma dirigente dos protestos estudantis!

Camila Vallejo, dirigente estudantil
NOTÍCIA
Tatiana Acuña Selles, Secretaria Ejecutiva del Fondo del Libro, dependiente del Ministerio de la Cultura (do Chile), difundió a través de la red social Twitter, una grave y apenas velada amenaza a la dirigente estudiantil y Presidenta de la FECh, Camila Vallejo. “Se mata a la perra y se acaba la leva” escribió la funcionaria.

Esta misma frase la dijo el tirano Pinochet el 11 de septiembre de 1973 cuando daba la orden de bombardear La Moneda y asesinar el presidente constitucional de Chile, compañero Salvador Allende.

Desde anoche en distintas redes sociales circula la dirección y el teléfono de la dirigenta estudiantil, dados a conocer por jóvenes fascistas gobiernistas.

Tribuna Popular TP.- 6 ago. 2011

Pode ver desenvolvimento em CAMBIO 16
E sobre política de Rafael Correa, AQUI

2010/10/14

O Chile, Deus e o Diabo

Os “resgatadores” cumpriram a sua missão”.
O presidente do Chile vai cumprir a dele?


Estiveram “com Deus e com o Diabo”. É como quem diz: com a esperança e com o medo. Esperança de que as autoridades, lá em cima, cumprissem o seu dever elementar de fazer tudo para encontrá-los e resgatá-los. Esperança de que os técnicos o conseguissem. Esperança em Deus, ao menos para alguns, para quem o desmoronamento só pode ter sido obra do Diabo. E medo: que o Diabo derrotasse outra vez Deus; que os técnicos falhassem; que as autoridades não se empenhassem o suficiente.

Mas se Deus não precisa de fazer nada em sua defesa porque a fé enriquece tanto com a sorte quanto com o azar, ou talvez mais com este, já o Presidente da República tem que dar sinais de amor ao seu eleitorado, se não for pelos actos que seja pelas palavras. E lá estava ele de alma e coração, omnipresente e eloquente, consciente de que milhões de pessoas em todo o mundo estavam a vê-lo e a promovê-lo.

Na euforia dos acontecimentos e nas circunstâncias de cansaço e improviso com que se dá menos-bem habitualmente, talvez se deva perdoar que se tenha sobreposto ao regresso do primeiro técnico de resgate apesar de serem estes os únicos que arriscaram a vida voluntariamente em todo este processo e de ser aquele que mais arriscou. Mas não pode ser levado à conta do entusiasmo a promessa repetida de melhorar as condições de trabalho dos mineiros e dos outros trabalhadores, designadamente os agricultores, pescadores, etc. Tanto mais que é um namoro que faz continuamente à classe trabalhadora, até para contrariar a imagem de empresário que é.

Promessas de emprego (um milhão), de melhoria de salário e defesa dos direitos dos trabalhadores, já são habituais nos seus discursos, tal como a invocação das «maravilhas» chilenas, dos símbolos patrióticos e dos valores religiosos.

Alguma coisa me diz que os mineiros e os trabalhadores em geral não alimentem “essa” esperança. A questão, dando de barato a sinceridade das suas palavras, é que é mais fácil fazer passar 33 mineiros por um tubo de 700 metros do que os ricos prescindirem da exploração dos necessitados. E Piñera conhece bem a pátria de Allende, a história e a realidade do seu país, os interesses em conflito, no Chile e nos países da região - para não ir mais longe.

Se ele está à espera da ajuda de Deus para fazer o milagre da conciliação, tire daí a esperança porque, como disse Jesus Cristo e a História demonstra, Deus não se mete em política: a Deus o que é de Deus; a Sebastián Piñera o que é de Piñera.

Por falar nisso: quem vai pagar o resgate dos mineiros? Os próprios mineiros e os outros trabalhadores! Esta é a lógica da qual Piñera não quererá resgatar os chilenos.