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2015/12/20

Falência monetária internacional

O Fundo Monetário Internacional (FMI) assume falhas nos programas de "ajustamento" que ajudou a implementar durante os últimos sete anos, e de que Portugal é uma das vítimas mais evidentes. 
(Ler, p.e., no Público)

Não são raros os países em que “as ajudas” do FMI se traduziram na falência económica e na degradação democrática dos mesmos. Está demonstrado que o faz intencionalmente, para condicionar as opções políticas nacionais.

Também não são raras as auto-críticas emanadas do FMI acerca das suas intervenções. Mas… tais críticas não se traduzem pela rectificação da sua estratégia; são rapidamente seguidas de novas medidas práticas de empobrecimento dos países intervencionados!

Que coisa é esta?

Com sede (física e política) nos Estados Unidos da América (EUA), o FMI foi criado para estabilizar as economias saídas da 2ª Guerra Mundial, elevar o crescimento económico sustentável e o emprego e reduzir a pobreza em todo o mundo. Em bom rigor, o seu objectivo fundamental era o de promover a estabilidade do sistema monetário internacional com base no dólar.

«Teoricamente, os governadores elegem o presidente do FMI, porém, na prática, o presidente do Banco Mundial (Bird) é sempre um cidadão dos Estados Unidos, escolhido pelo governo norte-americano». (Wikipedia)

O poder de voto depende da contribuição de cada país que, por sua vez, é calculada em função do respectivo Produto Interno Bruto (PIB). A Portugal corresponde 0,43% em comparação com perto de 17,5% dos EUA, por exemplo! França, Reino Unido e Alemanha correspondem a níveis de 5 a 6% aproximadamente.

O papel dominante dos EUA determina que a instituição seja refém dos interesses específicos e dos valores daquele país, nomeadamente no domínio económico-financeiro e no domínio geoestratégico.

2014/01/12

Programa a acautelar


Ricardo Paes Mamede (*) no “Expresso da Meia Noite” da SIC em 2014-01-11:

O que é que chamamos a isto?:

- Assinar um memorando de entendimento;
- Estar sugeito a “condicionalidades” externas e à permanente ameaça de que deixaremos de ter acesso a financiamento se não as cumprirmos;
- Ter exames trimestrais ao cumprimento dessas condicionalidades externas.

É um segundo resgate a que agora se chama “programa cautelar”.

...
Entre aquelas condicionalidades está:
- sustentabilidade da dívida pública
- sustentabilidade das contas externas
- estabilidade financeira
- acesso regularizado à emissão de dívida durante o “programa cautelar”.
...
Não podemos pensar que temos possibilidades de cumprir estas condições apesar de ter uma dívida externa superior a 100% do PIB e uma dívida pública superior a 120% do PIB.

A dívida pública actual com taxas de juro de 5,36% a 10 anos, é incomportável e não se espera que melhore. (…) Como o Mecanismo de Estabilidade Europeu** não vai fechar os olhos à realidade, não teremos saída sem ma reestruturação da dívida.

(Fim de citação)

NOTAS:
* O que separa o Ricardo, de muitos outros analistas económicos com quem se confronta em debates, é que ele não tem que "pensar positivo", não vende acções, não vende empresas, não compra nada e não tem outras “condicionalidades” que não sejam o rigor científico tanto quanto haja de científico na Economia. Ricardo Paes Mamede é Professor Auxiliar do Departamento de Economia Política do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, onde lecciona desde 1999.

** O MEE desde 2012 que se destina a assegurar a estabilidade da Zona Euro e faz parte do conjunto das medidas elaboradas para o resgate do Euro. O MEE, deve impedir mais países da moeda comum do Euro de entrarem em dificuldades por causa dos endividamentos orçamentais e com consequências negativas para o Euro, a moeda comum. É "o responsável" pelo Programa Cautelar.