"Libertem os recursos [da Venezuela] sequestrados na Europa. Peço
ao Governo de Portugal que desbloqueie os 1,7 mil milhões de dólares
[cerca de 1,5 mil milhões de euros] que nos roubaram, que nos
tiraram. Com isso [os fundos retidos em Portugal] compraríamos todos os
medicamentos (...) sobrariam medicamentos e alimentos na Venezuela. Eu
faço um apelo ao Governo de Portugal: desbloqueie esses recursos. Porque
nos tiram este dinheiro? É nosso"
São palavras de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.
Qualquer semelhança entre este texto e o título que lhe dá a publicação [VER] é pura especulação jornalística - um certo conceito de liberdade de expressão...
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2019/04/17
2016/09/20
Saraivada literária
Muitos daqueles que trabalham para a IMPRESA de Balsemão, isto é, do Expresso, do JL, da Visão, da Caras, das cinco SIC’s, etc., estão indignados com o caracter moral de José António Saraiva.
Este é o homem que dirigiu o jornal Expresso durante vinte e um anos (1985-2006), o homem que se considera dono dos jornalistas do semanário, o homem que andou todos aqueles anos “a fazer opinião” nas cabeças dos cidadãos portugueses, sob a responsabilidade, confiança e amizade de Francisco Pinto Balsemão.
O Expresso conta em média cerca de 585.400 leitores com predomínio na Grande Lisboa. Recentemente orgulhava-se de andar “há 40 anos a fazer opinião”, o que é uma verdade mas denunciava demasiado a sua missão ideológica. A sua e a dos outros, certamente. “Talvez” por isso, mudou de lema para “Liberdade Para Pensar”, o que “corrige” e contraria a ideia de que está aí para influenciar ou condicionar o pensamento dos leitores e eleitores.
“Não é por se chamar cão ao gato que o gato começa a ladrar”. Mas alguma importância terão os lemas, para serem usados e mudados com tanto empenho.
Reconheço a importância social que o semanário teve antes e depois da revolução democrática de 74 e a competência técnica dos seus colaboradores em geral. Actualmente é o jornal de José Gomes Ferreira e Miguel Sousa Tavares, mas também de Nicolau Santos e de Daniel Oliveira - do centrão social-democrata a que alguns não-alinhados, digamos assim, emprestam uma imagem de pluralismo mais abrangente.
Também reconheço o direito e até o interesse público de um jornal com a sua matriz ideológica. “Independência” é que soa a falso neste como em qualquer outro jornal. Independência de quê? Do poder político não é certamente: Pinto Balsemão é o associado mais antigo e o mais influente do PPD/PSD e continua a emprestar a sua presença e apoio ao seu partido.
Balsemão aconselhava-se com José António Saraiva sobre os directores a nomear para os seus orgãos de comunicação, como este relata no livro em desapreço.
Na roda de amigos a que ambas as personagens anteriores pertenciam, entravam figuras tão relevantes para “fazer opinião” e dar emprego!, como Emídio Rangel (TSF/SIC/RTP) José Eduardo Moniz ou José Sócrates… E é aqui que a porca torce o rabo: quem pretendem proteger os novos sicatários jornalísticos de Saraiva? Porque é que não extraem nada sobre a cumplicidade partidária na gestão da “Comunicação Social”?
Merecem-se uns aos outros, muitos deles.
Este é o homem que dirigiu o jornal Expresso durante vinte e um anos (1985-2006), o homem que se considera dono dos jornalistas do semanário, o homem que andou todos aqueles anos “a fazer opinião” nas cabeças dos cidadãos portugueses, sob a responsabilidade, confiança e amizade de Francisco Pinto Balsemão.
O Expresso conta em média cerca de 585.400 leitores com predomínio na Grande Lisboa. Recentemente orgulhava-se de andar “há 40 anos a fazer opinião”, o que é uma verdade mas denunciava demasiado a sua missão ideológica. A sua e a dos outros, certamente. “Talvez” por isso, mudou de lema para “Liberdade Para Pensar”, o que “corrige” e contraria a ideia de que está aí para influenciar ou condicionar o pensamento dos leitores e eleitores.
“Não é por se chamar cão ao gato que o gato começa a ladrar”. Mas alguma importância terão os lemas, para serem usados e mudados com tanto empenho.
Reconheço a importância social que o semanário teve antes e depois da revolução democrática de 74 e a competência técnica dos seus colaboradores em geral. Actualmente é o jornal de José Gomes Ferreira e Miguel Sousa Tavares, mas também de Nicolau Santos e de Daniel Oliveira - do centrão social-democrata a que alguns não-alinhados, digamos assim, emprestam uma imagem de pluralismo mais abrangente.
Também reconheço o direito e até o interesse público de um jornal com a sua matriz ideológica. “Independência” é que soa a falso neste como em qualquer outro jornal. Independência de quê? Do poder político não é certamente: Pinto Balsemão é o associado mais antigo e o mais influente do PPD/PSD e continua a emprestar a sua presença e apoio ao seu partido.
Balsemão aconselhava-se com José António Saraiva sobre os directores a nomear para os seus orgãos de comunicação, como este relata no livro em desapreço.
Na roda de amigos a que ambas as personagens anteriores pertenciam, entravam figuras tão relevantes para “fazer opinião” e dar emprego!, como Emídio Rangel (TSF/SIC/RTP) José Eduardo Moniz ou José Sócrates… E é aqui que a porca torce o rabo: quem pretendem proteger os novos sicatários jornalísticos de Saraiva? Porque é que não extraem nada sobre a cumplicidade partidária na gestão da “Comunicação Social”?
Merecem-se uns aos outros, muitos deles.
2016/07/02
Censura no Portugal democrático
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, esteve em Havana (Cuba) nesta quinta-feira (23) para presenciar a assinatura de um acordo de cessar-fogo entre governo colombiano e Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), durante a qual enfatizou a importância da iniciativa histórica como um exemplo de fomento da paz.
Cumprimentando os governos de Cuba e Noruega por entregar “consideráveis habilidades diplomáticas” para o processo de paz, o secretário-geral disse que eles, juntamente aos países observadores, Chile e Venezuela, mostraram como os esforços de paz nacionais podem ser apoiados com fidelidade, discrição e de forma eficaz.
Notícia recortada em Nações Unidas
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2016/02/25
Umberto Eco… e eu!
«A discussão desportiva (o espectáculo desportivo, o falar do espectáculo desportivo, o falar sobre os jornalistas que falam sobre o espectáculo desportivo) é o substituto mais fácil da discussão política». Além disso, «permite assumir posições, exprimir opiniões, auspiciar soluções sem se
expor» à censura grave de terceiros e a conflitos consequentes.
Disto falava Umberto Eco em 1978 (L’Expresso, 19JUN.). Só não me lembro se também falava do “ruído” que a própria discussão política traz à comunicação quando os debates sucedem em carrocel repetindo exaustivamente os mesmos argumentos.
Felismente vão ganhando espaço público novos protagonistas, por força das contradições do sistema “representativo” de participação, sistema que não tinha problemas em ser representativo enquanto os orgãos de poder eram inteiramente dominados por correntes liberais.
Em todo o caso, a liberalidade dos orgãos de “comunicação social” está suficientemente moldada, desde a sua propriedade a tudo o resto, para que os argumentos desconfortáveis de alguns políticos, sejam imediatamente diluídos na lixívia destrutiva dos comentadores… “independentes”. Mas isto já sou eu a falar. Ou não?!
Disto falava Umberto Eco em 1978 (L’Expresso, 19JUN.). Só não me lembro se também falava do “ruído” que a própria discussão política traz à comunicação quando os debates sucedem em carrocel repetindo exaustivamente os mesmos argumentos.
Felismente vão ganhando espaço público novos protagonistas, por força das contradições do sistema “representativo” de participação, sistema que não tinha problemas em ser representativo enquanto os orgãos de poder eram inteiramente dominados por correntes liberais.
Em todo o caso, a liberalidade dos orgãos de “comunicação social” está suficientemente moldada, desde a sua propriedade a tudo o resto, para que os argumentos desconfortáveis de alguns políticos, sejam imediatamente diluídos na lixívia destrutiva dos comentadores… “independentes”. Mas isto já sou eu a falar. Ou não?!
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2015/11/15
A notícia que não vi na tv portuguesa
«O presidente da Síria, Bashar al-Assad, falou com deputados franceses, em Damasco.»
Imagem e texto a partir de uma notícia de TELESUR.COM
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2014/03/20
O modelo de liberdade para a Ucrânia
Depois do meu artigo de ontem sobre a ausência de liberdade e democracia «no domínio da Informação formatada pelo "Ocidente"»,
aqui fica uma demonstração esclarecedora, promovida por um partido que o "Ocidente" protege e apoia no conflito ucraniano.
Parafraseando alguém: «Eles são nazis mas são os "nossos" nazis»!
Parafraseando alguém: «Eles são nazis mas são os "nossos" nazis»!
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2014/03/19
Sob o manto diáfano da Democracia
Uma das consequências menos invocada mas cada vez mais relevante da implosão da União Soviética em 1991, foi certamente a implosão do acordo em vigor desde a Conferência de Yalta, na Crimeia.
Nessa Conferência, Roosevelt, pelos Estados Unidos da América, Churchill, pela Grã-Bretanha, e Estaline, pela URSS, decidiram o destino da Europa, nomeadamente quanto à sua estabilidade futura e quanto à repartição das zonas de influência entre o Leste e o Oeste. Era Fevereiro de 1945.
Desde então vigorou uma relação de conflito não assumido entre o “Leste” e o “Ocidente” que ficou conhecido por “guerra fria” e que deixaria de fazer sentido, aparentemente, a partir dos acontecimentos de 1991 no “Leste”. Mas o que aconteceu foi que, por detrás das motivações ideológicas se desvelaram as razões económicas.
Face ao desiquilíbrio de forças instalado, face ao domínio unipolar dos Estados Unidos da América, adeus tratados! Daqui em diante a política internacional dos EUA é orientada para a conquista de influência nas regiões que antes escapavam ao seu domínio. Um único problema se lhe colocava – se coloca – que é o sentimento nacionalista e o interesse próprio dos povos e das nações.
A Europa está-lhe no papo mas não é tanto assim na América Latina e no Médio-Oriente - para resumir. Isto explica a dimensão dos grandes focos de destabilização em curso, nomeadamente na Ucrânia mas também na Síria ou na Venezuela, para mencionar os mais recentes.
É “a nudez crua da verdade sob o manto diáfano” dos Direitos Humanos e da Democracia. E da Comunicação Social “livre”.
No domínio da Informação formatada pelo "Ocidente", é sintomático que se transcrevam na íntegra as opiniões do jogador de xadrez Kasparov, por exemplo, sobre os acontecimentos na Crimeia, enquanto as declarações de Putin - presidente da Rússia! - sobre o mesmo assunto são silenciadas ou reduzidas a meia dúzia de palavras inócuas retiradas do discurso. E não é o mesmo com Nicolás Maduro, na Venezuela? E não é assim em todas as situações em que o imperialismo norte-americano se confronta com dirigentes insubmissos de outros países?
Entre os nossos jornalistas e "analistas" mais visíveis, mais exibidos, é manifestamente dominante a submissão a esta matriz. Mas a única coisa que deve espantar é o meu espanto, reconheço. pois não são eles próprios que proclamam (expressamente)que andam "há quarenta anos a fazer opinião"?
Nessa Conferência, Roosevelt, pelos Estados Unidos da América, Churchill, pela Grã-Bretanha, e Estaline, pela URSS, decidiram o destino da Europa, nomeadamente quanto à sua estabilidade futura e quanto à repartição das zonas de influência entre o Leste e o Oeste. Era Fevereiro de 1945.
Desde então vigorou uma relação de conflito não assumido entre o “Leste” e o “Ocidente” que ficou conhecido por “guerra fria” e que deixaria de fazer sentido, aparentemente, a partir dos acontecimentos de 1991 no “Leste”. Mas o que aconteceu foi que, por detrás das motivações ideológicas se desvelaram as razões económicas.
Face ao desiquilíbrio de forças instalado, face ao domínio unipolar dos Estados Unidos da América, adeus tratados! Daqui em diante a política internacional dos EUA é orientada para a conquista de influência nas regiões que antes escapavam ao seu domínio. Um único problema se lhe colocava – se coloca – que é o sentimento nacionalista e o interesse próprio dos povos e das nações.
A Europa está-lhe no papo mas não é tanto assim na América Latina e no Médio-Oriente - para resumir. Isto explica a dimensão dos grandes focos de destabilização em curso, nomeadamente na Ucrânia mas também na Síria ou na Venezuela, para mencionar os mais recentes.
É “a nudez crua da verdade sob o manto diáfano” dos Direitos Humanos e da Democracia. E da Comunicação Social “livre”.
No domínio da Informação formatada pelo "Ocidente", é sintomático que se transcrevam na íntegra as opiniões do jogador de xadrez Kasparov, por exemplo, sobre os acontecimentos na Crimeia, enquanto as declarações de Putin - presidente da Rússia! - sobre o mesmo assunto são silenciadas ou reduzidas a meia dúzia de palavras inócuas retiradas do discurso. E não é o mesmo com Nicolás Maduro, na Venezuela? E não é assim em todas as situações em que o imperialismo norte-americano se confronta com dirigentes insubmissos de outros países?
Entre os nossos jornalistas e "analistas" mais visíveis, mais exibidos, é manifestamente dominante a submissão a esta matriz. Mas a única coisa que deve espantar é o meu espanto, reconheço. pois não são eles próprios que proclamam (expressamente)que andam "há quarenta anos a fazer opinião"?
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2011/03/04
Censura à ocidental
Uma onda de protestos sindicais está a crescer nos Estados Unidos.
Depois de Wisconsin, agora surgem em Ohio, Indiana y California. Está em causa travar as novas leis laborais em preparação ou aplicação em vários estados da União. Recentemente, representantes sindicaies ocuparam o parlamento do Estado de Wisconsin enquanto se procedia à votação daquelas medidas.
25 de Fevereiro de 2011
Por razões que a razão desconhece - a razão democrática, a liberdade de informação -, quase não consta nos orgãos de difusão noticiosa (vulgo: comunicação social) em forma de notícia ou de debate. São questões que escapam ao paradigma vigente - o tal que "é preciso mudar" !
Isto faz lembrar o que se passou com a Islândia
Na Islandia, a população obrigou à demissão integral do Governo e à prisão dos especuladores responsáveis pela crise e empobrecimento do país. Uma população que se recusou, por referendo, a assumir a dívida contraída por um punhado de banqueiros e especuladores privados do seu país. Mais: acaba de nacionalizar mais um banco, no seguimento de outras nacionalizações que fez logo no início da crise fiananceira em 2008, nomeadamente os 3 bancos mais importantes. Desta vez é o Glitnir.
Quem disse? Quem comentou?
Depois de Wisconsin, agora surgem em Ohio, Indiana y California. Está em causa travar as novas leis laborais em preparação ou aplicação em vários estados da União. Recentemente, representantes sindicaies ocuparam o parlamento do Estado de Wisconsin enquanto se procedia à votação daquelas medidas.
25 de Fevereiro de 2011Por razões que a razão desconhece - a razão democrática, a liberdade de informação -, quase não consta nos orgãos de difusão noticiosa (vulgo: comunicação social) em forma de notícia ou de debate. São questões que escapam ao paradigma vigente - o tal que "é preciso mudar" !
Isto faz lembrar o que se passou com a Islândia
Na Islandia, a população obrigou à demissão integral do Governo e à prisão dos especuladores responsáveis pela crise e empobrecimento do país. Uma população que se recusou, por referendo, a assumir a dívida contraída por um punhado de banqueiros e especuladores privados do seu país. Mais: acaba de nacionalizar mais um banco, no seguimento de outras nacionalizações que fez logo no início da crise fiananceira em 2008, nomeadamente os 3 bancos mais importantes. Desta vez é o Glitnir.
Quem disse? Quem comentou?
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2010/05/30
Isto é fascismo (2)
O Fascismo não é um conceito abstracto. Ele caracteriza-se por uma forma de autoridade, organização e prática política a que a ideologia acrescenta apenas uma pretensa justificação teórica.
Mas não é por se chamar cão ao gato que este começa a ladrar nem é por se chamar liberdade-de-expressão à desinformação, que esta é livre, independente, rigorosa ou séria.
Toda a censura é fascista, quer seja praticada por uma comissão política ou por um director de jornal, quer se pratique na Coreia do Norte ou em Portugal, quer mate jornalistas na Rússia quer mate o jornalismo em Lisboa, quer omita os grandes acontecimentos, quer subverta os seus conteúdos em obediência a preconceitos ideológicos.
Não são apenas as opiniões que têm direito à vida, são também as notícias! A liberdade de informação e de expressão não tem o seu fundamento na liberdade do jornal dizer o que quizer mas sim na liberdade do cidadão ser informado.
Dizer que um acontecimento teve a participação de centenas de pessoas quando teve centenas de milhares, é usar os mesmos nétodos que Salazar usava para a contagem dos resultados eleitorais; silenciar a oposição ao regime, ou subverter as suas actividades e propósitos, são exercícios tão reprováveis num jornal cubano como num jornal português – com a agravante de que o Granma não se esconde sob o manto diáfano da independência.

A notícia da enorme manifestação de descontentamento contra as políticas do Governo e da Direita – esta seria a notícia rigorosa, independente – não é "a preparação de uma greve geral" que não foi referida no discurso da organização, por mais pertinente e previsível que ela se torne. A notícia é a denúncia dos responsáveis e beneficiários da crise económica, a “indignação e protesto” contra as políticas “de austeridade” que se abatem sobre os trabalhadores como se a crise tivesse sido provocada – e não foi – por se terem pago subsídios de desemprego a mais, prestações sociais, pensões de reforma e salários excessivos aos trabalhadores comuns.
Isto e muito mais do que se viu e ouviu no terreno, é notícia. O resto é difamação à maneira fascista.
Mas não é por se chamar cão ao gato que este começa a ladrar nem é por se chamar liberdade-de-expressão à desinformação, que esta é livre, independente, rigorosa ou séria.
Não são apenas as opiniões que têm direito à vida, são também as notícias! A liberdade de informação e de expressão não tem o seu fundamento na liberdade do jornal dizer o que quizer mas sim na liberdade do cidadão ser informado.
Dizer que um acontecimento teve a participação de centenas de pessoas quando teve centenas de milhares, é usar os mesmos nétodos que Salazar usava para a contagem dos resultados eleitorais; silenciar a oposição ao regime, ou subverter as suas actividades e propósitos, são exercícios tão reprováveis num jornal cubano como num jornal português – com a agravante de que o Granma não se esconde sob o manto diáfano da independência.
A notícia da enorme manifestação de descontentamento contra as políticas do Governo e da Direita – esta seria a notícia rigorosa, independente – não é "a preparação de uma greve geral" que não foi referida no discurso da organização, por mais pertinente e previsível que ela se torne. A notícia é a denúncia dos responsáveis e beneficiários da crise económica, a “indignação e protesto” contra as políticas “de austeridade” que se abatem sobre os trabalhadores como se a crise tivesse sido provocada – e não foi – por se terem pago subsídios de desemprego a mais, prestações sociais, pensões de reforma e salários excessivos aos trabalhadores comuns.
Isto e muito mais do que se viu e ouviu no terreno, é notícia. O resto é difamação à maneira fascista.
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manifestação da CGTP
2010/02/12
A Informação é deles
A Televisão e a Informação em geral é propriedade dos governantes, dos detentores das respectivas empresas e ainda dos jornalistas da sua confiança. A guerra a que temos assistido, tenha Manuela Moura Guedes ou Mário Crespo como porta-bandeiras, é sobretudo deles antes de ser da liberdade de expressão. Eles estão preocupados com os seus privilégios - ou porque têm programas ou porque têm estações ou porque têm poder político.
Vimos alguma vez a Comunicação Social preocupada com a discriminação que se faz das vozes exteriores ao "arco da governação" representado na imagem acima? Para uns e outros, o que dizem os partidos de esquerda são opiniões desprezíveis que só por razões legais e nessa medida é preciso recolher, e o que manifestam milhares de pessoas nas ruas não valem nada em comparação com a opinião de um qualquer jornalista ou comentador seu convidado - milhares de vozes de trabalhadores são apenas desprezíveis "interesses corporativos" facilmente anulados e contraditados pelos seus doutos juízos.
Da minha experiência em anos de actividade em comissões de trabalhadores e vida sindical, raríssimas foram as vezes em que os jornalistas da RTP, enquanto colectivo, foram solidários com as lutas laborais dos restantes trabalhadores. E esse sentimento de casta não mudou.
Como bem alertou Umberto Eco, os jornais, a Rádio, a Televisão, não são orgãos de "comunicação" mas sim orgãos de "difusão" - não inter-agem com os receptores, dirigem-se a eles sem direito a resposta. E isso confere-lhes o poder de dizer o que está bem e o que está mal, o que interessa e o que não interessa... a todos. Nisto, como o mesmo autor evidenciou, a Internet trouxe a diferença, uma vez que aqui o utilizador não só constroi a sua própria programação como se exprime em relação a opiniões de outros. Um problema que os jornalistas e comentadores publicados tentam compensar com a sua própria participação nestes novos meios que apesar de tudo não têm o mesmo poder dos orgãos sociais de difusão.
É nesta lógica de controlo da "Comunicação Social" por parte da direita política, que se inscreve a estratégia privatizadora desta área do espectro partidário, sabendo-se que só a Direita - representante das classes privilegiadas - tem poder económico para aceder à compra dos meios privados de difusão. Pinto Balsemão ou Eduardo Moniz fazem o seu jogo neste campeonato. O PS, como sempre, disputa-o pela parte que representa do mesmo espectro. E por interesses partidários associados.
A liberdade de informação, tal como a Democracia, é a possível. E quanto mais ampla fôr esta, mais larga será aquela. O resto é o modo como cada um tenta ganhar terreno nestes jogos: governos, partidos, jornalistas! E o modo como cada cidadão eleitor, suposto soberano da nação, reflecte na rua e nas urnas de voto a sua opinião. (E nos blogues, ok!)
Vimos alguma vez a Comunicação Social preocupada com a discriminação que se faz das vozes exteriores ao "arco da governação" representado na imagem acima? Para uns e outros, o que dizem os partidos de esquerda são opiniões desprezíveis que só por razões legais e nessa medida é preciso recolher, e o que manifestam milhares de pessoas nas ruas não valem nada em comparação com a opinião de um qualquer jornalista ou comentador seu convidado - milhares de vozes de trabalhadores são apenas desprezíveis "interesses corporativos" facilmente anulados e contraditados pelos seus doutos juízos.Da minha experiência em anos de actividade em comissões de trabalhadores e vida sindical, raríssimas foram as vezes em que os jornalistas da RTP, enquanto colectivo, foram solidários com as lutas laborais dos restantes trabalhadores. E esse sentimento de casta não mudou.
Como bem alertou Umberto Eco, os jornais, a Rádio, a Televisão, não são orgãos de "comunicação" mas sim orgãos de "difusão" - não inter-agem com os receptores, dirigem-se a eles sem direito a resposta. E isso confere-lhes o poder de dizer o que está bem e o que está mal, o que interessa e o que não interessa... a todos. Nisto, como o mesmo autor evidenciou, a Internet trouxe a diferença, uma vez que aqui o utilizador não só constroi a sua própria programação como se exprime em relação a opiniões de outros. Um problema que os jornalistas e comentadores publicados tentam compensar com a sua própria participação nestes novos meios que apesar de tudo não têm o mesmo poder dos orgãos sociais de difusão.
É nesta lógica de controlo da "Comunicação Social" por parte da direita política, que se inscreve a estratégia privatizadora desta área do espectro partidário, sabendo-se que só a Direita - representante das classes privilegiadas - tem poder económico para aceder à compra dos meios privados de difusão. Pinto Balsemão ou Eduardo Moniz fazem o seu jogo neste campeonato. O PS, como sempre, disputa-o pela parte que representa do mesmo espectro. E por interesses partidários associados.
A liberdade de informação, tal como a Democracia, é a possível. E quanto mais ampla fôr esta, mais larga será aquela. O resto é o modo como cada um tenta ganhar terreno nestes jogos: governos, partidos, jornalistas! E o modo como cada cidadão eleitor, suposto soberano da nação, reflecte na rua e nas urnas de voto a sua opinião. (E nos blogues, ok!)
2009/11/21
Cuba reprime liberdade de informação
21NOV2009
Enquanto escrevo este post, a polícia cubana persegue Yoani Sanchez e outros numa acção intimidatória e repressiva violenta contra a liberdade de opinião e de informação. (Detalhes AQUI)

Yoani Sánchez é uma jovem cubana que criou e mantém um blogue a partir de Havana. Foi escrevendo muitos artigos (post) sobre coisas aparentemente banais do dia a dia, tal como acontece com grande parte dos blogues em toda a parte. Era inevitável e certamente intencional que aqueles textos fossem dando conta das dificuldades com que vive a população e os modos como o regime lida com isso.
Num país onde “a falta de papel obriga” a que haja apenas jornais do Governo, este blogue foi-se tornando numa espécie de “jornal de parede” inacessível à polícia. Não pelo caracter que a autora lhe dava, tanto quanto fui apreciando, mas pela afluência de comentários que às centenas, aos milhares afluiam de outros tantos cubanos e cubanas entusiasmados com a oportunidade de exprimir as suas experiências e opiniões.
O que assim se foi construindo, pela pressão das circunstâncias e que Yoani decerto não imaginaria à partida, foi um documento onde fica registada a realidade cubana e o modo como é sentida pela população – testemunhos espontâneos, não organizados, não controlados.
Nada disto foi pacífico. Decorrem acções repressivas. Mas o fenómeno ganhou uma dimensão e uma projecção mundial que tem inibido o regime de aplicar punições ainda mais graves... até agora.
Yoani sentiu-se animada a propôr duas entrevistas, uma a Obama e outra a Raúl Castro, colocando perguntas no mesmo sentido, isto é, no sentido de aproximar aqueles dois presidentes de uma solução para as relações entre os dois países. Em qualquer país democrático, trata-se uma iniciativa jornalística ou, se quiserem, pessoal, sobre a qual não recai qualquer censura e muito menos acusação criminal.
Barack Obama já respondeu às perguntas, o que está publicado NESTE POST que reune, além disso, 151 comentários na altura em que escrevo este artigo. Raúl Castro “ainda” não respondeu mas as perguntas também estão publicadas AQUI.
Claro que nesta fase já não há ninguém ingénuo ou desinteressado na forma como lida com o assunto, desde o aproveitamento discutível de Obama até ao distanciamento discutível de Castro, passando pela iniciativa de Yoani. Tampouco se desconhece que, aqui como em todo o lado, os partidários do regime e os opositores fazem o seu papel.
Mas nada disso desmente os factos nem desqualifica o trabalho de grande mérito e coragem da jovem autora de Generation Y. Um trabalho histórico e que o é muito especialmente para a História da Internet quando alguém a escrever.
Enquanto escrevo este post, a polícia cubana persegue Yoani Sanchez e outros numa acção intimidatória e repressiva violenta contra a liberdade de opinião e de informação. (Detalhes AQUI)

Yoani Sánchez é uma jovem cubana que criou e mantém um blogue a partir de Havana. Foi escrevendo muitos artigos (post) sobre coisas aparentemente banais do dia a dia, tal como acontece com grande parte dos blogues em toda a parte. Era inevitável e certamente intencional que aqueles textos fossem dando conta das dificuldades com que vive a população e os modos como o regime lida com isso.
Num país onde “a falta de papel obriga” a que haja apenas jornais do Governo, este blogue foi-se tornando numa espécie de “jornal de parede” inacessível à polícia. Não pelo caracter que a autora lhe dava, tanto quanto fui apreciando, mas pela afluência de comentários que às centenas, aos milhares afluiam de outros tantos cubanos e cubanas entusiasmados com a oportunidade de exprimir as suas experiências e opiniões.
O que assim se foi construindo, pela pressão das circunstâncias e que Yoani decerto não imaginaria à partida, foi um documento onde fica registada a realidade cubana e o modo como é sentida pela população – testemunhos espontâneos, não organizados, não controlados.
Nada disto foi pacífico. Decorrem acções repressivas. Mas o fenómeno ganhou uma dimensão e uma projecção mundial que tem inibido o regime de aplicar punições ainda mais graves... até agora. Yoani sentiu-se animada a propôr duas entrevistas, uma a Obama e outra a Raúl Castro, colocando perguntas no mesmo sentido, isto é, no sentido de aproximar aqueles dois presidentes de uma solução para as relações entre os dois países. Em qualquer país democrático, trata-se uma iniciativa jornalística ou, se quiserem, pessoal, sobre a qual não recai qualquer censura e muito menos acusação criminal.
Barack Obama já respondeu às perguntas, o que está publicado NESTE POST que reune, além disso, 151 comentários na altura em que escrevo este artigo. Raúl Castro “ainda” não respondeu mas as perguntas também estão publicadas AQUI.
Claro que nesta fase já não há ninguém ingénuo ou desinteressado na forma como lida com o assunto, desde o aproveitamento discutível de Obama até ao distanciamento discutível de Castro, passando pela iniciativa de Yoani. Tampouco se desconhece que, aqui como em todo o lado, os partidários do regime e os opositores fazem o seu papel.
Mas nada disso desmente os factos nem desqualifica o trabalho de grande mérito e coragem da jovem autora de Generation Y. Um trabalho histórico e que o é muito especialmente para a História da Internet quando alguém a escrever.
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2009/09/30
Silêncio intolerável
Por primera vez en tres meses, Micheletti (presidente golpista nas Honduras) fue corregido en público por el Congreso y por algunos de los líderes políticos que lo han venido apoyando hasta ahora. Así que no tuvo más remedio que frenar.
EL PAIS
Isto foi o que NÃO se leu nem ouviu hoje noticiar nem debater nas televisões que temos, isto é, que tem o Governo, a IMPRESA e a PRISA/Media Capital...
EL PAIS
Isto foi o que NÃO se leu nem ouviu hoje noticiar nem debater nas televisões que temos, isto é, que tem o Governo, a IMPRESA e a PRISA/Media Capital...
Micheletti foi quem «ha decidido este lunes que los militares cierren los medios de comunicación que le resultan hostiles, es decir, Radio Globo y el Canal 36 de televisión, afines al depuesto Manuel Zelaya. Los cinco derechos constitucionales que quedan anulados son tan importantes como el de libertad personal, libre emisión de pensamiento (libertad de expresión), libertad de asociación y de unión, libre circulación y los derechos de los detenidos» EL PAIS.
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2009/09/03
Rainha Santa Manuela
Fernando Pessa, de quem se continuavam a fazer rasgados elogios públicos, seria literalmente encostado a uma parede da redacção, lá onde encontrou a sua secretária, um dia, estávamos já na Cinco de Outubro. Manuela ia fazendo o seu percurso que completou às costas de José Eduardo Moniz.
Depois, foi o que se viu: “do alto inacessível das suas alturas”, por razões de que não tem que se gabar, ascende a todos os lugares que podia reclamar ao marido. Vendo-se ao espelho, não se achou bonita – como se veio a perceber - mas achou-se raínha. Julgou que lhe vinha do sangue, digo do sangue de seus ascendentes, a nobre condição a que as circunstâncias a guindaram. Sentiu-se com direitos e competências que não tinha – é uma doença própria des estrelas de televisão, com que eu fui obrigado a lidar profissionalmente.
Demitida (do cargo de editora e apresentadora do jornal das sextas-feiras, da TVI) por indecente e má figura, jornalisticamente falando, devido à sua arrogância e domínio indecoroso das opiniões no jornal que geria, mais parecendo uma bandeira que uma jornalista, suscita uma geral hipocrisia nacional que nunca tendo apreciado o seu “estilo”, de rainha a convocam para santa. Nasce assim a lenda da Rainha Santa Manuela Moura Guedes, a que não dá pão aos pobres nem engana o marido com flores.
Que o Mário Crespo tenha dedicado horas dos seus espaços noticiosos e dos seus convidados, a tratar da canonização da sua colega, desiludiu-me. Mas jornalista é assim.
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