Não são os bancos, são os negócios financeiros que excitam as discussões.
Um capitalismo cada vez menos empreendedor e mais jogador, domina o mundo económico. A defesa da produção e do emprego, para o capitalista típico nunca foi senão a valorização financeira do investimento e a mobilização da força de trabalho necessária àquele objectivo. E o seu investimento nunca foi um acto social mas sim uma operação financeira destinada a multiplicar-se indefinidamente com ostentação e desprezo pela economia, pelo país e pelas pessoas.
É a “crença natural do bicho”, como se diz em tauromaquia.
Para estes toureiros da moeda, qualquer crise financeira própria ou geral só trás mais picante à sua aventura. Qualquer crise social decorrente das políticas que os servem, é uma oportunidade para reforçar o seu exército de corruptos mais ou menos activos, mais ou menos excitados.
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2016/07/24
2016/01/30
A dona Banca
A Banca tem um papel central e fundamental no funcionamento do sistema capitalista.
Apesar de todos os esforços feitos desde a crise financeira de 2008/2009 para sanear o sector bancário, dos activos tóxicos acumulados durante os anos de expansão, e apesar do reforço que se tem feito ou anunciado desde então, no âmbito da regulação financeira, os bancos continuam a ser o grande problema que afecta o crescimento económico na zona euro.
Por outro lado, a recente crise bancária mostrou que os bancos não são capazes de suportar as suas perdas e que, em tais condições, os Estados acabam por ter que pagar os prejuízos – quem diz os Estados, diz os contribuintes.
UNIÃO BANCÁRIA
Para evitar ou limitar, no futuro, o contágio entre as crises bancárias e o aumento das dívidas públicas provocadas para os salvar, foi concebido um mecanismo de mutualização da dívida que se designou por União Bancária. (A partir daqui, o Banco de Portugal, no nosso caso, passa a ser um mero executante das directivas da União Bancária).
SUPERVISÃO
O primeiro pilar da União Bancária é o mecanismo único de supervisão bancária, que dá ao Banco Central Europeu (BCE) a responsabilidade de monitorizar os maiores bancos da zona euro e identificar os que estão em dificuldades. Atualmente encontram-se sob supervisão, 128 bancos.
A nova autoridade da UE denominada Conselho Único de Resolução, de acordo com o “mecanismo de resolução” europeu, pode decidir rapidamente o que fazer com os maiores bancos da zona euro que estejam em dificuldades.
MEDIDAS
As medidas de "resolução" (i.e. de saneamento) aplicam-se quando já não existem condições para que determinada instituição continue a exercer a sua actividade de forma autónoma, e contemplam, essencialmente, dois tipos de medidas concretas:
1) A alienação de património da instituição que se encontre em dificuldades financeiras para uma ou mais instituições autorizadas a desenvolver as atividades em causa;
2) A constituição de um banco de transição e a transferência, parcial ou total, do património da instituição que se encontre em dificuldades financeiras, para este banco.
Para assegurar que a factura das falências deixe de ser paga pelos contribuintes (pelos estados), estabelece-se o princípio de que as entidades chamadas a responder pela falência dos bancos são, agora, os accionistas e credores séniores, seguidos dos credores juniores e dos depositantes de valores acima de cem mil euros.
O Parlamento Europeu já tinha imposto limites aos prémios dos banqueiros e exigido requisitos de capital de boa qualidade aos bancos, para poderem lidar de melhor forma com as potenciais perdas.
FUNDO DE RESOLUÇÃO
O Fundo de Resolução é uma pessoa colectiva de direito público, dotada de autonomia administrativa e financeira, que tem por objeto principal apoiar o financiamento da aplicação de medidas saneamento financeiro que sejam determinadas pelo Banco de Portugal.
O Fundo é gerido por uma comissão directiva composta por três membros, sendo o presidente um elemento do conselho de administração do Banco de Portugal, por este designado, um segundo membro é designado pelo membro do governo responsável pela área das finanças e o terceiro membro é designado por acordo entre o Banco de Portugal e o membro do governo responsável pela área das finanças.
Apesar de todos os esforços feitos desde a crise financeira de 2008/2009 para sanear o sector bancário, dos activos tóxicos acumulados durante os anos de expansão, e apesar do reforço que se tem feito ou anunciado desde então, no âmbito da regulação financeira, os bancos continuam a ser o grande problema que afecta o crescimento económico na zona euro.
Por outro lado, a recente crise bancária mostrou que os bancos não são capazes de suportar as suas perdas e que, em tais condições, os Estados acabam por ter que pagar os prejuízos – quem diz os Estados, diz os contribuintes.
UNIÃO BANCÁRIA
Para evitar ou limitar, no futuro, o contágio entre as crises bancárias e o aumento das dívidas públicas provocadas para os salvar, foi concebido um mecanismo de mutualização da dívida que se designou por União Bancária. (A partir daqui, o Banco de Portugal, no nosso caso, passa a ser um mero executante das directivas da União Bancária).
SUPERVISÃO
O primeiro pilar da União Bancária é o mecanismo único de supervisão bancária, que dá ao Banco Central Europeu (BCE) a responsabilidade de monitorizar os maiores bancos da zona euro e identificar os que estão em dificuldades. Atualmente encontram-se sob supervisão, 128 bancos.
A nova autoridade da UE denominada Conselho Único de Resolução, de acordo com o “mecanismo de resolução” europeu, pode decidir rapidamente o que fazer com os maiores bancos da zona euro que estejam em dificuldades.
MEDIDAS
As medidas de "resolução" (i.e. de saneamento) aplicam-se quando já não existem condições para que determinada instituição continue a exercer a sua actividade de forma autónoma, e contemplam, essencialmente, dois tipos de medidas concretas:
1) A alienação de património da instituição que se encontre em dificuldades financeiras para uma ou mais instituições autorizadas a desenvolver as atividades em causa;
2) A constituição de um banco de transição e a transferência, parcial ou total, do património da instituição que se encontre em dificuldades financeiras, para este banco.
Para assegurar que a factura das falências deixe de ser paga pelos contribuintes (pelos estados), estabelece-se o princípio de que as entidades chamadas a responder pela falência dos bancos são, agora, os accionistas e credores séniores, seguidos dos credores juniores e dos depositantes de valores acima de cem mil euros.
O Parlamento Europeu já tinha imposto limites aos prémios dos banqueiros e exigido requisitos de capital de boa qualidade aos bancos, para poderem lidar de melhor forma com as potenciais perdas.
FUNDO DE RESOLUÇÃO
O Fundo de Resolução é uma pessoa colectiva de direito público, dotada de autonomia administrativa e financeira, que tem por objeto principal apoiar o financiamento da aplicação de medidas saneamento financeiro que sejam determinadas pelo Banco de Portugal.
O Fundo é gerido por uma comissão directiva composta por três membros, sendo o presidente um elemento do conselho de administração do Banco de Portugal, por este designado, um segundo membro é designado pelo membro do governo responsável pela área das finanças e o terceiro membro é designado por acordo entre o Banco de Portugal e o membro do governo responsável pela área das finanças.
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2015/12/20
Falência monetária internacional
O Fundo Monetário Internacional (FMI) assume falhas nos programas de "ajustamento" que ajudou a implementar durante os últimos sete anos, e de que Portugal é uma das vítimas mais evidentes.
(Ler, p.e., no Público)
Não são raros os países em que “as ajudas” do FMI se traduziram na falência económica e na degradação democrática dos mesmos. Está demonstrado que o faz intencionalmente, para condicionar as opções políticas nacionais.
Também não são raras as auto-críticas emanadas do FMI acerca das suas intervenções. Mas… tais críticas não se traduzem pela rectificação da sua estratégia; são rapidamente seguidas de novas medidas práticas de empobrecimento dos países intervencionados!
Que coisa é esta?
Com sede (física e política) nos Estados Unidos da América (EUA), o FMI foi criado para estabilizar as economias saídas da 2ª Guerra Mundial, elevar o crescimento económico sustentável e o emprego e reduzir a pobreza em todo o mundo. Em bom rigor, o seu objectivo fundamental era o de promover a estabilidade do sistema monetário internacional com base no dólar.
«Teoricamente, os governadores elegem o presidente do FMI, porém, na prática, o presidente do Banco Mundial (Bird) é sempre um cidadão dos Estados Unidos, escolhido pelo governo norte-americano». (Wikipedia)
O poder de voto depende da contribuição de cada país que, por sua vez, é calculada em função do respectivo Produto Interno Bruto (PIB). A Portugal corresponde 0,43% em comparação com perto de 17,5% dos EUA, por exemplo! França, Reino Unido e Alemanha correspondem a níveis de 5 a 6% aproximadamente.
O papel dominante dos EUA determina que a instituição seja refém dos interesses específicos e dos valores daquele país, nomeadamente no domínio económico-financeiro e no domínio geoestratégico.
(Ler, p.e., no Público)
Não são raros os países em que “as ajudas” do FMI se traduziram na falência económica e na degradação democrática dos mesmos. Está demonstrado que o faz intencionalmente, para condicionar as opções políticas nacionais.
Também não são raras as auto-críticas emanadas do FMI acerca das suas intervenções. Mas… tais críticas não se traduzem pela rectificação da sua estratégia; são rapidamente seguidas de novas medidas práticas de empobrecimento dos países intervencionados!
Que coisa é esta?
Com sede (física e política) nos Estados Unidos da América (EUA), o FMI foi criado para estabilizar as economias saídas da 2ª Guerra Mundial, elevar o crescimento económico sustentável e o emprego e reduzir a pobreza em todo o mundo. Em bom rigor, o seu objectivo fundamental era o de promover a estabilidade do sistema monetário internacional com base no dólar.
«Teoricamente, os governadores elegem o presidente do FMI, porém, na prática, o presidente do Banco Mundial (Bird) é sempre um cidadão dos Estados Unidos, escolhido pelo governo norte-americano». (Wikipedia)
O poder de voto depende da contribuição de cada país que, por sua vez, é calculada em função do respectivo Produto Interno Bruto (PIB). A Portugal corresponde 0,43% em comparação com perto de 17,5% dos EUA, por exemplo! França, Reino Unido e Alemanha correspondem a níveis de 5 a 6% aproximadamente.
O papel dominante dos EUA determina que a instituição seja refém dos interesses específicos e dos valores daquele país, nomeadamente no domínio económico-financeiro e no domínio geoestratégico.
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2014/12/16
O capitalismo é generoso
Das notícias:
Sobre a “prenda” de 14 milhões de euros dada pelo construtor José Guilherme a Ricardo Salgado, Manuel Fernando Espírito Santo disse na Comissão de Inquérito que não achava normal.
Manuel Fernando admitiu que foi decidido dar aos membros do Conselho Superior uma retribuição especial, “a título dos ganhos obtidos nos contratos dos submarinos” (...) O gestor diz que o dinheiro (um milhão de euros para cada ramo da família) foi pago em 2004 ou 2005 por uma empresa ligada à Escom para uma sociedade sua na Suíça.
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2013/10/27
Não há dinheiro
Rendeiro, Guichard e Fezas Vital (…) na sua qualidade de administradores do BPP, atribuíram-se a si próprios, "antecipadamente [um ano antes do que seria normal] e sem que estivessem reunidas as condições para tal", prémios superiores a cinco milhões de euros, que receberam a poucos meses do banco entrar em colapso.
Público.pt
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2013/03/11
Que se lixe a troika, sim!
1. A União Europeia, logo a Alemanha, impõe a destruição do aparelho económico dos países do sul através de normas que são desfavoráveis a estes países.
2. Estes são forçados a endividar-se para fazer face às suas despesas e à escassez de produção decidida pela UE.
3. De seguida, a mesma UE, logo a Alemanha, obriga estes países a contrairem empréstimos junto da troika, UE incluída, para pagarem as tais dívidas, e fixam juros que revertem para os bancos centrais dos países ricos, principalmente a Alemanha!
Com as taxas de juros exigidos pela troika, os empréstimos de 208 mil milhões de euros “concedidos” a Portugal, Espanha, Grécia, Itália e Irlanda desde 2010, geraram um lucro de 1100 milhões de euros só para o BCE (Banco Central Europeu).
De notar, porém, que este lucro reverte na sua esmagadora maioria para os bancos centrais dos 17 países da zona euro que contribuíram para a compra de dívida, na proporção do capital investido por cada banco no BCE, o que faz com que a Alemanha (!) receba a maior fatia dos dividendos!
«Que se lixe a troica» é uma sátira à afirmação de Passos Coelho «Que se lixe o Partido», mas é também para ser levado à letra.
2. Estes são forçados a endividar-se para fazer face às suas despesas e à escassez de produção decidida pela UE.
3. De seguida, a mesma UE, logo a Alemanha, obriga estes países a contrairem empréstimos junto da troika, UE incluída, para pagarem as tais dívidas, e fixam juros que revertem para os bancos centrais dos países ricos, principalmente a Alemanha!
Com as taxas de juros exigidos pela troika, os empréstimos de 208 mil milhões de euros “concedidos” a Portugal, Espanha, Grécia, Itália e Irlanda desde 2010, geraram um lucro de 1100 milhões de euros só para o BCE (Banco Central Europeu).
De notar, porém, que este lucro reverte na sua esmagadora maioria para os bancos centrais dos 17 países da zona euro que contribuíram para a compra de dívida, na proporção do capital investido por cada banco no BCE, o que faz com que a Alemanha (!) receba a maior fatia dos dividendos!
«Que se lixe a troica» é uma sátira à afirmação de Passos Coelho «Que se lixe o Partido», mas é também para ser levado à letra.
2013/02/01
Vaticano, um paraíso… fiscal !
Entre as santas alianças e as guerras santas, a Igreja Católica faz o seu caminho. Com 180 representações diplomáticas distribuidas pela Terra, as relações do Vaticano com os governos dos países são condicionadas, se não determinadas, pelo património que a Igreja detém nesses países, e pela política fiscal destes em relação a ela. Como terá afirmado um arcebispo norte-americano, a Igreja não se administra com ave-marias.
A separação entre o poder político e a autoridade religiosa é uma ameaça para a riqueza da Igreja e dos seus profissionais. Quando essa separação traz consigo a justa tributação dos rendimentos dos sacerdotes, o conflito agrava-se. Mas quando ela vai ao ponto de expropriar o património religioso ou afecto às autoridades religiosas, abre-se uma guerra que a Igreja não hesita travar - com o sangue das suas ovelhas, não dos seus ministros. O anticomunismo da Igreja Católica faz parte deste conflito económico onde se jogam privilégios e fortunas incomensuráveis.
Bem poderia o Papa João Paulo II ser pessoalmente motivado por razões religiosas e ideológicas sinceras, como tudo indica que fosse, mas a sua eleição para Sumo Sacerdote e o papel político que viria a desempenhar no combate ao comunismo, correspondiam aos interesses financeiros da Igreja, aos interesses materiais dos seus bispos e sacerdotes.
É assim que estes escolhem um bispo polaco e com ele uma estratégia de derrube do comunismo na Polónia em 1980, envolvendo-se abertamente no confronto político do movimento "Solidariedade".
A recente proposta do governo checo de restituir aos orgãos eclesiais de diversas igrejas as propriedades confiscadas durante a vigência do regime comunista, em que o governo passou a pagar o salário dos sacerdotes, põe em evidência, uma vez mais, esta realidade.
Por seu lado, a recente decisão do presidente Raúl Castro de restituir bens da Igreja, nacionalizados pelo regime revolucionário em 1961, na sequência de outras medidas de abertura ao Vaticano em 2010 e 2012, servem para evitar – digo eu – que a Igreja faça em Cuba o que fez na Polónia, e não é porque o regime não persiga os seus dissidentes e não mate os seus presos - "La pena de muerte está suspendida, pero ahí está", dizia há dias Raúl Castro com orgulho entusiástico. É porque, mais uma vez, “alguma coisa tem que mudar para que tudo fique na mesma”.
O pacto entre a ditadura cubana e os herdeiros da Inquisição, obedece à lógica diplomática do Vaticano de “ir ao mercado” local”, de salvar o ouro. E à lógica dos Castros de se protegerem à sombra da Igreja. Nada que não se tenha visto noutras proporções, na Espanha do ditador Francisco Franco.
“En 1970, la cantidad total que la Iglesia recibía, directa o indirectamente, sumaba la impresionante cifra de 2,6 billones de pesetas (15.626,3 millones de euros, casi 6.000 millones más que ahora)“, sostiene Callahan. Son, arriba o abajo, las cantidades calculadas por Joan Castellà-Gassol”.
Naquele país, cerca de 80% do património artístico é propriedade da Igreja que também dispõe de 300 museus e 103 catedrais, Destes compromissos se faz a política dos estados. O Vaticano, em defesa do seu orçamento anual de 300 milhões de dólares, não escapa à regra.
Mas o que eu queria saber, como questionava o jornal “I”, era quando a Igreja portuguesa começa a pagar IMI sobre as suas propriedades de milhões de euros.
Em Itália, por exemplo, onde a Igreja gere um vasto património imobiliário que inclui, além de inúmeras igrejas, milhares de escolas, universidades, clínicas privadas, lares de idosos, hotéis, restaurantes e centros desportivos, num total de 100.000 edifícios que ascendem aos 9.000 milhões de euros, a política fiscal já lhe bateu à porta.
E aqui?
A separação entre o poder político e a autoridade religiosa é uma ameaça para a riqueza da Igreja e dos seus profissionais. Quando essa separação traz consigo a justa tributação dos rendimentos dos sacerdotes, o conflito agrava-se. Mas quando ela vai ao ponto de expropriar o património religioso ou afecto às autoridades religiosas, abre-se uma guerra que a Igreja não hesita travar - com o sangue das suas ovelhas, não dos seus ministros. O anticomunismo da Igreja Católica faz parte deste conflito económico onde se jogam privilégios e fortunas incomensuráveis.
Bem poderia o Papa João Paulo II ser pessoalmente motivado por razões religiosas e ideológicas sinceras, como tudo indica que fosse, mas a sua eleição para Sumo Sacerdote e o papel político que viria a desempenhar no combate ao comunismo, correspondiam aos interesses financeiros da Igreja, aos interesses materiais dos seus bispos e sacerdotes.
É assim que estes escolhem um bispo polaco e com ele uma estratégia de derrube do comunismo na Polónia em 1980, envolvendo-se abertamente no confronto político do movimento "Solidariedade".
A recente proposta do governo checo de restituir aos orgãos eclesiais de diversas igrejas as propriedades confiscadas durante a vigência do regime comunista, em que o governo passou a pagar o salário dos sacerdotes, põe em evidência, uma vez mais, esta realidade.
Por seu lado, a recente decisão do presidente Raúl Castro de restituir bens da Igreja, nacionalizados pelo regime revolucionário em 1961, na sequência de outras medidas de abertura ao Vaticano em 2010 e 2012, servem para evitar – digo eu – que a Igreja faça em Cuba o que fez na Polónia, e não é porque o regime não persiga os seus dissidentes e não mate os seus presos - "La pena de muerte está suspendida, pero ahí está", dizia há dias Raúl Castro com orgulho entusiástico. É porque, mais uma vez, “alguma coisa tem que mudar para que tudo fique na mesma”.
O pacto entre a ditadura cubana e os herdeiros da Inquisição, obedece à lógica diplomática do Vaticano de “ir ao mercado” local”, de salvar o ouro. E à lógica dos Castros de se protegerem à sombra da Igreja. Nada que não se tenha visto noutras proporções, na Espanha do ditador Francisco Franco.
“En 1970, la cantidad total que la Iglesia recibía, directa o indirectamente, sumaba la impresionante cifra de 2,6 billones de pesetas (15.626,3 millones de euros, casi 6.000 millones más que ahora)“, sostiene Callahan. Son, arriba o abajo, las cantidades calculadas por Joan Castellà-Gassol”.
Naquele país, cerca de 80% do património artístico é propriedade da Igreja que também dispõe de 300 museus e 103 catedrais, Destes compromissos se faz a política dos estados. O Vaticano, em defesa do seu orçamento anual de 300 milhões de dólares, não escapa à regra.
Mas o que eu queria saber, como questionava o jornal “I”, era quando a Igreja portuguesa começa a pagar IMI sobre as suas propriedades de milhões de euros.
Em Itália, por exemplo, onde a Igreja gere um vasto património imobiliário que inclui, além de inúmeras igrejas, milhares de escolas, universidades, clínicas privadas, lares de idosos, hotéis, restaurantes e centros desportivos, num total de 100.000 edifícios que ascendem aos 9.000 milhões de euros, a política fiscal já lhe bateu à porta.
E aqui?
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2011/12/15
Ajudas financeiras (em construção)
«Portugal terá de pagar juros de 34,4 mil milhões de euros pelo salvamento de 78 mil milhões acordado este ano com o FMI, BCE & UE – ou seja, o total a ser devolvido aos ditos "salvadores" será de 112,4 mil milhões de euros (juros+principal). Um salvamento assim é como...» lançar uma boia de 112 kg de peso, a um náufrago de 78 quilos.
Minha adaptação do texto eloquente de resistir.info.
Minha adaptação do texto eloquente de resistir.info.
2011/09/14
O LIVRO NEGRO
da “União Europeia”
Angela Merkel afirmou há dias que a sua «missão central é solucionar a crise europeia». Nada menos! E que «O futuro da Alemanha é inseparável do futuro da Europa».
Tal ambição é de fazer inveja ao Führer do III Reich – mutatis mutandis. Tal presunção faz-nos pensar o que estão a fazer e a gastar as centenas de deputados no Parlamento Europeu e representantes na Comissão Europeia, mais os funcionários e infra-estruturas de apoio respectivo. Já para não perguntar o que faz o Conselho Europeu.
Na UE os direitos dos cidadãos são secundarizados pelos direitos dos grandes credores, as soberanias nacionais são secundarizadas pela dominação formal das grandes potências do continente, a própria paz é secundarizada pelas “intervenções humanitárias” militares... A propósito: se o preço da paz é prescindir da soberania, porque não se evitaram todas as guerras até hoje?
Todos os mitos vão ruindo e a própria invocação dos EUA como exemplo de prosperidade assente num sistema de estados federados, esconde que amanhã a Federação Europeia, isto é, os "Estados Unidos da Europa", terá uma Nova York para a Alemanha e para a França, mas terá também vários “Mississipis” espalhados pelo sul. As recentes notícias sobre a pobreza nos Estados Unidos da América desdizem a tese de que o desenvolvimento e a equidade social dos países dependam da rendição das suas soberanias. Mais de 46 milhões de pobres, correspondendo a mais de 15 % da população, na maior potência mundial, é arrasador.
Alguém há-de escrever a História da União Europeia, não dos seus projectos e tratados mas dos seus sucessos e fracassos. E então é bem provável que se pareça muito com O Livro Negro da Europa Contemporânea.
Nota:
O governo central em Washington considera por definição como pobres os indivíduos com rendimentos abaixo de 11.140 dólares anuais ou as famílias de 4 pessoas que obtenham menos de 22.300 dólares ao ano. Acrescente-se que não existe um Serviço Nacional de Saúde e que mais de 46 milhões de norte-americanos não têm qualquer Plano de Saúde.
Tal ambição é de fazer inveja ao Führer do III Reich – mutatis mutandis. Tal presunção faz-nos pensar o que estão a fazer e a gastar as centenas de deputados no Parlamento Europeu e representantes na Comissão Europeia, mais os funcionários e infra-estruturas de apoio respectivo. Já para não perguntar o que faz o Conselho Europeu.
Na UE os direitos dos cidadãos são secundarizados pelos direitos dos grandes credores, as soberanias nacionais são secundarizadas pela dominação formal das grandes potências do continente, a própria paz é secundarizada pelas “intervenções humanitárias” militares... A propósito: se o preço da paz é prescindir da soberania, porque não se evitaram todas as guerras até hoje?
Todos os mitos vão ruindo e a própria invocação dos EUA como exemplo de prosperidade assente num sistema de estados federados, esconde que amanhã a Federação Europeia, isto é, os "Estados Unidos da Europa", terá uma Nova York para a Alemanha e para a França, mas terá também vários “Mississipis” espalhados pelo sul. As recentes notícias sobre a pobreza nos Estados Unidos da América desdizem a tese de que o desenvolvimento e a equidade social dos países dependam da rendição das suas soberanias. Mais de 46 milhões de pobres, correspondendo a mais de 15 % da população, na maior potência mundial, é arrasador.
Alguém há-de escrever a História da União Europeia, não dos seus projectos e tratados mas dos seus sucessos e fracassos. E então é bem provável que se pareça muito com O Livro Negro da Europa Contemporânea.
Nota:
O governo central em Washington considera por definição como pobres os indivíduos com rendimentos abaixo de 11.140 dólares anuais ou as famílias de 4 pessoas que obtenham menos de 22.300 dólares ao ano. Acrescente-se que não existe um Serviço Nacional de Saúde e que mais de 46 milhões de norte-americanos não têm qualquer Plano de Saúde.
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2010/10/16
2010/05/07
Islândia e os seus vulcões
Um comediante islandês decidiu colocar a Islândia à venda na Internet, numa altura em que o país revelava estar à beira da bancarrota. Parece que o negócio não se concretizou porque... a ilha não tinha seguro contra sismos e vulcões!
Agora a notícia da TSF.SAPO é...
«Os directores de bancos islandeses que arrastaram o país para a bancarrota em finais de 2009 foram presos por ordem das autoridades, sob a acusação de conduta bancária criminosa e cumplicidade na bancarrota da Islândia.
(...) Na lista de possíveis detenções nos próximos dias e semanas estão mais de 125 personalidades da antiga elite política, bancária e financeira, com destaque para o ex-ministro da Banca, o ex-ministro das Finanças, dois antigos primeiros-ministros e o ex-governador do banco central.
(...) Em Outubro de 2008, o sistema bancário islandês, cujos activos representavam o equivalente a dez vezes o Produto Interno Bruto do país, implodiu, provocando a desvalorização acentuada da moeda e uma crise económica inédita».
A CRISE DA ISLÂNDIA, E AS MEDIDAS
Em 2007, foi dado como o país mais desenvolvido do Mundo, com o quarto maior PIB per capita do planeta.
Mas foi um dos países mais afectados pela crise financeira mundial, com a economia a contrair, o desemprego a acentuar-see o défice a crescer.
A 7 de Outubro, o governo ida Islândia e a oposição aprovaram um plano de emergência para acalmar os islandeses, suspendendo os bancos islandeses na bolsa de valores de Reykjavik, e passando o Estado a controlar todas as decisões centrais do sector bancário.
Em Dezembro o parlamento islandês aprovou uma lei destinada a reembolsar os clientes estrangeiros afectados pela falência dos bancos do país em 3,9 mil milhões de euros.

REACÇÂO DA POPULAÇÃO, ÀS MEDIDAS
Mais de 62 mil islandeses, o que representa um quarto dos eleitores islandêses, assinaram uma petição que incentiva o presidente a vetar aquela legislação, e pedindo que se promova um referendo.
Muitos contribuintes consideram injusto ter de pagar pelos erros cometidos pelos bancos, que ofereciam altas taxas de juro e que não conseguiram sobreviver, com o estalar da crise financeira.
CHANTAGEM DA UE, FMI e AGÊNCIAS DE RATING
O secretário de Estado britânico para o sector financeiro, Paul Myners, avisou que a Islândia poderá não entrar para a União Europeia (UE) se o dinheiro não for devolvido aos depositantes estrangeiros.
Por outro lado, o primeiro-ministro da Islândia, avisou que o acesso ao plano de ajuda do FMI à economia islandesa está suspenso até que a questão do referendo, isto é, das indemnizações, esteja definitivamente resolvida.
No seguimento do veto presidencial, a Fitch - agência de notação financeira - reviu em baixa o rating da Islândia e a S&P avisou que se deveria seguir. A terceira "irmã", a Moody's, também já explicou que a instabilidade do país poderá prejudicar o rating.
A 5 de Março, a primeira ministra islandesa pediu o boicote do referendo que se realizaria no dia seguinte...

ERUPÇÂO POPULAR
Com uma enorme participação, cerca de três quartos dos eleitores (74%) votaram contra a lei, e apenas 19% do eleitorado votou a favor !
Será por isso que já “ninguém” quer falar da Islândia? Ou porque o seu governo se prepara para “reformular” o texto da lei (à maneira do que aconteceu com o Tratado de Lisboa) ?
Agora a notícia da TSF.SAPO é...«Os directores de bancos islandeses que arrastaram o país para a bancarrota em finais de 2009 foram presos por ordem das autoridades, sob a acusação de conduta bancária criminosa e cumplicidade na bancarrota da Islândia.
(...) Na lista de possíveis detenções nos próximos dias e semanas estão mais de 125 personalidades da antiga elite política, bancária e financeira, com destaque para o ex-ministro da Banca, o ex-ministro das Finanças, dois antigos primeiros-ministros e o ex-governador do banco central.
(...) Em Outubro de 2008, o sistema bancário islandês, cujos activos representavam o equivalente a dez vezes o Produto Interno Bruto do país, implodiu, provocando a desvalorização acentuada da moeda e uma crise económica inédita».
A CRISE DA ISLÂNDIA, E AS MEDIDAS
Em 2007, foi dado como o país mais desenvolvido do Mundo, com o quarto maior PIB per capita do planeta.
Mas foi um dos países mais afectados pela crise financeira mundial, com a economia a contrair, o desemprego a acentuar-see o défice a crescer.
A 7 de Outubro, o governo ida Islândia e a oposição aprovaram um plano de emergência para acalmar os islandeses, suspendendo os bancos islandeses na bolsa de valores de Reykjavik, e passando o Estado a controlar todas as decisões centrais do sector bancário.
Em Dezembro o parlamento islandês aprovou uma lei destinada a reembolsar os clientes estrangeiros afectados pela falência dos bancos do país em 3,9 mil milhões de euros.

REACÇÂO DA POPULAÇÃO, ÀS MEDIDAS
Mais de 62 mil islandeses, o que representa um quarto dos eleitores islandêses, assinaram uma petição que incentiva o presidente a vetar aquela legislação, e pedindo que se promova um referendo.
Muitos contribuintes consideram injusto ter de pagar pelos erros cometidos pelos bancos, que ofereciam altas taxas de juro e que não conseguiram sobreviver, com o estalar da crise financeira.
CHANTAGEM DA UE, FMI e AGÊNCIAS DE RATING
O secretário de Estado britânico para o sector financeiro, Paul Myners, avisou que a Islândia poderá não entrar para a União Europeia (UE) se o dinheiro não for devolvido aos depositantes estrangeiros.
Por outro lado, o primeiro-ministro da Islândia, avisou que o acesso ao plano de ajuda do FMI à economia islandesa está suspenso até que a questão do referendo, isto é, das indemnizações, esteja definitivamente resolvida.
No seguimento do veto presidencial, a Fitch - agência de notação financeira - reviu em baixa o rating da Islândia e a S&P avisou que se deveria seguir. A terceira "irmã", a Moody's, também já explicou que a instabilidade do país poderá prejudicar o rating.
A 5 de Março, a primeira ministra islandesa pediu o boicote do referendo que se realizaria no dia seguinte...

ERUPÇÂO POPULAR
Com uma enorme participação, cerca de três quartos dos eleitores (74%) votaram contra a lei, e apenas 19% do eleitorado votou a favor !
Será por isso que já “ninguém” quer falar da Islândia? Ou porque o seu governo se prepara para “reformular” o texto da lei (à maneira do que aconteceu com o Tratado de Lisboa) ?
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2010/04/29
Os abutres da crise
Quando procurava na ‘Net uma imagem para ilustrar este post e escrevi a palavra abutre, a última coisa que esperava encontrar era o que acabou por surgir: uma entrevista de Octávio Teixeira * em que ele compara os especuladores financeiros a abutres, tal como o título do meu post sugeria. Sendo assim, mas sobrertudo pelo interesse da sua análise, aqui fica um excerto:
A finança internacional, os grandes bancos especuladores que há pouco tempo receberam dos estados cheques em branco para os salvar da “banca rôta”, voltam a ameaçar a estabilidade financeira e económica... O que eles visam é aumentar as taxas de juro dos empréstimos para aumentarem os seus lucros.
Mas para eles os custos do dinheiro não aumentaram, antes baixaram porque os bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu, os refinanciam a baixo custo.
Citando um artigo do El Pais, também disse: «O que está ferido não é este ou aquele país; é o euro!».
* O. Teixeira, economista e ex-deputado do PCP,
em entrevista para a Antena 1, em 22 de Abril
Quanto ao meu post, é apenas uma recolha de notícias do dia 27 de Abril, aquele em que a notícia da notação financeira de Portugal fez estremecer... os orgãos de informação nacionais. Era o ano da “desgraça” de 2010, quando...
AGÊNCIA DE RATING 16h33
A agência de notação financeira Standard & Poor's cortou o “rating” de longo prazo da dívida portuguesa, em dois níveis.
Esta decisão surge numa altura em que os mercados financeiros estão a penalizar Portugal, essencialmente devido às hesitações dos parceiros europeus quanto à finalização do apoio financeiro à Grécia.
(Na opinião de Bruno Costa, operador da sala de mercados da correctora GoBulling, os investidores estão a reagir "fugindo" do risco, devido ao mau desempenho português no mercado da dívida).
GOVERNO 18h14
Horas depois de o comunicado ter sido enviado, (o ministro) Teixeira dos Santos pronunciou-se sobre esta questão (dizendo) ser provável que os mercados continuem a sofrer a “turbulência” dos últimos dias devido ao ataque dos mercados internacionais e à revisão em baixa do ‘rating’ de Portugal pela Standard & Poor’s.
«Teixeira dos Santos diz que vai fazer tudo o que for necessário para assegurar a eliminação do défice»
PATRÕES 19h45
Os empresários afirmam-se disponíveis para combater a redução do défice, mas advertem que os sacrifícios têm de ser repartidos por todos.
António Saraiva lembrou o alerta da CIP, que considerou tímidas as medidas propostas no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), mas assegurou que os empresários estão disponíveis «para ajudar».
Mas, acrescentou, os empresários exigem que “os sacrifícios sejam repartidos de igual modo”, porque “todos beneficiaremos com as medidas de alteração que têm de ser tomadas”.
Jorge Rocha de Matos, presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), repetiu o apelo da concertação por parte de todos os agentes, desde políticos a empresários, frisando que “é preciso apertar o cinto”.
Entretanto, contactada pela TSF, a Associação Empresarial de Portugal (AEP) fez saber que aguarda com muita expectativa os resultados das diligências que certamente o Governo e o PSD irão desencadear face a uma situação tão delicada como esta.
PSD 19h13
O presidente do PSD, Passos Coelho, declara que «As diferenças entre o PSD e o Governo, não nos impedem de fazer a defesa do país, que está sob ataque especulativo » e adiantou que o PSD está disposto a analisar com o Governo a antecipação de medidas do Plano de Estabilidade e Crescimento, o PEC, altura em que não deixará de apresentar sugestões próprias. É conhecido o seu plano “B” que passa sobretudo por uma maior redução da despesa pública.De seguida, o presidente do PSD pediu uma reunião de urgência com o Primeiro-Ministro para o dia seguinte. (A reunião foi combinada logo no dia 27).
CDS
Assunção Cristas, do CDS-PP, disse que o partido está solidário com o Governo e deu-lhe «alguma razão» quando diz que «não estamos numa situação análoga à da Grécia e que isto é um ataque ao euro».
No entanto, a democrata-cristã frisou que o que conta para os mercados é a «determinação, credibilidade e confiança nas contas públicas e na atitude no futuro» que Portugal demonstrar.
«Nós dissemos na altura do Orçamento do Estado que o orçamento era curto na compressão da despesa e apresentámos várias propostas no sentido de cortar mais na despesa.” Deu como exemplos de sectores em que se pode cortar, o consumo intermédio da administração pública e o Rendimento Social de Inserção.
“Dissemos também que o Orçamento não dava sinais muito claros no que diz respeito ao endividamento e propusemos a paragem das grandes obras públicas, como o TGV e o aeroporto. Precisamente para dar um sinal aos mercados de que tínhamos percebido a gravidade da situação e que íamos actuar em conformidade”,
ESQUERDA
Pelo Bloco de Esquerda, José Gusmão afirmou que «a situação é grave», mas ressalvou que os pareceres das agências de “rating” não têm «nenhuma credibilidade».
Para o bloquista, as agências de “rating” são um instrumento de «ataque especulativo que está a ser conduzido contra o euro». Por isso, continuou, esta situação «exige da União Europeia a concertação de uma política económica anti-crise a a constituição de uma agência de “rating” pública à escala europeia».
«Pensamos que a reacção relativamente a estas notações que são atribuídas deve ser a de reafirmar a soberania do nosso país e a de exigir uma outra política» ao Governo que não a de «definhamento da economia nacional», defendeu, por seu lado, o comunista Vasco Cardoso.
PRIMEIRAS ANÁLISES
ALEXANDRA FIGUEIRA - JN/SAPO
Juros a subir, mais desemprego e menos ajudas do Estado. Será este o panorama previsível para o futuro próximo de Portugal, ainda que o país evite entrar num sistema de "dívida explosiva". Podem estar em causa novas medidas de "aperto de cinto".
(…) Teixeira dos Santos não especificou de que medidas falava, mas Abel Fernandes, da Faculdade de Economia do Porto, admite que passem por mais cortes: em apoios sociais, como o subsídio de desemprego ou o rendimento social de inserção; em obras públicas, como o comboio de alta velocidade ou estradas; na própria máquina pública. Admite até que parte dos vencimentos dos funcionários do Estado seja paga em títulos de dívida, como aconteceu nos anos 80 e que seria, diz, "uma medida mais inteligente do que o corte de salários" decidido por exemplo pela Irlanda e, agora, pela Grécia.
Miguel Beleza, que já ocupou a pastas das Finanças, ainda espera que as medidas do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) sejam suficientes para convencer os mercados de que Portugal é um país de confiança. "Mas não excluo a possibilidade de serem precisas mais", disse.
Vários pontos do PEC têm ainda que ser aprovados pela Assembleia da República, um assunto que será discutido (em 28/4) entre os líderes dos dois principais partidos, José Sócrates e Passos Coelho. Em todo o caso, novos cortes no Estado deverão prejudicar a economia, levando a mais desemprego, diz Abel Fernandes.
Já o cenário de juros mais altos não está em dúvida, será apenas uma questão de tempo. Miguel Beleza não arrisca: "Dentro de um período de tempo, não muito largo, os bancos terão que pagar esta taxa de juro [a agora suportada pelo Estado], que depois farão repercutir no crédito concedido" a famílias e empresas. Ontem, a mesma agência baixou a nota dada à dívida de cinco bancos e da REN.
Para quem tem empréstimos, o efeito das subidas dos juros será sentido à medida que vai subindo a Euribor que, recorde-se, é uma taxa europeia e não exclusiva de Portugal (o Banco Central Europeu já admitiu subir as suas taxas directoras este ano). Ainda assim, é de esperar que a Banca continue a aumentar as comissões, como forma de subir receitas.
Já para quem vai fazer novos contratos, é de esperar que os bancos sejam cada vez mais exigentes nas condições impostas, emprestem menos dinheiro (em comparação com o valor da casa, por exemplo) e cobrem "spreads" mais altos.
A atenção dada pelos mercados às contas de Portugal poderá ser exagerada, regressando a valores "normais" depois de algum tempo, espera Miguel Beleza.
(Para) Abel Fernandes, o crescimento da economia portuguesa será menor do que a subida dos juros a pagar, o que questiona a capacidade do país de, a prazo, cumprir os seus compromissos. "Estamos numa trajectória de dívida explosiva", disse.
Resumo por minha conta:
O processo capitalista de expropriação dos trabalhadores através de salários baixos, aumento de impostos e de juros, não pára de inventar artifícios. A natureza internacional deste processo é evidente. A culpa não é dos abutres que, segundo se sabe, só atacam porque têm fome.
("Itálicos" e realçados da iniciativa deste blogue)
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2010/04/22
"A banca é do povo"
Para que não pareça demasiado obsoleto ou anti-ocidental, porventura radical e muito certamente pessimista o meu artigo anterior que aludia aos limites da paciência popular para aturar os desmandos imorais, digo obscenos do capitalismo...
... junto agora um artigo do catalão Vicenç Navarro *, de 17 de Abril de 2010, e que reza assim:
«Una noticia que seguro Ud. no habrá leído en los mayores medios de información del país es la del movimiento que está ocurriendo en EEUU (centro de la crisis financiera), que goza de gran apoyo popular, que propone la creación de bancas públicas, tanto a nivel estatal como federal. En parte, ello se debe al enorme descrédito que la banca privada tiene en aquel país. Según las últimas encuestas (inquéritos de opinião), los bancos están entre las instituciones menos valoradas en la sociedad estadounidense. A pesar de las enormes cantidades de fondos públicos que los bancos han recibido, todavía hoy es difícil para las pequeñas y medianas empresas, así como para la mayoría de la ciudadanía, conseguir crédito bancario. En lugar de utilizar los fondos públicos para cumplir esta función social (el ofrecimiento de crédito), los grandes bancos han utilizado tales fondos para continuar con sus comportamientos especulativos (que causaron la crisis financiera) y para incrementar todavía más los salarios y bonos de sus directivos. Como consecuencia, la hostilidad de la población hacia los bancos se ha acentuado todavía más.Pero la otra razón de que haya un número creciente de representantes políticos que, presionados por la opinión popular, estén proponiendo crear una banca pública es la experiencia positiva de la banca pública en aquellos estados que tienen bancos estatales públicos.
(...)
Y otro dato importante, que tampoco habrá leído en los mayores medios de información y persuasión españoles es que se empiezan a escuchar voces en EEUU que están pidiendo también que se establezca un banco público, voces que están encontrando una gran receptividad en la calle, e incluso en algunos sectores del Congreso (que no han sido captados todavía por los lobbies de la Banca). Entre estas voces está la del Premio Nobel de Economía, Joseph Stiglitz, que en un artículo reciente en la revista The Nation indicaba que los 700.000 millones de dólares que se gastaron para ayudar a la banca, debieran haberse utilizado en establecer una banca pública, evitando así que EEUU tuviera el enorme problema de crédito que tiene hoy».
(Fim de citação. O artigo completo encontra-se AQUI ).
Claro que não há aqui um sinal de rutura com o capitalismo - não só pela desproporção do significado como até por falta de uma alternativa moderna - mas daqui a tomar-se este sinal por desprezível, só mesmo para quem não compreendeu os efeitos perversos da política de Gorbachev destinada a aperfeiçoar... o socialismo.
* Vicenç Navarro ha sido Catedrático de Economía Aplicada en la Universidad de Barcelona. Actualmente es Catedrático de Ciencias Políticas y Sociales, Universidad Pompeu Fabra (Barcelona, España). Es también profesor de Políticas Públicas en The Johns Hopkins University (Baltimore, EEUU) donde ha impartido docencia durante 35 años. Dirige el Programa en Políticas Públicas y Sociales patrocinado conjuntamente por la Universidad Pompeu Fabra y The Johns Hopkins University. Dirige también el Observatorio Social de España
A capa da Vida Mundial de 1975 foi copiada de Restos de Colecção
«Una noticia que seguro Ud. no habrá leído en los mayores medios de información del país es la del movimiento que está ocurriendo en EEUU (centro de la crisis financiera), que goza de gran apoyo popular, que propone la creación de bancas públicas, tanto a nivel estatal como federal. En parte, ello se debe al enorme descrédito que la banca privada tiene en aquel país. Según las últimas encuestas (inquéritos de opinião), los bancos están entre las instituciones menos valoradas en la sociedad estadounidense. A pesar de las enormes cantidades de fondos públicos que los bancos han recibido, todavía hoy es difícil para las pequeñas y medianas empresas, así como para la mayoría de la ciudadanía, conseguir crédito bancario. En lugar de utilizar los fondos públicos para cumplir esta función social (el ofrecimiento de crédito), los grandes bancos han utilizado tales fondos para continuar con sus comportamientos especulativos (que causaron la crisis financiera) y para incrementar todavía más los salarios y bonos de sus directivos. Como consecuencia, la hostilidad de la población hacia los bancos se ha acentuado todavía más.Pero la otra razón de que haya un número creciente de representantes políticos que, presionados por la opinión popular, estén proponiendo crear una banca pública es la experiencia positiva de la banca pública en aquellos estados que tienen bancos estatales públicos.
(...)
Y otro dato importante, que tampoco habrá leído en los mayores medios de información y persuasión españoles es que se empiezan a escuchar voces en EEUU que están pidiendo también que se establezca un banco público, voces que están encontrando una gran receptividad en la calle, e incluso en algunos sectores del Congreso (que no han sido captados todavía por los lobbies de la Banca). Entre estas voces está la del Premio Nobel de Economía, Joseph Stiglitz, que en un artículo reciente en la revista The Nation indicaba que los 700.000 millones de dólares que se gastaron para ayudar a la banca, debieran haberse utilizado en establecer una banca pública, evitando así que EEUU tuviera el enorme problema de crédito que tiene hoy».
(Fim de citação. O artigo completo encontra-se AQUI ).
Claro que não há aqui um sinal de rutura com o capitalismo - não só pela desproporção do significado como até por falta de uma alternativa moderna - mas daqui a tomar-se este sinal por desprezível, só mesmo para quem não compreendeu os efeitos perversos da política de Gorbachev destinada a aperfeiçoar... o socialismo.
* Vicenç Navarro ha sido Catedrático de Economía Aplicada en la Universidad de Barcelona. Actualmente es Catedrático de Ciencias Políticas y Sociales, Universidad Pompeu Fabra (Barcelona, España). Es también profesor de Políticas Públicas en The Johns Hopkins University (Baltimore, EEUU) donde ha impartido docencia durante 35 años. Dirige el Programa en Políticas Públicas y Sociales patrocinado conjuntamente por la Universidad Pompeu Fabra y The Johns Hopkins University. Dirige también el Observatorio Social de España
A capa da Vida Mundial de 1975 foi copiada de Restos de Colecção
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2010/02/07
Modelos económicos
«A China deverá tornar-se este ano a segunda economia do mundo. E a primeira até 2026, segundo o banco americano Goldman Sachs» – leio no Monde Diplomatique de 5 de Fevereiro de 2010. Estamos a falar do país com o maior crescimento económico dos últimos 25 anos no mundo, com a média do crescimento do PIB em torno de 10% por ano. Estamos a falar de um país socialista.
Marxista à minha maneira como cada um o é à sua, parece-me adequado perguntar o que tem esta China e este processo de desenvolvimento a ver com o Socialismo. E com algum atrevimento acima das minhas posses intelectuais, perguntaria mais: será que o marxismo cometeu um erro fundamental ao politizar a Economia? Isto é: será que as leis económicas podem ser sujeitas a opções ideológicas?
Nacionalizar ou privatizar os meios de produção, por exemplo, são opções do domínio económico que só podem ser avaliadas em contextos específicos, não sendo de estranhar as vantagens de privatizar em contexto socialista, como as vantagens de nacionalizar em contexto capitalista – não é preciso ir longe para encontrar exemplos!
A própria “lógica de mercado” é assimilável pelo Socialismo se tivermos em conta as relações internacionais, não só da China mas até da URSS enquanto existiu. A reclamação de Cuba contra o embargo económico, ela própria, diz muito sobre isso. Afinal as matérias primas, as máquinas e as moedas de troca não têm ideologia, têm funcionalidade, servem a produção, o desenvolvimento, a satisfação de necessidades.
Dir-se-ia, à luz destas experiências históricas, que é o grau de participação de cada estado nas diversas componentes das economias, mais do que a sua inclusão total, o que permite caracterizar o sistema político-económico. E que o resto é retórica ideológica. A própria questão central do capitalismo, o lucro individual, parece sujeitar-se ao critério do grau e não da rigorosa inclusividade ou exclusividade.
Para voltar ao caso da China, o respectivo governo reformou a economia do país no final da década de 1970, no sentido de abri-la ao mercado e valorizar o sector privado. O resultado foi o rápido crescimento que se tem visto e sem que o governo deixasse de se reivindicar e organizar em moldes socialistas.
O que resta ao socialismo para se diferenciar do capitalismo no domínio económico ? Ou essa é uma falsa questão e toda a Economia é uma só, como a Ecologia? Neste caso a ideologia socialista deveria confinar-se à política, garantida que estivesse a subordinação da economia à sua soberania.
Saber como este modelo se pode conformar com a “libertação dos povos” proclamada pelo socialismo marxista, sabendo nós que a própria China não é (ainda?) um exemplo nesta matéria, eis a questão.
Questão tão pertinente e incontornável como lembrar que foi o carácter socialista do regime chinês, isto é, a subordinação da economia ao poder político, que permitiu à China dispor e injectar rapidamente dinheiro na economia quando o mundo entrou em crise financeira! É uma vantagem da banca nacionalizada.
Marxista à minha maneira como cada um o é à sua, parece-me adequado perguntar o que tem esta China e este processo de desenvolvimento a ver com o Socialismo. E com algum atrevimento acima das minhas posses intelectuais, perguntaria mais: será que o marxismo cometeu um erro fundamental ao politizar a Economia? Isto é: será que as leis económicas podem ser sujeitas a opções ideológicas?Nacionalizar ou privatizar os meios de produção, por exemplo, são opções do domínio económico que só podem ser avaliadas em contextos específicos, não sendo de estranhar as vantagens de privatizar em contexto socialista, como as vantagens de nacionalizar em contexto capitalista – não é preciso ir longe para encontrar exemplos!
A própria “lógica de mercado” é assimilável pelo Socialismo se tivermos em conta as relações internacionais, não só da China mas até da URSS enquanto existiu. A reclamação de Cuba contra o embargo económico, ela própria, diz muito sobre isso. Afinal as matérias primas, as máquinas e as moedas de troca não têm ideologia, têm funcionalidade, servem a produção, o desenvolvimento, a satisfação de necessidades.
Dir-se-ia, à luz destas experiências históricas, que é o grau de participação de cada estado nas diversas componentes das economias, mais do que a sua inclusão total, o que permite caracterizar o sistema político-económico. E que o resto é retórica ideológica. A própria questão central do capitalismo, o lucro individual, parece sujeitar-se ao critério do grau e não da rigorosa inclusividade ou exclusividade.
Para voltar ao caso da China, o respectivo governo reformou a economia do país no final da década de 1970, no sentido de abri-la ao mercado e valorizar o sector privado. O resultado foi o rápido crescimento que se tem visto e sem que o governo deixasse de se reivindicar e organizar em moldes socialistas.
Saber como este modelo se pode conformar com a “libertação dos povos” proclamada pelo socialismo marxista, sabendo nós que a própria China não é (ainda?) um exemplo nesta matéria, eis a questão.
Questão tão pertinente e incontornável como lembrar que foi o carácter socialista do regime chinês, isto é, a subordinação da economia ao poder político, que permitiu à China dispor e injectar rapidamente dinheiro na economia quando o mundo entrou em crise financeira! É uma vantagem da banca nacionalizada.
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