Em Maio de 1981, em menos de uma hora, Guy Abeille, então alto responsável da Direcção do Orçamento da França, inventou a infame relação dos 3% entre o défice e o PIB da UE.
"Mitterrand queria uma regra, nós demos-lhe. Não pensávamos que ela fosse perdurar para além de 1981".
...
"Precisamos algo simples", disse ele. Escolheram o produto interno bruto, PIB, "porque na economia toda a gente refere-se ao PIB".
…
Um número redondo para o défice? Eles consideraram um rácio do défice em relação ao PIB de 1%. Mas "este número foi eliminado pois era impossível de atingir. Os 2% então? Isto também nos colocava sob pressão". Os 3%? "Isto era um bom número, um número que atravessou todas as eras, que recordava a Trindade". Assim, eles foram para os 3%.
…
E nasceu assim o festival da austeridade europeia.
Excertos de um texto publicado em resistir.info
Seguem dois quadros adaptados a partir da PORDATA, que podem ser ampliados por pressão sobre os mesmos.
Desde que a troika chegou a Portugal, a dívida pública do país aumentou 35%. Comparando o valor da dívida com as previsões da troika, há um "desvio colossal" superior a 60%.
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2014/05/01
2014/01/12
Programa a acautelar
Ricardo Paes Mamede (*) no “Expresso da Meia Noite” da SIC em 2014-01-11:
O que é que chamamos a isto?:
- Assinar um memorando de entendimento;
- Estar sugeito a “condicionalidades” externas e à permanente ameaça de que deixaremos de ter acesso a financiamento se não as cumprirmos;
- Ter exames trimestrais ao cumprimento dessas condicionalidades externas.
É um segundo resgate a que agora se chama “programa cautelar”.
...
Entre aquelas condicionalidades está:
- sustentabilidade da dívida pública
- sustentabilidade das contas externas
- estabilidade financeira
- acesso regularizado à emissão de dívida durante o “programa cautelar”.
...
Não podemos pensar que temos possibilidades de cumprir estas condições apesar de ter uma dívida externa superior a 100% do PIB e uma dívida pública superior a 120% do PIB.
…
A dívida pública actual com taxas de juro de 5,36% a 10 anos, é incomportável e não se espera que melhore. (…) Como o Mecanismo de Estabilidade Europeu** não vai fechar os olhos à realidade, não teremos saída sem ma reestruturação da dívida.
(Fim de citação)
NOTAS:
* O que separa o Ricardo, de muitos outros analistas económicos com quem se confronta em debates, é que ele não tem que "pensar positivo", não vende acções, não vende empresas, não compra nada e não tem outras “condicionalidades” que não sejam o rigor científico tanto quanto haja de científico na Economia. Ricardo Paes Mamede é Professor Auxiliar do Departamento de Economia Política do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, onde lecciona desde 1999.
** O MEE desde 2012 que se destina a assegurar a estabilidade da Zona Euro e faz parte do conjunto das medidas elaboradas para o resgate do Euro. O MEE, deve impedir mais países da moeda comum do Euro de entrarem em dificuldades por causa dos endividamentos orçamentais e com consequências negativas para o Euro, a moeda comum. É "o responsável" pelo Programa Cautelar.
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Programa cautelar,
resgate financeiro
2013/06/04
O grito português
... ouve-se longe
O meu título pretende invocar, como a foto parece fazer também, "O Grito" do pintor norueguês Edvard Munch. Infelismente, a foto não está assinada no jornal La Republica, da Colômbia.
O meu título pretende invocar, como a foto parece fazer também, "O Grito" do pintor norueguês Edvard Munch. Infelismente, a foto não está assinada no jornal La Republica, da Colômbia.
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austeridade,
Crise económica,
crise social,
economia nacional
2013/04/30
2013/03/02
Coelho apoia os banqueiros
É o que Passos Coelho chama
"apoio às Pequenas e Médias Empresas":
«Na hora de pedir financiamento, as PME nacionais enfrentam custos superiores aos das suas congéneres gregas, espanholas ou irlandesas. Pior do que em Portugal, só mesmo as empresas do Chipre, país à beira de um resgate da troika, e cujo sector bancário está altamente exposto à Grécia».
Isto depois do Estado português «ter recebido uma injecção de sete mil milhões de euros e de a troika ter exigido que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) facilite o crédito às PME».
SOL 2013Mar02
"apoio às Pequenas e Médias Empresas":
«Na hora de pedir financiamento, as PME nacionais enfrentam custos superiores aos das suas congéneres gregas, espanholas ou irlandesas. Pior do que em Portugal, só mesmo as empresas do Chipre, país à beira de um resgate da troika, e cujo sector bancário está altamente exposto à Grécia».
Isto depois do Estado português «ter recebido uma injecção de sete mil milhões de euros e de a troika ter exigido que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) facilite o crédito às PME».
SOL 2013Mar02
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Governo PSD-CDS,
Liberalismo,
PME's
2012/11/26
Olhos postos na América Latina
A democratização e o desenvolvimento que as forças progressistas da América Latina têm trazido à região, do Brasil à Venezuela, do Equador à Argentina, nomeadamente, estão a atrair nos últimos anos a atenção e o interesse dos países de outros continentes, promovendo relações económicas de novo tipo. Para trás ficam séculos de arrogância e exploração do “velho mundo” desenvolvido, sobre esses povos, sobre essas culturas, sobre essas economias.
É bem significativo dos novos tempos, que no plenário da recente cimeira ibero-americana os governantes latino-americanos criticassem unânime e abertamente as medidas adoptadas na Europa para fazer face à crise, advertindo que o excesso de austeridade impede o crescimento e pode causar o contágio ao outro lado do Atlântico – na verdade já está a causar.
A maioria dos dirigentes lembrou na cimeira como a sua região sacrificou uma “década perdida” para seguir políticas de ajustes ditadas pelos órgãos multilaterais com prazos difíceis de cumprir. Entretanto, o presidente do Peru, Ollanta Humala diria ainda que “a Europa é maior que os seus problemas”.
UM MERCADO ATRAENTE
Hoje a Espanha e Portugal, em diferentes escalas, confrontados com a crise económica e financeira na Europa, e com as políticas individualistas dos países que compõem a União, mas também confrontados com os avanços da China, da Rússia e de outras potências na América do Sul, sentem uma grande necessidade de aproximação à “Pátria Grande” de Simon Bolívar.
O mercado latino-americano vale quase 4,5 biliões de dólares e vai continuar a crescer - um espaço económico atraente em tempos de crise. São considerados países “com estabilidade”, com “expetativa de crescimento” nos próximos anos, ao contrário do que se verifica na zona euro.
Só no Brasil há 60 milhões de consumidores que têm maior poder de compra agora, após terem ascendido em termos socioeconómicos. No entanto as exportações ibéricas ainda são muito fracas para a América Latina, ao contrário dos investimentos.
PRESENÇA DE ESPANHA
A Espanha, além de uma forte presença nas telecomunicações, energia, infraestruturas tem mais de 20% do mercado bancário da região. Os dois maiores bancos e outras grandes empresas da América Latina são espanholas. Mas ainda assim esses investimentos representam uma parte muito pequena do capital investido por Espanha no exterior. Tanto mais quanto é sabido como a China tem sabido e conseguido aproveitar aquele espaço em franco desenvolvimento
PRESENÇA DE PORTUGAL
Da presença portuguesa na América Latina destacam-se empresas como a Lusiaves na Colômbia, a Sugalidal no Chile e a Sogrape na Argentina. Mas apenas 4,3% das exportações portuguesas se destinam à região.
O segundo mercado de Portugal na América Latina, depois do Brasil, é agora a Venezuela. Nos primeiros seis meses deste ano, as exportações de Portugal para a Venezuela alcançaram os 159 milhões de euros, mais do que em todo o ano de 2011 (152,8). A conta que apoia as nossas exportações para a Venezuela é “abastecida” com a nossa compra de petróleo.
CONCLUSÃO
Não estará na altura de trocar dois submarinos por dois navios mercantes?
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América Latina,
economia nacional,
FMI
2010/02/03
Economia todavia
Não sei se é por causa das famosas « dietas mediterrânicas », mas as comparações de Portugal com a Grécia e a Espanha estão a enfraquecer a proclamada «confiança» na nossa economia. A menos que os autores destas análises não sejam, eles próprios, confiáveis.
O "chief economist" do FMI, Olivier Blanchard, analisa a situação económica da zona euro, para LesEchos.fr.
A dada altura...
OB - Maintenant, avec la crise, le Portugal, l'Espagne et la Grèce éprouvent de sérieuses difficultés. Celles-ci impliquent des ajustements très pénibles. Surtout lorsque l'environnement inflationniste est très bas. Le rétablissement de leur compétitivité peut nécessiter de lourds sacrifices, comme une baisse des salaires.
LE - Le Portugal et la Grèce peuvent-ils se le permettre ?
OB - Ils n'ont guère le choix. Ce sera long et douloureux. Les problèmes du Portugal ont d'ailleurs commencé bien avant la crise. Cette dernière rend seulement l'ajustement encore plus ardu.
Estas observações de 1 de Fevereiro, seguem-se às seguintes de Janeiro :
El pasado 13 de enero, Moody's advirtió que la economía de Portugal corre un "alto riesgo" de "muerte lenta" en los próximos años. Y equiparaba los problemas lusos a los de Grecia en estos términos: "Son dos ejemplos de países con baja competitividad dentro de la unión monetaria, que se traducen en déficit externos muy elevados".
(...)El FMI ha añadido más leña el fuego en el informe divulgado el pasado 20 de enero, que insiste en señalar al déficit, la deuda pública y la falta de competitividad como las principales causas de la vulnerabilidad de la economía portuguesa, con el efecto consiguiente en la destrucción de empleo (los puestos de trabajo perdidos alcanzarán el medio millón en 2013) y un crecimiento al ralentí, que no llegará al 1% en los cuatro años de la presente legislatura.
A las causas internas de Portugal, el Fondo añade los estrechos lazos económicos y financieros con España, que ha dado pie a que algunos medios lusos ironicen con la recurrente "relación peligrosa". Describe el FMI a España como el socio comercial clave de Portugal, al que vende entre el 25% y el 30% de las exportaciones, del que recibe el 15% de los ingresos turísticos y con vínculos casi de sangre entre los bancos de ambos países. En este escenario es inevitable concluir que si a España le van mal las cosas, a Portugal no le pueden ir mejor.EL PAIS 24Jan2010
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