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2010/10/30

Emprego improdutivo

«Diez de la mañana. Por aquellos pasillos, donde hace una semana la gente se amontonaba y conversaba en horario laboral, hoy no transita ni un alma. ¿Qué ha ocurrido en los 17 pisos del Ministerio de la Agricultura para que nadie deambule fuera de las oficinas? Foto do Ministério do Interior

La respuesta es sencilla: muchos temen estar en la lista del próximo recorte, de manera que evitan mostrarse fuera de su puesto de trabajo y así parecer prescindibles. Si antes merodeaban por todos lados con los brazos cruzados, la estrategia del momento es parecer ocupados, aunque para ello tengan que quedarse tras el buró durante ocho horas».

Cuba, 29 de Outubro de 2010(*)

E eu pergunto onde é que já vi (vimos) isto!?
E voltaremos a ver.

Como alguém comenta acerca de Cuba, naquele artigo de Yoani Sánchez, também por cá não terão que preocupar-se muito os protegidos do "arco da governação". Ai como eu me lembro do PS e do PSD a inflaccionar a RTP de pessoal da sua côrte nos tempos de Mário Soares, por exemplo. Para já não falar de antes de 1974, quando o meu chefe amontoava dossiers inúteis sobre a secretária.

O burocracismo e o clientelismo não têm pátria nem regime, têm políticas que lhes facilitam ou dificultam a existência. E parece que em Cuba alguma coisa se começa a fazer de positivo. Mas não chega. E é duvidoso que ainda vá a tempo de salvar o que resta do seu património político.

Corroborando a tese sobre a autonomia das leis económicas, que defendi noutro artigo, defendo que o espaço para a decisão política e para a afirmação ideológica é o que permite optar entre o desemprego e a requalificação no âmbito de uma reestruturação económica credível. A Direita reclama em toda a parte a facilitação do despedimento; o governo cubano promete a requalificação. Vamos a ver quem é que a História absolve ou condena.

(*)Artigo completo em "Géneracion Y".

2009/11/21

Cuba reprime liberdade de informação

21NOV2009
Enquanto escrevo este post, a polícia cubana persegue Yoani Sanchez e outros numa acção intimidatória e repressiva violenta contra a liberdade de opinião e de informação. (Detalhes AQUI)

Yoani Sánchez é uma jovem cubana que criou e mantém um blogue a partir de Havana. Foi escrevendo muitos artigos (post) sobre coisas aparentemente banais do dia a dia, tal como acontece com grande parte dos blogues em toda a parte. Era inevitável e certamente intencional que aqueles textos fossem dando conta das dificuldades com que vive a população e os modos como o regime lida com isso.

Num país onde “a falta de papel obriga” a que haja apenas jornais do Governo, este blogue foi-se tornando numa espécie de “jornal de parede” inacessível à polícia. Não pelo caracter que a autora lhe dava, tanto quanto fui apreciando, mas pela afluência de comentários que às centenas, aos milhares afluiam de outros tantos cubanos e cubanas entusiasmados com a oportunidade de exprimir as suas experiências e opiniões.

O que assim se foi construindo, pela pressão das circunstâncias e que Yoani decerto não imaginaria à partida, foi um documento onde fica registada a realidade cubana e o modo como é sentida pela população – testemunhos espontâneos, não organizados, não controlados.

Nada disto foi pacífico. Decorrem acções repressivas. Mas o fenómeno ganhou uma dimensão e uma projecção mundial que tem inibido o regime de aplicar punições ainda mais graves... até agora.


Yoani sentiu-se animada a propôr duas entrevistas, uma a Obama e outra a Raúl Castro, colocando perguntas no mesmo sentido, isto é, no sentido de aproximar aqueles dois presidentes de uma solução para as relações entre os dois países. Em qualquer país democrático, trata-se uma iniciativa jornalística ou, se quiserem, pessoal, sobre a qual não recai qualquer censura e muito menos acusação criminal.

Barack Obama já respondeu às perguntas, o que está publicado NESTE POST que reune, além disso, 151 comentários na altura em que escrevo este artigo. Raúl Castro “ainda” não respondeu mas as perguntas também estão publicadas AQUI.

Claro que nesta fase já não há ninguém ingénuo ou desinteressado na forma como lida com o assunto, desde o aproveitamento discutível de Obama até ao distanciamento discutível de Castro, passando pela iniciativa de Yoani. Tampouco se desconhece que, aqui como em todo o lado, os partidários do regime e os opositores fazem o seu papel.


Mas nada disso desmente os factos nem desqualifica o trabalho de grande mérito e coragem da jovem autora de Generation Y. Um trabalho histórico e que o é muito especialmente para a História da Internet quando alguém a escrever.

2008/12/05

Cuba real

Não tenho a pretensão de mudar o regime cubano e menos ainda a cultura do PCP-que-temos, mas a ocorrência de mais uma notícia sobre a falta de liberdades políticas em Cuba obriga-me a reparar em duas atitudes sintomáticas saídas do recente congresso do Partido Comunista Português.

Antes de mais, a significativa apoteose que o congresso dispensou ao regime cubano. Em segundo lugar, o texto que o mesmo congresso inscreve em tese quando "reafirma o inalienável direito dos países a seguir o seu próprio caminho". Este argumento dá para tudo e para todos; Uribe ou Mugabe podem dizê-lo em relação à Colômbia ou ao Zimbábue. Mas o direito dos países, para os democratas, é o direito exercido em liberdade pelos cidadãos. Isto muda tudo.

Alguma verdade tem que ser vertida sobre a cabeça de muitos que se recusam a acreditar na realidade ou que, acreditando, aprovam as ditaduras na suposição de que eles serão os ditadores e não as suas vítimas.

SEGUEM OS FACTOS:

«Juro que no me he llevado la luz verde, que no compro queso en el mercado negro desde hace más de dos meses y no me he ido de ninguna tienda sin pagar. No recuerdo haber violado las leyes –demasiado– por estos días, ni siquiera me he hecho pasar por extranjera para usar el Internet de algún hotel.
Tengo, no obstante, una citación junto a Reinaldo para mañana en la estación de policía de 21 y C en el Vedado. Me pregunto si debo llevar el cepillo de dientes o será un breve halón de orejas lo que recibiré.


Les dejo el documento oficial que recibí hoy de un sudoroso oficial, que subió los catorce pisos por la escalera –no tengo ascensor desde hace un mes. A las nueve de la mañana sabré de qué se trata, esperen noticias mías después de las dos».


O texto da cubana Yoani Sánchez, continua em "Generacion Y".

O documento que segue, arrepia qualquer um que tenha andado, como eu, a pesquisar documentos da PIDE na Torre do Tombo, para denunciar as perseguições daquela organização contra os comunistas!!!